FATORES ASSOCIADOS AO USO DE MEDICAMENTOS EM IDOSOS CADASTRADOS EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO-SP

FATORES ASSOCIADOS AO USO DE MEDICAMENTOS EM IDOSOS CADASTRADOS EM UMA UNIDADE...

Gerson de Souza Santos1

Isabel Cristina Kowal O. Cunha2

Introdução: A população mundial está envelhecendo, estudos mostram que o número de pessoas idosas cresce em ritmo maior do que o de pessoas que nascem acarretando um conjunto de situações que modificam a estrutura de gastos dos países em diferentes áreas. No Brasil, o ritmo de crescimento da população idosa tem sido sistemático e consistente. No período de 1999 a 2009, o peso relativo dos idosos (60 anos ou mais de idade), no conjunto da população passou de 9,1% para 1,3%. Com uma taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição populacional, combinada ainda com outros fatores, tais como os avanços da tecnologia, especialmente na área da saúde, atualmente o grupo de idosos ocupa um espaço significativo na sociedade brasileira1 . Nesse cenário de envelhecimento populacional e de maior preocupação em relação à saúde do idoso, os estudos farmacoepidemiológicos têm ganhado cada vez mais importância. No Brasil, a utilização de grande número de medicamentos é amplamente observada entre indivíduos com 60 anos ou mais. Além dos fatores clínicos que fazem com que os idosos necessitem de farmacoterapia, outros fatores podem estar associados ao uso demasiado de medicamentos, sendo um dos principais a ideia impregnada na sociedade de que a única possibilidade implica consumir medicamentos, importante símbolo de saúde nesta sociedade. Sendo assim, identificar as características e os fatores associados ao consumo de medicamentos pelos idosos brasileiros pode auxiliar no planejamento de ações para promoção do uso racional de medicamentos e, consequentemente, favorecer uma melhor qualidade de vida para este grupo etário, além de contribuir para a diminuição de gastos desnecessários com estas tecnologias pelo sistema de saúde 2,3 .

Objetivo: Caracterizar os fatores associados ao consumo de medicamentos em idosos cadastrados em uma Unidade Básica de Saúde do município de São Paulo-SP. Método: Trata-se de um estudo descritivo transversal, parte integrante de Tese de Doutorado em

1 Enfermeiro da Estratégia Saúde da Família - Doutorando em Enfermagem – Universidade Federal de

São Paulo. Membro do GEPAG: Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração de Serviços de Saúde e

