EU DEVERIA ESTAR MORTO

Damien Jackson foi uma criança como as outras. O caçula de uma família de negros americana. Teve casa, estudou e foi amado. Mas a situação iria mudar antes que ele chegasse aos 13 anos.

A parceria e cumplicidade estabelecida entre Damien e o seu irmão Derrick é tão intensa quanto a relação que existia entre eles e os pais. Esta é uma situação real, possível de ser vivida dentro de muitos lares.

Seu pai, sempre ausente. Sua mãe se importava somente com seus interesses, ela dizia coisas que jamais deveriam ser ditas, coisas inesquecíveis do tipo que deixam cicatrizes, mesmo antes de completar 10 anos, quase todos os dias imaginava-se suicidando.

Não pediu um pai violento, uma mãe que estava frequêntemente em clubes, nem pediu exemplos que o ensinaram a roubar.

Talvez tudo tivesse dando errado porque Damien e Derrick só faziam besteiras.Todo mundo passava todo mundo pra trás. Um roubava o outro. Os caras espancavam os viciados que chegavam para pegar droga. Uma vez, um cara levou um tiro na cabeça. Os miolos dele ficaram espalhados por cima da lata de lixo que estava ao lado.

Célia, amiga da escola, pediu para Damien dar conselhos ao pai dela, que usava drogas e estava mal, o que ela não sabia é que o seu conselheiro era também a pessoa que abastecia o seu pai com as drogas.

Costumava ser o mediador, o caçula da família que tentava manter a paz entre seus irmãos e irmãs. Tão inteligente que no primeiro ano foi mandado para uma escola especial. Só que abandonou tudo. O que teria acontecido?

Viveu em um lar destruído, mas as coisas não foram tão ruins. nasceu em 1982, em Fort Lauderdale, Flórida. não lembra bem do seu pai, Greg Jackson, nessa época. Ele não era presente. Sua mãe Sdie, o mimava. Sua irmã, Rose, dois anos mais velha e, Derrick, três anos mais velho.

Sua mãe era da máfia italiana. Parecia sua melhor amiga.

Mais tarde também ficou sabendo que sua mãe era envolvida com vodu e espiritismo, isso acrescentou uma nuvem de trevas e medo, apesar do conforto material que possuíam.

A sua mãe o mimava. Tornou-se uma criança mal-educada.

Conheceu Roy nas ruas. Roy não era morador de rua. Era um médico bem–sucedido que teve problemas financeiros, depois de um colapso nervoso que o fez abandonar tudo. Sua esposa o traiu e o deixou. Ele foi morar nas ruas. Não queria mais lidar com a vida.

Sua mãe foi eletrocutada três vezes pelo fogão. Certa ocasião o teto rachou caindo em cima da cabeça dela e a derrubando no chão com uma pilha de gesso e poeira. Quando a vi ela parecia uma rainha do vodu, com olho grande e, coberta com um pó branco.

Sempre que ouvia sirene perto de casa, seu coração batia forte e ele corria para ver se tinha acontecido alguma coisa com a sua mãe.

O trabalho do seu pai não dava muito dinheiro. O dinheiro desaparecia antes de ele chegar em casa e pagar as despesas. Este era um dos motivos de não poderem morar em lugares melhores.

Em dezembro não havia presente embaixo da árvore de natal.

Seu Amog Chris, amigo da família, certa ocasião o chamou para outra brincadeira quando não aceitou e ouviu, dos filhos do senhor Chris: Tô cansado de vocês, seus negros!

Muita dor, ódio e silêncio.

Certa ocasião o ventilador de teto estava no chão, no meio da cozinha. Parecia um helicóptero caído. Em volta dele havia uma toalha velha e encharcada de sangue, parecia um pano de chão velho. Sua mãe fora atingida; sobreviveu.

Nunca, viu os pais demonstrando afeto entre eles. Nenhum beijo ou abraço, ou palavra carinhosa, continuavam juntos só por conveniência. Porquê?

Na escola, brigas. Aprendeu a fumar maconha com o irmão Derrick.

Após a prisão de seu pai descobriu, através de relato de sua mãe, que seu pai é gay.

Depois de brigas familiares encontrou no computador de Derrick, uma composição descrevendo como mataria seu pai e como se livraria das partes do corpo.

Sua mãe era sempre pega manipulando e mentindo para se dar bem em cima de alguém.

Pelo uso de drogas contraiu úlcera péptica, que para ele era doença de empreendedores mais velhos, se comessem muita gordura.

O retorno do pai para casa, cartas na mesa. A mãe sabia que ele era gay, mas por ser feiticeira, princesa do vodu, daria um jeito... Não funcionou.

Greg Jackson disse que sua mãe fez buracos na camisinha para ficar grávida do Damien, e disse para abortá-lo, além de confessar que é portador do vírus HIV. Natal de 1995, Damien tinha 13 anos.

No campo artístico, compunha rap e tentava alavancar a carreira musical.

Começou a representar O Sangue, uma gangue de Los Angeles. Usavam vermelho: tênis vermelho, camisa vermelha ou maqueta, boné vermelho de lado, cadarço vermelho do lado esquerdo.

Meia branca do lado de fora do bolso, tem droga a venda, senão, não tinha. Ganhou popularidade

Na sua primeira prisão foi liberado por ser réu primário.

Na segunda prisão foi liberado sob a condição de morar com seu pai e de realizar algumas tarefas, como assistir uma reunião do Estado, trabalhar, e comparecer uma vez por mês na sua oficial de justiça, dormir as 21 h e poder ser visitado no trabalho ou em casa a qualquer momento, e claro não usar drogas, as aulas foram no Circulo do Vencedor.

A estadia na casa de seu pai, era de maneira que quando o pai tinha visitas ele deveria deixar o apartamento “limpo”.

Na primeira visita ao oficial de justiça recebeu um copo para realizar o exame de uso de drogas, a ficha caiu. Felizmente a oficial deu uma chance pra ele. Na próxima não teria arrego.

Depois de tentar não usar drogas, voltou a boca para perguntar como fazer para que não aparecesse nos exames e o amigo dele disse que era só ele beber bastante leite e não usar droga no dia. Foi o que ele fez e daí no segundo encontro com a oficial fez o exame. Acusou presença de elementos tóxicos, foi detido. Liberado novamente sob a condição de não usar mais e se o fizer seria preso juntamente com outros usuários ele resolveu parar com as drogas e passou a beber Rum e vodca.

Leia o final dessa história. Ela é 100% real.

Damien Jackson e sua esposa, Neta, são autores premiados ou co-autores de mais de 150 livros, incluindo os romances da casa da esperança. Atualmente residem na área de Chicago.

No final tudo se resume em uma escolha. Uma escolha muda tudo. (Damien Jackson)

Jackson. Damien. Eu deveria estar morto. Rio de Janeiro.1ª ed. UNIPRO.2012. 252 p. 22 cm.

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