NBR DES. TÉC. + CONFIG. CAD

NBR DES. TÉC. + CONFIG. CAD

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O aparecimento de programas cada vez mais especializados na arquitetura, tanto para automatização dos desenhos como para o auxilio ao projeto em si, com grande diversidade de enfoques, acabaram por determinar ao usuário uma escolha antecipada de qual método de trabalho se adapta melhor a sua forma de projetar e desenhar (SAINZ; VALDERRAMA, 1992). Alguns programas são pouco flexíveis quanto à forma de usos de seus recursos, impondo ao usuário uma metodologia de trabalho que conflita com sua forma de projetar e desenhar.

Sendo assim, a escolha do programa CAD passou a ser ponto chave na informatização dos processos de trabalhos gráficos dos arquitetos, estudantes e desenhistas de arquitetura, pois o programa, em si mesmo, implica em um método de trabalho que determinará a futura forma de desenhar do usurário (SAINZ; VALDERRAMA, 1992).

2.2 UTILIDADES DO DESENHO ARQUITETÔNICO AUXILIADO POR COMPUTADOR

Apesar de um dos fins do desenho auxiliado por computador ser a produção de representações estáticas, no molde do desenho tradicional, sua utilidade não se limita unicamente a própria representação. A informação contida no computador é muito mais ampla e potencialmente mais útil do que as imagens e impressões que dela possam resultar. Um conjunto de plantas pode, por exemplo, servir não só para apresentação do projeto arquitetônico, como também para o desenvolvimento e apresentação de quase todos os projetos complementares a este.

Entre os diversos atributos que identificam o desenho digital e o distinguem do tradicional, destacam‐se seu dinamismo, globalidade e variabilidade. Ao contrário dos desenhos tradicionais que somente representam uma parte da realidade global de um objeto a partir de uma determinada condição espaço‐tempo, o desenho digital por conter a informação completa a cerca da geometria do edifício possibilita sua representação através de qualquer condição ou posição espacial escolhida. As representações gráficas serão únicas, porém com uma simples troca de parâmetros é possível obter um número ilimitado de visualizações (SAINZ; VALDERRAMA, 1992). A possibilidade de, através do encadeamento de imagens estáticas, se obter imagens dinâmicas, dentro das chamadas animações, traz a incorporação da dimensão temporal a representação do edifício através do movimento relativo do observador.

Assim, as diversas representações que se pode obter a partir de um desenho digital, principalmente do tridimensional, passam a ser parte de uma informação maior, ou seja, pelo menos em teoria o objeto arquitetônico está completamente documentado, e as imagens que obtemos são as partes dessa informação que escolhemos para ser representada no monitor ou impressa em papel (SAINZ; VALDERRAMA, 1992).

2.2 IMPORTANTES ATRIBUTOS DO DESENHO DIGITAL

Além da inserção de novos atributos, tais como o uso de camadas de desenhos e de bibliotecas de blocos, a passagem do desenho tradicional para o digital significou uma mudança significativa em alguns dos já conhecidos atributos do desenho de arquitetura. Destes, dois se destacam: à escala e a área de desenho.

3.4.1 A Escala

No desenho tradicional, a escala, seja ela absoluta, como nas projeções ortogonais (tais como corte, fachadas, plantas baixas) e nas axonometrias, ou relativa como nas perspectivas cônicas, é um dado fundamental da representação. A escala tem de ser previamente definida antes da representação, e sua alteração, no meio ou no fim do processo, representa o redesenho de tudo que o que já foi representado.

No CAD a definição prévia da escala deixou de ser necessária. O projetista ou desenhista não trabalha mais com medidas previamente escaladas. Representa os elementos da edificação

através de suas medidas reais, escolhendo para isto a unidade de representação, se metro ou centímetros, por exemplo. Posteriormente o desenho pode ser impresso em mais de uma escala, bastando para isso apenas configurar os parâmetros de impressão.

