Desigualdades socias em saude em Mocambique

Desigualdades socias em saude em Mocambique

ÍNDICE

INTRODUÇÃO

O presente trabalho versa pelo tema ‘’ Desigualdade social em saúde em Moçambique’’. Na verdade, como se pode ver pelo tema no mundo em que vivemos percebe-se que os indivíduos são diferentes, estas diferenças se baseiam em coisas materiais, raça, sexo, cultura e outros. Os aspectos mais simples para constatarmos que os homens são diferentes destacam-se os físicos e sociais. Com este trabalho, pretende-se focar maior atenção as desigualdades sociais em saúde. Constatamos isso em nossa sociedade, pois nela existem indivíduos que vivem em absoluta miséria e outros que vivem em mansões rodeados de coisas luxuosas e com mesa muito farta todos os dias enquanto outros não tem o que comer durante o dia. Por isso, nota-se que existe a desigualdade social, ela assume feições distintas porque é constituída por um conjunto de elementos económicos, políticos e culturais próprios de cada sociedade.

Este trabalho surge no âmbito da cadeira de saúde comunitária, com o objectivo de abordar aspectos inerentes ao tema “desigualdade social em saúde em Moçambique”. O tema é bastante relevante para a sociedade global e especificamente a moçambicana porque o mundo e o país em especial são fortemente afectados por essa situação causando inúmeros conflitos sociais. Por isso, torna-se relevante explicar esse fenómeno com bases teóricas de Karl Marx. Como estudante é relevante estudar este fenómeno para poder explicar com maior precisão as causas do surgimento, as consequências e possíveis soluções para o indivíduo e a sociedade.

Uma vez que o nosso país não é excepção num conjunto de países que enfrentam essa situação (desigualdade Social), pretende-se com o trabalho, compreender e explicar a ocorrência desse fenómeno com o objectivo de consciencializar a sociedade e procurar demonstrar possíveis soluções.

1.OBJECTIVOS

1.1. Objectivos gerais

  • Analisar os aspectos que fazem parte e como mitigar a desigualdade social em Moçambique.

1.2. Objectivos específicos

  • Identificar as diferenças que se tornam desigualdades por causa de características físicas e/ou culturais.

  • Favorecer a discussão sobre os estereótipos existentes em relação às raças e etnias existentes em Moçambique.

  • Mostrar as dificuldades e constrangimentos a que muitos (as) adolescentes e jovens são submetidas nos serviços de saúde, quando buscam atendimento nas áreas da saúde sexual e da saúde reprodutiva.

  • Contribuir para que adolescentes e jovens tomem consciência de propostas e experiências que contribuam para a superação de barreiras socioeconómicas e culturais que limitam a vida de uma parte considerável da população Moçambicana.

2. Metodologia

Para elaboração deste trabalho foi feito uma revisão bibliográfica. Onde foi usado o método indutivo, que é um método responsável pela generalização, isto é, partimos de algo particular para uma questão mais ampla, mais geral.

Para Lakatos e Marconi (2007:86), Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Portanto, o objectivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais nos baseia-mos.

3. DESIGUALDADE SOCIAL EM SAÚDE EM MOÇAMBIQUE

Encontra-se no mundo um contraste alarmante, enquanto milhões de pessoas passam fome, uma minoria usufrui do progresso e da tecnologia que a sociedade oferece. A reclamação contra o carácter ineficiente do Estado é geral e os benefícios colectivos do Estado são pequenos e de pouca qualidade diante de tão ampla desigualdade social. Marx já fazia, na Comuna de Paris, as mesmas reclamações que se fazem hoje contra o Estado.

3.1. O princípio fundamental de Karl Marx

A única realidade é a matéria e suas forças, cuja evolução contínua e progressiva gera as sociedades humanas. A estrutura e o desenvolvimento das sociedades possuem base económica (materialismo económico) e obedecem a dialéctica hegeliana cuja expressão é a luta de classe (Castro, 2000).

