Fomento a coleta seletiva por meio da Internet

Fomento a coleta seletiva por meio da Internet

(Parte 1 de 5)

rio de janeiro, 2013.

UFrj UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO Escola de Belas Artes

HanS PaUL MÖSL jUnior

FoMenTo a CoLeTa SeLeTiVa Por Meio da inTerneT: diSPonoBiLiZando ConTeÚdo ÚTiL e SiMPLeS a QUeM PreCiSa

FoMenTo a CoLeTa SeLeTiVa Por Meio da inTerneT: diSPoniBiLiZando ConTeÚdo ÚTiL a QUeM PreCiSa

Trabalho de conclusão de curso apresentado à disciplina de projeto final TCC, como requisito parcial para obtenção de graduação em Comunicação Visual – Design, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Orientação: Maria Norma de Menezes rio de janeiro, 2013.

Fomento a coleta seletiva por meio da Internet : disponibilizando
30 f. : il. color. ; 30 cm
Orientador: Maria Norma de Menezes.
Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Universidade Federal do

Mösl, Hans Paul Junior, 1986 - conteúdo útil a quem precisa / Hans Mösl. – 2013. Rio de Janeiro, Curso de Comunicação Visual Design, 2013.

1. Web Design. 2. Coleta Seletiva. 3. Educação Ambiental. I Menezes,

Norma. I. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Curso de Comunicação Visual – Design. I. Título.

Dedico esta obra a única pessoa capaz de suportar minha irredutível teimosia e que tem o dom de encher minha vida de alegria

Leandra Machado

Gostaria de agradeçer a todos que tiveram paciência para com meus inúmeros defeitos e nunca deixaram de acreditar em mim, por mais que eu tenha dado motivos para isso. Aproveito para agradeçer especialmente:

A todo corpo docente do curso de comunicação visual, que por tantos anos me aguentaram, e tanto me ensinaram;

Aos meus velhos amigos e companheiros que embora distantes por questões geográficas ou por falta de tempo, sempre terei comigo em pensmento;

A equipe da Enter Design, que investiu em um estagiário barbudo e com cara de maluco e que me proporcionou momentos de grande aprendizado e felicidade;

Aos grandes amigos e companheiros de trabalho da JFRJ com os quais tenho tido o privilégio de poder trocar tantos conhecimentos;

A minha família com a qual sempre pude contar e que sempre esteve presente nos momentos de maior dificuldade;

E a família de minha amada, que tão amarosamente me acolheu.

“A educação não transforma o mundo.

Educação muda pessoas.

Pessoas transformam o mundo.” Paulo Freire

PaLaVraS-CHaVe

Coleta Seletiva, Sustentabilidade, Design para sustentabilidade social – DSS, Identidade Visual, Projeto Web

Resumo

Ao levantar a problemática que envolve o atual sistema linear de produção, ficou evidente a importância de uma efetiva gestão de resíduos sólidos. A cadeia de reciclagem têm encontrado muitos estímulos no Brasil, contudo uma peça fundamental encontra-se deficiente e atravanca o desenvolvomento da cadeia: o setor de coleta seletiva.

A fim de compreender as necessidades e entraves específicos deste segmento, foi desenvolvida uma pesquisa que teve início em um cenário macro econômico, em seguida aprofundando-se dentro das esferas regionais e governamentais, atingindo seu menor nível na esfera municipal, mais específicamente na cidade de São Gonçalo, selecionada para este projeto por suas peculiaridades populacionais e históricas bem como por não possuir coleta seletiva.

Os dados obtidos na pesquisa foram analisados segundo uma metodologia de visualização auxiliada por uma ferramenta de visualização fractal e cromática. O objetivo foi alcançar o equilíbrio dos pontos divergentes que, organizados dentro dos aspectos social, ambiental e econômico foram balançeados por combinações cromáticas. A ferramenta revelou seis pontos estratégicos de atuação, que resumidamente agruparam-se em dois pilares: o auxílio ao desenvolvimento da coleta seletiva e a propagação da educação ambiental.