Enquanto o desenho digital é executado, ou seja, antes de sua impressão, a escala é uma simples questão de proporções entre os elementos que vemos na tela. Aproximamos e afastamos os elementos do desenho conforme a necessidade, alterando a escala visual, mas mantendo sua proporção e principalmente a unidade de medida do desenho.

3.4.2 A Área Gráfica ou de Desenho

Diferentemente do processo tradicional, onde o espaço do desenho está limitado pelo tamanho da folha de papel, no desenho digital à área gráfica não possui um tamanho definido, e seus limites podem ser configurados para qualquer tipo ou organização de desenho. Este recurso possibilita o desenho de objetos das mais diferentes dimensões no mesmo espaço gráfico. Desta forma o desenhista pode representar um detalhe do edifício, o próprio edifício, a quadra aonde este se situa, o entorno desta quadra, ou seja, objetos de diferentes escalas de medidas, em uma mesma área ou espaço de desenvolvimento do modelo.

Outra característica importante da área ou espaço de desenho e/ou modelagem é, no caso dos programas com suporte 3D, sua tridimensionalidade. Sendo o espaço tridimensional, os objetos podem ser representados não apenas através de suas projeções em um único plano de trabalho (plano de desenho ou projeção), mas através de suas alturas, larguras e profundidades, utilizando‐ se um sistema cartesiano tri‐axial de coordenadas.

3.4.3 O Desenho em Layers (camadas)

Os programas CAD possibilitam a organização dos vários elementos de um desenho de arquitetura em distintas camadas (layer). Este recurso permite o agrupamento das geometrias de acordo com os elementos do desenho que representam, ou seja, em temas. Assim, por exemplo, as linhas, arcos, círculos e outros elementos geométricos que representam as paredes de uma planta baixa, podem fazer parte de uma única camada, nomeada de forma a identificar os elementos do desenho que a compõe (paredes ou alvenarias).

A organização do desenho em camadas possibilita uma série de operações que facilitam sobremaneira o processo de representação. Além de facilitar o desenho, a sobreposição de camadas (que podem a qualquer momento ser ligadas ou desligadas, bloqueadas e desbloqueadas) permite representar‐se sobre uma mesma base, como a planta baixa de uma edificação, diversos temas referentes a esta edificação. Assim, por exemplo, pode‐se sobrepor informações dos diversos projetos complementares, verificando‐se as compatibilidades e os reflexos de uns sobre os outros.

A cada camada criada pode ser atribuída uma cor diferente e, os elementos nela desenhados, por configuração padrão, receberão a cor escolhida. O uso de cores diversas possui mais de uma utilidade: em primeiro lugar permite identificar visualmente na tela do computador os elementos pertencentes à determinada camada ou determinada categoria de informação e, em segundo, possibilita, nos programas que se utilizam do estilo de impressão baseado na cor (Color‐ dependent plot style), diferenciar previamente as espessuras de impressão dos elementos.

Cabe ao desenhista e/ou projetista, estabelecer uma metodologia própria, ou de preferência utilizar um sistema padronizado para criar, nomear e atribuir cores as camadas de seus desenhos, de forma a tornar possível a integração entre seus diversos trabalhos e a troca de informação e integração com outros profissionais que porventura interajam com o desenho/projeto da edificação.

A busca por uma padronização nos desenhos e projetos digitais de arquitetura, que permita a intercambialidade na informação entre profissionais e projetos, já gerou, no Brasil, diversas discussões, estudos, e trabalhos. O mais significativo deles é o da AsBEA (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura), a qual propõe, baseado no modelo das normas americanas/canadense e européias, um sistema de nomenclatura de layers, diretórios, e arquivos de projetos (ASBEA, 2000).

