Princípios para  Ação

Princípios para Ação

(Parte 1 de 3)

. ECONOMIA E HUMANISMO J.L. Lebret O.P

— Princípios para a Ação —

Princípios para a Ação J. L. LEBRET O. P.

. ECONOMIA E HUMANISMO J.L. Lebret O.P

— Princípios para a Ação —

Traduzido

Por Carlos Pinto Alves

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IMPRIMATUR C. Cardeal Motta Arcebispo Metropolitano de São Paulo

Fr. Raimundus de A. Cintra O.P. Fr. Joannes Baptista dos Santos O.P.

Fr. Sebastianus Tauzin O.P. Vic. Prov. O.P.

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Sim. Um presente para seu PocketPC, iPod ou Palm cuja pretensão é justificar sua ação no seu dia a dia. Trata-se de mais uma pérola esquecida e encontrada numa velha biblioteca.

Este livro fora escrito por um autor descendente de uma tradicional família de marinheiros europeus. Para ser preciso, França. Ingressou na vida religiosa no pós-guerra e esteve em missão por vários continentes do terceiro mundo e no litoral dos Estados Unidos. Fora convidado por governantes, sobretudo em países com sérios problemas demográficos, com má distribuição populacional e econômica. Este autor de nacionalidade francesa escreveu várias outras obras, das quais servem de base para estudiosos e pensadores nas várias conjunturas socioeconômicas e político em prol de um mundo mais livre e democrático.

Boa leitura!

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Editoração em documento pdf De Barros | Projeto Oficinarte A MEMÓRIA

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— Princípios para a Ação — de Anne Marie Poidevin minha segunda mãe do Vice Almirante Alfred Richard meu primeiro comandante de Frei Barnabé Augier que me iniciou em São Paulo e em Santo Tomás e de todos os militantes amigos, crentes e não crentes que tombaram em pleno combate entre os quais devo citar

Yves Bourcher O Capitão de Mar e Guerra Darrieus

André Saucout O Padre Vallée

Louis Destaillats Emmanuel Garnier Edmond Laulhère

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— Princípios para a Ação — é dedicada esta tradução

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Estes princípios, escritos com muitas interrupções, às vezes se repetem; pareceu-nos preferível aceitar essas repetições a fim de deixar a cada conjunto a sua coesão e o seu vigor.

Não há nestas páginas uma só palavra que tivesse sido colocada para “parecer bem”. Nada mais fizemos senão revelar as conclusões de uma experiência. As poucas citações empregadas não foram escolhidas por causa da personalidade de seus autores, mas por que foram também experimentadas.

A experiência, aqui referida, foi prosseguida durante oito anos de vida marítima e quinze anos de ação social. Muitas obras resultaram disso e, no setor marítimo, até mesmo a reforma de instituições.

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1. Os objetivos 2. Salvação do homem 3. Orientações da ação 4. A eficiência 5. A verdadeira prudência 6. As regras de ouro do marinheiro 7. O combate 8. O chefe 9. A vida da equipe 10. Organização 1. A divisão das responsabilidades 12. Os colaboradores 13. Escolha e educação dos colaboradores 14. As sisões 15. Seguir seu caminho

Pág. 10 Pág. 12 Pág. 13 Pág. 16 Pág. 20

Pág. 25 Pág. 29 Pág. 36 Pág. 41 Pág. 45 Pág. 49

Pág. 52

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16. A força 17. Humildade e magnanimidade 18. Especialização e cultura 19. O equilíbrio 20. A fé 21. A esperança 2. O respeito pelo outro 23. O amor 24. Sabedoria e contemplação 25. A arrancada humana 26. A oração 27. A missa 28. O movimento de Saint-Malo:

Últimas instruções 29. O movimento d’Ecully: Os princípios da revolução permanente A regra do Grand-Bornand Estilo de vida

Pág. 62 Pág. 68 Pág. 75 Pág. 79 Pág. 85 Pág. 8 Pág. 90 Pág. 92 Pág. 94 Pág. 95 Pág. 9 Pág. 100

Pág. 126 Pág. 135

Pág. 135 Pág. 139 Pág. 142

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1. OS OBJETIVOS

Partindo dos fatos, à luz da razão e da fé.