Visando atender as necessidades encontradas, foi idealizada uma organização que terá como missão promover a coleta seletiva e a educação ambiental com enfoque local, sendo passível de expansão para outras regiões, e defenderá a visão de que o uso das mídias sociais será essencial para a propagação da consciência ecológica. Tal organização recebeu o nome RECO, sigla para Reconstrução Coletiva, que por sua vez será o fio condutor da entidade.

Tais definições permitiram o design de identidade da organização, que originou um manual de aplicação da marca e o desenvolvimento de pontos de contato, como o sítio eletrônico que foi projetado a partir das características de seu público, assim como fez uso de importantes convenções e tecnologias aplicadas na internet.

O resultado final objetiva o desenvolvimento do sistema de manejo de conteúdo (“CMS”)

Drupal, que por possuir codificação aberta (“open-source”), funcionamento robusto e reunir diversos recursos de extensão, poderá permitir a expansão do projeto.

Ainda, o sítio eletrônico almeja ser projetado dentro dos parâmetros de usabilidade e acessibilidade defendidos pelo governo federal (e-Mag) e pelo consórcio internacional da rede mundial de computadores (“W3C”).

PaLaBraS-CHaVe

Colecta Selectiva, Sustentabilidad, Diseño para el Sustentabilidad Social, Identidad Visual, Diseño de sitio de internet

Resumen

Al iniciar el problema que involucra el actual sistema linear de producción, se tornó clara la importancia de una efectiva gestión de residuos. El desenvolvimiento del sector de reciclamiento tiene encontrado estímulos en Brasil para su crecimiento pero aún hay una pieza que hace falta que es la colecta selectiva. Con la intención de entender las necesidades y barreras específicas a esta acción, se desarrolló un estudio que comenzó en un escenario macroeconómico. Luego ahondó en los ámbitos regionales y gubernamentales, alcanzando su nivel más bajo, el municipal, más especificamente en la ciudad de São Gonçalo, seleccionado para este proyecto debido a sus peculiaridades con relación a población y la questión histórica, pero también por no tener la colecta selectiva.

Los datos obtenidos en la pesquisa fueron analizados de acuerdo con una metodología de visualización auxiliada por una herramienta fractal cromática. El objetivo era lograr un equilibrio de puntos divergentes organizados en los ámbitos social, ambiental y económico que se equilibraron a partir de combinaciones cromáticas. La herramienta reveló seis puntos estratégicos de acción, que se resúmen en dos pilares: la asistencia al desarrollo de la colecta selectiva y la propagación de la educación ambiental.

Con el objetivo de satisfacer las necesidades detectadas, fue idealizada una organización que tiene la misión de promover la colecta selectiva y la educación ambiental con el foco en nivel local, y sin embargo, capaz de expandirse a otras regiones, y defenderá la visión de que el uso de las redes sociales será fundamental para la propagación de la conciencia ecológica. La organización se llamará RECO, sigla de Reconstrucción colectiva, que a su vez será el hilo conductor de la entidad.

Las definiciones permitieron el design de identidad de la organización que originó un manual de aplicación de la marca y el desarrollo de los puntos de contacto, como el sitio electrónico que fue proyectado teniendo en cuenta las características de su publico y el uso de importantes convenciones y tecnologías aplicadas en la Internet.

El resultado final tiene como objetivo el desarrollo del sistema de gestión de contenidos

(“CMS”) Drupal, que por tener codificación abierta (“open-source”), funcionamiento robusto y reunir diversos recursos de extensión, permitirá la expansión del proyecto.

Por último, el sitio electrónico va a ser proyectado dentro de los parámetros de usabilidad y accesibilidad defendido por el gobierno federal (e-Mag) y el consorcio internacional de la red mundial de computadoras (“W3C”).

