Cultura do tomate

Cultura do tomate

(Parte 1 de 2)

Curso: Tecnólogo em Irrigação e Drenagem

Prof. Dr. Sebastião Junior Gean Duarte da Silva

No mundo ocidental civilizado o tomate ocupa um lugar proeminente, entre as hortaliças cultivadas.

No Brasil, o tomate ocupa o segundo lugar entre as culturas oleráceas, por ordem de importância econômica.

O consumo dos frutos contribui para uma dieta saudável e bem equilibrada. Estes são ricos em minerais, vitaminas, aminoácidos essenciais, açúcares e fibras dietéticas.

O consumo dos frutos contribui para uma dieta saudável e bem equilibrada. Estes são ricos em minerais, vitaminas, aminoácidos essenciais, açúcares e fibras dietéticas.

O tomate contém grandes quantidades de vitaminas B e C, ferro e fósforo. Consomem-se os frutos do tomate frescos, em saladas, ou cozidos, em molhos, sopas e carnes ou pratos de peixe. Podem ser processados em purés, sumos e molho de tomate (ketchup). Também os frutos enlatados e secos constituem produtos processados de importância econômica.

Reino: Plantae

Classe: Dicotiledoneae

Família: Solanaceae

Género: Solanum Espécie: Lycopersicon (Solanum) esculentum Mill

A produção mundial de tomate para processamento industrial no ano 2000 foi de aproximadamente 27 milhões de toneladas. O Brasil, um dos maiores produtores mundiais, produziu em 2002 cerca de 1,28 milhão de toneladas em uma área de 18,25 mil hectares, indicando que, atualmente, nossa produtividade média é de cerca de 70 t por hectare.

Área cultivada e produção brasileira de tomate industrial, 1990-2002

Ano

Nordeste (PE/BA) São Paulo Cerrado (GO/MG) Brasil Área Produção Área Produção Área Produção Área Produção

* Estimativa das indústrias

O tomate tem a sua origem na zona andina de América do

Sul, mas foi domesticado no México e introduzido na Europa em 1544.

Mais tarde, disseminou-se da Europa para a Ásia meridional e oriental, África e Oriente Médio. Mais recentemente, distribuiu-se o tomate silvestre para outras partes da América do Sul e do México.

A produção de mudas pode ser feita em bandejas de isopor e tem a vantagem de facilitar a semeadura e o manuseio das mesmas; permitir melhor controle sanitário e nutricional; facilitar o transporte para o local definitivo; e reduzir a necessidade de replantio.

Recomenda-se utilizar bandejas com 200 células.

Entretanto, alguns viveiristas têm utilizado bandejas com

288 células, com tendência para se utilizar bandejas com até

400 células. Nesse caso, em função do pequeno volume de substrato disponível em cada célula, as mudas se formam com pequeno volume de raízes, aumentando o risco de ocorrência de deficiência nutricional. Recomendam-se, portanto, adubações complementares e regulares com macro e micronutrientes.

A estrutura de proteção para a produção das mudas deve ser coberta com plástico apropriado e fechada lateralmente com tela de malha estreita, para impedir a entrada de insetos, principalmente os afídios. Em locais com temperatura elevada e baixa umidade relativa é recomendável a colocação de tela do tipo sombrite, com

60% de sombra, na parte interna da casa de vegetação, a uma altura de 2,5 m, para reduzir a evapotranspiração.

Telados para produção de mudas.

Fo n te

: Em b ra pa h o rtaliça

As bandejas devem ser colocadas sobre suportes para que fiquem a 30 cm do solo . O sistema mais comum e barato para construção dos suportes consiste em esticar fortemente dois ou três fios paralelos de arame de aço galvanizado, distanciados de 45 cm quando utilizar dois fios, ou 15 cm quando utilizar três fios, para sustentar cada fileira de bandejas. De dois em dois metros são colocados suportes para evitar o arqueamento dos fios.

Fo n te

: Em b ra pa h o rtaliça

Para enchimento das células das bandejas, utiliza-se um substrato composto por vermiculita expandida, casca de pinus, casca de arroz carbonizada e fertilizantes. Nas bandejas de 200 células, cada célula recebe de 10 a 15 g de substrato, o que equivale a cerca de 4,2 litros de substrato por bandeja.

Esse substrato pode ser adquirido comercialmente ou produzido na propriedade, desde que se teste a proporção dos ingredientes, antes de se iniciar a produção de mudas em grande escala.

