Ecoturismo aplicado a unidades de conservação - Henrique bezerra dos Santos 2013

Ecoturismo aplicado a unidades de conservação - Henrique bezerra dos Santos 2013

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Artigo Publicado pelo CNPMT-2013

Henrique Bezerra dos Santos*

Hugo Yuri Elias Gomes de Assis**

MSc. Anderson Alves dos Santos*** RESUMO

O ecoturismo é um segmento do turismo que tem como um de seus objetivos proporcionar ao praticante uma experiência mais vívida e um contato mais dinâmico com os ambientes naturais, gerando nas pessoas um senso crítico sobre a necessidade de preservação do meio ambiente e proporcionando conhecimentos sobre ecologia e conservação, enquanto se aprecia belas paisagens, além da riqueza ecológica local.

O principal objetivo deste trabalho foi gerar uma base de dados para realização da prática de ecoturismo e educação ambiental não formal em um fragmento de Mata Atlântica na área de proteção ambiental do rio Mamanguape.

Foram utilizados conceitos e metodologias adaptadas do Ministério do Turismo e de autores como Costa; M et al, 2012., Silva; T. 2007, e Moraes; 2010.

*Graduando em ecologia, UFBP campus IV. E-mail: henricariocapb@hotmail.com

**Graduando em ecologia, UFPB campus IV. E-mail: hugo.ecologia@gmail.com

*** MSc em Geografia da paisagem, professor do curso de Ecologia, UFPB campus IV. E-mail: geoecoufpb@gmail.com

Anais do 2 Congresso Nacional de Planejamento e Manejo de Trilhas / I Colóquio Brasileiro para a Red Latinoamericana de Senderismo, 16 a 18 de outubro de 2013 / Nadja Maria Castilho da Costa, Vivian Castilho da Costa, Flávio Augusto Pereira Mello, (orgs.).Rio de Janeiro: 1236 p. Rede Sirius-Rede de Bibliotec., 2013. ISBN 978-85-88769-56-4

Para este trabalho foi utilizada uma câmera fotográfica e um GPS Garmin Etrex 10 para demarcação de possíveis pontos de interpretação e catalogação de itens relevantes ao ecoturismo baseado no método IAPI (Indicadores de Atratividade de Pontos Interpretativos), (Magro, T e Freixedas, V 1998).

Após o levantamento em campo, estes dados foram tratados em ambientes SIG, gerando uma carta temática onde se pôde observar a trilha interpretativa levantada.

Concluímos que o atual estado de conservação do fragmento de mata está ligado às pressões que ela sofre devido às atividades antrópicas desenvolvidas em seu entorno que vão desde a atividade extrativista à atividade canavieira, e como diferente ecossistemas interagem com as diferentes unidades de paisagem.

Também observamos que o ecoturismo é uma forma de educar a população sobre a importância de se conservar o meio ambiente pois o fato de realizar algum tipo de aventura tende a despertar o interesse das pessoas. Há também a possibilidade de instruir as comunidades tradicionais de cultura extrativista sobre como explorar os recursos florestais de forma sustentável.

Palavras Chave: Conservação; Paisagem; rio Mamanguape; APA; atividades interativas.

El ecoturismo es una industria turística que tiene como uno de sus objetivos para ofrecer al profesional una experiencia más viva y un contacto más dinámico con el medio natural, creando en las personas un sentido crítico acerca de la necesidad de preservar el medio ambiente y proporcionar conocimientos sobre la ecología y conservación, mientras disfruta de hermosos paisajes, además de la riqueza ecológica local.

El objetivo principal de este trabajo fue generar una base de datos para llevar a cabo la práctica del ecoturismo y la educación ambiental no formal en un fragmento de bosque atlántico en lo Patio de protección ambiental de lo río

Mamanguape.

Utilizamos conceptos y metodologías adaptadas de la Consejería de Turismo y autores como Costa, M et al, 2012., Silva, T. 2007 y Moraes, 2010.

Para este trabajo se utilizó una cámara y un GPS Garmin Etrex 10 para la demarcación de los puntos posibles de interpretación y catalogación de los elementos pertinentes para el ecoturismo basado en el método del IAPI (Indicadores de Atractivo Punto de Interpretación) río (Slim, T y Freixedas, V

Tras el estudio de campo, estos datos fueron tratados en entornos SIG, generando un tema carta donde se puede observar el sendero interpretativo planteado. Llegamos a la conclusión de que la condición actual del fragmento de bosque está relacionada con las presiones que sufre debido a las actividades humanas desarrolladas en torno a ellos, que van desde la actividad minera para la industria de la caña de azúcar, y cómo los diferentes ecosistemas interactúan con las diferentes unidades de paisaje.

También se observó que el ecoturismo es una forma de educar al público sobre la importancia de conservar el medio ambiente debido a que el hecho de realizar algún tipo de aventura tiende a despertar el interés de la gente.

También existe la posibilidad de que instruir a las comunidades extractivas tradicionales de cultivo en la forma de explotar los recursos forestales de manera sostenible.

