Mercado financeiro vs Instituicoes financeiras

Mercado financeiro vs Instituicoes financeiras

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO

O presente trabalho de pesquisa aborda sobre o mercado financeiro vs instituições financeiras. Na verdade, como se pode ver pelo tema o sistema financeiro é composto por um conjunto de instituições financeiras públicas e privado, e seu órgão normativo máximo é o Conselho Monetário Nacional (CMN). Por meio do SFN, viabiliza-se a relação entre agentes carentes de recursos para investimento e agentes capazes de gerar poupança e, consequentemente, em condições de financiar o crescimento da economia.

Por agentes carentes de recursos entendem-se aqueles que assumem uma posição de tomadores no mercado, isto é, que despendem em consumo e investimento valores mais altos que suas rendas. Os agentes superavitários, por seu lado, são aqueles capazes de gastar em consumo e investimento menos do que a renda auferida, formando um excedente de poupança.

Contudo, uma característica presente na estrutura do Sistema Financeiro é os conglomerados financeiros, criados em função da política de concentração bancária desenvolvida nas últimas décadas por intermédio principalmente de fusões e aquisições. Esses conglomerados financeiros, por meio das diversas instituições que estão sob seu controle, costumam actuar nos diversos segmentos financeiros do mercado, limitando bastante a actuação de instituições independentes.

1.Metodologia

Para elaboração deste trabalho foi feito uma revisão bibliográfica. Onde foi usado o método indutivo, que é um método responsável pela generalização, isto é, partimos de algo particular para uma questão mais ampla, mais geral.

Para Lakatos e Marconi (2007:86), Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Portanto, o objectivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais nos baseia-mos.

2. MERCADO FINANCEIRO VS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

2.1.Mercado Financeiro

Originalmente, todas as transacções eram realizadas através da simples troca de bens ou serviços, operação chamada de escambo. Com a evolução e a complexidade das relações de troca, surgiu a moeda como instrumento de precificação para a actividade de comprar e vender bens e serviços.

A criação da moeda como ferramenta de valoração, não eliminou a existência de pessoas com superávit em seus fluxos de caixa e pessoas com déficit.

Como, então, juntar essas pessoas de forma que todos pudessem equilibrar seus fluxos de caixa através de empréstimos concedidos por aqueles em posição de superávit e a captação de empréstimos por aqueles com deficit em seu fluxo? Os instrumentos necessários para viabilizar a resposta a esta questão geraram o Mercado Financeiro. Embora esses mercados sejam hoje globalizados, espalhando-se por todos os países e englobando vários tipos de operações, podemos defini-lo como o “local” onde vários tipos de transações são realizados.

Os mercados financeiros básicos são: mercado monetário e de crédito, mercado cambial e mercado de capitais.

  • Agentes financeiros: são as instituições, como bancos de investimentos, comerciais, corretoras de valores, entre outras, que realizam as transacções financeiras.

  • Demandantes: são os tomadores de recursos, isto é, aqueles que captam recursos no mercado financeiro.

  • Fornecedores: são os investidores ou poupadores de recursos.

No mercado financeiro estão incluídos vários outros tipos de mercados. Através dos agentes autorizados a operar, definidos de acordo com a legislação de cada país, todas as transacções que ocorrem no Mercado Financeiro, em seus respectivos mercados, podem ser sintetizadas da seguinte forma.

Tipo de transacção

Mercado

Operações com moeda local

Mercado monetário

Operações com moeda estrangeira

Mercado de câmbio

Operações com empréstimos

Mercado de crédito

Operações de compra e venda de capital de empresas

Mercado de capitais

Existem várias definições para os mercados que compõem o Mercado Financeiro. Nesses mercados normalmente observamos os seguintes tipos de operações:

2.1.1.Mercado Monetário

Formado por bancos comerciais, múltiplos e sociedades de crédito, financiamento e investimento para realizar operações com títulos públicos (títulos emitidos pelo governo).

2.1.2.Mercado de Crédito

Mercado onde são negociadas as operações de empréstimos, arrendamento mercantil e financiamentos para pessoas físicas e jurídicas de qualquer tamanho e segmento de actuação.

2.1.3.Mercado de Câmbio

Mercado onde são realizadas as operações de compra e venda de moeda estrangeira com taxas flutuantes e taxas livres. Esse mercado inclui também as negociações entre residentes domiciliados ou com sede no país e no exterior.

2.1.4.Mercado de Capitais

Mercado onde são realizadas as operações de compra e venda de acções, títulos e valores mobiliários efectuadas entre pessoas físicas e jurídicas. Essas operações têm obrigatoriamente a intermediação de instituições financeiras participantes do Sistema de Distribuição de Títulos e Valores Mobiliários.

