Perfil sociodemográfico de cuidadores familiares de idosos residentes em uma área de abrangência da

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Red de Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal Sistema de Información Científica de Souza Santos, Gerson; Kowal Olm Cunha, Isabel Cristina

Perfil sociodemográfico de cuidadores familiares de idosos residentes em uma área de abrangência da

Estratégia Saúde da Família no município de São Paulo

Saúde Coletiva, vol. 10, núm. 60, 2013, p. 47-53

Editorial Bolina São Paulo, Brasil

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Saúde Coletiva, ISSN (Versão impressa): 1806-3365 editorial@saudecoletiva.com.br Editorial Bolina Brasil w.redalyc.org Projeto acadêmico não lucrativo, desenvolvido pela iniciativa Acesso Aberto

Saúde do Idoso

Santos GS, Cunha ICKO. Perfil sociodemográfico de cuidadores familiares de idosos residentes em uma área de abrangência da Estratégia Saúde da Família no município de São Paulo.

Perfil sociodemográfico de cuidadores familiares de idosos residentes em uma área de abrangência da Estratégia Saúde da Família no município de São Paulo

Neste estudo, o objetivo foi caracterizar o perfil sociodemográfico dos cuidadores familiares de idosos residentes em uma área de abrangência da Estratégia Saúde da Família no município de São Paulo. Pesquisa quantitativa do tipo exploratório-descritivo, utilizando-se o estudo retrospectivo a partir de dados levantados em prontuários. Dos cuidadores estudados, a grande maioria eram mulheres brancas, casadas, católicas, com idade entre 30 a 59 anos, que estudaram de 1 a 4 anos, ocupa-se da função do lar, com renda familiar de 1 a 2 salários mínimos, tem casa própria, de tijolos e com saneamento básico. A maior parte delas são cuidadoras de 4 a 6 anos, sendo filhas do paciente. 3,9% são tabagistas, 8,2%, não tem acesso a lazer e 84,8%, não praticam atividade física, 45,7% tem hipertensão arterial, 27,2% referem fadiga, 16,9% referem anemia e 10,2% tem diabetes mellitus. Descritores: Cuidadores, Idoso, Programa Saúde da Família.

In this study, the objective was to characterize the demographic profile of family caregivers of elderly residents in an area covered by the Family Health Program in São Paulo - SP, Brazil. Quantitative research is an exploratory-descriptive study using retrospective data collected from medical records. Of the caregivers surveyed, the vast majority were white, married, Catholic, aged 30 to 59, who studied 1-4 years, deals with the function of home, with family income between 1 to 2 minimum wages, has own house, brick and sanitation. Most of them also act as caregivers 4-6 years, and daughters of the patient, 3.9% are smokers, 8,2% have no access to leisure and 84.8% not physically active, 45.7% is arterial hypertension, 27.2%, with fatigue, 16.9% had anemia and 10.2% are mellitus diabetic. Descriptors : Caregivers, Aged, Family Health Program.

En este estudio, el objetivo fue caracterizar el perfil demográfico de los cuidadores familiares de ancianos residentes en un área cubierta por el Programa de Salud de la Familia en São Paulo – SP, Brasil. Esta es una investigación cuantitativa, exploratoria, descriptiva y retrospectiva con datos recogidos del prontuario. De los cuidadores encuestados, la gran mayoría eran mujeres blancas, casadas, católicas, de 30 a 59 años, que estudió 1-4 años, se ocupando de la función de la casa, con un ingreso familiar entre 1 y 2 salarios mínimos, ha propia casa, ladrillo y saneamiento. La mayoría de ellas actúan como cuidadoras hace 4-6 años, y son hijas del paciente, 3,9% son fumadoras, 8,2% no tienen acceso al ocio y 84.8% no practican actividad física, 45,7%, eran hipertensión arterial, 27,2% refieren fatiga, 16,9% tenían anemia y 10,2% tienen diabetes mellitus. Descriptores: Cuidadores, Anciano, Programa de Salud Familiar.

Gerson de Souza Santos enf.gerson@hotmail.com Enfermeiro. Mestre em Enfermagem. Enfermeiro da Estratégia Saúde da Família. Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração em Serviços de Saúde e Gerenciamento de Enfermagem. Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.

Isabel Cristina Kowal Olm Cunha Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem e Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração em Serviços de Saúde e Gerenciamento de Enfermagem – UNIFESP

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INTRODUÇÃO m vários países, as populações estão envelhecendo. Estudos mostram que o número de pessoas idosas cresce em ritmo maior do que o número de pessoas que nascem, acarretando um conjunto de situações que modificam a estrutura de gastos dos países em uma série de áreas importantes.

