NBR DES. TÉC. + CONFIG. CAD

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3.1.3.7 Textos

Os textos devem ser representados em letras e números técnicos, evitando‐se fontes “artísticas” e “rebuscadas”. Recomenda‐se a utilização de fontes do tipo “true type” as quais já possuem espessura definida na própria fonte e que se ajustam automaticamente a altura do texto, dispensando assim a necessidade de configurar a espessura das letras e números quando da impressão.

Os textos devem ser dispostos sempre no sentido de leitura, ou seja, de baixo para cima e da esquerda para direita.

A altura dos textos deve variar seguindo uma hierarquia de informação, ser compatível com a escala de impressão, e obedecer a critérios visuais e de legibilidade. Desta forma, devem‐se evitar textos exageradamente grandes e desproporcionais aos desenhos aos quais se relacionam, ou textos muitos pequenos e por conseqüência de difícil leitura. A seguir são apresentados dois exemplos de alturas de textos em uma mesma planta baixa que representam, respectivamente, textos exageradamente grandes e pequenos.

A seguinte tabela apresenta uma sugestão de alturas mínimas e máximas de textos para os principais elementos de uma planta baixa a ser impressa na escala 1/50.

Altura mínima (m) Altura máxima (m)

Nome dos compartimentos 0.14 0.17 Área dos compartimentos 0.10 0.14 Dimensões das janelas 0.11 0.13 Dimensões da portas 0.08 0.10 Cotas 0.10 0.13 Textos auxiliares 0.09 0.11

Deve‐se atentar que apesar do modelo (elementos da edificação) poder ser impresso em diferentes escalas, os textos a ele relacionado não podem sofrer o mesmo escalonamento, pois deve ser mantida a sua legibilidade e proporcionalidade em qualquer escala de impressão. Ilustrando: se os textos foram dimensionados para uma impressão na escala 1/50 e por algum motivo o modelo (representação da edificação) for impresso na escala 1/100, os textos devem ter suas alturas redimensionadas, pois não podem simplesmente serem impressos com a metade de seus tamanhos originais sem comprometer a clareza de leitura.

Como os tamanhos dos textos devem levar em conta não só a questão da legibilidade, mas também considerar a proporção entre esses e os elementos da edificação, indica‐se as seguintes fatores de ampliação aplicáveis as alturas apontadas para a escala 1/50: 1.30 para escala 1/75 e 1.60 para escala 1/100.

3.1.3.8 Pisos

Os pisos frios e/ou especiais devem ser representados com linhas finas (0.09 mm a 0.15 mm) na cor preta, ou em tom de cinza. Neste último caso, recomenda‐se o aumento gradual da espessura

das linhas proporcionalmente a diminuição do nível de cinza (linhas mais espessas para tons de cinzas mais claros). Abaixo são apresentados exemplos de representações de pisos com diferentes espessuras e níveis de cinza.

Na representação de pisos também deve ser observado à densidade das hachuras, ou seja, o distanciamento entre suas linhas em relação ao tamanho do compartimento onde os mesmos são aplicados. Deve‐se evitar a utilização de hachuras muito densas em compartimentos de grandes dimensões e de hachuras pouco densas em compartimentos pequenos. As primeiras sobrecarregam visualmente o desenho, e as ultimas tornam difícil sua leitura. Deve‐se, sempre que possível, manter uma proporção entre a densidade da hachura e o tamanho (área) do compartimento, observando‐se, é claro, uma certa proximidade com as dimensões reais dos materiais representados.

A figura seguinte mostra um exemplo de hachuras com dimensões desproporcionais (esquerda) e proporcionais (direita).

3.1.3.9 Cotas e referências de nível

As cotas ou dimensionamentos seguem as determinações da NBR 10126 (Cotagem em desenho técnico) e NBR 6492 (Representação de projetos de arquitetura). As contas são formadas pelos seguintes elementos:

Linha de cota: é a linha que contém a dimensão daquilo que está sendo contado e na qual é na qual é posicionado o valor numérico da cota.

Linha de extensão (ou auxiliar ou de chamada): é a linha que liga a cota ao elemento que está sendo cotado. Na representação de arquitetura são utilizadas linhas de extensão de comprimento fixo, ao contrário das linhas de comprimento variável utilizadas em projetos de outras áreas.

Finalização das linhas de cota: é o encontro da linha de conta com a linha de extensão. Usualmente na representação dos projetos de arquitetura as linhas de cota e de extensão se cruzam e são adotados pequenos traços inclinados a 45º ou pontos (com uma espessura mais grossa que as linhas de cotas e chamadas) neste cruzamento2.

A figura seguinte mostra uma cota com seus elementos.

2 Na representação de arquitetura não é usual a utilização de setas ao final das linhas de cotas, como ocorre em projetos de outras áreas.

As linhas de cota e de extensão são representadas através de linhas finas (0.09mm a 0.15mm) e o projeto da edificação deve ter seus elementos cotados de forma que seja possível identificar todas as medidas necessárias a sua execução sem recorrer a instrumento de medição do desenho (régua ou escalímetro).