Tabela 1.: Índice per capito de aproveitamento dos resíduos21
Tabela 2.: Unidades de processamento:2
Tabela 3.: Informações sobre catadores23
Tabela 4.: Informações sobre Coleta25
Tabela 5.: Coleta Seletiva no Estado do Rio de Janeiro25
Tabela 6.: Despesas com Gestão de Resíduos no Município de São Gonçalo27

Tabelas

Imagem 1: A função do Design13
Imagem 2: Sistema linear de produção13
Imagem 3: Sistema cíclico de produção13
Imagem 4: Cempre – Ciclosoft 201216
Imagem 5: Representação do tripé de equidades de McDonough & Braungart28
Imagem 6: Representação gráfica de uma palavra-chave29
Imagem 7: Lógica de organização dos fatores no gráfico29
Imagem 8: Exemplo de ponto-focal29
Imagem 9: Gráfico fractal cromático31
Imagem 10: Pontos focais do projeto32
Imagem 1: taglines desenvolvidas3

Imagens

Imagem 12: Pesquisa de de símbolos de logotipos35
Imagem 13: Exemplos de doodles36
Imagem 14: aplicações da nickelodeon36
Imagem 15: aplicações da oi36
Imagem 16: Estrutura do logotipo38
Imagem 17: Linhas -guia do logotipo38
Imagem 18: Proporções do logotipo horizontal38
Imagem 19: Área de proteçãodo logotipo horizontal39
Imagem 20: Proporções e área de proteção do logotipo vertical39
Imagem 21: proporções da assinatura vertical40
Imagem 2: proporções da assinatura horizontal40
Imagem 23: Área de proteção da assinatura horizontal40
Imagem 24: Área de proteção da assinatura horizontal40
Imagem 25: Exemplos de interferência na forma de fundo41
Imagem 26: Assinatura horizontal em policromia41
Imagem 27: Assinatura horizontal em tons de cinza42
Imagem 28: Assinatura horizontal positiva e negativa42
Imagem 29: Aplicações em fundo colorido43
Imagem 30: Limite de redução das assinaturas43
Imagem 31: Limite de redução das logotipos43
Imagem 3: Fotos de catadores 146
Imagem 34: Fotos de catadores 246

Fotografias

Imagem 35: Estudo de personagem: Catador46
Imagem 36: Personagem Catador – Versão com sombra46
Imagem 37: Personagem Catador – Versão em policromia46
Imagem 38: Personagem Catador – versão em cor institucional46
Imagem 39: Personagem : Político47
Imagem 40: Personagem: Fabricante47
Imagem 41: Personagem: Comerciante48
Imagem 43: Personagens: Estudantes48
Imagem 42: Personagem: Dona de casa48

Ilustrações

Imagem 4: Portal da prefeitura de Rio das Ostras52
Imagem 46: Portal corportavio do Cempre Uruguay53
Imagem 45: Portal da prefeitura de Rio das Ostras, rodapé53
Imagem 47: Site de vendas de insumos recicláveis da B2Blue54
Imagem 48: Portal Made in Forest5
Imagem 49: Portal do Ministério do Meio Ambiente5

Capturas de tela

Imagem 50: Página Inicial60
Imagem 51: Página A RECO60
Imagem 52: Página Humanidades61
Imagem 53: Página Utilidades61
Imagem 54: Página Diversidades62
Introdução12
O Designer e a sociedade13
Obsolescência planejada14
A importância da coleta seletiva15
Resultados alcançados com a coleta seletiva16
A cadeia da reciclagem17
Metodologia19
1. Pesquisa em base de dados20
1.1. Parâmetros de base20
1.2. Consulta de dados21
Cobertura da coleta domiciliar (convencional)21
Massa coletada de resíduos21
Ocorrência do serviço de coleta seletiva21
Destinação de Resíduos2
1.3. Construção de cenários24
Internacional24
Brasil24
Estado do Rio de Janeiro25
A escolha: Município de São Gonçalo27
2. Análise de dados28
2.1. Palavras-chave28
Lista de palavras-chave30
2.2. Gráfico fractal cromático31
2.3. Pontos focais e taglines32
Conclusões3
3. Identidade Visual34
3.1. Conceitos, Pesquisa e Estratégia34
Pesquisa36
Conclusões36
Estratégia – o conceito de holo36
3.2. Design de Identidade37
3.3. Pontos de contato45
Ícones45
4. Projeto Web49
4.1. Conceitos, Pesquisa e Estratégia49
Breve história sobre a internet49
A internet como negócio49
Usabilidade50
Usabilidade enquanto acessibilidade50
Usabilidade aplicada50
Sinalização eficiente51
4.2. Arquitetura da informação52
Público-Alvo e Análise competitiva52
Conclusões56
Conteúdo e Funções56
Estrutura e Navegação57
Página – A RECO58
Página – Humanidades58
Página – Utilidades58
Página – Diversidades58
Página – Minha Reco58
Página Inicial58
Divisão de Áreas59
4.3. Web Design60
Conclusão63

Introdução

A coleta seletiva é fator crucial para o desenvolvimento do setor de reciclagem no país.