3.2. Sociedade

Segundo Marx citado por Tomazi (1993), a sociedade é um conjunto de actividades dos homens, ou acções humanas, e essas acções é que tornam a sociedade possível. Essas acções ajudam a organização social, e mostra que os homens se relacionam uns com os outros. Esta relação é determinada por diferentes classes que compõem a sociedade.

3.3. Classes sociais

Para Marx, as classes não seriam apenas um grupo que compartilha um certo status social, mas é definida em relações de propriedade. Para ele havia aqueles que possuíam o capital produtivo, com o qual possuíam a mais-valia, constituindo assim a classe exploradora, de outro lado estava os assalariados, os quais não possuíam a propriedade, constituindo assim o proletariado (Campos, 2007). As classes sociais mostram as desigualdades da sociedade capitalista. Cada tipo de organização social estabelece as desigualdades, de privilégios e de desvantagens entre os indivíduos. Essas desigualdades são adquiridas socialmente. As divisões em classes se dão na forma que o indivíduo está situado economicamente e sócio-politicamente em sua sociedade.

3.4. Estado e Política

Para Marx citado por Castro (2000), as relações de produção formam a estrutura social. As formas de produção determinam as formas de consciência. O factor económico é determinante fundamental da estrutura e do desenvolvimento da sociedade, isto é, organização política, religião, lei, filosofia, ciência, arte, literatura e a própria moralidade. O autor defende que o estado é a superstrutura a serviço da classe dominante.

Karl Marx com a ideia do Estado como sendo um instrumento na qual uma classe domina e explora outra classe, defende que este (Estado) seria necessário a proteger a propriedade e adoptaria qualquer política de interesse da burguesia, seria o comité executivo da burguesia.

Marx defende que o poder político é meramente o poder organizado de uma classe para oprimir a outra e que a luta entre as mais variadas classes é o que configura a história de toda sociedade, uma história construída por grupos de interesse organizados, as classes sociais, que usam os recursos políticos para o seu benefício mesmo quando necessário o uso da força contra as classes opositoras. Classes que são egoístas, que não lhes importam os interesses nacionais, seus interesses estão acima do nacional, muito menos as classes opositoras (Campos, 2007).

3.5. A luta de classes

As classes sociais se inserem em um quadro antagónico, elas estão em constante luta, que nos mostra o carácter antagónico da sociedade capitalista, pois, normalmente, o patrão é rico e dá ordens ao seu proletariado, que em uma reacção normal não gosta de recebe-las, principalmente quando as condições de trabalho e os salários são precários. As greves e reivindicações que exigem melhorias para as condições de trabalho, mostrando a impossibilidade de se conciliar os interesses de classes é um exemplo claro dessas lutas de classes.

De acordo com Marx, a luta de classes está em todos os momentos da vida social, a greve é apenas um dos aspectos que evidenciam essa luta. A luta social também está presente em movimentos artísticos como telenovelas, literatura, cinema, etc. Para Marx, a compreensão dos conflitos de interesse entre grupos sociais não tem sua raiz nas relações legais ou jurídicas, essa raiz deve ser procurada nas relações materiais de vida ou seja, nas acções sociais dos indivíduos para ganhar a vida (Pinho e Vasconcellos, s/d).

3.6. Desigualdade social

O marxismo estabelece que a desigualdade é inerente ao modo de produção capitalista resultante de um conjunto de relação pautada na propriedade como um facto jurídico, e político. O poder de dominação é que dá origem a essas desigualdades em que uma classe produz e a outra domina os meios de produção (Tomazi, 1993). Ela produz-se inevitavelmente no processo normal das economias capitalistas, e não pode ser eliminada sem alterar de modo fundamental os mecanismos do capitalismo. Ademais, forma parte do sistema, o que significa que o detentor do poder tem interesses criados em manter a desigualdade social (Peet, s/d).