No Brasil, o ritmo de crescimento da população idosa tem sido sistemático e consistente. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2009, o País contava com uma população de cerca de 21 milhões de pessoas de 60 anos ou mais de idade. Com uma taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição populacional, combinada ainda com outros fatores, tais como os avanços da tecnologia, especialmente na área da saúde, atualmente o grupo de idosos ocupa um espaço significativo na sociedade brasileira1.

Esse aumento no número de idosos, dentre outros fatores, suscita a necessidade de retomar as discussões que permeiam a crise no setor saúde. Nesta perspectiva, visando implementar os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde institui a Estratégia Saúde da Família (ESF), em 1994. Tal estratégia enfoca a família como unidade de ação programática de saúde e não mais, tão somente o indivíduo2.

A ESF está pautada na visão ativa da intervenção em saúde, ou seja, não somente esperar a população chegar aos serviços de saúde para intervir. Deve-se interagir com ela preventivamente, constituindo-se em instrumento real de reorganização de demanda. Além disso, reforçam- se as concepções de integração com a comunidade e o enfoque na atenção integral, evitando ações reducionistas em saúde, centradas, somente, na intervenção biológica e médica2.

A Política Nacional de Saúde da Pessoa

Idosa (PNSPI), do Ministério da Saúde estabelecida em 2006, define que a atenção à saúde da população idosa terá como porta de entrada a Atenção Básica/Saúde da Família, tendo como referência a rede de serviços especializada de média e alta complexidade3.

Com o avanço da idade aumentam as chances de surgimento de uma ou mais doenças crônicas que, em sua maioria, apresentam riscos de complicações, podendo gerar um processo incapacitante e afetar a funcionalidade e, com isso, dificultar ou impossibilitar o desempenho das atividades da vida cotidiana de forma independente. A incapacidade funcional se apresenta como um sinal de falência das habilidades em realizar as atividades cotidianas, seja pela presença de déficits físicos ou cognitivos, gerando como resultado, a dependência4.

Neste contexto, a capacidade funcional, ou seja, a habilidade para realização de atividades da vida diária surge como um novo paradigma de saúde, muito importante para o idoso. Saúde em uma nova concepção passa a ser o resultado de bem estar físico, mental, social, familiar e econômico. Considerando que, quando o domicílio passa a ser um local de cuidados, as portas se abrem para as diferenças e modificações no âmbito familiar, mudando o cotidiano de todos que habitam naquele mesmo teto5.

Geralmente a função de cuidador é assumida por uma única pessoa, denominada cuidador principal, seja por instinto, vontade, disponibilidade ou capacidade. Esta assume tarefas de cuidado, atendendo às necessidades do idoso e responsabilizando-se por elas. Outro fator determinante para o membro familiar se tornar cuidador é a obrigação e/ou dever que ele mesmo tem para com o idoso. Isto pode ser entendido como um sentimento natural e subjetivo ligado a um compromisso constituído ao longo da convivência familiar6.

Para desenvolver seu processo de viver, a família organiza seu próprio sistema de cuidados, no qual estão refletidos seus saberes sobre a saúde e a doença, todos incorporados de valores e crenças que se fortalecem no cotidiano. Fornecer ajuda, proteção e cuidado é um aspecto central das relações familiares, ao longo de todo o curso de vida de seus membros. Costumes, valores, educação e situação econômica interagem com a idade e o gênero das pessoas que cuidam e das que são cuidadas e, além disso, respondem pela desejabilidade e aceitabilidade do papel e dos desempenhos associados ao cuidar, ajudar e proteger7.

O ônus relacionado ao cuidado de idosos dependentes faz com que o cuidador familiar deva ser visto, também, como um cliente que merece ser enfocado criteriosamente. Nos países latinoamericanos, ao que se sabe esta atividade ainda não está incorporada nos serviços de saúde apesar de já ser levada em consideração há algum tempo nos países desenvolvidos8.

Diante do exposto, estudos que busquem atualizar os conhecimentos sobre os cuidadores familiares de idosos contribuem para informações e discussões desta temática relevante. Assim, este estudo teve por objetivo caracterizar o perfil dos cuidadores familiares de idosos residentes em

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uma área de abrangência da Estratégia Saúde da Família no município de São Paulo.

METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa quantitativa do tipo exploratório-descritivo, utilizando-se o estudo retrospectivo, para sustentar a busca de informações levantadas por prontuários. Pesquisa deste tipo tem como característica principal a descrição de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento entre variáveis9.

O local do estudo foi uma Unidade Mista

(UBS+PSF). Está localizada no bairro Jabaquara, zona sul da cidade de São Paulo, SP. Nesta Unidade, além do atendimento das especialidades de clínica médica, pediatria e ginecologia, também atuam quatro equipes de Saúde da Família, sendo cada uma composta por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde. Cada equipe é responsável por mil famílias. Para este estudo foi selecionada uma área de abrangência na qual estão cadastrados aproximadamente três mil pessoas das quais trezentas possuem idade igual ou superior a sessenta anos. Foram considerados para este estudo o total de 59 prontuários de pacientes que são cuidadores de idosos no domicílio e que residem na área de abrangência e que estavam cadastrados e acompanhados no período de janeiro a dezembro de 2010. A coleta de dados foi iniciada somente após a aprovação dos gestores da Unidade de Saúde.