Diversas ações de governo e da iniciativa privada têm colaborado para seu progresso, contudo os catadores de materiais recicláveis encontram diversas dificuldades para formalizar-se – como a baixa escolaridade, desconhecimento de seus direitos e recursos financeiros limitados – e assim obter incentivos e conquistar uma melhor qualidade de vida. A ausência de coleta seletiva prejudica toda comunidade, pois um maior volume de resíduos será destinado aos aterros sanitários, desperdiçando materiais aproveitáveis, gerando maior custo aos municípios, e consequentemente, maiores impactos ao meio ambiente e perda de qualidade de vida.

Justificativa

Para que a coleta seletiva ocorra deve haver interesse e participação da população e para isso a educação ambiental é fundamental. A existência de uma organização que reúna e produza conteúdo útil e simples, que utilize estratégias de retorno imediato para a população e que faça uso do maior veículo de mídia do planeta (a internet), poderá ser fator de forte contribuição para o desenvolvimento da mesma.

Objetivos

Objetiva-se criar uma identidade visual, que seja capaz de representar a organização, e fidelizar seu público, além de projetar uma interface virtual que comunique-se com a marca e que possibilite o acesso, disposição e produção de conteúdo por parte da organização e dos usuários, sempre de maneira simples e prática. Apenas por meio da integração da coletividade poderá haver a reconstrução do conceito do lixo, que passa a ser sinônimo de educação, inclusão social e lucro.

O Designer e a sociedade

Em um julgamento simplório, o designer costuma ser visto pela opinião pública como aquele que agrega valor simbólico ao produto. Contudo, essa é uma visão equivocada, visto que “Não se pode agregar o design a nada, pois o design é intrínseco em cada artefato, é essentia.”(BONSIEPE, 2012: 19-25.) Assim, a atividade projetual acaba por ser fator determinante no sucesso ou fracasso do produto final.

A profissão surgiu com a necessidade dos produtos fabricados na primeira revolução industrial terem maior aceitação por parte dos consumidores. Os produtos industrializados eram “feios e pouco funcionais”, frente aos artesanais. Assim, o design passou a ser “...uma interseção entre a cultura da vida cotidiana, indústria e economia...” (BONSIEPE, op. cit.), e o designer teria a função de otimizar as necessidades e limitações desses três eixos (como o preço final do produto, as limitações impostas pelos materiais e tecnologias produtivas e as necessidades concretas e subjetivas do consumidor) e com isso propor soluções. Contudo, o papel do design não pode limitar-se a relação produção – consumo.

Segundo McDonough & Braungart, aos moldes da primeira Revolução Industrial, a infraestrutura industrial atual é linear, tendo como foco a fabricação do produto e a entrega imediata ao consumidor com o menor custo possível, sem nada mais considerar. Assim, recursos resultam em produtos que após o consumo geram resíduos. O resultado com o passar do tempo e com o aumento do consumo, é a redução dos recursos (vista sua finitude) e o acúmulo dos resíduos (vista sua perenidade). (MCDOUNOUGH&BRAUNGART, 2002: 2-28.)

Os autores argumentam, que uma solução para a questão seria trocar o sistema linear por outro cíclico (Cradle-to-cradle), no qual os resíduos seriam divididos segundo dois grupos: nutrientes técnicos (resíduos de difícil decomposição) e nutrientes biológicos (biodegradáveis) e que esses serviriam de recurso para os metabolismos técnológico (sistema fabril) e biológico (biodigestão, compostagem etc.) (MCDOUNOUGH&BRAUNGART, 2002: 97-103.)

