NBR DES. TÉC. + CONFIG. CAD

NBR DES. TÉC. + CONFIG. CAD

(Parte 5 de 5)

Assim como na planta baixa, as esquadrias devem ser representadas com nível de detalhamento compatível com a escala do desenho. Quando maior a escala mais detalhadas devem ser suas representações. Como o desenho CAD possibilita o uso de blocos para elementos repetitivos, permitindo que esses sejam desenhados apenas uma única vez, recomenda‐se que para a escala 1/50 (escala usual para projetos arquitetônicos) as portas e janelas seccionadas pelo plano de corte sejam representadas, no mínimo, através de seus marcos e folhas (caixilhos para as janelas).

Em vista, portas devem ser representadas por suas guarnições (linhas paralelas com distanciamento de 5 a 7 cm), e as janelas por suas guarnições e pelas folhas (caixilhos). Em ambas representações deve ser indicado o sentido de abertura da esquadria.

3.2.3.7 Equipamentos fixos:

Equipamentos fixos, tais como lavatórios, vasos, balcões e outros, podem aparecer tanto em vista como em corte. Devem ser representados, na escala 1/50 ou menor, pelos seus traços básicos, sem maiores detalhamentos. Em geral fazem parte da biblioteca de blocos. A seguir são apresentados exemplos de representações de alguns desses elementos.

3.2.3.8 Coberturas:

A representação das coberturas em corte, devido as sua grande variação de formas, tipos e materiais, necessitam um estudo específico, que será feito em unidade posterior.

3.2.3.9 Cotas e referências de níveis

Cotas: São representadas exclusivamente as cotas verticais, de todos os elementos de interesse em projeto, e principalmente:

pés direitos (altura do piso ao forro/teto); altura de balcões e armários fixos;

altura de impermeabilizações parciais;

cotas de peitoris, janelas e vergas;

cotas de portas, portões e respectivas vergas;

espessura das lajes;

espessura dos pisos e contra‐pisos

alturas de patamares de escadas e pisos intermediários;

altura de empenas e platibandas;

altura de cumeeiras;

altura de reservatórios (posição e dimensões);

* Não se cotam os elementos abaixo do contra‐piso.

A figura a seguir mostra a cotagem típica de um corte. Ressalta‐se que quanto maior o número e maior a complexidade dos elementos construtivos presentes no corte, igualmente maior é o número de cotas necessários aos seus dimensionamentos.

Níveis: Devem ser indicados todos os diferentes níveis presentes no corte. Evita‐se a repetição desnecessária de níveis, identificando‐os sempre que for visualizada uma diferença de nível, e não se fazendo a especificação no caso de sucessões de níveis iguais (degraus de uma escada).

Os níveis devem ser sempre indicados em METROS e acompanhados do sinal negativo caso localizarem abaixo do nível de referência (0) – (opcionalmente pode ser usado o sinal positivo para o caso de níveis localizados acima do nível de referência). Sempre são indicados com referência ao nível ZERO do projeto.

As cotas de nível em corte possuem uma simbologia própria, que a diferencia da cota de nível em planta baixa (embora ambas devam possuir o mesmo valor para o mesmo local).

3.2.4 SEQUÊNCIA DE MONTAGEM DE UM CORTE

Os cortes são elaborados a partir das plantas baixas. Sugere‐se a seguinte seqüência de procedimentos:

(i) Isolar os principais elementos da planta baixa, juntamente com os símbolos de cortes e fazer uma cópias dos mesmos; (i) Rotacionar (se necessário) a planta baixa copiada de forma a posicionar o plano de corte na horizontal e com o sentido de visualização voltado para cima;

(i) Representar os principais elementos seccionados pelo plano de cortes (vigas de fundações, lajes, vigas de amarração, vigas estruturais, contra‐pisos e paredes) através dos cruzamentos de linhas verticais “puxadas” dos elementos na planta baixa com as linhas horizontais representativas das alturas desses elementos;

(iv) Abrir, nas paredes, os vão das aberturas seccionadas pelo plano de corte; (v) Representar elementos estruturais inclinados, tais como beirais de concreto, lajes inclinadas, etc; (vi) Representar, a partir de linhas puxadas da planta baixa, elementos principais em vista, tais como as paredes e os vão de abertura; (vii) Representar os pisos (em corte);

(viii) Inserir blocos das esquadrias em corte e em vista (ou representá‐las no caso de não haver blocos específicos); (ix) Inserir demais blocos (por exemplo: equipamentos hidrossanitários e fixos); (x) Representar a cobertura;

(xi) Representar o terreno (base do corte); (xii) Inserir as cotas de níveis; (xiii) Cotar (somente cotas verticais); (xiv) Colocar as hachuras representativas das paredes impermeáveis; (xv) Colocar as hachuras representativas dos elementos em concreto; (xvi) Colocar outras hachuras (por exemplo: terreno natural e aterro);

3.3 FACHADAS

As fachadas ou elevações são elementos gráficos do desenho arquitetônico constituídos por vistas ortográficas principais (frontal, posterior, lateral esquerda, lateral direita) ou eventualmente auxiliares da edificação, elaborados com a finalidade de fornecer informações para a execução da edificação, bem como antecipar sua visualização externa.

