Índice

Introdução

O presente trabalho tem como o tema ‘A responsabilidade social como imperativo ético’’, Na verdade, o mundo contemporâneo é marcado por mudanças constantes e velozes. Como consequências disto, aponta-se o aumento da complexidade do ambiente e o baixo grau de previsibilidade das relações intra e inter-organizacionais.

Contudo, As empresas, entendidas como unidades fundamentais no contexto global, são cada vez mais desafiadas a aplicar princípios éticos e a responsabilizar- se por actos relacionados directa ou indirectamente com os problemas da sociedade. Em casos como esses, elas não podem se limitar a uma visão rígida e estreita de seus interesses particulares, e sim desenvolver critérios específicos fazendo ajustar à sua realidade, isto é, considerando não somente factores económicos, mas também os contextos políticos, os impactos sociais e ambientais e vários outros aspectos associados às suas actividades.

Na verdade, a ética, primeiramente, é o conjunto de modelos morais que guiam o comportamento no meio dos negócios e na sociedade, construindo o próprio carácter em prol do bem-estar de todos. Ela é a base para a sustentabilidade e para orientar e guiar as acções das empresas com responsabilidade social. Por outro lado, a responsabilidade social aparece para obrigar mais ética e clareza na gestão das organizações. Hoje em dia, pode-se ver que, muitas empresas já estão adoptando esse novo modelo, agregando valores éticos ao marketing, obtendo resultados positivos com marcas mais valorizadas. Logo, uma empresa que age com responsabilidade social, planeia e traça seus objectivos e metas baseado tanto nos interesses de seus colaboradores e presidentes, quanto de indivíduos externos.

1.Objectivo geral

  • O objectivo deste trabalho é avaliar as actividades ligadas à responsabilidade social das organizações em termos éticos.

1.1.Objectivos específicos

  • Definir a responsabilidade social em relação a ética;

  • Analisar de que forma a responsabilidade social é imperativo ético;

  • Destacar a importância da responsabilidade social, perante a sociedade;

  • Compreender os valores éticos e suas interpretações.

2.Metodologia

O presente trabalho foi feito através de uma revisão bibliográfica. Também, foi usado o método indutivo, que é um método responsável pela generalização, isto é, partimos de algo particular para uma questão mais ampla, mais geral. Para Lakatos e Marconi (2007:86), Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Portanto, o objectivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais nos baseia-mos.

3.Responsabilidade social como imperativo ético

3.1.Histórico e conceitos

No início do século XX, foram identificadas as primeiras manifestações ligadas à Responsabilidade social (RS), provenientes de empresários e académicos, que procuravam não limitar a actuação das empresas somente pela busca incessante do lucro a qualquer preço, mas se referir à necessidade de haver outro papel para as instituições privadas. Segundo Bowen (1957) e Duarte e Dias (1986), as primeiras manifestações de ideias ligadas à RS surgiram no início do século, identificadas em trabalhos de Arthur Hadley, em 1907, Charles Eliot, em 1914, e John Clark, em 1916 e 1926.

3.2.Directrizes da responsabilidade social

  1. Adoptar valores e trabalhar com transparência: O passo inicial para se tornar uma empresa socialmente responsável é avaliar os seus valores éticos e transmiti-los aos seus públicos através de um documento formal. Além disso, a empresa tem que praticar o que ela se propõe e agir da forma mais transparente possível.

  1. Valorizar empregados e colaboradores: É prioritário que a empresa cumpra as leis trabalhistas, pois empresas que valorizam seus funcionários valorizam, na verdade, a si mesmas.

  1. Fazer sempre mais pelo meio ambiente: O produtor deve se informar e cumprir toda a legislação ambiental, com destaque para o uso da água, para a protecção de matas e de reserva legal.

  1. Proteger clientes e consumidores: Outro passo é adoptar técnicas de Produção Integrada e, se possível, ter alguma certificação de alimento seguro. É importante ter a certeza de que esse produto que saiu da sua propriedade não sofra nenhuma contaminação ou qualquer outro processo até o seu destino final que possa apresentar risco à saúde e à imagem da sua empresa junto ao consumidor.

  1. Promover a comunidade: É importante à empresa identificar os problemas da comunidade e tentar soluções em conjunto.

  1. Compromeer-se com o bem comum: As directrizes anteriores já demonstram resultados em prol do bem comum. Mas, é importante que o empresário se comprometa em acções que não sejam simplesmente marketing para diferenciar o seu produto junto ao consumidor final. É preciso que o empresário tenha acções que decisivamente contribuam para o desenvolvimento de sua região e do país.

