A percepção ambiental com estudantes do ensino fundamental por meio de mapas mentais através do tema geodiversidade

A percepção ambiental com estudantes do ensino fundamental por meio de mapas...

Ana Raquel Fernandes Perazzo

Universidade Federal da Paraíba – UFPB aninhaperazzo@hotmail.com

Ana Karenini Ribeiro do Nascimento

Universidade Federal da Paraíba karenine_ribeiro@hotmail.com Henrique Bezerra dos Santos

Universidade Federal da Paraíba henriquecariocapb@hotmail.com

Arieno de Azevedo Araújo

Universidade Federal da Paraíba arieno@hotmail.com

Márcio Balbino de Cavalcante

Universidade Estadual da Paraíba - UEPB marcio-ballbino@hotmail.com

A geodiversidade trata da riqueza de recursos geológicos de um dado local. Sendo assim o presente trabalho buscou através de mapas mentais verificar a percepção ambiental dos alunos do 5º ano da escola Herman Lundgren, sobre os elementos da geodiversidade da região.Para isto foi utilizada a metodologia de mapas mentais que são uma ferramenta de estudo através da qual é possível identificar a percepção de certo grupo sobre determinado tema através de desenhos. Foram observados três grandes grupos de representações que rementem a realidade de cada aluno. Sendo assim concluímos que há uma falta de orientação por parte da escola sobre o assunto que de certa forma está muito relacionada com a realidade local que é baseada na agricultura e um turismo extremamente dependente da geodiversidade.

Palavras chave: geodiversidade, mapa mental, percepção ambiental.

Desde os tempos pré-históricos os primeiros seres humanos que habitaram o

Planeta tinham e ainda tem nos dias atuais uma grande relação harmônica com ambientes geológicos, onde as grandes rochas serviam de abrigo, materiais de construção, matéria prima para a fabricação de ferramentas de trabalho e remédios; como também serviam para a comunicação através das pinturas rupestres. Sendo assim, evidencia-se a forte dependência que o homem possui com relação aos recursos geológicos.

A partir desse contexto, o homem fez diversas descobertas e a interação entre o homem e o ambiente, tornou simples a sobrevivência (DIAS, 1993). Com a urbanização e a evolução da civilização, a percepção do ambiente mudou drasticamente e a natureza passou a ser entendida como algo inferior à sociedade humana, ocupando uma posição de subserviência. No entanto, por muito tempo a geodiversidade foi vista como matéria-prima ou como objeto científico, mas nos dias atuais já se pensa na geodiversidade como patrimônio (SOUZA, 2009).

As paisagens naturais que nos rodeiam, o chão em que pisamos, estão em constante transformação, decorrente de processos e fenômenos formadores de uma grande diversidade de materiais (rochas, minerais, solos) que constituem a base para existência de toda espécie de vida na Terra. A esta diversidade de materiais e processos chamamos de geodiversidade (MOCHIUTI, 2009).

A geodiversidade apresenta uma grande importância para a humanidade e manutenção do planeta Terra e há autores que classificam o seu valor em intrínseco, cultural, estético, econômico, funcional, científico e educativo (BRILHA, 2005).

Apresentando uma relação com a geodiversidade, muitos autores mostram a postura da sociedade com relação à desvalorização da diversidade geológica, porém é possível observar que não existem pesquisas voltadas à percepção social com base na geodiversidade, considerando que se faz necessário ampliar a compreensão da geodiversidade, destacando não só os valores citados, mas também o valor da etnogeodiversidade (PERAZZO, 2013).

No município de Rio Tinto- PB e nas cidades vizinhas ha alguns ambientes geológicos, porém alguns desses ambientes são usados como matéria-prima, atrativo para atividades turísticas, objeto de atividade mineradora ou mesmo como fonte de renda baseando-se no fato de que não se tem uma boa colheita sem um solo devidamente conservado. Diante deste desafio, este trabalho vem analisar a percepção ambiental de estudantes do 5° ano, por meios mapas mentais, com base na geodiversidade da região.

• Verificar a percepção ambiental de estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Herman Lundgren, Rio Tinto-PB, sobre os elementos da geodiversidade da região. • Analisar o perfil social dos estudantes através de mapas mentais, com base na geodiversidade da região.

A coleta de dados constituiu fundamentalmente à percepção ambiental tendo sido realizada na Escola de Ensino Fundamental Herman Lundgren, Rio Tinto, Litoral Norte do estado da Paraíba, com 21 alunos do 3° ano, entre 8 e 9 anos de idade, que foram questionados sobre suas experiências com relação ao tema, o que eles entendiam sobre geodiversidade, em seguida foi pedido que eles fizessem cada um, um desenho expressando algo referente ao tema.