Eles ainda pregam, que o design convencional, composto do tripé: Custo, Estética, Performance, deveria balizar-se no tripé Economia, Ecologia, Equidade. Assim, na escolha dos materiais que comporão o produto, o designer precisa optar por aquele que apresenta maior capacidade de reaproveitamento, e que não seja danoso a sociedade e ao meio ambiente, não considerando apenas o preço. Deve-se garantir o retorno econômico, sem deixar de lado o retorno social e o ambiental, visando o equilíbrio e a sustentabilidade da atividade produtiva.

Produção

Distribuição

Consumo Descarte

Imagem 2.: Sistema linear de produção

Imagem 3.: Sistema cíclico de produção

Imagem 1.: A função do Design Extração Produção Distribuição Consumo Descarte

Obsolescência planejada

O autor Alan Thein Durning (1992) constatou que os eletrodomésticos fabricados em 1950 duravam mais que os da atualidade e que caso quebrassem, teriam seu conserto viabilizado, pois o projeto era feito de modo a preservar o desenho das peças e permitir o reparo. Tal fato ocorria devido à obsolescência planejada, que foi idealizada como solução para contornar o pior e o mais longo período de recessão econômica do século X, a grande depressão de 1929.

Segundo Bernard London (1932: 2-5), durante o período de prosperidade econômica, a população americana passou a não usar seus bens adquiridos até o máximo desgaste, repondo os bens por questões diversas. Tal comportamento foi induzido pelo próprio setor produtivo por meio da “obsolescência progressiva” – meio que instigava a troca do produto antigo pelo novo com base em uma obsolescência em eficiência, economia, estilo ou gosto. Com isso, criou-se um novo hábito de consumo, que aumentou a demanda e consequentemente gerou um aumento da produção. Com os primeiros sinais de crise, tais hábitos mudaram radicalmente e a população passou a aproveitar ao máximo seus bens. Isso gerou uma baixa rotatividade dos mesmos o que somente fez instaurar a crise. O autor argumenta que dez milhões de pessoas acabaram desempregadas por conta de uma falha de planejamento econômico.

Ao apontar a elevada vida útil dos bens de consumo como o ponto de fragilidade da economia, Bernard London propôs que os produtos fossem planejados para durar pouco mais do que o momento em que deixassem as fábricas. Com isso seria eliminado o fator de risco, ligado ao comportamento do consumidor, e haveria constante demanda dos produtos.

Tal medida embora tenha conseguido reestruturar a economia, e reempregar milhões de trabalhadores, não fez nada mais do que contornar um problema que o próprio sistema econômico havia criado, com o agravante de ter gerado outro. A obsolescência planejada foi fator de potencialização da produção de resíduos, posto que um bem de maior durabilidade reduz a necessidade da substituição, do consumo, da extração de matéria-prima e por consequência a produção de resíduo.

Tomás Maldonado (2012: 90) destaca que a obsolescência planejada é ainda assessorada pela obsolescência simbólica, fomentada com auxílio da moda e da propaganda. Isso provoca um desvio da função básica do produto, que deixa de ter um fim em si mesmo e passa a ser ferramenta de status. Com isso impera a descartabilidade e a produção de lixo. Nesse cenário a própria figura do designer teve grande contribuição, pois em troca de um benefício de estética/ utilidade o consumidor era induzido a descartar seu antigo bem. Quanto a isso já argumentava Flusser que, entre o bem categórico (pureza) e o bem aplicado (funcional, pragmático) não há compromisso, pois “tudo que é bom no caso do bem aplicado é mau no caso do bem categórico” (FLUSSER, 2010: 26).

É preciso repensar o sistema, pois apenas encurtar a vida útil dos bens de consumo e instigar a troca dos bens por uma obsolescência simbólica não sanará as atuais dificuldades que se estruturam principalmente e uma escassez de recursos e espaço físico. A correta gestão dos resíduos por meio de práticas como a reciclagem, mostra-se uma boa solução, contudo, existe outro grave problema por resolver: a implementação da coleta seletiva, necessidade básica para ocorrência da reciclagem.

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