3.3.Benefícios da responsabilidade social

É a nova forma de gestão empresarial, onde existe um compromisso da empresa em relação à sociedade em geral. E, para uma empresa ter sucesso, para conquistar e ampliar mercado, para ter competitividade, a prática da responsabilidade social e a prestação de contas de seu desempenho são indispensáveis. A Responsabilidade Social está sendo vista, como um compromisso da empresa com relação à sociedade e a humanidade em geral, compreendendo que o papel actual das empresas vai muito além da obtenção de lucro.

3.4.Prejuízos da irresponsabilidade social

Melo Neto e Froes (1999) indicam que, no momento em que uma empresa deixa de cumprir com as suas obrigações sociais com seus stakeholders, ela perde seu capital de Responsabilidade Social, a credibilidade e a imagem e ameaça sua reputação. No âmbito interno, podem ocorrer a deterioração do clima organizacional, a desmotivação generalizada, o surgimento de conflitos, greves e paralisações, baixa produtividade e aumento de acidentes de trabalho. No âmbito externo, podem ocorrer prejuízos maiores, como acusações de injustiça social, boicote por parte dos consumidores, reclamações dos fornecedores e revendedores, queda nas vendas, gastos extras com passivo ambiental e até risco de falência.

3.5.Indicadores da responsabilidade social

Os indicadores da responsabilidade social são uma ferramenta que tem um auxilio forte as empresas no sentido de permitir que incorporem em sua gestão os conceitos e compromissos que assumem em favor do desenvolvimento sustentável. Na verdade, com a evolução da discussão e o sólido aumento do comprometimento das empresas com o tema tornou-se necessário criar de revisão da ferramenta que vise a sinergia com outras iniciativas, e que conte com a participação formal de grupos de stakeholders variados, a fim de ampliar os parâmetros já existentes da ferramenta quanto a sua aplicabilidade e comparabilidade.

Valores, transparência e governança

Auto-regulação e conduta

Relações transparentes com a sociedade

Público Interno

Diálogo e participação

Respeito ao indivíduo

Meio Ambiente

Gerenciamento do Impacto Ambiental

Responsabilidade frente às gerações futuras

Fornecedores

Selecção e parceria com fornecedores

Consumidores e clientes

Dimensão social do consumo

Comunidade

Relações com a comunidade local

Trabalho voluntário

Governo e sociedade

Transparência política

Liderança social

3.6.As principais abordagens de RS

Muito se fala sobre RS nos dias actuais. Entretanto, devido à proliferação de abordagens, teorias e terminologias, não há uma definição única ou precisa. Revisamos as três principais abordagens teóricas de RS:

  • Ética empresarial — abordagem ética ou normativa;

  • Empresa e sociedade — abordagem social ou contratual;

  • Gestão de temas sociais — abordagem gerências ou estratégica

Certos pressupostos básicos distinguem cada uma das abordagens. Entretanto, o quadro não é muito claro; diferentes abordagens costumam se misturar e usar a mesma terminologia, às vezes com significados distintos.

3.6.1.A abordagem normativa

A abordagem normativa, característica da precursora escola da ética nos negócios (business ethics), se baseia no argumento de que as actividades empresariais estão sujeitas ao julgamento moral. Assim, a responsabilidade social da empresa está associada directamente à sua responsabilidade moral. Mais especificamente, segundo French (1995), a estrutura decisória interna da empresa (sujeita a regras, fluxos, procedimentos e sistemas de controle) manifesta a consciência ou a intenção dos homens de negócios que dirigem a organização.

Os pesquisadores de ética nos negócios abordam aspectos relacionados ao desenvolvimento moral cognitivo, dilemas éticos, modelos de gerência ética, entre outros. As questões são analisadas nos níveis sistémico, organizacional e individual. No sistémico, discute-se o sistema económico e as relações entre ética e negócios por meio de aspectos institucionais, culturais e ideológicos. No organizacional, são analisadas as políticas, os valores e as práticas de empresas. No individual, são estudados os comportamentos e valores dos indivíduos (Victor e Stephens, 1994).