6.1.4 Uso de Biblioteca de Blocos

Outra significativa diferença entre o desenho tradicional e o auxiliado por computador reside na representação dos elementos repetitivos do desenho arquitetônico. No desenho digital, ao contrário do tradicional, não há necessidade da representação múltipla desses elementos, o que simplifica enormemente o processo. Os programas CAD oferecem o recurso de uso de blocos ou gabaritos eletrônicos (em analogia aos gabaritos do desenho tradicional), que nada mais são do que estruturas geométricas compostas. Nessas estruturas, é possível agrupar diversas entidades de qualquer tipo e atribuir‐lhe um nome de identificação e um ponto para sua inserção em um ou mais desenhos.

Desta forma, um elemento repetitivo, tal qual o desenho de uma esquadria ou de um equipamento sanitário, necessita ser representado uma única vez, e após ser estruturado e armazenado como um bloco pode ser utilizado inúmeras vezes, em um ou mais projetos. A possibilidade de organizar os blocos na forma de uma biblioteca permite aos usuários dos programas CAD colecionarem blocos na forma de arquivos em disco. Na WEB, por exemplo, é possível obter uma infinidade de blocos prontos. O usuário, a medida de sua necessidade, poderá ampliar a sua biblioteca de blocos. Também existe a possibilidade de organizar a biblioteca de blocos forma de menu de ícones, o que torna a manipulação de uma quantidade relativamente grande de blocos, algo bastante simples e organizado.

Mas o uso de blocos de forma eficiente e correta demanda uma rígida padronização das layers e das cores de seus elementos. O usuário ao criar um bloco e, principalmente, ao utilizar um bloco feito por terceiros deve verificar se as cores e as layers se adaptam a sua metodologia e padrão de desenho. Como já foi citado os programas CAD, em geral, utilizam‐se do sistema de estilo de impressão vinculado a cor. Tal sistema determina que as espessuras de linhas sejam relacionadas às suas cores. Desta forma pode acorrer conflito entre as cores das geometrias e textos presentes nos blocos e as utilizadas como padrão pelo usuário. Exemplificando: determinado usuário utiliza por padrão a cor branca para representação das alvenarias e, por conseguinte, a mesma esta vinculada a uma espessura grossa de linha. Esse usuário pretende utilizar um bloco de uma porta cuja representação foi feita com a mesma cor. Tal situação gera um conflito de cores e espessuras.

No que se refere à nomenclatura das layers também pode haver conflito. Se o usuário tem por padrão, por exemplo, utilizar a layer “ARQ‐Esquadrias” para representação de portas e janelas no projeto arquitetônico, e pretende utilizar um bloco de uma janela que foi criado na layer “Janelas”, igualmente ocorrerá um conflito, desta vez na nomenclatura das layers. Desta forma, a

incorporação de blocos elaborados por terceiros a biblioteca de blocos exige uma prévia edição para padronização dos mesmos.

Por outro lado, o trabalho com blocos permite uma padronização do desenho entre arquivos e usuários. Evita‐se, com a utilização de blocos, que cada usuário desenhe de forma distinta de certo padrão estabelecido.

2.2 PADRONIZAÇÃO EM DESENHO CAD

Conforme Ruggeri (2004) a adoção de recursos de informática no desenvolvimento de projetos de Engenharia e Arquitetura trouxe consigo grandes avanços em termos de custos, tempo, qualidade e intercambialidade dos trabalhos. Porém, a maciça e desorganizada disseminação destes recursos gerou uma série de problemas de ordem organizacional e gerencial no processo de produção dos serviços e produtos.

Antes da adoção das técnicas e recursos computacionais tínhamos todo o processo produtivo manual. No caso da engenharia predial, todos os desenhos eram feitos com utilização de instrumentos simples (lápis, canetas, esquadros etc.) e segundo técnicas e normatizações de desenhos pré‐estabelecidas. Por exemplo, eram fixadas espessuras para traçados conforme seus significados na representação gráfica, e para cada espessura de traçado correspondia uma caneta. Sendo assim, independentemente de quem fosse o desenhista, não eram possíveis muitas variações, ou seja, antes da adoção de recursos de informática na produção de projetos de engenharia e arquitetura, tinha‐se um sistema de trabalho com poucos recursos, difundido e normalizado em seus aspectos primordiais (RUGGERI, 2004).