Gerenciamento de Enfermagem. enf.gerson@hotmail.com

2 Enfermeira - Profª Drª Universidade Federal de São Paulo. Líder do GEPAG: Grupo de Estudos e

Pesquisas em Administração de Serviços de Saúde e Gerenciamento de Enfermagem. isabelcunha@unifesp.br desenvolvimento na Escola Paulista de Enfermagem, no Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração de Serviços de Saúde e Gerenciamento de Enfermagem (GPAG) da Universidade Federal de São Paulo, intitulado: “Atendimento ao idoso na Atenção Básica e as competências do Enfermeiro”. O estudo foi realizado com uma população de 3000 idosos cadastrados em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada na Zona Sul do município de São Paulo, Coordenadoria Sudeste - Vila Mariana/Jabaquara, que tem implantada a Estratégia Saúde da Família. A amostra foi composta por 340 pessoas selecionadas segundo os critérios de inclusão: ter idade igual ou superior a 60 anos, estar cadastrado na Unidade Básica de Saúde, concordar em participar do estudo através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)4 . A coleta de dados teve inicio após a autorização dos Comitês de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Parecer nº 1012/1) da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, (Parecer nº 378/1). A coleta de dados ocorreu no período de 2/12/2011 à 13/03/2012, no domicilio dos idosos. Após a coleta, as informações foram armazenadas em banco de dados construído a partir de planilhas do Microsoft Exel 2010. Por se tratar de um estudo multidimensional, técnicas de análise multivariada foram utilizadas, com o objetivo de enriquecer a análise descritiva, buscando identificar relações entre os grupos de variáveis – para tanto utilizou-se o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS - PASW Statistics 17.0 for Windows). Resultados: dos idosos que participaram deste estudo, 211 (62%) eram do sexo feminino e 129 (38%) do sexo masculino. A faixa etária variou de 60 a 85 anos, sendo (61,7%) de 60 a 69 anos, (26,5%) de 70 a 79 anos e 1,8% com 80 anos a mais. 232 (68,3%) eram afrodescendentes (p-valor <0,001). Em relação ao estado conjugal, 24,4% eram casados e (75,6%) (viúvos, solteiros e divorciados) não possuíam cônjuge (p-valor <0,001). 48% eram analfabetos e (52%) possuíam Ensino fundamental incompleto. (69,1%) eram aposentados. (7,6%) tinham renda familiar de 1 a 3 salários mínimos p-valor <0,006. Quanto ao arranjo familiar, 18,2% viviam sozinhos e (81,8%) viviam em lares multigeracionais. Quanto à situação de moradia, 70,6% possuíam casa própria e 29,4% moravam em casa alugada. 4% dos domicílios não possuíam saneamento básico. (82%) dos idosos dependiam do Sistema único de Saúde. Doenças crônicas: hipertensão (74,7%); diabéticos 38,8%; dislipidemia 26%; lombalgia 18,5%; insônia 15,9%; cefaleia 12,1%; depressão 10,9%; artrose 9,1%; alergia 10%. Em relação ao consumo de medicamento, a quantidade de fármacos utilizados pelos idosos, variou de 1 a 5, compreendendo as seguintes classificações: anti-hipertensivo 75%; antidiabético 38,5%; antilipidêmicos 34,1%; diurético 52%; analgésicos 60%; ansiolítico 26,5%; antiinflamatórios 24,4%; antialérgicos 18,2%; antiulcerosos 17,4%; complexo de vitaminas 12,54%; suplemento mineral 1,5%. Conclusão: Os idosos usuários do SUS, menos privilegiados quanto à renda e escolaridade, são mais vulneráveis aos riscos da automedicação e requerem atenção especial dos profissionais de saúde com orientação adequada. A população idosa apresenta níveis de morbidade maiores que a população em geral, com maior consumo de medicamentos e procura por serviços de saúde. Os medicamentos estão entre as intervenções mais utilizadas e de grande valor no tratamento de doenças nesse grupo etário, aumentando a sobrevida e melhorando a qualidade de vida dos que envelhecem

Referências Bibliográficas: 1. Ministério do Planejamento (BR), Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística – IBGE: Diretoria de Pesquisas Coordenação de População e Indicadores Sociais. Síntese dos indicadores sociais: Uma analise das condições de vida da população brasileira em 2010. Rio de Janeiro – RJ. pg. 191-197.

2. Coelho Filho JM, Marcopito LF, Castelo A. Perfil de utilização de medicamentos por idosos em área urbana do Nordeste do Brasil. Rev. Saúde Pública 2004; 38:557-64. 3. Santos GS. Qualidade de vida de idosos residentes em uma área de abrangência da Estratégia Saúde da Família no município de Guarulhos-SP. Dissertação de Mestrado. Universidade de Guarulhos-SP. 2010.

3. Wawruch M, Zikavska M, Wsolova L, Kuzelova M, Tisonova J, Gajdosik J, et al. Polypharmacy in elderly hospitalised patients in Slovakia. Pharm World Sci 2008; 30:235-42. 4. Ministério da Saúde; Conselho Nacional de Saúde. Resolução Nº 196/96 – Normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília (Brasil): Ministério da Saúde; 1996.

Descritores: Polifármacia, idosos, Enfermagem

Área temática 010- Políticas e práticas em Saúde e Enfermagem

Comentários