12 - diagnóstico da variabilidade dos índices pluviométricos em teresina – pi brazil

12 - diagnóstico da variabilidade dos índices pluviométricos em teresina – pi brazil

(Parte 1 de 3)

Hudson Ellen Alencar Menezes1 ;Raimundo Mainar de Medeiros2

;Francisco de Assis da Costa

Neto3 ;Hamstrong Ellen Alencar Menezes4

Doutor em Meteorologia, UFCG, Campina Grande – PB, Brasil, e-mail: hudson.ellen@ufcg.edu.br 2 Doutorando em

Meteorologia, UFCG, Campina Grande – PB,Brasil,email:mainarmedeiros@gmail.com;3 Especialização em Engenharia

Civil, UFCG, Campina Grande – PB, Brasil, e-mail: francisco.costa@ufcg.edu.br;4 Engenheiro Florestal, UFCG, Patos –

PB,Brasil, e-mail: hamstrong@bol.com.br

As variabilidades espaço temporal no comportamento das chuvas tem sido analisadas e diagnosticadas por vários autoresno Nordeste do Brasil (NEB), portanto vamos estuda esta variabilidade entre o período de 1913 a 2010 para o município de Teresina. As variações nas precipitações refletem claramente a dinâmica atmosférica da região, marcada pela intensa variabilidade, onde se observa a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) com sua atuação entre os meses de janeiro a março, sendo esse período mais chuvoso. A análise do comportamento da precipitação nas cidades de grande e médio porte é de extrema importância para o gerenciamento dos recursos hídricos, uma vez que se trata de áreas densamente urbanizadas. Muitas vezes, sem uma estruturação urbana adequada, estas cidades se encaixam perfeitamente nesse contexto. Este trabalho tem por objetivo apresentar o diagnóstico da variabilidade dos índices pluviométricosno município de Teresina - PI. Foram utilizados dados mensais observados e anuais de precipitação pluviométrica no período de 1913 a 2010, com 97 anos de observações. Os resultados mostraram a recorrência de valores máximos de precipitação anual dentro de um intervalo de 18, 1 e8 anos. Na análise dos desvios-padrões, os resultados mostraram predominância dos desvios negativosem relação aos desvios positivos.

Palavras - chave:udanças climáticas,sustentabilidade, previsibilidade

The timeline of rainfall variability in behavior has been analyzed and diagnosed by several authors in Northeast Brazil (NEB), so let's study this variability between the periods 1913 to 2010 of Teresina city. Variations in precipitation clearly reflect the atmospheric dynamics of the region, marked by intense variability, where we observe the performance of the Intertropical Convergence Zone (ITCZ) with his performance in the months of January-March, this being more rain tem period. The behavior of rainfall in cities large and medium sized is of utmost importance to the managerial of water resources, since it is densely urbanized areas. Often without adequate urban structures these cities fit perfectly in this context. This work aims to present the diagnosis of the variability of rainfall in Teresina – PI city. We used observed monthly and annual rainfall data for the period 1913-2010, 97 years of observations. The results showed recurrence of maximum values of annual precipitation an interval of 18, 1 and 8 years. In the analysis of standard deviations, the results showed a predominance of negative deviations from the positive deviations.

Keywords: climate change, sustainability, predictability

* E-mail para correspondência: hudson.ellen@ufcg.edu.br (Menezes, H. E. A.).

1. INTRODUÇÃO

A pluviometria representa o atributo fundamental na análise dos climas tropicais, refletindo a atuação das principais correntes da circulação atmosférica. No município de Teresina – PIespecificamente, as chuvas são fundamentais para o bom desenvolvimento do regime dos rios perenes, córregos, riachos, níveis dos lagos e lagoas, bem como para a ocupação do solo, sendo imprescindível ao planejamento de qualquer atividade o conhecimento da sua dinâmica e uma aplicabilidade deste elemento ao setor agrícola e pecuário.

Por ser um país de grande extensão territorial, o Brasil possui diferentes regimes de precipitação. De norte a sul encontra-se uma grande variedade de climas com distintas características regionais. Na Região Norte do país verifica-se um clima equatorial chuvoso, com chuvas na primavera, verão e outono, contudo na parte noroeste da região praticamente não se observa estação seca. No Nordeste a estação chuvosa do semiárido apresenta índices pluviométricos relativamente baixos, que se restringe a poucos meses, em geral três meses. As Regiões Sudeste e Centro-Oeste, no entanto, recebem influência tanto de sistemas tropicais quanto de sistemas de latitudes médias, com a estação seca bem definida no inverno e estação chuvosa na primavera-verão com chuvas convectivas, em geral, produzidas por frentes frias. O sul do Brasil, no entanto, devido à sua localização latitudinal é influenciado por sistemas baroclínicos de latitudes médias, sendo os sistemas frontais austrais os principais causadores de chuvas durante todo o ano (MENEZES, 2010).