4. CONSEQUÊNCIAS DA DESIGUALDADE SOCIAL EM SAÚDE

Marx defende que as desigualdades sociais não são acidentais, e sim produzidas por um conjunto de relações que abrangem as esferas da vida social. Como consequência da desigualdade, na economia existem relações que levam à exploração do trabalhador e concentração da riqueza nas mãos de poucos indivíduos. Na política, a população é excluída das decisões governamentais (Bourguignon, 2010). Além destas consequências, existem várias outras como: o crescente estado de miséria, as disparidades sociais, a extrema concentração de renda, os salários baixos, o desemprego, crimes, a fome que atinge milhões de indivíduos, a desnutrição, a mortalidade infantil, a marginalidade, a violência, etc. Todo esse conjunto de consequência da desigualdade dá origem a conflitos sociais que surgem como tentativas de reivindicação das classes desfavorecidas.

Em Moçambique as diferenças sociais são bastantes notáveis, tal como em vários países do continente africano. Moçambique se soma aos já tradicionais altos índices de miséria e violência tendo como uma das principais causas a guerra civil. É bastante notável a miséria em Moçambique, como exemplo podemos narrar do caso de dois bairros vizinhos situados na cidade de Maputo. Enquanto doutro lado existem grandes mansões recheadas de mobílias de grande valor monetário e uma variedade de carros na garagem, do lado vizinho, isto é, bairro da Polana caniço encontram-se casas de construção precária de indivíduos passando difíceis condições de vida.

Ainda no contexto da desigualdade em Moçambique, pode analisar-se este facto que incide de uma maneira tão notável até nos lugares onde supostamente não deveria haver. Um exemplo para esta situação, são as situações actuais dos cemitérios no país. Talvez analisar com maior detalhe a situação do cemitério de Lhanguene na cidade de Maputo. Nota-se que há uma grande desigualdade ou diferença das campas no local, umas são muito bem ornamentadas e feitas de mármore e outras são feitas de cimento e encontram-se em mau estado de conservação. O mais interessante analisar é que as campas bem conservadas e feitas de material de boa qualidade são de indivíduos de uma classe alta, aqui nota-se grande desigualdade entre indivíduos da classe baixa e os da classe alta.

Outro factor drástico que surge como consequência da desigualdade social é o suicídio. De acordo com Durkheim (1996), os indivíduos têm um certo nível de integração com os seus grupos, o que ele chama de integração social. Níveis anormalmente baixos ou altos de integração social poderiam resultar num aumento das taxas de suicídio:

  • Níveis baixos porque baixa integração social resultam numa sociedade desorganizada, levando os indivíduos a se voltar para o suicídio como uma última alternativa;

  • Níveis altos porque as pessoas preferem destruírem a si próprias do que viver sob grande controlo da sociedade.

4.1. Implicações político-ideológicas da desigualdade social no mundo e em Moçambique

A dominação ideológica é fundamental para encobrir o carácter contraditório do capitalismo. A palavra ideologia foi criada no começo do século XIX para designar uma "teoria geral das ideias". Foi Karl Marx quem começou a fazer uso político dela quando escreveu um livro junto com Friedrich Engels intitulado “A ideologia alemã”. Nessa obra, eles mostram como, em toda sociedade dividida em classes, aquela classe que domina as demais faz tudo para não perder essa condição. É aí que entra a ideologia: ela constituirá um corpo de ideias produzidas pela classe dominante que será disseminado por toda a população, de modo a convencer a todos de que aquela estrutura social é a melhor ou mesmo a única possível. Com o tempo, essas ideias se tornam de todos; em outras palavras, as ideias da classe dominante tornam-se dominantes na sociedade (Gallo, s/d). Ex: certos membros que participaram na luta de libertação nacional de Moçambique afirmam que as desigualdades de riquezas (ou bens económicos) existentes no país entre eles e o povo ser justas, fazendo com que o povo receba essa ideia como sendo aceitável.

