Narcisismo

Narcisismo

CENTRO UNIVERSITÁRIO CESMAC

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA

NARCISISMO: EM UMA VISÃO PSICANALÍTICA DA SOCIEDADE.

SANDRA SOUTO SILVA SOUZA

MACEIÓ/AL

2014.

CENTRO UNIVERSITÁRIO CESMAC

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA

NARCISISMO: EM UMA VISÃO PSICANALÍTICA DA SOCIEDADE

Trabalho apresentado como requisito para obtenção de nota da disciplina da psicanálise com crianças II, no curso de pós-graduação na clínica psicanalítica, ministrada pelo Prof.Dr. Charles Lang.

MACEIÓ/AL

2014.

RESUMO:

Este artigo está fundamentado na teoria psicanalítica de Sigmund Freud, Jacques Lacan e Elisabeth Roudinesco e afins.Faz um percurso do narcisismo desde Paul Nacke , em 1899,no qual Freud, nos ensaios, postou uma nota de rodapé, onde atribuía a Havellock Ellis, a pronúncia primeira do ter narcisismo, o próprio relatou ser seu o primeiro termo “semelhante a narciso”(pág.81), e ao Nacke “Narcismus’ do qual percebeu ser a aspecto e admiração de si mesmo, como algo do desejo sexual e que tinha uma carga de perversão acentuada.Esta forma primeira de perceber no indivíduo o narcisismo , vem trazer em Freud ,termo alemão , “Narzissismus”(pág.81) outro conceito que está aquém deste, do qual , observou em seus estudos, que o narcisismo , por via de regra ,não era somente algo específico em determinados sujeitos ditos perversos . Mas que também era latente em outras pessoas, como as neuróticas, por exemplo, era algo que se enquadrava em forma libidinosa, egoística e instintiva de “autopreservação que, em certa medida, pode justificavelmente ser atribuído a toda criatura viva.” (pág.81).É Transformar o objeto real , em outro fantasioso, e esta modificação é o narcisismo,o eu -pulsão sexual , ama o eu -objeto.

Palavras chave: Narcisismo. Objeto. Psicanálise.

1-INTRODUÇÃO:

Adverte-se que o respectivo termo “narcisismo”, foi aplicado por Ernest Jones ,em 1955, mas que Freud o havia conceituado em 1909, onde disse que o narcisismo, encontrava-se entre o autoerotismo e o amor objetal, e que esta fase era de grande importância para o indivíduo.

Segundo J.D.Nasio, em seu livro, Introdução às Obras de Freud, Frenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto,Lacan, relata que:“Um século –e que século nos separa de Freud , desde o dia em que ele decidiu abrir seu consultório em Viena e redigir a primeira obra fundadora da psicanálise , A Interpretação dos Sonhos “.(Apud NASIO,Pág 13, 1995).Em Freud , o conceito de narcisismo está conectado ao narcisismo primário , narcisismo secundário , ou o tipo libidinal narcísico.

Paralelo a este, ele estava reeditando pela terceira vez, Os Três Ensaios da Teoria da Sexualidade (1905), que fala da Descoberta do Objeto, (Die Objektfindung), em sua última divisão, conforme mencionada acima, destes ensaios, porém o prefácio data de 1909, “Fala-se implicitamente do objeto, a cada vez que entra em jogo a noção da realidade.”, completa então Lacan,” que o objeto reencontrado, é um objeto perdido do primeiro desmame, o objeto que foi inicialmente o ponto de ligação das primeiras satisfações da criança Adianta, ainda que:

A primazia desta dialética coloca no centro da relação sujeito-objeto, uma tensão fundamental que faz com que o que é procurado, não seja procurado da mesma forma, que o que será encontrado (Apud LACAN, pág.12-13).

Portanto, este objeto se encontra inserido em outro ponto, em uma procura de uma satisfação passada, ultrapassada, e de novo este objeto é procurado, assim este furo do objeto é uma constante. O que na realidade a teoria do objeto, é a teoria da falta do objeto. O objeto é sempre impróprio. E então Lacan, irá ressaltar que “toda criança que nasce é para sua mãe, um aparecimento no real de sua existência, esta posição deve no decorrer da vida da criança, deixar de ser a posição de objeto, e passar a ser subjetiva.”

Escrevendo também o livro Leonardo (V. XI), “O pai da psicanálise” , acentuava a questão narcísica no sujeito. Vindo em seguida artigos com Shereber em 1911, Totem e Tabu, (1912-13). Ver-se que está dentre seus mais importantes trabalhos do qual através deste , sendo fator primordial no desenvolvimento de seus conceitos.Onde a partir daí , também acredita ser sui genesis , na implementação de uma nova distinção do que seja libido do ego (das Ich)e libido objetal.Conceitua então o ideal do ego , e do agente auto observador do qual denominou de superego.