A grande variabilidade intra-anual e interanual da precipitação são características marcantes no NEB. Outra característica dessa Região é a distribuição espacial irregular com áreas que apresentam precipitação anual cerca de 350 m, a exemplo do Cariri Paraibano, e outras com totais anuais superiores a 1700 m como o litoral da Paraíba, o que produz um intenso gradiente de precipitação médio anual, pois, a distância entre estas duas áreas é de aproximadamente 100 km (MENEZES, 2006).

A variabilidade climática de uma região exerce importante influência nas diversas atividades socioeconômicas, especialmente na produção agrícola. Sendo o clima constituído de um conjunto de elementos integrados, determinante para a vida, este adquire relevância, visto que sua configuração pode facilitar ou dificultar a fixação do homem e o desenvolvimento de suas atividades nas diversas regiões do planeta. Dentre os elementos climáticos, a precipitação tem papel preponderante no desenvolvimento das atividades humanas, produzindo resultados na economia (SLEIMAN; SILVA, 2008).

O Nordeste apresenta uma variabilidade espacial e intrasazonal, o que produz pelo menos três regimes de precipitação em três áreas distintas: uma área mais ao norte, onde as precipitações significativas ocorrem no bimestre março-abril; a faixa litorânea leste que se estende do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia, com período chuvoso entre maio-julho; e uma terceira região que abrange grande parte da Bahia e sul do Piauí e Maranhão, cujos máximos de precipitação ocorrem de novembro a janeiro (MENEZES et al., 2003).

Como mencionado anteriormente, além da variabilidade interanual, o Nordeste apresenta uma variabilidade espacial e intrasazonal, o que produz pelo menos três regimes de precipitação em três áreas distintas: uma área mais ao norte, onde as precipitações significativas ocorrem no bimestre março-abril; a faixa litorânea leste que se estende do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia, com período chuvoso entre maio-julho; e uma terceira região que abrange grande parte da Bahia e sul do Piauí e Maranhão, cujos máximos de precipitação ocorrem de novembro a janeiro (ALVES et al., 2001; MENEZES et al., 2003).

SegundoMarengo (2012), a região Nordeste do Brasil (NEB) caracteriza-se naturalmente com alto potencial para evaporação da água em função da grande disponibilidade de energia solar e altas temperaturas. Aumentos de temperatura associados à mudança de clima decorrente do aquecimento global, independente do que possa vir a ocorrer com as chuvas, já seriam suficientes para causar maior evaporação dos lagos, açudes e reservatórios e maior demanda evaporativa das plantas. Isto é, a menos que haja aumento de chuvas, a água se tornará um bem mais escasso, com sérias consequências para a sustentabilidade do desenvolvimento regional.

O monitoramento do regime pluviométrico da região nos últimos anos tem mostrado que a escassez de recursos hídricos acentua os problemas socioeconômicos, em particular ao final de cada ano, com os totais pluviométricos em torno ou abaixo da média da região (MARENGO; SILVA DIAS, 2006).

É de grande relevância a análise do comportamento das chuvas na Região NEB, devido, principalmente, à sua irregularidade, uma vez que as variáveis climáticas são muito importantes não só sob o enfoque climático, mas também pelas consequências de ordem social e econômica. Segundo Zanella (2006), vários fenômenos ligados às novas condições climáticas nas cidades, nessas últimas décadas, tais como o aumento da temperatura, a poluição atmosférica, as chuvas mais intensas, entre outros, passam a fazer parte do cotidiano da população, tornando-a vulnerável a inúmeros problemas deles decorrentes.

As cidades brasileiras vêm sofrendo um acelerado processo de modificação da paisagem, decorrente da necessidade crescente de urbanização. Sendo assim as cidades de grande e médio pode encontra-se inserida nessa configuração, que é responsável pelas atuais formas do uso e ocupação do solo. Esse intenso processo de urbanização, principalmente nas últimas duas décadas, tem proporcionado fatores negativos ao ambiente, dentre eles, a ocupação de encostas e margens fluviais, que, associada aos eventos de precipitação, acaba por provocar alagamentos e enchentesmais constantes e comuns. Segundo Brandão (2001), os impactos pluviais são, na maioria das vezes, enquadrados na categoria de eventos naturais extremos ou desastres naturais, dependendo de sua magnitude e extensão.

Seguindo esse mesmo raciocínio segundo Sant’Anna Neto (2008), o estudo do clima e de seus impactos numa perspectiva geográfica, deve atingir dois níveis: o da dimensão socioeconômica e o da ambiental. Na dimensão socioeconômica, compreende a influência dos fenômenos atmosféricos e dos padrões climáticos na estruturação do território e no cotidiano da sociedade, território esse que pode ser modificado em função da variabilidade decorrente das alterações climáticas.