A desigualdade social tem afectado imenso a nação moçambicana. Desde o início do processo de desenvolvimento, encontra-se um factor evidente: o crescimento económico, que tem gerado condições extremas de desigualdades espaciais e sociais, manifestações entre regiões, meio rural e o meio urbano, entre centro e periferia e entre as raças. A disparidade económica encontrada no país reflecte-se em especial sobre a qualidade de vida da população: expectativa de vida, mortalidade infantil e analfabetismo, dentre outros aspectos. As populações mais pobres não têm ascensão no mercado de trabalho. Com o processo de urbanização, a modernização do sector agrícola e a industrialização no espaço urbano grande parte da população rural migrou para as cidades à procura de empregos e melhores salários.

É evidente a presença de três classes sociais diferentes, sendo elas: classe baixa, média e classe alta. A classe média pouco faz-se sentir comparativamente a outras duas. Como já vimos no capitalismo, quem tinham condições para a dominação e a apropriação, eram os da classe superior, os burgueses, capitalistas, os ricos, quem trabalhavam para estes eram os operários, os pobres, pois bem esses elementos são os principais denominadores de desigualdade social.

A elevada concentração da riqueza mobiliária e imobiliária de uma classe (rica) e o declínio dos salários reais e à existência dos altos preços de produtos básicos são factores estruturais políticos, sociais e económicos que contribuem para gerar a desigualdade de renda em Moçambique. Contudo, há uma má distribuição de riqueza, sendo que se pode considerar a desigualdade social como um dos principais determinantes da pobreza no país.

4.2. Contextualização histórica da desigualdade social

Do ponto de vista de Marx, as lutas de classes exploradas, com vista a destruir as classes possuidoras, explicam as revoluções que marcaram a história. Foi na sociedade industrial que as contradições entre as forças de produção e as relações de produção surgiram com maior nitidez. A sociedade industrial necessitou de meios de produção consideráveis: capitais, máquinas, mão-de-obra. Daqui resultou uma enorme concentração de riquezas nas mãos da classe possuidora e uma concentração das massas laborais em torno das fábricas, concentração até então nunca vista (Rocher, 1989).

4.3. A influência da classe social na desigualdade em saúde

Os poderes e deveres que as pessoas exercem sobre os meios, ou seja, o que os agentes têm e o que fazem com essas propriedades são factores que podem ser pensados a partir da desigualdade social: o que temos na realidade são, como dito acima, grupos sociais em vantagem/desvantagem, sendo que a desigualdade se encontra dentro das organizações e instituições sociais mesmas, e a partir destas se enraízam em nossas vidas.

Desta forma, podemos dizer que o fundamental na questão da desigualdade em saúde parte das desigualdades sócio económicas, e que a desigualdade no controle de recursos fundamentais para vida social causam conflitos entre os estratos sociais. As vantagens de alguns grupos sobre outros, essencial para a categorização das classes, causam a exclusão de certos grupos, o que os afecta em todos os âmbitos da vida social; a própria dominação depende do desfavorecimento desses grupos excluídos.

Vivemos em uma sociedade em que estamos sempre fazendo escolhas; entretanto, estas escolhas são previamente determinadas, ou seja, não são totalmente livres. Desta maneira, forma-se um ciclo no qual a opressão económica causa a exclusão e consequentemente a privação ao acesso de bens necessários, desnivelando a vida das pessoas, já que estas apresentam recursos desiguais que reflectem em todos os âmbitos de suas vidas.

4.4. Raça e género

Toda sociedade apresenta algum modelo de estratificação. Ela existe a partir do momento em que há diferenciação, hierarquização ou desigualdade de qualquer natureza dentro de uma sociedade. Estas demarcações não são uma simples divisão da sociedade. Nelas estão embutidos os valores que a sociedade atribuiu a cada grupo que a compõe. Esses critérios, que são tomados para dividir a sociedade, são impostos desde o nascimento dos indivíduos ou adquiridos ao longo da vida. Por exemplo, na sociedade indiana tradicional que se organiza pelo sistema de castas os indivíduos nascem dentro das castas e lá permanecem até morrer; seus/suas filhos/as serão destas castas e morrerão lá também. A mobilidade social entre as castas é praticamente nula.