Distribuição das linhas de cotas: é usual no desenho arquitetônico cotas em série, posicionadas tanto pelo lado externo da planta baixa, quanto, quando necessário, internamente ou cruzando a mesma. As cotas devem ser acumuladas de forma a também representarem as medidas externas da edificação. Deve‐se evitar cotas repetidas e repetitivas.

Unidade de cotagem: na representação de projetos de arquitetura os elementos usualmente são cotados em metros ou em centímetros. Deve‐se escolher uma dessas unidades, e adotá‐la em todo o projeto. A NBR 6492/94 permite que um desenho seja cotado em metros e que as dimensões que forem menores que a unidade (1 metro) sejam cotadas em centímetros.

Dimensionamento de esquadrias: No dimensionamento de esquadrias são representadas três diferentes dimensões, sempre na mesma ordem: largura da esquadria, altura da esquadria e altura do peitoril (distância da parte inferior da esquadria até o piso interno da edificação). No caso das portas e/ou portas, sendo a altura de peitoril igual a zero, a mesma não é informada. Além das dimensões das esquadrias é usual que sejam informados códigos para as mesmas, utilizados para identificá‐las na planilha e nos desenhos de detalhes de esquadrias, que freqüentemente acompanham os projetos.

Referência de nível: na planta baixa utiliza‐se o símbolo para informar a altura de determinados pontos do projeto (neste exemplo, o nível 0.15m). Devem ser indicados todos os diferentes níveis presentes na planta baixa. Evita‐se a repetição desnecessária de níveis, identificando‐os sempre que for visualizada uma diferença de nível, não sendo necessário informar a cota de nível de todos os compartimentos, mas sim os lugares aonde há mudança nas alturas dos pisos.

Os níveis devem ser sempre indicados em METROS e acompanhados do sinal negativo caso localizarem abaixo do nível de referência (0) – (opcionalmente pode ser usado o sinal positivo para o caso de níveis localizados acima do nível de referência). Sempre são indicados com referência ao nível ZERO do projeto. É costume omitir‐se o zero, nos casos de níveis menores de 1.00m, mas deve‐se manter o ponto decimal como forma de informar que a cota de nível é em metros.

Tamanho dos textos de cotas: sugere‐se a utilização dos seguintes tamanhos de textos para impressões na escala 1/50 – Cotas das paredes: 0.11m; dimensões das janelas: 0.11m; dimensões das portas: 0.09m.

A seguir é apresentada figura com as cotas de uma pequena edificação.

3.1.4 SEQUÊNCIA DE MONTAGEM DE UMA PLANTA BAIXA

A seguir é apresentada uma seqüência de representação de uma planta baixa. Trata‐se de uma seqüência genérica, podendo variar em função da prática do desenhista e do tipo de edificação representada.

1º Representação das paredes: são demarcadas as paredes da edificação através das linhas horizontais, verticais, inclinadas e curvas que as representam;

2º Representação dos vãos das aberturas

3º Representação dos desníveis e transições de tipos de pisos: são representados desníveis, degraus, rampas, soleiras, balcões, e linhas de transição de pisos.

4º Representação através de linhas tracejadas da projeção dos beirais, marquises e demais elementos necessários (localizados acima do plano de corte da planta baixa).

5º Representação das esquadrias: são desenhadas, nos respectivos vãos, as portas, janelas e outros tipos de esquadrias que porventura houver. As esquadrias poderão ser representadas linha a linha ou inseridas como blocos previamente definidos;

6º Representação esquemática das circulações verticais: elevadores (com suas dimensões internas) e escadas (número de degraus, pé‐direito, base e altura dos degraus, sentido de subida) – Ver item específico sobre representação de escadas;

7º Representação dos equipamentos fixos dos banheiros (louças sanitárias, balcão(ões) de lavatório(s), chuveiro(s), etc.), da(s) cozinha(s) (pia(s), balcões e outros), área de serviço (tanque(s) e balcões), churrasqueiras (pia(s) e balcões) e de outros compartimentos de serviço que houverem;

8º Representação dos principais equipamentos de serviço, tais como fogão(ões), geladeira(s), frezer(s), máquina(s) de lavar e secar roupas, etc. A representação desses equipamentos não é obrigatória no projeto arquitetônico, mas é comum, servido como referência para execução dos projetos complementares (hidrossanitário, elétrico e gás).

9º Representação dos principais textos: nome e áreas dos compartimentos, dimensões das esquadrias.

10º Representação dos pisos (pisos frios e outros pisos especiais) através de hachuras quadriculadas e outras.

11º Representação das cotas e dos níveis dos pisos.

12º Representação das indicações dos cortes e detalhes (quando existirem). 13º Representação dos textos complementares (quando existirem).

3.2 CORTES

Cortes, em Desenho Arquitetônico, são representações gráficas constituídos por vistas ortográficas seccionais do tipo corte, obtidas quando fazemos passar por uma edificação, planos secantes e projetantes verticais, normalmente paralelos a um determinado conjunto de paredes, em posicionamento estrategicamente definidos.