A percepção dos estudantes pôde ser notada por meio de uma atividade onde foi solicitado que representassem em mapas mentais os aspectos geológicos da região e sua relação com a geodiversidade.

A metodologia de mapas mentais tem a finalidade de tornar visíveis pensamentos, atitudes e sentimentos, tanto sobre a realidade percebida quanto sobre o mundo da imaginação (OLIVEIRA, 2006). A realização da atividade durou aproximadamente 1 hora e foi realizada de forma individual, para isso foram utilizados folhas de papel ofício, giz de cera e lápis colorido.

Em cada desenho foi verificada a presença de elementos físicos (céu, praia, mar, rochas, vulcão e areia), sociais (homem e casas), bióticos (fauna e flora) e degradação ambiental (lixo).

A metodologia realizada com estudantes da 5ª série na escola de Ensino

Fundamental Herman Lundgren foi muito satisfatória, onde os mesmos se mostraram interessados e receptivos. Este instrumento de investigação foi extremamente relevante para revelar a percepção ambiental dos estudantes em relação aos recursos geológicos, seja no espaço vivido ou no espaço concebido pelos mesmos.

Dessa forma, conceituar a geodiversidade, não constituiu atividade simples, todavia, a elaboração dos mapas mentais facilitou essa conceituação, além disso, a disciplina de Geografia também foi peça chave para esse instrumento de investigação. Permitindo assim, que os alunos atribuíssem significados que dificilmente seriam verbalizados naturalmente.

A percepção pode ser notada do olhar e do sentir dos indivíduos e dos grupos com todos os seus valores, atitudes e preferências (SEEMANN, 2003), com isso, adotou-se estratégias específicas para analisar os pensamentos, opiniões e sentimentos. Para realização da pesquisa foi utilizado algumas categorias de análise estabelecidas por Tamoio (2002, apud Santos, 2007) com as devidas adaptações. As categorias de analises utilizadas foram: Socioambiental, Naturalista e Romântica.

A primeira categoria abarcou a perspectiva socioambiental, ou seja, o natural e o social, são concebidos como elementos de um mesmo processo. Observa-se na figura 1 a atuação do homem sobre o espaço por meio de suas construções e seus resíduos lançados nos recursos geológicos. Essa categoria foi muito significativa, apresentada por 42,80% dos alunos e é caracterizada pelo reconhecimento do Homem como elemento constitutivo do meio ambiente. Esta consciência da participação do Homem pertencendo ao meio ambiente e não como dominador dele pode levar à mudanças de atitudes, amenizando assim, a problemática ambiental, a exemplo do lixo encontrado em boa parte dos ambientes naturais que contaminam os ecossistemas e poluem as paisagens (figura 1).

Figura 1: Exemplo de mapa mental socioambiental

Fonte: dados da pesquisa, 2013.

A segunda categoria foi à romântica, esta abrangeu 28,5% dos alunos e é caracterizada por possuir elementos ilustrativos felizes, paisagens românticas, Sol

Personificado, muito colorido, corações, locais preservados e ambientes um pouco distantes da realidade.

Os mapas mentais enquadrados na categoria romântica são a representação inocente de uma realidade de como bem sabemos é um pouco surreal, pois esse tipo de mapa mental não apresenta nenhum aspecto de perturbação no local relatado demonstrando as experiências que o aluno possivelmente teve em locais ainda preservados ou o desconhecimento da realidade sobre a conservação dos recursos geológicos da região do vale do rio Mamanguape onde se encontra a cidade de Rio Tinto e também onde residem estes alunos.

Possivelmente o aluno que produz relatos românticos venha a se tornar uma pessoa que não compreenda plenamente as interações entre o homem e o ambiente caso o sistema de ensino não venha a mostrar a realidade, como exemplo de um mapa mental romântico que expressa muito bem este aspecto de beleza.

Na categoria naturalista observamos apenas 19,2% dos mapas mentais que se enquadrassem na mesma. Os mapas mentais naturalista caracterizam-se por apresentarem ambientes notavelmente preservados e com o mínimo de presença humana, ambientes tipicamente escassos nos dias atuais. O desenho da figura 3 remete a uma ideia de áreas naturais e com características originais. Neste desenho o aluno representa uma montanha e algumas árvores notavelmente em boas condições de conservação, talvez pelo fato do livro didático geralmente apresentar belas paisagens, que são na verdade características de locais com o mínimo de atividade humana.