É preciso abordar um problema pelo seu objeto, no sentido mais amplo da palavra: “De que se trata?” (1)

Nada, a não ser a submissão ao objeto. Nada, a não ser a ambição do bem.

Colocar-se no plano de Deus. Tudo colocar no plano de Deus. Ser totalmente dominado por esse grande desejo.

* Apagar-se diante da obra que vai ser empreendida, e que tem o bem como objetivo.

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O que conta é a obra a realizar. Assim sendo, ninguém perderá tempo consigo mesmo, nem atrapalhará os outros com a sua pessoa; e aqueles que nos virem viver, desinteressados e ardentes, ficarão nossos amigos.

Colocar contentemente essa obra como uma parte integrante na obra total do Cristo. *

É preciso ter uma mensagem para anunciar ao mundo. *

O que é preciso é dar testemunho à verdade, testemunho ao Cristo.

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2. SALVAÇÃO DO HOMEM

O objetivo: salvar e elevar o homem. Todo o homem e toda a humanidade.

Salvar o homem, salvar o homem na totalidade de seu ser, logo e, primeiro lugar, salvar o espírito. Sim, o respeito a cada homem; mas a neutralidade é traição.

O setor a assumir: assumir o setor do misericordioso impelido pela justiça, animado pelo amor. Não se agarrar tanto aos males, mas às suas causas.

Para que gemer? O que é preciso é atracar-se corpo a corpo com o mal, atacá-lo e vencêlo.

Meditar e tornar a meditar o Evangelho do caminho de Jerico. O moribundo à beira da estrada? É o infeliz que realmente encontramos em nosso caminho, mas, é também o proletariado

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— Princípios para a Ação — oprimido, os ricos materializados, a burguesia sem grandeza, os poderosos sem horizontes, toda a humanidade de nosso tempo em todos os seus setores.

A miséria, toda a miséria humana, toda a miséria das habitações, dos vestuários, dos corpos, do sangue, das vontades, dos espíritos; a miséria dos desclassificados, dos proletários, dos que economizam, dos banqueiros, dos nobres e dos príncipes, das famílias, do sindicalismo, dos “cartéis”, dos impérios.

Devemos acolher antes de tudo em nosso coração a miséria do povo. É a menos merecida, a mais tenaz, a mais opressiva, a mais fatal. E o povo não tem ninguém para preservá-lo da miséria, para ajudá-lo a sair dela. Muita gente tem dó dele, algumas pessoas o auxiliam, ninguém se preocupa com as causas profundas dessa miséria. Daí a ineficiência da filantropia, da assistência, da beneficência. A miséria do povo está ao mesmo tempo no corpo e na alma. Cuidar das necessidades imediatas adianta pouco, a não ser que as vontades sejam retificadas e fortalecidas, a não ser que os melhores sejam animados por um grande ideal, a não ser que as opressões e as injustiças sejam suprimidas, ou pelo menos atenuadas, a não ser que os humildes se associem para a conquista progressiva da felicidade.

Colocar em nosso coração e sobre os nossos ombros a miséria do povo; não com a atitude de um estranho, mas como uma criatura entre outras criaturas, com as criaturas; arrastando-as para a luta comum, atirando-as no combate pela própria salvação, ajudando-as e se elevarem na realização de um grande esforço.

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Desde que a gente se mete a se preocupar seriamente, eficazmente com a miséria, ela começa a chover em volta de nós, sobre nós. Ou então é como uma maré montante: ela nos submerge.

Quem quiser ter muitos amigos não precisa senão se por a serviço dos abandonados, dos oprimidos. Mas nada de esperar muita gratidão.