Para qualquer tipo de empresa ou pessoa física actuando no mercado monetário, mercado de crédito, mercado de câmbio ou mercado de capitais, independente do tipo de mercado, existe uma variável que impacta a todos. Essa variável é a taxa de juros. As taxas de juros são acompanhadas diariamente, pois afectam a vida de todos e têm consequências importantes para a saúde da economia. Elas afectam as decisões das famílias (consumir ou poupar, comprar à vista ou a prazo) e, principalmente, das empresas (investir na expansão da capacidade da empresa ou aplicar em títulos do governo, tomar recursos emprestados ou aumentar o capital).

2.2.Finalidade dos mercados financeiros

Participam do mercado financeiro as instituições financeiras, poupadores e tomadores de recursos. Poupadores são as pessoas físicas, jurídicas ou órgãos governamentais que dispõem de recursos financeiros sobrando e não pretendem gastá-los de imediato. Tomadores são também pessoas físicas, jurídicas ou órgãos governamentais que necessitam de recursos financeiros para usá-los de imediato, ou seja, apresentam uma situação deficitária em seus fluxos de caixa.

A finalidade dos mercados financeiros é a alocação eficiente da poupança entre tomadores finais dos recursos financeiros e os poupadores, ou seja, entre aqueles que apresentam déficit e os que estão em uma posição superavitária em seus fluxos de caixa. O processo de alocação entre esses participantes é realizado pelos intermediários financeiros, assim compreendidos como bancos, financeiras, fundos de pensão, seguradoras, fundos de investimentos etc.

Quando o investimento de uma unidade económica em activos (máquinas, equipamentos, casas, prédios, estoques, bens duráveis etc.) excede sua poupança, ou seja, seu superávit de caixa, para conseguir realizar o investimento previsto essa empresa ou unidade económica necessitará buscar novos empréstimos e financiamentos no mercado de crédito ou aumento de capital por meio de aporte dos sócios existentes ou da abertura do capital para novos sócios no mercado de capitais. Por outro lado, quando ocorre um excesso de poupança em relação ao investimento, ela adquire activos financeiros (títulos, acções etc.) no mercado monetário.

2.3.Estrutura dos mercados financeiros

Uma empresa ou um indivíduo pode conseguir recursos no mercado financeiro de duas formas:

  • Emitir um instrumento de dívida (como um título de crédito ou uma hipoteca) ou 

  • Emitir títulos de propriedade (como quotas de capital ou acções da empresa).

A forma mais comum é emitir um instrumento de dívida, que é, na realidade, um contrato no qual o tomador se compromete a pagar juros e amortizar o principal ao emprestador até uma data específica (data do vencimento). A segunda forma, emissão de títulos de propriedades, como acções na Bolsa, por exemplo, dão direito ao recebimento de dividendos periódicos calculados com base em um percentual dos lucros, podendo ser revendidas a qualquer momento.

A vantagem de possuir acções, no caso de uma sociedade anónima, ou cotas, no caso de uma empresa constituída sob a forma de cotas de responsabilidade limitada, é que seus portadores compartilham do aumento da lucratividade e da geração de riqueza da empresa, pois as acções e as cotas conferem direito de posse aos seus portadores. No entanto, o proprietário de acções ou cotas tem a desvantagem de não ter nenhuma garantia com relação ao risco do negócio, incorrendo em risco de crédito da mesma forma que o emprestador de recursos e de ficar completamente vulnerável às oscilações da lucratividade da empresa.

Além disso, de acordo com a legislação, o ressarcimento das exigibilidades decorrentes da utilização do capital de terceiros é prioritário em relação aos interesses dos accionistas ou quotistas.

A vantagem para o emprestador, quando comparado ao sócio, seja ele quotista ou accionista, de emprestar recursos, são as seguintes: 

  • As despesas financeiras e o pagamento de principal tem ressarcimento prioritário em relação ao valor investido pelos proprietários. 

  • Normalmente os empréstimos estão protegidos por garantias reais e financeiras (como o fluxo de caixa futuro, numa operação de securitização de recebíveis, aval dos sócios, fiança, penhor de estoques etc.).

2.4.Sistema Financeiro Nacional

Sistema Financeiro Nacional é formado pelo conjunto de instituições, reguladoras e operacionais e tem por objectivo garantir o fluxo de recursos entre emprestadores e tomadores de recursos.

2.4.1.Conselho Monetário Nacional (CMN)

O Conselho Monetário Nacional é o órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional. Ao Conselho Monetário Nacional compete:

  • Estabelecer as directrizes gerais das políticas monetárias, cambial e creditícia;

  • Regular as condições de constituição, funcionamento e fiscalização das instituições financeiras;

  • Disciplinar os instrumentos de política monetária e cambial;

  • Autorizar emissões de papel-moeda;

  • Aprovar o orçamento monetário preparado pelo Banco Central;

  • Fixar directrizes e normas da política cambial;

  • Disciplinar o crédito em suas modalidades e as formas de operações creditícias.