Figura 3: Exemplo de mapa mental naturalista

Fonte: dados da pesquisa, 2013. Praticamente a metade, 47,7% dos alunos que participaram da atividade estão inseridos nas categorias romântica e naturalista. Estes mapas mentais são representações um tanto quanto distanciadas da realidade de utilização e conservação dos recursos naturais como solo, minerais, rochas e relevo presentes nas áreas urbanas, um sinal de que o conhecimento escolar tem sido pouco articulado à realidade dos alunos.

Dentre os resultados obtidos observou-se que 9,5% dos alunos produziram mapas mentais que não se enquadravam em nenhuma das categorias anteriores e também não expressavam o mínimo do tema proposto ou continham expressões equivocadas do uso dos recursos naturais.

Dentre as metodologias aplicadas neste artigo para dividir as representações dos alunos por categorias foi crucial ouvir de cada um o que os mesmos queriam transmitir através de seus desenhos, pois nem sempre uma criança consegue expor de maneira clara suas ideias mesmo que sejam em forma de desenho, mas sabemos que a aplicação de mapas mentais são extremamente eficientes, já que o que muitas coisas que são difíceis de descrever com palavras podem ser mais facilmente demonstradas através de desenhos.

Dessa forma, foram observados em alguns desenhos uma representação dos horizontes do solo, porém o mais marcante é que os horizontes foram representados de forma destacada, não inserida no contexto do desenho como mostra a figura 4.

Figura 4: Exemplo de horizontes do solo

Fonte: dados da pesquisa, 2013. Tabela 1: Frequência de mapas mentais nas categorias de análise

Fonte: dados da pesquisa, 2013.

Os dados apresentados neste trabalho expressam e refletem as informações de observações realizadas por uma atividade didático-pedagógica de percepção por desenhos conhecidos como mapas mentais.

Naturalista

Romântica Socioambiental

Categorias de Análise

Compreende-se nesse artigo que os aspectos da geodiversidade na visão dos alunos têm uma compreensão muito rica nos elementos físicos porem é necessário o aprofundamento no assunto por parte do sistema educacional ou mesmo dos professores sobre diversidade geológica; pois no caso da escola Herman Lundgren, localizada no município de Rio Tinto-PB e recebe alunos que em sua maioria são da área rural da cidade ou de regiões próximas da Praia de Campina e Barra de Mamanguape que possuem uma economia que depende em parte da agricultura, ou seja, dependente de solos conservados ou um turismo baseado em recursos geológicos como dunas, falésias, praias, entre outros.

Sendo isso parte da realidade dos alunos, é fundamental que eles compreendam a importância de se conservar esse patrimônio que muitas vezes passa despercebido, mas que é de vital importância para a população local.

Desta forma, por ser parte indispensável na formação do indivíduo, a escola precisa contribuir para o esclarecimento e conscientização de modo a desfazer noções distorcidas da realidade (SANTOS, 2007).

Os trabalhos relacionados com a utilização de mapas mentais são de fundamental importância para a produção de dados concretos sobre a visão que o grupo estudado possui sobre o assunto, pois certos aspectos são quase impossíveis de serem relatados com palavras, mas podem ser facilmente interpretados através de desenhos.

Os mapas mentais, em quase sua totalidade demonstram que os esforços realizados nos últimos anos por diversas instituições em busca de alternativas e soluções para os problemas ambientais, ainda não foram suficientemente capazes para mudar a percepção e consequentemente o comportamento humano em relação ao uso e conservação da geodiversidade.

BRILHA, J. Patrimônio Geológico e Geoconservação: A conservação da natureza na sua vertente geológica, 2005. DIAS, A. S.; JANEIRA, A. L. Entre Ciência e Etnociências. Episteme, n.21, p. 107- 127, 2005.

MOCCHIUTTI, N.F. Os valores da geodiversidade da região de Piraí da Serra, Campos Gerais do Paraná. Monografia. UEPG. 2009. OLIVEIRA, N. A. S. A educação ambiental e a percepção fenomenológica através de mapas mentais. Rev. eletrônica Mestrado em Educação Ambiental, v.16, janeiro de 2006. Disponível em: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol16/art03v16.pdf Acesso em: 02/05/2013. PERAZZO, A.R.F. Etnogeodiversidade na Comunidade da Barra do Rio Mamanguape, Rio Tinto/PB. Monografia, UFPB. 2013. SOUZA, A.R. Geoconservação e Musealização: a aproximação entre as duas visões do mundo. Rio de Janeiro. 2009. SANTOS, R. V. B. S. Natureza: conceito em construção. Monografia de conclusão de Graduação – UERJ/ FFP. 41p. 2007. SEEMANN, J. Mapas e Percepção Ambiental: do mental ao material e vice-versa. v. 3, RioClaro. p. 200 -223. 2003.

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