3.6.2.A abordagem contratual

A abordagem contratual se caracteriza por um enfoque sociopolítico. Embaçada na vertente de estudos chamada de “empresa & sociedade” (business & society), essa abordagem privilegia os interesses dos diferentes grupos de actores sociais com os quais a empresa interage e os conflitos e disputas de poder correspondentes. Essa abordagem traz a sociedade para o primeiro plano e desafia a abordagem normativa, a qual tem a sociedade apenas como recipiente/beneficiária de grandes princípios morais, tais como a justiça ou a igualdade. Segundo essa abordagem teórica, a RS se baseia na interdependência entre empresas e sociedade. Por conseguinte, é esperado que a sociedade construa expectativas quanto ao comportamento e aos resultados das corporações. possuem algum interesse.

3.6.3.A abordagem estratégica

No início dos anos 1980 surgiu, quase que simultaneamente à abordagem contratual, a abordagem estratégica, representada pela escola de gestão de temas sociais (social issues management). O foco principal dessa abordagem é a produção de ferramentas de gestão que sejam capazes de melhorar o desempenho social e ético das empresas. A ênfase está, quase sempre, no aproveitamento de oportunidades e na minimização de riscos, por meio da identificação e resposta a questões de cunho ético e social que podem causar impacto à empresa. Em outras palavras, essa abordagem se concentra na gestão de temas sociais que permitam o atendimento dos objectivos estratégicos da organização (Logsdon e Palmer, 1988).

4.Ética

Na grande maioria das definições de responsabilidade social, encontramos a questão da ética. Oded Grajew, Presidente do Instituto Ethos, considera que a ética está intrinsecamente presente em todas as acções de responsabilidade social, ajudando a definir o que é este movimento. a responsabilidade social é uma forma de gestão empresarial que envolve a ética em todas as atitudes. Significa fazer todas as actividades da empresa e promover todas as relações - com seus funcionários, fornecedores, clientes, com o mercado, o governo, com o meio ambiente, e com a comunidade - de uma forma socialmente responsável. Miranda (2002, p.235) cita Semenik e Barnossy (1996), para quem ética é o “conjunto de padrões e princípios morais segundo os quais se julga o comportamento”. Os autores identificam as seguintes questões éticas no âmbito empresarial:

  • Questão ética do produto

Segurança do produto

Embalagens

  • Questão ética do preço

Preços desleais – dumping

Discriminação de preços

  • Questão ética da comunicação

Propaganda enganosa

Propaganda de cigarros e bebidas alcoólicas

Conclusão

Chegado o fim deste trabalho, pode-se ver que, em decorrência da globalização económica, as condições ambientais e sociais do planeta sofreram alguns impactos negativos. Para reverter tal situação, esse assunto tornou-se pauta principal em grandes acontecimentos e várias empresas passaram a aderir o projecto para melhoria social e ambiental. E hoje, pode-se observar significantes adequações feitas pelas empresas no intuito de amenizar os danos provocados ao meio ambiente ao longo do tempo e evitar que outros ocorram. Há uma preocupação crescente das empresas com responsabilidades social, fazendo nascer uma nova mentalidade empresarial, que valoriza a cultura de uma boa conduta empresarial para a qual eficiência e lucro podem ser combinados com valores, cidadania, preservação ambiental e ética nos negócios.

Contudo, ao adoptar as políticas éticas e consolidar esta política a seus funcionários, a corporação, além de confiável ao corpo funcional que também é responsável pelo sucesso da empresa, acresce sua imagem perante o mercado, fornecedores e consumidores, ou seja, os pilares para que uma empresa atinja o verdadeiro sucesso. Estas políticas éticas levam ao empreendedor o alcance de melhorar o marketing da organização em busca de aumentar visibilidade, principalmente em relação a sua fonte de renda e sucesso, os consumidores, através do exercício da ética com práticas sociais em benefício da comunidade, dos membros da corporação, do governo e do meio-ambiente seguindo principalmente nas seis directrizes da Responsabilidade Social.

Bibliografia

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Friedman, Milton The Social Responsibility of Business is to Increase its Profits, Te New York Times Magazine (13-09-1970)

Aquino, M.P., Nuestro Clamor por la Vida. Teología Latinoamericana desde la Perspectiva de la Mujer (San José, Costa Rica: Departamento Ecuménico de Investigaciones, 1992).

AKTOUF, O. Governança e pensamento estratégico: uma crítica a Michael Porter. Revista de Administração de Empresas, v. 42, n. 3, p. 43-53, 2002.

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