Por ter um caráter visual as fachadas não são cotadas, ou seja, não é especificada nenhuma dimensão da edificação nos desenhos das fachadas. As informações descritivas, que eventualmente podem vir expressas nos desenhos das fachadas, apenas dizem respeito aos materiais utilizados na composição externa da edificação, principalmente os revestimentos. Devido a esse caráter o desenho das fachadas exige um maior rigor na determinação das espessuras dos traços, de forma a representar corretamente a posição dos diversos planos e as relações entre cheios e vazios. O uso de técnicas de expressão gráficas na representação das texturas dos materiais, e aplicação de recursos gráficos, tais como as sombras e elementos de humanização (vegetação, figura humana, veículos, etc), são de grande importância na representação das fachadas, pois facilitam seu entendimento e qualificam a visualização prévia da edificação. Mas deve sempre ser tomado o cuidado de se manter o caráter técnico da representação.

As fachadas são elaboradas na mesma escala dos cortes e da planta baixa. Veja no exemplo a seguir a representação de uma fachada.

3.3.1 Montagem das fachadas

As fachadas são desenhadas a partir das plantas baixas e dos cortes da edificação. Usando‐se o mesmo processo apresentado para representação dos cortes: (i) isolar os principais elementos da(s) planta(s) baixa(s) e dos cortes; (i) fazer cópias dos mesmos; (ii) utilizar as cópias para montagem das fachadas.

3.3.1 Espessuras das linhas

Após a montagem dos planos de fachada devem ser definidas as espessuras das linhas, atribuindo‐ se/alterando‐se cores conforme seus diferentes pesos visuais (seguindo a metodologia de cores utilizada pelo usuário do programa CAD). Para isso, alguns critérios devem ser seguidos: a) As linhas dos planos mais próximos ao observador devem ser mais espessas do que as dos planos mais afastados. As diferenças nos pesos das linhas auxiliam na sugestão da profundidade dos planos. Quanto mais pesada a delineação de um elemento, mais para a frente ele parece situar‐se; quanto mais leve a delineação, mais ele parece recuar;

b) As linhas de contorno dos planos devem ser mais espessas do que as linhas internas aos mesmos; c) As linhas que definem os vãos devem ser mais espessas do que as dos elementos que neles se situam.

3.3.2 Uso de Blocos

Para representação de elementos que seguem determinada padronização, tal como as esquadrias, podem ser usados blocos previamente definidos, desde que as linhas que os compõem sigam o mesmo padrão de cor/espessura utilizado pelo usuário.

3.3.2 Uso de hachuras

Nos desenhos das fachadas as hachuras são utilizadas para indicarem as texturas de materiais tais como tijolo a vista, concreto, vidro, grama, pedra, etc. Deve‐se escolher padrões de hachuras que melhor represente dos diferentes tipos de materiais e definir corretamente a escala de sua aplicação (tamanho e/ou distanciamento dos elementos da hachura). A figura a seguir apresenta alguns exemplos de representações de texturas.

3.3.3 Uso de sombras

A utilização de sombras nas fachadas amplia a nossa percepção da arquitetura, dando uma maior noção de e profundidade, realçando e adicionando uma idéia de clareza e materialidade as formas representadas.

O cálculo e traçado de sombras demandam um estudo específico. No desenho arquitetônico, como forma de simplificar a representação, convencionou‐se utilizar raios luminosos com direção de 45º em planta e em elevação, como se fosse à diagonal de um cubo.

3.3.4 Uso de elementos de humanização.

Figuras humanas e veículos são utilizados na representação das fachadas como elementos de proporção no desenho. Conhecendo intuitivamente o tamanho de pessoas e veículos, e os relacionado visualmente com a edificação, o leitor do desenho tem uma noção das dimensões proporcionais dos elementos de uma fachada.

A vegetação é utilizada na arquitetura com diversas funções, serve, por exemplo, para auxiliar no conforto térmico da edificação protegendo as fachadas contra a insolação, ou para criar áreas de sobra para o lazer. Uma dos usos mais importantes é o de auxiliar na composição estética da edificação. Neste sentido, o uso de vegetação na representação das fachadas é uma forma do projetista mostrar a concepção estética global do projeto (edificação + entorno imediato).

(Parte 5 de 5)

Comentários