Com o avanço da computação gráfica, gradativamente os trabalhos de desenho foram se tornando “computadorizados”, surgindo uma série de programas gráficos pare esse fim. Dentre estes, alguns ganharam mercado e se firmaram. Desta forma surgiram versões e mais versões de cada programa, cada vez com mais recursos. Este crescimento tornou altamente flexível a utilização destes programas e cada usuário passou a criar seus trabalhos utilizando‐se dos recursos que mais lhe agradavam ou eram úteis, da forma que melhor lhe convinha, ou que lhe era ensinada. A organização na utilização dos recursos gráficos computacionais dependia apenas da vontade de cada usuário, não seguindo nenhuma regra (RUGGERI, 2004).

Os problemas advindos dessa “livre organização” na utilização dos recursos dos programas de desenho/projeto são diversos e atingem principalmente o processo de comunicação que ocorre nos diferentes níveis e etapas de desenvolvimento dos projetos de uma edificação. O problema de comunicação pode se dá, principalmente, entre os diversos intervenientes no processo projetual, mas pode atingir até mesmo os produtos (desenhos/projetos) de um único usuário. O meio digital permite a fácil intercambialidade entre desenhos/projetos e profissionais, mas essa facilidade encontra uma forte barreira na falta de padronização entre os desenhos.

Ruggeri (2004) apresenta um exemplo prático da questão: você é um engenheiro e precisa de informações sobre o projeto arquitetônico para fazer os projetos complementares para um edifício. O profissional responsável pelo projeto arquitetônico lhe passa uma mídia digital com etiqueta “projeto1”. Ao chegar em seu escritório você explora o conteúdo da mídia e percebe que existem três arquivos denominados: “proj1.dwg”, “proj1a.dwg” e “proj1b.dwg”. Seu interesse está a princípio nas plantas baixas dos pavimentos sem se importar em um primeiro momento com cortes, fachadas, etc. Intuitivamente você abre o arquivo “proj1.dwg” e descobre que ali estão as

plantas necessárias. Por curiosidade você também abre o arquivo “proj1a.dwg” e descobre outras plantas com ligeiras alterações. Pressupõe ser uma opção de planta para o edifício em estudo e ainda, que o arquivo “proj1b.dwg” deva ser outra alternativa para as plantas. Ao abri‐lo percebe que se trata das demais representações do projeto arquitetônico (fachadas, cortes, detalhes, etc.). Liga para o “emissor” da mensagem e questiona sobre a planta a ser adotada obtendo com resposta a alternativa contida no arquivo “proj1a.dwg”. Ótimo! Ao iniciar o trabalho percebe que as definições internas do arquivo estão de forma completamente diferente das utilizadas por você e, como era de se esperar, existem muitas informações que não são necessárias nesse momento. Você está utilizando, por exemplo, o AutoCAD e quando tenta desativar a ”camada” de textos contida no desenho para melhor visualizá‐lo descobre que não há qualquer camada intitulada TEXTOS ou algo semelhante. Ao contrário, os nomes das camadas disponíveis são: 0, 1, 2, 3, P1, P2, P3, P4, P01, P02, ..., alv‐hatch, projeção, Vporta, e outros. Fica então a dúvida: o que fazer para visualizar apenas as paredes e esquadrias no desenho? O que significam aqueles nomes todos? Por fim você necessita imprimir a planta baixa para usar de rascunho e para consulta, deparando‐ se com o uso cores que conflita totalmente com os padrões utilizados por você. Estes são apenas alguns dos diversos problemas enfrentados nos trabalhos em que há trocas de informações através de recursos de informática.

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