2.4.2.Formação da taxa de juros

O bem vendido e comprado no mercado financeiro é o dinheiro. A interacção da demanda e oferta desses fundos fixa a taxa de juros. Os demandantes são os tomadores de empréstimos e os ofertantes são aqueles que emprestam ou financiam. A representação gráfica da demanda (DD) tem inclinação negativa, pois quanto maior a taxa de juros menor será o estímulo para os tomadores de recursos e, naturalmente, quanto menor a taxa de juros mais estimulados estarão os tomadores (maior será a quantidade demandada).

Por outro lado, a representação gráfica da oferta (SS) tem inclinação positiva já que, quanto maior a taxa de juros, maior será o incentivo dos financiadores em emprestar e, quanto menor a taxa de juros, menor será esse incentivo (menor será a quantidade ofertada). No equilíbrio de mercado tem-se uma taxa de juros (io ) e um volume de recursos transaccionados (Vo ).

2.4.3.Valor do dinheiro no tempo

Um dos conceitos mais importantes das finanças empresariais, ou mesmo pessoais, diz respeito à relação entre 1,00 hoje e 1,00 no futuro. O cálculo financeiro estuda o relacionamento entre valores monetários posicionados em pontos distintos do tempo. Dessa forma, tem por objectivo analisar operações (transacções) financeiras e/ou comerciais envolvendo entradas e saídas de caixa (de dinheiro) ocorridas em pontos distintos no tempo.

Existem diferentes formas de como os valores monetários podem estar espalhados ao longo do tempo (fluxos de caixa). Fluxos de caixa nada mais são do que a diferença entre as entradas e saídas de caixa efectivadas ao longo do tempo. O cálculo financeiro se propõe a avaliar fluxos de caixa e, com base nessa avaliação, contribuir para uma tomada racional de decisão.

Por exemplo, suponhamos uma empresa que analisa a possibilidade de investir 10 milhões em um projecto que promete gerar 3 milhões por ano durante cinco anos. Trata-se de um projecto interessante? Como as entradas totalizam 15 milhões e superam a saída de 10 milhões, poderíamos pensar a princípio que sim. No entanto, os 10 milhões são pagos imediatamente, já as parcelas anuais de 3 milhões serão recebidas no futuro. Além disso, o pagamento dos 10 milhões é imediato e certo, ao passo que as entradas futuras são apenas estimativas. Assim sendo, precisamos conhecer a relação entre 1,00 hoje e 1,00 (possivelmente incerto) no futuro.

2.4.4.Conceito de juros, principal e montante

Antes de definirmos os juros, devemos colocar duas proposições:

  • Quem empresta dinheiro sacrifica o consumo. Os indivíduos requerem uma remuneração pela renúncia do consumo hoje (prémio pela espera).

  • Quem empresta dinheiro corre o risco de não receber os valores devidos do capital inicial e juros. Os poupadores requerem uma remuneração pelo risco assumido (prémio de risco).

A noção de juros decorre do fato de que na sociedade a maioria das pessoas prefere consumir (bens ou serviços) hoje do que numa data futura, ou seja, há uma preferência temporal em não adiar o consumo. Dessa forma, postergar uma entrada de caixa (recebimento) por certo tempo envolve um sacrifício que deve ser pago mediante uma recompensa denominada juros.

Além do prémio pela espera, os juros contemplam também o risco do negócio. Poderíamos ainda definir juro como sendo a quantia de dinheiro cobrada pelas pessoas e/ou empresas pela utilização do seu capital por um período (intervalo de tempo) determinado, ou seja, é o preço do dinheiro.

Sabendo que: 

  • O principal (P) corresponde ao capital inicial que uma pessoa (física ou jurídica) empresta para outra durante certo tempo. 

  • Os juros (J) são a remuneração pelo uso do capital (para o emprestador) ou o custo do empréstimo (para o tomador), ou seja, os juros geram um lucro (ou ganho) ao proprietário do capital de forma a compensar a sua privação por determinado período de tempo. 

  • O montante (M) corresponde ao valor monetário acumulado após um determinado período de tempo, resultante de uma operação financeira ou comercial, ou seja, é a soma do capital inicial (principal) mais os juros auferidos naquele período.

2.4.5.Taxa de juros

A taxa de juros é o coeficiente que determina o valor dos juros, isto é, a remuneração de uma unidade monetária durante um certo período de tempo. Podemos calcular a taxa de juros i (“i” do inglês interest, que significa juros) pela relação entre os juros (J) e o principal (P):

i = J / P = (M – P)/P = M/P – 1

Onde:

i = taxa de juros expressa na forma decimal (*).

J = juros acumulados.

P = principal.

M = montante.

(*) O resultado da equação acima é fornecido na forma decimal. Para transformar em percentagem, basta multiplicar o resultado por 100.

Exemplos: 1. Um capital de 1.000,00 é aplicado durante um mês e gera uma remuneração de 25,00. Qual foi a taxa de juros mensal cobrada na operação?

Solução: i = J / P = 25,00/1.000,00 = 2,5% ao mês.

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