O contrário da miséria: não a abundância, mas o valor. O principal não é produzir riquezas, mas valorizar o homem, a humanidade, o universo.

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3. ORIENTAÇÃO DA AÇÃO

A virtude é o bom uso da natureza; o pecado, o abuso.

Exercer o nosso esforço nos setores que ficarem disponíveis; tomar a nosso cargo aquilo que resta por fazer.

Grandeza. Ver com grandeza, querer com grandeza, pensar com grandeza, realizar com grandeza. Nos combates de hoje, tudo se trava na escala do homem, e na escala do mundo. É preciso estar sempre disposto a realizar, por todos os modos, coisas grandes.

* Não se preocupar em fazer carreira, mas em encher a vida em plenitude.

Nada de imitar a burguesia: não se trata de obter ou de conservar considerações e privilégios, trata-se de servir. Nada de discutir: construir.

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Não se trata de descobrir e de percorrer sozinho, uma única vez, uma pista, mas de traçar e de construir, para uso de muitos uma larga estrada.

Não adianta estar a par de tudo o que os outros dizem ou escreve, se a gente se privar do contato direto com o objeto. O problema não consiste em acumular informações, mas em julgar bem a realidade. O conhecimento não consiste num “esteticismo” de conceitos, mas, num acordo com o objeto.

* A melhor escola: o banho. Não há outro jeito senão entrar nele.

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4. A EFICIÊNCIA

Há uma técnica de ação: não querer estudá-la nem aplicá-la, é tentar Deus. Uma vez fixados os fins, usar meios proporcionais. Começar pelo inquérito, que dever ir se tornando progressivamente exaustivo. Aquele que sabe por que viu, porque que experimentou, por que longamente meditou, não ficará dependendo da aprovação dos outros; seguirá com segurança o próprio caminho. (1)

No começo da vida ativa, qualquer ação de certa importância precisa ser preparada pacientemente, minuciosamente. A improvisação normalmente é desastrosa. O reflexo da ação objetiva não é conseguido senão pouco a pouco, depois de muitas apalpadelas, de muitas experiências, de muitos fracassos.

------------------------ (1) N. do T. — Não se aprende, senhor, na fantasia, Sonhando, imaginando ou estudando, Senão, vendo, tratando e pelejando (Camões)

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Pode não ser muito nítido o contexto da ação, mas ninguém deve ficar parado à espera das últimas previsões.

Amar a obra bem feita. Dedicar para isso o tempo necessário. Mamãe me dizia que a gente nunca deve fazer as coisas como quem “não se importa”.

As interrupções da ação — as doenças por exemplo — são muito úteis para a gente por cada coisa em seu lugar, para a gente retomar as perspectivas. Graças a essas interrupções, muitas vezes, o nosso trabalho torna-se mais fecundo. Isolados do barulho, libertados dos empurrões, podemos olhar as coisas e os acontecimentos de mais alto, e dominá-los. Podemos assim exprimir as conclusões de nossa ação. Podemos, enfim, confrontar a experiência e os princípios, e dar aos princípios uma nova vitalidade, repondo-os em estado de germinação.

“Não é uma súbita inspiração que me revela, como se fosse um segredo, o que devo dizer ou fazer em circunstancias imprevistas para os outros, é a reflexão, a meditação” (1).

Conforme o dito de Santo Tomás: é preciso pensar sempre no assunto. ----------------- (1) Napoleão

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Logo que a gente consiga adquirir em todos os domínios o sentido daquilo que é mais essencial, não sobrará tempo senão para ele.

“Sempre que um homem de qualidades médias concentrar todas as sua faculdades num fim único, deverá atingi-los” (2) A vida é curata demais para a gente gastar, uma hora que seja, em intrigas.

* “Faça, e tudo se fará” (3).

É preciso chegar a ditar a lei.

