Uma critica ao surgimento do serviço social no brasil

Uma critica ao surgimento do serviço social no brasil

SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

curso superior EM SERVIÇO SOCIAL

edinei messias alecrim

SERVIÇO SOCIAL

UMA CRÍTICA AO SEU SURGIMENTO NO BRASIL

Irecê

2007

edinei messias alecrim

SERVIÇO SOCIAL

UMA CRÍTICA AO SEU SURGIMENTO NO BRASIL

Trabalho apresentado ao Curso Superior em Serviço Social da UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, para a disciplina Fundamentos Históricos, Teóricos e Metodológicos do Serviço Social I.

Orientadora: Giane Albiazetti

Irecê

2007

INTRODUÇÃO

A história do Serviço Social, sempre esteve atrelada aos interesses da classe dominante, ou seja, à burguesia. Sendo assim, o capitalismo surge como um grande mecanismo de ascensão das elites e do predomínio das relações de poder. De um lado a burguesia, detentora do poder domina os bens de produção. Do outro lado, o proletariado, que vende sua força de trabalho, vivendo à mercê das condições dignas de vida na sociedade da época.

Todavia, o Serviço Social, surge essencialmente neste período, como suporte de reprodução da mentalidade dominante, amparado pela ideologia da Igreja, numa perspectiva da caridade cristã. Nesse sentido, o poder ideológico da Igreja, incorpora na vida social os aspectos da caridade cristã por meio das Casas de Caridade.

A idéia do Serviço Social numa visão mais consciente e crítica de sua própria posição na sociedade foram aparecendo não pela legitimação da profissão, mas por suas limitações frente aos problemas a serem superados.

Sendo assim, os profissionais do Serviço Social por estarem atrelados aos ideais capitalistas da época e guiados por interesses ideológicos cristã, acabaram por perpetuarem naquele cenário uma postura de relativismo quanto aos aspectos éticos da profissão, que mais tarde começa a ser vislumbrado por estes, uma ótica mais crítica da postura do Profissional do Serviço Social.

UMA CRÍTICA À PROFISSÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA HISTÓRIA BRASILEIRA

O processo ideológico da Igreja incorporado à tradição da caridade e os anseios capitalista da época, se tornam no Brasil, o Serviço Social, mais do que um “serviço dispensado aos mais pobres” ou um “trabalho a ser realizado com os excluídos daquela sociedade”. Surgem assim, com tal mentalidade as primeiras candidatas às Escolas de Serviço Social da época: moças das classes burguesas, fundamentando a concepção ideológica capitalista que pregava o Serviço Social como forma de reprodução daquela sociedade, nunca sua transformação. Nessa perspectiva, acredita-se que o Serviço Social seria a atividade destinada a estabelecer, o Bem-Estar Social dos indivíduos, por meio de intervenção cristã, sendo essa indispensável na resolução dos problemas sociais da época.

Todavia, acredita-se que o sujeito enquanto “cliente” era um desajustado socialmente e que por isso deveria ser incorporado aos Programas das Escolas de Serviço social. Sendo assim, os rotulados de “desajustados” eram indivíduos que deveriam por determinação do sistema se ajustar às condições impostas pela burguesia.

Nessa perspectiva, o Serviço Social apresenta-se meramente com características assistenciais, centradas no ajustamento individual ou coletivo dos homens e das mulheres na ordem vigente da sociedade. A base de tal acomodação destes indivíduos à engrenagem do sistema social, consistia numa atividade orientada filosoficamente com princípios científicos amparados por métodos especializados, cuja intenção seria mantê-los ajustados socialmente.

Nesse sentido, muitos outros fatores interviram na história e influenciou de forma significativa o Serviço social no Brasil. Tais intervenções históricas acabaram por desencadear o posicionamento crítico da profissão no cenário brasileiro. Assim, duas situações interviram historicamente e contribui decisivamente para que a postura do Serviço Social saísse ainda que de forma tímida do comodismo: primeiro, refere-se à criação de Projetos de Desenvolvimento e Organização da Comunidade, visando a construção geral de caráter material, solucionando problemas no imediatismo, sem conceber a importância de uma integração coletiva a planos maiores, englobando situações mais amplas de melhoria da situação de vida das comunidades. Nesse tocante, o Serviço social, não ficou apenas olhando passivamente, tal situação acrescentou à formação dos Assistentes sociais que estes precisam de uma maior atuação na formulação e implementação das Políticas públicas direcionadas ao público mais carente; a segunda diz da criação das Associações Profissionais dos Assistentes Sociais, bem como os sindicatos. Tais implementações aumentaram o “status” da profissão, que mais tarde intensificou a defesa dos interesses da classe, principalmente sua emancipação.

O Serviço Social durante os períodos colônia, imperial e republicano no Brasil, tiveram caráter empírico, porém em muitas situações no período republicano entre (1932-1950), apresentou-se uma conotação idealista, amparada por ideais humanistas e cristãos, indispensável à resolução dos problemas da época. Todavia, tal aspecto humanista, desenvolveu na profissão uma cultura humanística, necessária a um agir verdadeiro e humano.

Contudo, o agir humano, característica do Serviço Social da época esteve essencialmente amparada por uma concepção ingênua da situação e dos problemas encontrados na sociedade brasileira. Os profissionais não tinham a criticidade necessária para poderem avaliar as mazelas encontradas e adequar a metodologia e a intervenção do Serviço Social aos problemas encontrados, visando a sua superação. Aos poucos a criticidade foi ficando evidente e as constatações de que os esforços praticados pelos Assistentes Sociais em tentar solucionar problemas não correspondiam aos resultados almejados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Muitas definições foram traçadas a partir de uma nova visão da intervenção do profissional do Serviço Social. Tais definições fundamentam o Serviço Social como uma ideologia centrada no homem e na sociedade, ou seja, enfatiza a necessidade da intervenção social não mais apoiada por valores empíricos, mas por observações e análises científicas. Assim, necessário se faz conceber a importância do homem e da sociedade, suas peculiaridades e mazelas, para poder interferir numa perspectiva de resolver situações e problemas sociais e não reproduzi-los.

Para tanto, a consciência crítica do Assistente Social, mesmo acontecendo aos poucos na história, favoreceu o crescimento e o amadurecimento político-social da profissão, haja vista, que tal posicionamento desenvolveu no interior do Serviço Social a necessidade de estudos mais profundos do sentido da ação desse profissional numa sociedade de constantes mudanças paradigmáticas.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

BRASIL, Serviço Social: curso de graduação em Serviço Social. Módulo I. 258 p. Londrina: UNOPAR, CDI, 2007.

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