Para tanto, utilizou-se um roteiro para busca dos dados sócio-demográficos, de moradia e saúde: sexo, idade, raça, estado civil, escolaridade, ocupação, renda familiar, tempo na função de cuidador, grau de parentesco, condições de moradia, tipo de casa, saneamento básico, plano de saúde, hábito de tabagismo, prática de lazer, atividade física, religião e doença referida.

Para melhor apresentação dos resultados, os dados foram tabulados com o através da estatística descritiva.

RESULTADOS E DISCUSSÃO A tabela 1 apresenta dados sociodemográficos dos cuidadores pesquisados.

Tabela 1 – Dados sociodemográficos e de moradia, dos cuidadores de idosos residentes em uma área de abrangência da Estratégia Saúde da Família, São Paulo 2011.

N(%) N (%) N (%)
Idade
Raça referida
Branca 30 57,7 03 43,0 356,0
Negra 07 13,5 02 28,5 0915,2
Parda 15 28,8 02 28,5 1728,8
Estado civil
Religião

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Renda familiar
Tempo na função de cuidador
Grau de parentesco
Condições de moradia
Tipo de casa
Saneamento básico
mostra a tabela 1

Dos 59 prontuários utilizados neste estudo, 52 (8,1%) eram de cuidadores do sexo feminino e 7 (1,9%) eram do sexo masculino, conforme

Devido à crença predominante na sociedade de que cabe à mulher cuidar da família, muitas vezes o cuidado é visto como uma obrigação de filhas, esposas e irmãs. Ao assumir esse papel, juntamente com os demais serviços do lar e as atividades extradomiciliares, a mulher acaba sofrendo grande sobrecarga, além de estresse psicológico e físico, o que prejudica sua própria saúde, já que ela passa a não se valorizar e não cuidar de si mesma. Em muitos casos, a mulher deixa de lado seu papel doméstico, o que acarreta mudanças na dinâmica familiar e gera conflito entre os membros da família pelas alterações no desempenho dessas atividades. Em outros casos, vê-se obrigada a abandonar o trabalho para cuidar do familiar, o que causa impactos financeiros na família10.

Em relação à faixa etária dos cuidadores, 2 (37,4%) possuem idade entre 50 a 59 anos e 1 (18%), pacientes são idosos com idade acima dos 60 anos, cuidando de outro idoso no domicilio. Embora se trate, ainda, de uma questão que gera questionamentos e inquietações, o cuidador idoso é um elemento presente no cenário de atenção à saúde. Esta realidade não pode ser omitida pelos órgãos governamentais e pela sociedade em geral, uma vez que a atenção e o suporte a essas pessoas são fundamentais para a melhoria da qualidade de vida do idoso fragilizado e do próprio idoso cuidador11.

Observou-se que 56 %, dos cuidadores são de raça branca e 4% afro-descendentes.

A maioria dos cuidadores identificados por prontuário são casados (79,6%). Ambas as situações- casado ou solteiro, podem interferir positiva ou negativamente no cuidado. A situação de se encontrar casado pode caracterizar-se como um fator facilitador de apoio para as tarefas desenvolvidas com o idoso, porém, de outro lado, pode constituir-se em uma sobrecarga ao cuidador, o qual, além do cuidado, pode ser responsável por outras tarefas domiciliares. O estado solteiro também constitui uma preocupação, pois a tarefa de cuidar influencia negativamente a vida pessoal do cuidador.

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A fé e a religião/religiosidade são fatores mediadores que auxiliam os familiares no enfrentamento do cuidado domiciliar. A religião é considerada, por diversos autores, um importante aliado no processo de aceitação da doença e das atividades impostas por ela. É relevante salientar que a espiritualidade está na essência do ser humano e se manifesta na relação com o outro12. Neste estudo verificou-se que 61%, dos cuidadores professam o catolicismo, seguido de 39,% que se identificam como evangélicos.

Em relação à escolaridade 71,2% dos cuidadores cadastrados possuem apenas 1 a 4 anos de estudo, seguido de 28,8% analfabetos. O fato revela um efeito preocupante, pois, em se tratando de idoso dependente, são exigidas tarefas complexas ao cuidador, que muitas vezes necessita de algum grau de escolaridade. A falta de escolaridade interfere, direta ou indiretamente, na prestação dos cuidados aos idosos, ocorrendo uma queda em sua qualidade, visto que o cuidador necessita seguir dietas e prescrições bem como manusear medicamentos, ler receitas, entender a dosagem e a via de administração13.

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