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5. VERDADEIRA PRUDÊNCIA

Não tomar posição antes de conhecer a questão. Evitar julgamentos apressados ou apaixonados, sobre os homens, e sobre os acontecimentos. Evitar na ação qualquer precipitação.

Ninguém deve se deixar arrastar desde logo pela intuição. A intuição pode ser enganadora. É preciso esperar que ela se torne angustiosa; que se tenha submetido 1 crítica; que possua bases concretas de realização.

Queres saber, vai ver. Desconfia do livro, segue o objeto.

No setor que escolheste, dever ser o homem (ou a mulher) mais sabidos; não porque conheças melhor todos os pormenores — isso é impossível — mas porque conheces, e de uma maneira coordenada, pormenores suficientes para perceber o conjunto O que mais falta hoje, em

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— Princípios para a Ação — todos os domínios, é o homem (ou a mulher) capaz de abranger a totalidade do problema. Ás vezes surgem alguns, mas são falsos. Não começaram pela análise minuciosa. Ou então, faltalhes cultura, ou esquecem o elemento humano. É preciso tudo isso ao mesmo tempo.

Dar um jeito? Nada disso; entregar-se ao objeto.

Sinceridade e lealdade. Jogar jogo franco, é a suprema habilidade. (Isso de “dar um jeito”, de “dar um arranjo”, é coisa que exaspera.) É preciso deixar os “golpes” aos medíocres.

Muitos há que procuram, não a verdade, nem o bem, mas o que convém no momento, o que dá bom resultado. Esses são malfeitores.

Ousar. Quem segue o objeto arrisca menos. Ensina-se, sobretudo, aos homens a não fazer, a não compreender, a não arriscar: justo o contrário da vida.

Espiritualidade. Afastar-se em cinco pontos da espiritualidade habitual da gente de bem, que consiste em: não fixar os objetivos, não usar os meios proporcionais, fracassar, acusar os maus, abandonar-se a Deus. Mas, observar, ouvir, concluir, querer, decidir-se, retificar-se, racionalizar, insistir, alargar, orar, abandonar-se.

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Fixar os fins, estudar o terreno, não desprezar os adversários, estabelecer um plano, usar de todos os meios r acionais, de que se possam dispor; preparar cuidadosamente as armas, emprenhar-se valentemente no combate, abandonar-se a Deus.

Aceitar os recursos pobres, e não recorrer aos menos pobres, a não ser por objetividade, por necessidade.

Gastar sem hesitar para adquirir o “necessário” para a tua vida e para tua ação, e Deus te ajudará. Mas para que Deus te ajude com recursos, exige o teu esforço e exige que sejas pobre de verdade.

Cada um só dispõe, conforme a saúde, o temperamento, as ocupações, de um certo potencial de combate. É preciso não gastá-lo em escaramuças.

O importante é embarcar. Mesmo sem saber que navios irá encontrar, que tempestades irá sofrer, em que portos irá descansar. Mesmo não tendo previsto tudo, a gente parte, e chega. Basta que o navio não tenha rombo, que os porões estejam suficientemente cheios, a máquina em

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— Princípios para a Ação — bom estado e que o capitão e os seus homens entendam suficientemente do ofício. Há risco. Isso não impede de partir.

O cristão não corre nenhum perigo de “materializar-se”, desde que procure antes de tudo o reino de Deus e a sua justiça.

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6. AS REGRAS DE OURO DO

MARINHEIRO “Meter à orça”.

Expressão marítima. Navegando à vela o mais perto (o mais perto possível do vento pela proa), meter-se no vento para aliviar o navio quando a brisa força passageiramente. Essa passagem mais forte do vento chama-se “pé de vento”. É notada no mar pela cor mais sóbria da água e pelo embranquecimento das ondas. Em outras palavras: “Diminuir as dificuldades dandolhe menos pontos de ataque” — Ou ainda: “Diante de uma súbita oposição, ceder um instante e “retomar o caminho”. Outros dizem: “Deixar passar a ventania” ou “Deixar passar a tempestade”.

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