Análise e Expressão Textual - Relatório sobre o livro Preconceito Linguístico- o que é, como se faz de Carlos Bagno

Análise e Expressão Textual - Relatório sobre o livro Preconceito Linguístico- o...

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ARÍDO

UFERSA – CAMPUS ANGICOS

PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO

CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DISCIPLINA: ANÁLISE E EXPRESSÃO TEXTUAL

RELATÓRIO DE ATIVIDADE

1 IDENTIFICAÇÃO DO ALUNO (RELATOR)______________________________________

NOME: Manoel Eudes Júnior MATRÍCULA: 2012.020.855

PROFESSOR ORIENTADOR: Prof.ª Dr.ª Maria das Neves Pereira

ORGÃO DE EXERCÍCIO: UFERSA/Angicos

2 IDENTIFICAÇÃO DA ATIVIDADE/OBJETIVOS_________________________________

Este relatório tem como objetivo apresentar e descrever a atividade de leitura do livro de BAGNO, Preconceito linguístico: o que é, como se faz.

A leitura desse livro teve ainda como objetivo, redigir um relatório como atividade do componente curricular para a disciplina de Análise e Expressão Textual ministrada pela Prof.ª Maria das Neves Pereira.

INÍCIO: 21/03/2013

TÉRMINO: 21/03/2013

TOTAL DE HORAS: 2h

3 DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA ATIVIDADE________________________________________

3.1 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BAGNO, Carlos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 52ª edição. São Paulo: Edições Loyola, 2009. 207 p.

3.2 RESUMO DA OBRA

Na obra Preconceito linguístico: o que é, como se faz, a autor Carlos Bagno, transmite-nos informações relevantes sobre a importância de incorporar discussões e propostas das ciências da linguagem e da educação, reiterando seu discurso em favor de uma educação linguística voltada para a inclusão social e pelo reconhecimento e valorização da diversidade cultural brasileira.

3.3 EXPOSIÇÃO DO CONTÚDO

Datas

Atividades

21/03/2013

Leitura do I Capítulo: A MITOLOGIA DO PRECONCEITO LINGUÍSTICO

Existe uma luta entre os mais variados tipos de preconceitos e em nenhum deles há fundamento ou justificativa. E isso atingiu o preconceito linguístico, que se alimenta todo dia na mídia e principalmente nos livros didáticos. O mito de que a língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente, é o mais sério dos mitos que compõem o preconceito linguístico. Isso porque mesmo que a língua falada por nós seja o português, esse idioma apresenta diversidade, causado tanto pela extensão territorial do país como pela grande injustiça social. A língua falada no Brasil já tem regras de funcionamento, que cada vez mais se diferencia da gramática da língua falada. Conclui-se que não há mais certo ou mais errado, mais bonito ou feio: são apenas diferenças um do outro e atendem às necessidades linguísticas das comunidades que as usam. "Português é muito difícil" essa afirmação consiste na obrigação de termos de decorar conceitos que não significam nada para nós. No dia em que nossa língua se concentrar no uso real, vivo e verdadeiro da língua portuguesa do Brasil, é bem provável que ninguém continue a repetir essa bobagem. Todo falante nativo de uma língua sabe usá-la, pois saber a língua é conhecer e empregar com naturalidade as regras básicas de funcionamento dela. A regência verbal é caso típico de como o ensino tradicional da língua no Brasil não leva em conta o uso brasileiro do português. Por mais que o aluno escreva o verbo “assistir” de forma transitiva indireta, na hora de se expressar passará para a forma transitiva direta: "ainda não assisti o filme do Zorro!" Tudo isso por causa da cobrança indevida, por parte do ensino tradicional, de uma norma gramatical que não corresponde à realidade da língua falada no Brasil. “As pessoas sem instrução falam tudo errado” Isso se deve a crença que não é linguística, mas social e política de que as pessoas que dizem Cráudia, Praca, Pranta pertencem a uma classe social desprestigiada, marginalizada, que não tem acesso à educação formal e aos bens culturais da "elite", e por isso a língua que elas falam sobre o mesmo preconceito que pesa sobre elas mesmas, ou seja, sua língua é considerada pobre, quando na verdade é apenas diferente da língua ensinada na escola. Assim, o problema não está naquilo que se fala, mas em quem fala o quê. Neste caso, o preconceito linguístico é decorrência de um preconceito social. "O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão". Na realidade o Maranhão ainda usa o pronome “tu”, que está em extinção na fala brasileira. Somente por isso, a língua falada neste estado se acha que fala melhor o Português. Sendo assim, o que acontece com o português do Maranhão em relação ao português do resto do Brasil é o mesmo que acontece com o português de Portugal em relação ao português do daqui: não existe nenhuma variedade nacional, regional ou local que seja intrinsecamente "melhor", que outra. Toda variedade linguística atende às necessidades da comunidade de seres humanos que a empregam. Quando deixar de atender, a ela inevitavelmente sofrerá transformações para se adequar à novas necessidades. "O certo é falar assim porque se escreve assim" o que acontece é que em toda língua existe um fenômeno chamado variação, isto é, nenhuma língua é falada do mesmo jeito em todos os lugares, assim como nem todas as pessoas falam a própria língua de modo idêntico. A ortografia oficial é necessária, mas não se pode ensiná-la tentando criar uma língua falada "artificial" e reprovando como "erradas" as pronúncias que são resultados naturais das forças internas que governam o idiomas. "É preciso saber gramática para falar e escrever bem". É difícil encontrar alguém que descorde dessa afirmação. Mas, por que tal declaração é um mito? Porque, segundo Mário Perini em Sofrendo a gramática (p.50), "não existe um grão de evidência em favor disso; toda a evidência disponível é em contrário". Afinal, se fosse assim, todos os gramáticos seriam grandes escritores, e os bons escritores seriam especialistas em gramática. A gramática normativa é decorrência da língua, é subordinada a ela, dependente dela. Como a gramática, porém, passou a ser um instrumento de poder e de controle. A língua passou a ser subordinada e dependente da gramática. "O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social", esse mito tem muito que ver com o primeiro, porque ambos tocam em sérias questões sociais. A transformação da sociedade como um todo está em jogo, pois enquanto vivermos numa estrutura social cuja existência mesma exige desigualdades sociais profundas, toda tentativa de promover a "ascensão" social dos marginalizados é, senão hipócrita e cínica pelo menos de uma boa intenção paternalista e ingênua.