Palabras clave: Conservación; Paisaje; Río Mamanguape; APA; actividades interactivas.

“O ecoturismo é uma atividade estruturada nos moldes da sustentabilidade, por isso, baseia-se na conservação e na conscientização, através da educação ambiental, e no desenvolvimento local mais sustentável” (Costa et al., 2012).

Quando bem planejadas e com a devida manutenção as trilhas protegem o ambiente dos impactos de seu uso, assim como também proporcionam aos visitantes maior conforto, conscientização ambiental, segurança e interatividade.

O é também um recurso de dispersão, pois retira os turistas de grandes concentrações, o chamado “turismo de massa”, já que havendo maior variedade de locais, evita-se a aglomeração em ambientes sejam eles naturais ou não, esse tipo de turismo ao contrario do ecoturismo é altamente destrutivo aos ambientes e torna o controle das atividades mais difícil.

“O ecoturismo é a viagem para áreas geralmente protegidas, frágeis e intocadas, (geralmente) em pequena escala e que busca causar baixo impacto, Ajuda a educar o viajante; proporciona recursos para a conservação; beneficia diretamente o desenvolvimento econômico e o poder político das comunidades locais; e estimula o respeito por culturas diferentes e pelos direitos humanos”.

Desde a década de 60 com a obra Silent Spring de Rachel Carson vemos que o mundo enfrenta um colapso ambiental, vemos que pessoas com diferentes ideias discutem sobre como “preservar” o que resta dos ecossistemas, mas na maioria das vezes visando somente o benefício financeiro; e se não fossem as iniciativas de entidades formadas por pessoas preocupadas com a conservação e manutenção dos ambientes naturais e com a formação de uma consciência ecológica, o pouco que nos resta das riquezas de nosso planeta já estariam esgotadas. Dentro dessa perspectiva de conservação há aquelas pessoas que, não por consciência ambiental ou senso de educação, mas por prazer próprio, procuram ambientes naturais na busca de aventuras que os centros urbanos não podem proporcionar. Segundo BOO (1992), “as populações, principalmente urbanas, vêm buscando mais contato com ambientes naturais, aumentando consideravelmente a demanda pelas áreas naturais protegidas ou Unidades de Conservação”. As áreas procuradas para as práticas de ecoturismo geralmente apresentam recursos únicos e muito frágeis que quase sempre, estão propícios a danos irreparáveis, o que pode agravar ainda mais o quadro de degradação, dependendo do manejo aplicado pelos órgãos competentes.

Quando Planejado de forma correta mediante análise geral de todos os componentes da região, o ecoturismo tem o potencial de gerar mais benefícios econômicos, educativos e empregos, com o menor prejuízo ao meio ambiente do que quaisquer outras formas de desenvolvimento sejam elas tecnológicas ou econômicas; é portanto, uma atividade extremamente lucrativa no regime econômico contemporâneo, que apresentou um elevado crescimento no setor nos últimos anos. O sistema capitalista muito embora tenha criado o conceito de desenvolvimento sustentável não utiliza os princípios deste da forma que deveria ser feito, desse modo o chamado “Marketing verde” tem mascarado atividades que provocam a degradação de vários ambientes naturais. Apesar das divergências existentes entre o regime capitalista e o desenvolvimento sustentável, existe uma relação de interdependência entre esses dois conceitos, pois o ecoturismo utiliza o ambiente como matéria-prima e depende do mesmo para a continuidade dessa atividade (LASKOSKI, G 2006).

Tendo em vista os benefícios advindos das atividades sustentáveis, o principal objetivo deste trabalho consiste em gerar uma base de dados para realização da prática de ecoturismo e educação ambiental não-formal em um fragmento de Mata Atlântica na APA do rio Mamanguape. Dentro da perspectiva de conservação, teve-se a iniciativa de mapear a trilha para a realização de práticas ecoturísticas; visando sensibilizar os visitantes acerca da importância dos diferentes ecossistemas remanescentes no mundo, de forma que a comunidade local possa ser beneficiada sendo posteriormente a tutora deste roteiro que se estende da falésia onde se inicia a trilha ao estuário do rio Miriri (Figura 1).

Na busca por ambientes que dessem suporte a este tipo de turismo encontramos na APA da Barra do rio Mamanguape um local perfeito, pois caracteriza-se por possuir um bioma costeiro-marinho e dentro de toda uma diversidade de unidades de paisagem encontra-se um fragmento de mata Atlântica localizado na região da comunidade de Oiteiro, município de Rio

Tinto-PB. Esse fragmento recebeu o mesmo nome da comunidade sendo

conhecido como Mata do Oiteiro, localizada aS

(coordenadas referentes ao centro da mata).

