TFG Parque esportivo- Enfase Mobiliario Urbano Iranduba

TFG Parque esportivo- Enfase Mobiliario Urbano Iranduba

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1. INTRODUÇÃO

O papel do lazer na sociedade contemporânea está intimamente ligado a bens de consumo: academias, clubes, shoppings centers, porém, em tempos atuais está sendo visto como ponto de fuga para as atividades diárias e converge a atividades ligadas ao bem estar, visto que a sociedade está cada vez mais consciente dos efeitos dos seus atos.

2. PARQUES LAZER

A função social está relacionada com a possibilidade de lazer que essas áreas oferecem à população. A função educativa está relacionada com a possibilidade imensa que essas áreas oferecem como ambiente para o desenvolvimento de atividades ao ar livre.

A função ecológica que possui relação com a preservação da vegetação, do solo não impermeabilizado e de uma fauna mais diversificada nessas áreas, promovendo melhorias no clima da cidade e na qualidade do ar, água e solo. Função psicológica que ocorre, quando as pessoas entram em contato com os elementos naturais dessas áreas, relaxam, funcionando como anti-estresse.

Este aspecto está relacionado com o exercício do lazer e da recreação nas áreas verdes. Função estética, que diz respeito à diversificação da paisagem construída da cidade. Com relação a este aspecto deve ser ressaltando a importância da vegetação.

Outros autores trazem a importância das áreas verdes sendo:

“Do canteiro à árvore, ao jardim de bairro ou grande parque urbano, as estruturas verdes constituem também elementos identificáveis na estrutura urbana, caracterizam a imagem da cidade, tem a individualidade própria, desempenham funções precisas, são elementos de composição e do desenho urbano, servem para organizar, definir e conter espaços.”(LAMAS, 1993, apud Loboda e De Angelis, pg.134, 2005)

“Os espaços livres nas grandes cidades são essenciais à saúde, mas não muito menos importantes para o êxtase do espírito, que encontra repouso nessas paisagens naturais espalhadas no meio da cidade. As áreas verdes desempenham um papel importante no mosaico urbano, porque constituem um espaço encravado no sistema urbano cujas condições ecológicas mais se aproximam das condições normais da natureza”. (SITTE, 1992, P.167, apud Loboda e De Angelis, pg.134, 2005).

No meio urbano essas áreas propiciam a melhoria da qualidade de vida, pois garantem áreas destinadas ao lazer, prática de esportes, relaxamento, preservação ambiental e a qualidade dos recursos naturais, sendo todos esses itens contribuindo para a estética da cidade e valorização do meio urbano. Essas áreas trazem a redução da poluição do ar, controle do ruído, proteção do solo e rios, controle da temperatura, além dessa importância ecológica e social cria espaços de lazer, esporte e convívio.

Segundo Loboda e De Angelis (2005) os benefícios que as áreas verdes urbanas oferecem podem ser listadas como: Equilíbrio da luminosidade e da temperatura;

• Purificação do ar; redução da poluição;

• Redução da velocidade dos ventos;

• Mantém a permeabilidade do solo e a fertilidade do solo;

• Abrigo da fauna existente;

• Amortecimento dos ruídos;

• Valorização visual e ornamental;

• Transmite bem estar psicológico;

• Caracterização e sinalização de espaços.

Para que todas essas melhorias e benefícios aconteçamos autores LIRA

FILHO, PAIVA, e GONÇALVES (2001), trazem um padrão mínimo de verde nas cidades exigido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Essa entidade internacional considera o índice de 12m/habitante como o padrão ideal requerido de áreas verdes para qualquer cidade. Esse padrão baseia-se no fato de que presença dessas áreas no meio urbano traz benefícios tanto ambientais quanto sociais”.

A implantação do paisagismo cada vez mais faz parte do cenário das cidades, reforçando que espaços construídos e naturais podem ser harmoniosamente conciliados, pois esse paisagismo:

“Torna as cidades mais humanas ao utilizar os elementos do meio natural para harmonizar as relações de proporção e escala entre edificações e pedestres. Destaca as árvores,arbustos e forrações como elementos para a composição do espaço – questão fundamental da arquitetura – quando o projeto paisagístico é concebido de maneira integrada com os elementos construídos do entorno, podendo também criar visuais, valorizar pontos focais, perspectivas.A obra ainda realça a dimensão sensível do paisagismo, na qual cores, texturas, aromas, sons se combinam para construir lugares que convidam à permanência, lugares nas quais a expressão artística e a qualidade estética impressas no projeto se materializam, construindo identidade. É a identidade, a capacidade de estabelecer referencias-relações positivas entre usuário e lugar- são vitais as nossas cidades”. (LERNER, apud ABBUD, 2005, Contracapa)

Após a abordagem da importância das áreas para o meio urbano das cidades e dos benefícios que elas promovem iremos tratar sobre sua conceituação, complementando o estudo sobre essas áreas.