21/03/2013

Leitura do II Capítulo: O CÍRCULO VICIOSO DO PRECONCEITO LINGUÍSTICO

Os mitos analisados são transmitidos e enraizados por um mecanismo chamado de círculo vicioso do preconceito linguístico que é formado pela união de três elementos: a gramática tradicional, os métodos tradicionais de ensino e os livros didáticos. Porém existe um quarto elemento, os comandos pragmáticos, que são todos os arsenais de livros, redações jornalísticas, manuais, programas de rádio e de televisão, colunas de jornais e revistas, dentre outros. Seria muito importante se esse poder dos meios de comunicação fossem usados para a destruição dos mitos do preconceito linguístico, mas não é assim. Para os comandos pragmáticos não faltam exemplos, como: o professor Napoleão Mendes de Almeida, o maior propagador do preconceito linguístico, além de manifestar em seus textos o seu profundo preconceito social, ele defendia que o estudo da linguística é fixar coisas inúteis onde realizava suas ideias sem nenhum fundamento cientifico. Na mesma linha de pensamento Luiz Antonio Sacconi publicou o livro “Não erre mais”, onde apresenta inúmeros erros dos fenômenos linguísticos, e erros de conduta: preconceituosas e antiéticas. E por fim, a última investigação de presença do preconceito linguísticos em comandos pragmáticos se usará uma coluna de jornal de Dad Squarisi, onde a autora parece concordar com o Presidente, na época Fernando Henrique Cardoso, que acusou os brasileiros de serem todos caipiras em sua declaração numa visita a Portugal. Neste texto, Squarisi consegue exercer todas as formas de preconceito linguístico. Isto tudo só reflete a ignorância da autor em desconhecer a complexidade dos fenômenos linguísticos.