Área de estudo

A APA da Barra do Rio Mamanguape foi criada pelo decreto Federal nº 924 de

10 de setembro de 1993 e possui uma área de 14.640 hectares e situa-se na mesorregião da zona da mata, litoral norte do Estado da Paraíba, distante cerca de 80 km da capital João Pessoa, entre as coordenadas geográficas de 6°45’ a 6°50’S e 34°56’ a 35°W. Limita-se ao norte com os municípios de

Marcação e Baía da Traição, a oeste com o município de Rio Tinto, ao sul com o município de Lucena e a leste com o Oceano Atlântico. A APA está representada por manguezais, várzeas, arrecifes costeiros de arenito, mata atlântica, mata de restinga, dunas e falésias. MMA 2013. O remanescente de mata estudado tem como principais características o seu atual estado de conservação, a forma como diferentes habitats interagem com as diferentes unidades de paisagem, os indicadores de ação humana como, espécies introduzidas e os materiais antrópicos demarcando posses dentro da Mata e a relação das comunidades tradicionais com o fragmento.

Um problema muito comum que vem se instalando em locais com a prática de ecoturismo e turismo de aventura é a urbanização, ou antropização dos ambientes naturais, como no caso da praia do Farol na Ilha de Mosqueiro estado do Pará (Moraes; I 2010). Isso ocorre porque as pessoas tem uma tendência de levar seus hábitos urbanos para os ambientes naturais, é como o clássico exemplo dos amigos que resolvem acampar e levam churrasqueira, equipamento de áudio, eletrônicos desnecessários, etc. Esse tipo de comportamento pode comprometer o ambiente além de impedir que o praticante perceba o que o meio físico à sua volta pode proporcionar.

A trilha interpretativa da mata do Oiteiro apresenta extensão total de aproximadamente 5,8 Km com uma média de duas horas e meia de caminhada incluindo as paradas interpretativas; apresenta também larguras muito variadas ao longo do percurso, pois contém locais em que não se pode identificar o caminho, principalmente em períodos chuvosos, onde a vegetação se torna mais densa, necessitando a presença de guia; há também larguras superiores a dois metros e meio como no trecho da estrada que passa por dentro da mata

a qual também faz parte do percurso

A metodologia e planejamento iniciaram-se através de um levantamento bibliográfico sobre ecoturismo e guias da secretaria e Ministério do Turismo que trazem uma gama de instruções para evitar erros como os da praia de Canoa Quebrada, município de Aracati-Ce (SOUZA, T e SILVA, E 2010); onde a atividade humana descontrolada e métodos de urbanização sem planejamento fizeram com que a localidade ao invés de mais atrativa se tornasse um lugar nitidamente deteriorado do ponto de vista ambiental. Outros textos importantes à criação da trilha foram os trabalhos relacionados à composição florística dos fragmentos de mata Atlântica como o de PEREIRA E ALVES (2006), e literaturas relacionadas à ecologia da paisagem. O método principal de trabalho foi o IAPI, MAGRO e FREIXEDAS

Foi utilizada como material de pesquisa uma câmera fotográfica para catalogação de importantes elementos da paisagem e de possíveis pontos de interpretação, também se fez necessário o

uso de um GPS modelo Etrex 10 da Garmin, utilizado para demarcar geograficamente o percurso da trilha e as coordenadas aproximadas dos pontos relevantes à prática do ecoturismo.

Para determinar a capacidade de carga foi utilizada uma metodologia empírica baseada nas informações passadas pelos locais que nos acompanharam durante as práticas de campo, também foi importante compreender a metodologia apresentada por LAZZAROTTO et al

Figura 1: Traçado da trilha interpretativa.

(2006) que aplicou em seu trabalho o método proposto pela FUNDAÇÃO NEOTRÓPICA (1992); e os efeitos que o tráfego de pessoas provoca no solo

Os resultados obtidos foram vitais para uma compreensão do atual estado de conservação em que a Mata do Oiteiro se encontra, pois foi observado que a maior parte do fragmento está em estado secundário na sucessão ecológica, já que não são encontradas muitas árvores de grande porte. Há evidencias de queimadas recentes e vestígios de árvores cortadas provavelmente para produção lenha. Observa-se também a presença de espécies de vegetação pioneira, principalmente a Embaúba (Cecropia sp.) por quase todo o percurso. Um ponto positivo foi a percepção de diferentes ecossistemas que se alternam de forma gradual ao longo do percurso, pois a trilha se inicia em local com vegetação arbustiva ainda na falésia e logo dá lugar a vegetação típica de cerrado com muitos arbustos e árvores de tronco retorcido, em seguida a uma área conhecida com “Tabuleiro” que apresenta substrato arenoso de pequena granulometria, essa localidade possui vegetação característica como o Cajueiro (Anarcadium sp.) e a Mangabeira (Hancornia sp.) que são adaptadas ao solo pouco fértil, continuando o percurso a trilha adentra em uma vegetação mais densa, típica de floresta tropical com ambiente úmido, árvores mais altas e com espécies mais lenhosas. Durante o percurso também é encontrado um lago que em período de seca, provavelmente serve como reserva de água, o qual é de grande importância para a trilha como um ponto de parada para interpretação e descanso. Durante o percurso também é marcante a presença da fauna como pequenos lagartos, roedores, saguis e muitos pássaros.

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