A ampliação dos direitos humanos das mulheres nunca esteve tão evidente como nas determinações referentes à incorporação da perspectiva de género (gender mainstreaming) das conferências mundiais de Viena (1993). De fato, ao mesmo tempo em que a diferença deixou de ser uma justificativa para a exclusão do género nos principais discursos de direitos humanos, ela, por si só, passou a servir de apoio à própria lógica de incorporação de uma perspectiva de género.

Entretanto, como no caso da discriminação de género, as noções de diferença, também aí, limitam a possível expansão das garantias de direitos humanos ligados à raça aos contextos em que a discriminação se pareça mais com a negativa formal dos direitos civis e políticos. Quanto à discriminação que não se enquadra nesse modelo-padrão porque não ganha estatuto legal ou formal, do tipo apartheid, é mais difícil enquadrá-la como abuso de direitos humanos. Por isso, é importante compreender como operam os mecanismos de desigualdade racial e de género.

Raça é conceito que teve intenso uso ideológico no século XIX para justificar a ideia de que há raças superiores e inferiores, o que legitimou a subjugação e a exploração de povos considerados, sob essa lógica, biologicamente inferiores. A ciência do século XX, especialmente a genética, demonstrou que o conceito biológico de raça não tem sustentação científica, porque há mais diferenças entre os indivíduos considerados da mesma raça, do ponto de vista genético, do que entre as supostas raças, ou seja, a espécie humana é única e indivisível.

Etnia refere-se a um grupo de pessoas que consideram ter um ancestral comum e compartilham da mesma língua, da mesma religião, da mesma cultura, das tradições e visão de mundo, do mesmo território ou das mesmas condições históricas.

4.5.A saúde e padrões de crescimento económico

Apesar da asserção de que o crescimento económico contribui para o bem-estar das pessoas ser desejável do ponto de vista normativo, na prática nem sempre é assim. Alguns padrões de crescimento conduziram a grandes desigualdades no bem-estar entre diferentes grupos de pessoas, em Moçambique e em outros lados. Também houve casos em que as melhorias nos indicadores sociais ultrapassaram o crescimento económico. A questão da razão por que o crescimento económico se traduz ou não em desenvolvimento social está implicitamente levantada pelo ministério quando observa que, apesar da consistência de boas taxas de crescimento ao longo dos anos, o progresso nos indicadores sociais tem sido inferior e menos consistente.

Há boas razões para pensar que não existe uma única resposta estereotipada; tem havido diferentes experiências em diversos países em distintos períodos históricos. Reflectir em cenários passados permite-nos identificar diferentes vias de conexão entre padrões de crescimento económico e mudanças na saúde. Podemos ver como o crescimento económico pode ter levado a salários mais altos e bens de consumo mais baratos e, por conseguinte, a uma melhoria da nutrição.

Pode ter também conduzido a condições de trabalho mais saudáveis e a um aumento da base fiscal para financiamento dos serviços de saúde públicos. Como Drèze e Sen (1991) apontaram no seu estudo sobre acção pública, estas relações positivas entre desenvolvimento económico e a melhoria da saúde não foram, contudo, sempre comprovadas. Os frutos do crescimento não passaram invariavelmente daqueles que controlam os recursos económicos para a população trabalhadora.

4.6. Medindo desigualdades de saúde em Moçambique

Como se mede a relação entre crescimento económico e estados de saúde em mudança? Muitas vezes confiamos nos PIB per capita e esperança de vida, quando de facto ambos apresentam algumas limitações. O PIB é geralmente medido em termos de preços; não é uma medida confiável daquilo que não é distribuído através do mercado. Contudo, a produção de bens e serviços que não são comercializados, tal como a produção agrícola doméstica para consumo directo ou preparação de alimentos ou cuidados com os doentes, são sem dúvida muito importantes para os estados de saúde.