3. CONCEITUALIZAÇÃO DE PARQUE

Por se tratar de um assunto tão abrangente existem variações e imprecisões na definição de parques e áreas verdes, por isso a importância de abordar essas conceituações, acrescentado ao estudo à origem e a evolução do espaço público nas cidades, para que se perceba mas mudanças de seu significado.

“Os parques são equipamentos públicos difundidos através da história da humanidade e que surgiram de ações concretas, em situações geográfica e historicamente específicas.A provisão de parques públicos é função do município, e ocorre a partir da necessidade de existência de tais equipamentos, de sua presença nos planos e da tendência contemporânea das reivindicações por parques e áreas verdes.” (SCALISE, 2002, pg. 18)

Iniciamos pela conceituação de Pereira Lima o qual propõe a seguinte classificação para áreas verdes:

“Área verde: Onde há o predomínio de vegetação arbórea, englobando as praças, os jardins públicos e os parques urbanos. Os canteiros centrais de avenida e os trevos e rotatórias de vias públicas que exercem apenas funções estéticas e ecológicas, devem, também, conceituar-se como área verde. Entretanto, as árvores que acompanham oleito das vias públicas não devem ser consideradas como tal, pois as calçadas são impermeabilizadas”.(apud LOBODA e DE ANGELIS, Pg. 132, 1994)

De acordo com Richter, o qual propõe conceitos mais específicos para os diferentes parques estão as seguintes definições:

“Parques de vizinhança: Praças, playground – apresentam função recreacional, podendo abrigar alguns tipos de equipamentos; Parques de bairro: São áreas ligadas á recreação, com equipamentos recreacionais, esportivos dentre outros, que requerem maiores espaços do que os parques de vizinhança;Parques setoriais ou distritais: Áreas ligadas à recreação com equipamentos que permitam que tal atividade se desenvolva;” (1981 apud, GERALDO, 1997, P.40)

4. PARQUES LAZER, URBANOS BRASILEIROS

O parque urbano brasileiro, de acordo com Scalise (2002), ao contrário do seu congênere europeu, não surge da urgência social de atender as necessidades das massas urbanas da metrópole do século XIX. O Brasil do século passado não possuía uma rede urbana expressiva, e nenhuma cidade, inclusive capital, o Rio de Janeiro, tinha o porte de qualquer grande cidade europeia da época, sobretudo no que diz respeito à população e área. O parque é criado, então, como uma figura complementar ao cenário das elites emergentes, que controlavam a nova nação em formação e que procuravam construir uma figuração urbana compatível com a de seus interlocutores internacionais, especialmente ingleses e franceses.

O século XIX é o momento da estruturação do Brasil como nação, que necessita organizar-se como tal, principalmente a partir da vinda da família real portuguesa, em 1808. Observam–se profundas reestruturações e modernizações nas velhas e pequenas cidades, que são aparelhadas para desempenhar novas e sofisticadas funções administrativas.

Sobre esses espaços públicos de contemplação da população recaíam as atenções dos administradores, pois constituíam pontos de atenção e focalização urbanística, localizando-se ao redor da arquitetura de maior interesse, edifícios públicos, já que são pontos de concentração da população. Passeio Público, Jardim Botânico e a Lagoa Rodrigo de Freitas.

“Ao longo da história o papel desempenhado pelos espaços verdes nas nossas cidades tem sido uma consequência das necessidades experimentadas de cada momento, ao mesmo tempo em que é um reflexo dos gostos e costumes da sociedade”. (LOBODA, DE ANGELIS , 2005, pg.129).

Segundo o texto acima esse retrato de mudanças de gostos e costumes é expressado através da história dos diferentes parques existentes no Brasil ao longo das décadas, que são: eclético, moderno e o contemporâneo.A Linha Moderna surge nas décadas de 1930 e 1940 valorizando as atividades recreativas ao ar livre: surgem o playground, quadras esportivas e piqueniques, valorizando a vegetação tropical e a presença de elementos construídos.

A Linha Contemporânea surge nos anos 1980 e destacam-se pela geometria dos desenhos dos canteiros e no uso da vegetação, a utilização da água em formas elaboradas e o reaparecimento dos canteiros de espécies floríferas, formando tapetes coloridos, o destaque para essa linha são os parques temáticos, destacando algum fato histórico ou homenageando alguma etnia importante.

“As cidades brasileiras contemporâneas, cada vez mais necessitam de novos parques, em geral de dimensões menores devido à escassez e ao alto custo das terras urbanas. Atendem a uma grande diversidade de solicitações de lazer, tanto esportivas como culturais, não possuindo, muitas vezes, a antiga destinação voltada basicamente para o lazer contemplativo, características dos primeiros grandes parques. Buscando o equilíbrio entre o processo de urbanização contemporâneo e a preservação do meio ambiente, o parque urbano surge com novos contornos culturais e estéticos, desenhando o perfil, entorno e identidades, devendo ser encarados nos seus diferentes tempos, funções e usos. Comentar sobre parques urbanos implica, primeiramente, em considerar a definição do que seja parque, dificultada pelas diferenças de dimensões, formas de tratamento, funções e equipamentos, incluindo os parques lineares”. (Scalise, 2002, pg.12)

Com a abordagem das diferentes definições, usos, equipamentos e pela retrospectiva do que vem a ser parques urbanos segundo autores distintos, pode se criar a conceituação própria do que vem a ser a intervenção da área no local previsto. Na área da intervenção será proposto um parque linear urbano, que se trata de um parque urbano arbóreo que possui um desenho linear em função dos córregos e da área disponível, sendo um elo entre bairros e a consequente valorização dos mesmos. Prevê equipamentos recreativos, áreas de contemplação e prática de esportes, priorizando a conservação e preservação ambiental, regularização fundiária e em consequência a melhoria da qualidade de vida urbana.