Segundo Tucci (2002), as definições utilizadas na literatura sobre alterações climáticas se diferenciam de acordo com a inclusão dos efeitos antrópicos na identificação da variabilidade. O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, 2001) define mudança climática como as mudanças temporais do clima devido à variabilidade natural e/ou resultados de atividades humanas. Outros autores, como Eerola (2003), Ichikawa (2004) e Sturm et al. (2005) adotam, para o mesmo termo, a definição de mudanças associadas direta ou indiretamente às atividades humanas que alterem a variabilidade climática natural observada num determinado período.

As constantes mudanças no clima estão provocando aumento nas ocorrências de eventos climáticos extremos no mundo inteiro. No Brasil, esses eventos ocorrem, principalmente, como enchentes (fortes chuvas) e secas prolongadas (MARENGOet al.,2010). No Nordeste do Brasil (NEB) os impactos são ainda maiores devido à grande variabilidade na ocorrência de precipitação dessa região. Os principais sistemas responsáveis pela ocorrência de precipitação no NEB são: Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), Vórtices Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), Linha de Instabilidade (LI), Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), Zona de Convergência Secundária do Atlântico Sul (ZCSAS) (MENEZES, 2010), Brisas (Marítima e Terrestres) e as Perturbações Ondulatórias nos ventos Alísios (POAS) (MOLION; BERNARDO, 2002). O El Niño – Oscilação Sul (ENOS) é outro modo de variabilidade climática que influência na ocorrência de precipitação do NEB.

Análises observacionais (monitoramento operacional diário executado na Divisão de

Meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos – FUNCEME/DEMET, e outros Centros Regionais de Meteorologia da região Nordeste) têm mostrado que, no mês de maio, há evidências de formação de intensos Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM) junto à costa leste do NEB, cujas gêneses e intensificações podem estar associadas a distúrbios ondulatórios de leste, que se propagam para oeste no Atlântico Tropical Sul (ALVES et al., 2001). Porém, estes CCM também podem estar relacionados com a ZCSAS.

Com o objetivo de analisar as mudanças climáticas sobre o Nordeste do Brasil, é importante conceituar os processos que influenciam o padrão das distribuições pluviométricas, tanto espacial quanto temporal. Nesse contexto, um fator relevante a ser destacado é a irregularidade na distribuição dos índices pluviométricos, associado à alta variabilidade interanual da precipitação na região tropical, com alguns anos secos e outros chuvosos. Diversos fatores podem contribuir para explicar a alta variabilidade da precipitação sobre o NEB, dentre os quais podem ser citados a flutuação nos valores de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) do Oceano Pacífico Tropical Sul e do Atlântico Sul. No geral, os valores das anomalias das TSMs, do Pacífico Tropical e Atlântico estão associados a mudanças no padrão da circulação geral da atmosfera e consequentes variações na precipitação do Nordeste do Brasil (ARAÚJO, 2009).

A previsão climática sazonal tem se revelado como o mais viável método de previsão da precipitação associada à ZCIT. Porém, os resultados produzidos por modelos numéricos são dependentes da sua destreza em representar as características físicas dos sistemas meteorológicos e da sua sensibilidade em relação às condições de contorno e iniciais (NOBRE, 1996).

A maioria dos estudos sobre precipitação pluviométrica utiliza como método geral a definição de tendências pluviométricas em longos períodos de tempo, para que se possa analisar a variabilidade real dos valores médios (FIGUEIRÓ; COELHO NETTO, 2004). Com efeito, Ayoade (1983) destacou que os totais de precipitação são normalmente distribuídos, o que permite uma análise mais confiável, exceto em áreas onde a precipitação pluvial anual média seja inferior a 750 m. Nesse sentido, a grande dificuldade de proceder a tal análise residiria na escassez de dados climáticos confiáveis, principalmente em um longo período de tempo.

Reconhecidamente, áreas improdutivas ao produtor agrícola no passado, são hojeconsideradas produtivas e lucrativas, graçasao conhecimento atual mais aprofundado decertas variáveis meteorológicas, permitindo o encorajamento e desenvolvimento de projetosaté mesmo mais ambiciosos por parte do nossoprodutor rural. Dada a importância da precipitação como elemento climático mais variável, vários pesquisadores tem destacado em seus trabalhos aspectos da variabilidade daprecipitação na Região Nordeste do Brasil, a exemplos de Kouskye Cavalcanti (1984), Diniz (1998) e de Anjos e Moreira (2000) entre outros, por outro lado são poucas as referências bibliográficas que tratam do comportamento da insolação em nosso país. Se por um lado altas taxas de brilho solar é imprescindível na utilização da radiação solar como fonte de energia alternativa, por outro lado, as precipitações observadas em patamares bem abaixo da média histórica durante a estação chuvosa, ou mesmo, fora da época normal, são responsáveis por transtornos dos mais variados à economia de uma região, culminando em alguns casos com decretação de uma situação de seca, comuns no semiárido da Região Nordeste do Brasil (ANJOS, 2002).

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