Dos debates epidemiológicos por resolver discutidos supra, sabe-se que o acesso aos cuidados de saúde tem impacto na saúde, mas a saúde é também afectada por outros factores – nutrição, ambiente, trabalho de cada um, o conhecimento que cada um possui (apesar de não ser necessário concordarmos com a importância relativa dos mesmos). Seguir estas ligações alarga as áreas de intervenção política relevante ao mundo não estruturado dos ‘determinantes indirectos’ nos modelos epidemiológicos. A questão mais restrita entre os resultados de saúde e prestação de cuidados de saúde delimita um universo mensurável mais fácil de gerir.

5. MEDIDAS DE DESIGUALDADE NA PRESTAÇÃO DE CUIDADOS DE SAÚDE

Outra forma de olhar para os determinantes da desigualdade na saúde consiste em concentrarmo-nos nos serviços de saúde, incluindo não só a distribuição de instalações, drogas e pessoal mas também a acessibilidade aos cuidados de saúde e sua qualidade relativa. A acessibilidade está afectada por várias coisas para além da estrutura dos honorários: a distância de uma instalação de saúde, a capacidade de pagamento do transporte e os pagamentos informais requeridos para se ser examinado.

Apesar do grande fosso existente na acessibilidade rural e urbana, os agregados familiares rurais recorrem quase tanto aos serviços dos profissionais de saúde como os urbanos (10,8% vs. 11,3%) e, tal como os urbanos, muitos ficam satisfeitos com os cuidados que obtêm (61,9% vs. 63,4%). É mais provável os ricos recorrerem aos profissionais de saúde, contudo todos mostram níveis semelhantes de satisfação com o que obtêm. Contudo, quando olhamos para as diferenças entre províncias, surgem mais enigmas.

Verificamos que a acessibilidade está fortemente distorcida em direcção à província e cidade do Maputo e, em certa medida, à de Gaza (recorde-se o afluxo de assistência médica depois das cheias de 2000). Há grandes fossos entre avaliações de necessidades e utilização em Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Tete, mas menor fosso em Niassa, Manica e Sofala. E a cidade de Maputo, que tem a maior acesso e a mais baixa necessidade e utilização, também tem um nível baixo de satisfação.

5.1. A persistência da desigualdade

Observando estes dados não podemos fazer afirmações definitivas nem mesmo sobre o que aconteceu e menos ainda sobre as causas. No período de recuperação do pós-guerra parece ter havido progresso em alguns aspectos, tanto nas condições como nos cuidados de saúde, e em algumas desigualdades regionais, e os fossos entre as áreas rurais e as cidades foram reduzidos. As taxas de mortalidade infantil estão em queda, especialmente nas áreas rurais.

A proporção de crianças com doença respiratória aguda que foram tratadas numa instalação de saúde subiu, particularmente em áreas rurais, e subiu transversalmente em todos os quintis de rendimento. A epidemia do HIV/SIDA parece estar em estabilização. No entanto, podemos também ver alguma evidência nestes dados que justifica a preocupação do ministério com a estagnação dos indicadores de saúde e a persistência e até aumento de algumas formas de desigualdade na saúde. Em termos absolutos, a taxa de mortalidade infantil (162/1000) nas áreas rurais permanece alta.

5.2. Religião

De uma forma geral, a religião moçambicana é baseada nos usos e costumes, em crenças, práticas e valores tradicionais de cada zona do País e do grupo populacional. Na zona rural, a população abraça, em grande medida, as crenças, práticas e cultos tradicionais.

A religião constitui um instrumento de promoção da consciência patriótica e de unidade nacional. O canto, a dança, a poesia, a escultura, a pintura e outras formas de expressão cultural tiveram sempre um papel bastante relevante na mobilização dos cidadãos moçambicanos na luta pela conquista da dignidade e valorização da religião moçambicana.

O País tem como língua oficial o Português e tem uma diversidade de línguas nacionais composta por cerca de 40 línguas maternas. As línguas nacionais mais faladas são o emakhuwa, Xichangana , elomwe, cisena e o Echuwabo.