Após o enchimento das células, faz-se a compactação do substrato e a abertura dos furos com 1 cm de profundidade

(um furo por célula). Coloca-se uma ou duas sementes por furo, recobrindo-as em seguida com substrato peneirado ou com vermiculita pura de granulométria média ou fina.

Para produção de mudas em grande escala, a semeadura nas bandejas pode ser feita por máquinas automáticas de precisão que têm rendimento de 120 a 300 bandejas por hora .

Máquina para semeadura em bandejas.

Fo n te

: Em b ra pa h o rtaliça

Independentemente do número de células na bandeja, é relativamente pequeno o volume de substrato contido em cada célula e a quantidade de água retida. À medida que as mudas se desenvolvem, a água disponível se esgota em períodos cada vez mais curtos, exigindo irrigações cada vez mais freqüentes.

A aplicação de nutrientes e a irrigação na fase de produção de mudas deverão ser uniformes evitando-se, desse modo, que as mudas fiquem desuniformes, dificultando as operações de transplante e colheita.

Quando são utilizadas bandejas de isopor, as mudas são transplantadas no mesmo estádio que aquelas produzidas em sementeiras (4 ou 5 folhas definitivas). Nessa fase, as mudas encontram-se perfeitamente enraizadas, dando bastante consistência ao torrão

Fo n te

: Em b ra pa h o rtaliça

Para além de ter que se garantir a qualidade da semente, devem ser usadas placas de germinação desinfectadas e substratos isentos de pragas e doenças. A germinação deverá efectuar-se em estufas ventiladas, devidamente climatizadas com controlo de temperatura e umidade, visto as plantas jovens serem sensíveis a estes fatores. A rega deve ser feita por nebulização e deve ser garantido sempre o nível de água necessário, assim como a sanidade das plantas.

O espaçamento pode variar de 0,5 a 0,7m entre plantas e 1,0 a 1,2m entre linhas, sendo que os espaçamentos maiores são utilizados no período chuvoso.

Possui um sistema radicular amplo, constituído por uma raiz principal, que pode alcançar os 50-60 cm de profundidade, e por uma grande quantidade de ramificações secundárias, reforçadas pela presença de um grande número de raízes “adventícias” que surgem na base dos caules.

Sistema radicular

O caule do tomateiro é anguloso, coberto em toda a sua superfície de pêlos perfeitamente visíveis que, devido à sua natureza glandular, libertam uma substância líquida responsável pelo aroma característico da planta. No início do crescimento o porte do caule é erecto, mas à medida que a planta cresce, o seu peso tender para um porte prostrado, tornando necessário proceder à sua tutoragem. O desenvolvimento do caule depende da variedade de tomate

Caule

O tomateiro é originário da costa oeste da América do Sul, onde as temperaturas são moderadas (médias de 15 ºC a 19 ºC) e as precipitações pluviométricas não são muito intensas. Entretanto, floresce e frutifica em condições climáticas bastante variáveis. A planta pode desenvolver-se em climas do tipo tropical de altitude, subtropical e temperado, permitindo seu cultivo em diversas regiões do mundo.

A temperatura ótima da maioria das variedades situa-se entre 21 a 24 °C, mas a planta pode tolerar uma amplitude de 10 a 34 ºC. Quando submetida a temperaturas inferiores a 12 ºC, a planta de tomateiro tem seu crescimento reduzido

Em temperaturas médias superiores a 28 ºC, formam-se frutos com coloração amarelada em razão da redução da síntese de licopeno (responsável pela coloração vermelha típica dos frutos).

Temperatura

Estádio de desenvolvimento Temperatura (º C)

Mínima Ótima Máxima

Germinação 1 16 a 29 34

Crescimento vegetativo 18 21 a 24 32 Pegamento de frutos (noite) 10 14 a 17 20

Pegamento de frutos (dia) 18 19 a 24 30

Desenvolvimento da cor vermelha 10 20 a 24 30 Desenvolvimento da cor amarela 10 21 a 32 40

Fonte: GEISENBERG, C. & STEWART, K. Field crop management. In: ATHERTON, J. C. & RUDICH, J. ed. The Tomato Crop - A Scientific Basis For Improvement. London, Chapmam and Hall, 1986, p. 511-557.