Deste modo, nascia uma intervenção, nunca dantes feita pelas ciências de então , algo que deixava posto de lado , todo e qualquer procedimento que outrora acontecia .Com o advento da psicanálise , percebe-se que a mesma “não progride aos avanços científicos e sociais “(pág.13), porque seu foco está nas coisas simples , meramente simples , e ao mesmo tempo , enormemente complexas, mas que esta complexidade é atual e constante , tem “uma causa e efeito.” Cada procedimento psicanalítico, remete a uma individualização.

Trabalhar a clínica com crianças é perceber que o primeiro narcisismo é dos pais, e que segundo o professor e psicanalista, Charles Lang, (psicanálise com crianças II, em 13 – 15/02.), nos fala, “das possibilidades do sujeito já está inscrita no campo do outro”. Diz ainda, citando Lacan que “a função do “eu”, é de desconhecer, tem que ir revelando as coisas pelo saber”. A Palavra “desautoriza” e é só saindo desta alienação de saber, que a criança entra na subjetividade. ”A somatização está no imaginário, o corpo está no campo do real”. Enfatiza o professor.

2-NARCISISMO: SOB O FOCO DE ALGUNS TEÓRICOS:

De acordo com a psicanalista e escritora, Roudinesco, no livro Dicionário da Psicanálise, o narcisismo é assim significado:

Al.Narzissmus;esp.narcissismo,

fr.narcisssisme;ing.narcissism.

Termo empregado pela primeira vez em 1887, pelo psicólogo Frances Alfred Binet (1857-1911), para descrever uma forma de fetichismo que consiste em se tornar a própria pessoa como objeto sexual. (Apud ROUDINESCO, pág.530, 1997.).

Tenham-se informação do Mito de Narciso, o sujeito quer ver apenas o reflexo perfeito de seu ser, como uma unidade unificada e total. No que Jacques Lacan, chama esta respectiva imagem de especular do outro uma ilusão, porque se baseia numa representação ideal de espaço e forma. Deste modo, esta relação narcísica de mim mesmo, que assinala para esta imagem do outro.

Edemilson Antunes de Campos, no livro sobre A Tirania de Narciso, ressalta que:

A humanidade tem seu lugar na ordem das coisas, e a infância tem o seu na ordem da vida humana: é preciso considerar o homem no homem e a criança na criança. Determinar para cada qual o seu lugar e ali fixá-lo ordenar as paixões humanas conforme a constituição do homem é tudo que podemos fazer pelo bem-estar. (CAMPOS, Apud Emílio, OC, T. IV: 303-grifos meus, pág.61.).

Para Rosseau, o narcisismo é decorrência da “degeneração cultural”, onde especifica que a subjetividade narcísica é figura maléfica, inerente a própria pessoa. Teoriza assim o narcisismo, por acreditar que a natureza humana é capacitada para estabelecer vínculos com o mundo e com o outro, então explicita que o narcisismo passa a existir mediante um problema social e político, onde a transição para a vida social oportuniza possibilidades de emergência do homem do amor-próprio, o “moderno narciso”, que exclui o outro, por não ser visto o narcisismo sob o foco psicanalítico.

Entretanto como um problema advindo de um prévio diagnóstico crítico de um paradigma sociocultural, fazendo do tema da alteridade, o foco central de sua crítica, divulgando, um tema forte, no século XVII, que mais tarde seria visto na modernidade. Em Emílio, ele determina que a natureza esteja ordenada, e o homem toma um lugar determinado. Lévi-Strauass, entendeu a crítica de Rosseau, como uma exposição da fraqueza humana ocidental

3-CONCLUSÃO:

Observa-se que Segundo Dr. Jorge Forbes, psicanalista, em uma palestra no Café Filosófico, São Paulo, disse que, o ser humano está inserido em uma época de uma “individualidade narcísica crescente” e que Freud descobriu o maior softway (Isto é, uma sequencia de instruções), da história da humanidade, criando o Complexo de Édipo. E Lacan diz que o nosso narcisismo é sempre em busca do objeto perdido, daquilo que nunca é encontrado, mas sempre procurado.

4-REFERÊNCIAS:

CAMPOS, Edemilson Antunes de. A tirania de Narciso. São Paulo: Annablume: FAPESP, 2001.

FREUD, Sigmund. Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

KOTHER, Medeiros Mônica. Neurose: leituras psicanalíticas. Porto Alegre: Edipucrs, 2005.

LACAN, Jacques. Os complexos familiares na formação do indivíduo:ensaio de uma função em psicologia.Rio de Janeiro:Zahar , 2012.

NASIO, J.D. Introdução às Obras de Freud, Frenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.

.

Comentários