No que diz respeito à religião, uma parte considerável da população professa a religião católica (23.8%) e tem seguido práticas religiosas que resultam do contacto com o exterior. A religião muçulmana (representa 17.8) é também predominante, sobretudo no norte do País e, particularmente, na zona costeira. Importa referir que a Constituição da República consagra o princípio da laicidade do Estado no artigo 12º, que estabelece a separação entre o Estado e as confissões religiosas. Estabelece, ainda, que as confissões religiosas são livres na sua organização e no exercício das suas funções de culto, devendo conformar-se com as leis do Estado.

Conclusão

Chegando o fim deste trabalho, pude constatar que as desigualdades resultam de um conjunto de relações pautado na propriedade como um facto jurídico e político. O poder de dominação é que dá origem a essas desigualdades em que uma classe produz e a outra domina os meios de produção. Com o trabalho, aprendi que as desigualdades sociais não são acidentais, e sim produzidas por um conjunto de relações que abrangem as esferas da vida social. Ela dá origem a várias consequências como: o crescente estado de miséria, as disparidades sociais, a extrema concentração de renda, os salários baixos, o desemprego, a fome que atinge milhões de indivíduos, a desnutrição, a mortalidade infantil, a marginalidade, a violência, e outros. Pode-se considerar a desigualdade social como um dos principais determinantes da pobreza no país.

Nessa forma de dominação, o dominado obedece à regra, e não à pessoa em si, independente do pessoal, ele obedece ao dominante que possui tal autoridade devido a uma regra que lhe deu legitimidade para ocupar este posto, ou seja, ele só pode exercer a dominação dentro dos limites pré-estabelecidos. Nota-se que muitos indivíduos da classe baixa em Moçambique, pouco estão informados sobre este aspecto, aceitando qualquer imposição advinda dos vários membros do estado mesmo quando estas imposições ultrapassam os limites pré-estabelecidos, dando origem a altos índices de corrupção no país.

A educação toma um papel muito importante para melhorar a situação da desigualdade no país, isto é, um país com baixa taxa de analfabetismo poderá melhor lutar para a redução de alta taxa da desigualdade social. Contudo, há necessidade de se criar melhorias no processo de ensino e aprendizagem e que esse processo de ensino deve beneficiar a todos moçambicanos de uma forma igualitária (independentemente da classe social em que o individuo pertence).

Bibliografias

Bourguignon, M. (2010). Desigualdade e Estrutura Social na Sociedade da Informação.

Campos, W. (2007). A Teoria marxista e as classes sociais. Acessado no dia 25 de Setembro de 2015 em http://www.webartigos.com/articles/1190/1/A-Teoria-Marxista-E-As-Classes-Sociais/pagina1.html.

Diário Liberdade (2010). Moçambique: Séculos de miséria e exploração capitalista.

Gallo, S. (s/d). Ideologia do capitalismo. Acessado no dia 27 de Setembro de 2015 em http://www.appio.org/IDEOLOGIA.htm.

Peet, R. (s/d). Desigualdade e pobreza: uma teoria geográfico-marxista. Acessado no dia 29 de Setembro de 2015 em http://ivairr.sites.uol.com.br/marx.htm.

Pinho, D. & Vasconcellos, M. (s/d). Manual de economia: equipa de professores da USP. São Paulo: Saraiva.

Nome: Sérgio Alfredo Macore / 22.02.1992

Naturalidade: Cabo Delgado – Pemba – Moçambique

Contactos: +258 826677547 ou +258 846458829

Formado em: Gestão de Empresas / Gestão Financeira

E-mail: Sergio.macore@gmail.com / helldriverrapper@hotmail.com

Facebook: Helldriver Rapper Rapper, Sergio Alfredo Macore

Twitter: @HelldriverTLG

Instituição de ensino: Universidade Pedagogica Nampula – Faculdade = ESCOG.

Boa sorte para você…….

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