Os cortes são elaborados para a representação de elementos internos à edificação e de elementos que se desenvolvam em altura, e que, por conseqüência não são representados em planta baixa. Seus posicionamentos e orientações (sentido da vista) são determinados objetivando representar os elementos da edificação de maior importância e/ou complexidade.

Em geral, são realizados no mínimo dois cortes, um longitudinal (acompanhando a maior dimensão da edificação) e outro transversal (acompanhando a menor dimensão da edificação). Mas devem ser feitos tantos cortes quanto o necessário para representar inequivocamente os elementos da edificação não apresentados em planta baixa.

São fatores que influenciam a quantidade de cortes necessários a representação de um projeto de arquitetura:

Complexidade interna da edificação (paredes, estrutura, acabamentos, etc.); Forma da edificação;

Variação de níveis;

Variação e complexidade da cobertura;

Diversidade de elementos internos que se desenvolvam em altura (escadas, poços de elevadores, etc.)

Os cortes são elaborados na mesma escala da planta baixa.

3.2.1 POSICIONAMENTO DOS CORTES

Os planos de corte são posicionados pela presença de: pés‐direitos variáveis, esquadrias especiais, barreiras impermeáveis, equipamentos de construção, escadas, elevadores, planos de cobertura, etc. Recomenda‐se também sempre que possível passá‐los pelas áreas molhadas (banheiros, cozinhas, áreas de serviço, etc). O sentido de observação depende do interesse de visualização, procurando‐se estabelecê‐lo de forma a representar o maior número de elementos construtivos possíveis, e/ou, elementos especiais.

A localização dos planos de corte e o sentido de visualização devem estar indicados nas plantas baixas, de maneira a permitir sua perfeita interpretação.

A indicação dos cortes em planta baixa tem uma simbologia específica e deve conter no mínimo os seguintes elementos:

Opcionalmente, pode ser informado o número da prancha que contém a representação do corte.

3.2.2 COMPOSIÇÃO DO DESENHO

Elementos gráficos: compreende a representação de todos os elementos construtivos seccionados e visualizados, e mesmo, quando necessário, eventuais partes não visíveis como, por exemplo, as fundações. São representados nos cortes: fundações; solos e aterros; pisos e contra‐ pisos; paredes e elementos estruturais; portas e janelas; equipamentos de construção e aparelhos sanitários; forros e entre‐pisos; estrutura de cobertura; telhados; etc.

Informações: bem mais simplificadas que as informações nas plantas baixas envolvem obrigatoriamente: cotas verticais dos elementos em corte; níveis dos compartimentos, dados básicos relativos à cobertura e outras informações complementares que se achar necessário para a compreensão do projeto.

3.2.3 ELEMENTOS DE UM CORTE

3.2.3.1 Fundações

A representação completa das fundações no projeto arquitetônico é opcional, pois é o projeto estrutural que definirá, em fução da carga da edificação e da capacidade de suporte do terreno, o tipo adequado de fundações e suas dimensões. As fundações são representadas em função do seu tipo e material e de sua disposição geral, com medidas aproximadas. No mínimo deve‐se representar as vigas baldrame (vigas de fundação), e o perfil do terreno (natural e aterrado).

A seguir são apresentados exemplos de representações de tipos comuns de fundações:

3.2.3.2 Piso e contra‐piso

Piso e contra‐piso são representados através de linhas paralalelas. O contrapiso com linhas grossas e, em geral, espessura de 10cm e o piso com linha fina e, em geral, espessura de 5 cm (correspondendo ao piso com sua argamassa de assentamento ou elemento de fixação).

Sapata Alicerce Estaca

3.2.3.3 Beirais

Prolongamento da cobertura além das paredes externas da edificação, os beirais podem ser de vários tipos, formatos e materiais. Os mais comuns são os beirais de concreto e os de madeira, planos e inclinados. A seguir são apresentados alguns exemplos de desenhos de beirais.

3.2.3.4 Paredes

Nos cortes, as paredes podem aparecer seccionadas ou em vista. No caso de paredes seccionadas, a representação é semelhante ao desenho em planta baixa. Existindo paredes em vista (que não são cortadas pelo plano de corte) a representação é similar aos pisos em planta.

3.2.3.5 Lajes e vigas

As lajes e vigas são representadas através de linhas paralelas em traço grosso, devendo ser hachuradas para indicar a diferença de material (concreto) em relação às paredes (geralmente alvenaria).

Assim como na planta baixa, as paredes seccionadas podem ser representadas preenchidas por uma hachuras sólida (tom de cinza), valendo as mesmas observações feitas anteriormente (planta baixa) quanto as espessuras das linhas e os tons de cinzas utilizados.

Há mais de um padrão de hachura que pode ser utilizado para representação dos elementos em concreto, ficando a critério do desenhista sua escolha. Podem ser utilizados, por exemplo, hachuras sólidas (tom de cinza), desde que as mesmas, por critério de diferenciação de materiais, não sejam repetidas nas paredes.

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