5. CONCEITO DE LAZER

A conceituação de lazer se mostra relevante para a compreensão da função que os parques urbanos exercem dentro das cidades. Dessa forma, é necessário compreender quais as atividades de lazer fazem parte da herança cultural de cada comunidade ou sociedade.

Assim as práticas de lazer populares como os jogos que pulsam nos guetos, ou as brincadeiras de rua urbana, ou as festas rurais populares, são formas de lazer que representam as práticas coletivas de convivência e símbolos de uma comunidade, um apelo ao passado e uma forma de resistência à generalização da tecnologia e do consumismo. (ALMEIDA, p.56).

A definição clássica de lazer vem da tradição de Dumazedier (1979) que define o lazer como o conjunto de ações escolhidas pelo sujeito para diversão, recreação e entretenimento, num processo pessoal do desenvolvimento. Para Lígia Dumont a concepção do lazer, tal como hoje é visto, possui traços específicos e característicos da civilização industrial e pós-industrial. É evidente que o lazer sempre foi concebido como uma atividade fora do tempo de trabalho, mas a ideia de atividade no tempo desocupado que complementa e compensa o indivíduo, correspondendo a uma liberação periódica no fim do dia, da semana, do ano ou da vida de trabalho, só advém do final do século passado. (DUMONT, p.117).

6. USO DE LAZER ESPORTIVO

A área destinada ao lazer e esporte visa proporcionar à população espaços para praticas esportivas diversas, que atenda os públicos infantis a adultos, bem como o contato com a natureza, através de equipamentos e áreas qualificadas para o desenvolvimento das atividades onde o bem estar físico e mental sejam priorizados. É o maior setor do parque que conta com uma grande área verde, tornando-se uma excelente opção para práticas esportivas. e de lazer ligadas á natureza. Os equipamentos propostos são:

- Pistas de Caminhada e Ciclovias - Trilhas Ecológicas

- Equipamentos de Ginástica ao ar livre

- Campo de Futebol

- Campo de Futebol/Voleibol de Areia

- Quadra Esportiva

- Playground

- Área para Arborismo.

7. PAISAGENS E LAZER

Alguns parques e praças urbanas encontram-se englobadas dentro do conceito de área de lazer, possibilitando uma utilização mista, compete aos paisagistas encontrar a vocação natural dessas paisagens para atender as vontades dos possíveis usuários.

Um dos maiores proveitos que se pode tirar das paisagens atuais está relacionado aos benefícios físicos e mentais que as mesmas são capazes de proporcionar à sociedade. Tais benefícios são de importância vital para o ser humano, esteja ele trabalhando, estudando, dormindo, se alimentando, e até mesmo dedicando-se ao lazer (LIRA FILHO; PAIVA e WANTUELFER, 2001, p.130).

Na visão de Alex (2008, p.61), afirma que “praças, ruas, jardins e parques constituem o centro do sistema de espaços abertos na cidade. Nem sempre verdes, os espaços livres são o reflexo de um ideal da vida urbana em determinado momento histórico”.

O lazer contemplativo é importante do ponto de vista social, causam às pessoas deliciosa sensação de descanso, bem estar, sossego, trata-se das áreas em que impera a beleza plástica das paisagens, despertando sensações agradáveis a visão do observador. O lazer recreativo é aquele lazer que faz uso da terapia ocupacional das crianças, adultos e pessoas da terceira idade, são áreas que necessitam estar bem localizadas, fazendo presente mobiliário específico tais como os parquinhos de diversão, mesas, bancos em áreas silenciosas para idosos. Existe também o lazer esportivo, trata-se de um lazer cultural, nas quais podem ser praticadas em espaços livres urbanos que contenham equipamentos apropriados, como teatros, arenas, coretos, anfiteatros. Contudo, as áreas verdes e os espaços livres merecem uma atenção especial pelas funções que exercem na recreação e desempenhando importante papel social no contexto urbano. (LIRA FILHO; PAIVA; WANTUELFER, 2001).

8. MOBILIÁRIO URBANO

No intuito de conceituar e definir mobiliário urbano apresenta-se neste capítulo uma síntese dos principais tópicos em relação ao assunto que devem ser conhecidos para melhor entendimento e criação do projeto. Apresentam-se definições de mobiliário urbano e suas classificações, assim como, seus aspectos funcionais e relações com o espaço.

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