21/03/2013

Leitura do III Capítulo: A DESCONTRUÇÃO DO PRECONCEITO LINGUÍSTICO

Devemos reconhecer que existe uma crise no ensino da língua portuguesa. E professores já reconhecem que a gramática não é a única fonte de explicação para os fenômenos linguísticos. A norma culta assim como a saúde, alimentação, educação, habitação, transporte e entre outros, não estão acessíveis a todos. Podemos identificar três problemas básicos: o primeiro que a quantidade injustificável de analfabetos no Brasil, em segundo que pode ser por razões históricas e culturais e por ultimo ao dilema relativo à norma culta que designa pelos conservadores o uso de uma linguística inspirada no português de Portugal que não corresponde à língua efetivada aqui pela maioria dos brasileiros. É necessário separar o ideal do real e para isso é preciso empreender a identificação e a descrição da verdadeira língua falada e escrita pelas classes cultas do Brasil, é uma tarefa que já está sendo feita, mas ainda não são de acesso fácil, pois está em uma linguagem técnica e exige o rigor cientifico. Mas enquanto não fica acessível é preciso já ir combatendo todo esse preconceito linguístico. O professor em vez de só repetir deve refletir, ou seja, o professor não deveria limitar-se a transmitir a velha doutrina gramatical normativa. É necessário questionar. Nessa nova postura o professor deve sempre procurar acompanhar os avanços das ciências da linguagem e da educação. Produzindo o seu próprio conhecimento da gramática. Para romper o círculo vicioso é preciso rever toda uma série de velhas opiniões formadas. Os métodos tradicionais de ensino da língua no Brasil visam a formação de professores de português. O ensino da gramática se dá numa obsessão terminológica, paranóia classificatória e apego a nomenclatura. Tudo isso não garante que o aluno será um usuário competente da língua culta. Outra forma de romper com círculo vicioso do preconceito linguístico é reavaliar o conceito de erro. Em cartazes quando aparecem “erros” não são de português são “erros” de ortografia. Ninguém comete erros ao falar sua própria língua materna. Em relação à língua escrita, é pedagogicamente melhor definir erro como tentativa de acerto. A escrita é uma forma de analisar a língua falada. Neste caso o papel do professor será de conscientizar o aluno de que a língua é um grande guarda roupa. Ninguém vai de maiô ao shopping center, nem viria à praia em dia quente usando terno de lã. Usar a língua tanto oral como a escrita é encontrar o equilíbrio entre adequabilidade e o da aceitabilidade.

21/03/2013

Leitura do IV Capítulo: O PRECONCEITO CONTRA A LINGUÍSTICA E OS LINGUISTAS

O ensino da língua na escola é a única disciplina em que existe uma disputa entre duas perspectivas distintas: a doutrina gramatical tradicional, do século III a.C., e linguística moderna, do final do século XIX a início do XX. A gramática tradicional permanece forte ao longo da história. Mas, querer cobrar atualmente os mesmos padrões linguísticos do passado é quererpreservar idéias,mentalidades e estruturas sociais do passado. O novo assusta porque compromete as estruturas de dominação. Por isso, ainda se vê a imprensa brasileira tentando preservar noções conservadoras de “certo” e “errado”. O grande problema está na confusão que predomina na mentalidade das pessoas que atribuem uma “crise” a língua, mas a crise existe é na escola, em nosso sistema educacional, considerado uns dos piores do mundo. Achar que a língua está em crise e que para superá-la é preciso sustentar a doutrina gramatical, essa atitude só pode ser explicada como ignorância científica ou desonestidade intelectual que é fato de mesmo depois de entrar em contato com a ciência linguística, finge que não a conhecer. Essa oposição à ciência linguística está viva até hoje. Napoleão Mendes de Almeida é um exemplo de conservador e intolerante que possui uma postura anticientífica, seu português já foi chamado de ortodoxo. O conceito de ortodoxo tem noções de dogma, intolerância, castigo, pecado e outras aparentadas. Se ainda é possível falar em “português ortodoxo” é porque deve existir na mente de seus defensores a ideia de que o oposto desse português ortodoxo é um “português pecador”. Porém, o “português ortodoxo” pode ser visto diferente como Pasquele Cipro Neto, que classifica como ortodoxo o português mais certa que a língua dos gramáticos profissionais. Em um caso de preconceito linguístico, não por discriminação, mas por omissão. O projeto de lei de 1999 sobre “a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa” o deputado Aldo Rebelo, não faz nenhuma referência aos cientistas da linguagem. Dos poucos citados uma é Machado de Assis que na citação Machado desmente cada uma das ideias contidas no projeto. E os outros autores são jornalistas, o único autor que realmente tem a ver com o estudo é, Napoleão Mendes Almeida. A situação desse projeto de lei tem manifestado diversas opiniões de linguistas contra, mas ninguém dá ouvido. É o caso de perguntar: Por que toda e qualquer pessoa se acha no direito de dar palites preconceituosos sobre questões que dizem respeito a língua? Por que profissionais de outras áreas conseguem se fazer ouvir, mas os linguistas não? Será que eles não dão conta de seu papel social e político? A quem interessa manter calado os estudiosos da língua?

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS/CONCLUSÃO_______________________________________

Com a leitura e a análise do livro, foi possível compreender a obra e realmente, nos leva a refletir nos males que cometemos durante toda a nossa vida, ao pensar em língua portuguesa. A partir do momento que deixamos levar, por regras efêmeras, que vem impregnando a sociedade e gerando o preconceito. O autor consegue fazer uma revolução, com um jeito simples, sutil e embasado, numa lógica instigante para uma mudança na vida de seus leitores.

Angicos/RN, 21 de março de 2013.

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Manoel Eudes Júnior

ALUNO/RELATOR

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