Temperaturas para os diferentes estádios de desenvolvimento do tomateiro. Temperatura

Aumenta a concentração de caroteno (pigmento que confere coloração amarelada à polpa). Temperaturas noturnas próximas a 32 ºC causam abortamento de flores, mau desenvolvimento dos frutos e formação de frutos ocos.

Frutos amarelados em razão da alta temperatura.

Temperatura

Embora o tomateiro seja uma planta muito exigente em água, o excesso de chuvas pode limitar seu cultivo. Altos índices pluviométricos e alta umidade relativa favorecem a ocorrência de doenças, exigindo constantes pulverizações de agrotóxicos.

O excesso de chuva ou de aplicação de água por irrigação prejudica também a qualidade dos frutos, por causa da redução do teor de sólidos solúveis (º Brix) e do aumento de fungos na polpa.

Precipitação

Em solos mal drenados, pode ocorrer acúmulo de umidade, com limitação de crescimento radicular, tornando as plantas menos eficientes na absorção de nutrientes e mais suscetíveis às variações da umidade do solo.

Precipitação

Fotoperíodo

O tomateiro não responde significativamente ao fotoperíodo, desenvolvendo-se bem tanto em condições de dias curtos quanto de dias longos. O fotoperíodo exerce pouca influência no florescimento de L. esculentum.

Entretanto, algumas espécies silvestres só florescem em dias curtos.

Pouca luminosidade provoca um aumento da fase vegetativa, retardando o início do florescimento.

Em regiões de alta umidade relativa ocorre a formação de orvalho e as folhas se mantêm úmidas por longo período do dia, principalmente aquelas localizadas na parte inferior das plantas. Isso favorece o desenvolvimento de doenças, principalmente as causadas por fungos e bactérias.

Umidade relativa

São Divididos em 5 grupo: Santa Cruz

Caqui

Saladete

Cereja

Enquadramento por grupos de alguns cultivares mais comuns: Enquadramento por grupos de alguns cultivares mais comuns:

O tomateiro é a cultura olerácea que requer tratos culturais mais intensivos, durante todo o ciclo cultural. Tais tratos oneram, sobremaneira, o custo de produção, pois requerem o uso intensivo de mão-de-obra especializada.

Contrariamente, a cultura rasteira é muito menos exigente em tratos culturais, no que resulta um custo de produção bem menos elevado.

Tratos Culturais

A irrigação muito influencia na produtividade e na qualidade dos frutos produzidos. O tomateiro trata-se de uma cultura exigente em água, necessitando encontrar um teor mínimo de 80% de água disponível, a disposição de suas raízes, no solo, durante todo o ciclo cultural. Por outro lado, o tomateiro não tolera solos encharcados, com drenagem deficiente. A irrigação é necessária especialmente no período seco.

Tratos Culturais Irrigação

Verificar a qualidade da água de irrigação, pois pode ser agente de transmissão de doenças bateristas e de outras culturas infestadas. A origem da água utilizada deve ser de fonte conhecia, pois pode conter contaminantes químicos ou biológicos, sendo, por isso preferencialmente originada da propriedade.

Tratos Culturais Qualidade

Ela deve apresentar-se dentro das características de padrão mínimo expedida por algum órgão oficial.

Não devem ser utilizadas águas suspeitas de contaminação, tais como as de mananciais que recebem esgotos domésticos, industriais, de pocilgas ou estábulos ou de áreas poluídas, para a irrigação do tomateiro, qualquer que seja o método utilizado.

Tratos Culturais Qualidade

É mais comum aplicar água ao tomateiro pelo método de irrigação por sulcos, embora, eventualmente, no campo e, quase sempre, em estufa, é possível irrigar por gotejamento.

Tratos Culturais Irrigação por sulcos

O método de irrigação por sulco é realizado fazendo a água correr lentamente em canal ou sulco.

Tratos Culturais Irrigação por sulcos

F o nte:

G o o gle a ges

O tomateiro tutorado é submetido a diversos tipos de podas, destinadas a regular e equilibrar a produção com o desenvolvimento vegetativo. Certamente que tal trato cultural somente se justifica quando a produção se destina ao mercado de consumo direto, objetivando-se a obtenção de frutos de superior qualidade.

Tratos Culturais Podas e desbastes

A poda inicial é efetuada quando a planta atinge cerca de

40 cm e inicia-se a emissão de brotos laterais. Pode-se deixar apenas a haste principal ( como é usual entre produtores de tomate Salada), cortando-se todos os ramos laterais

O desbaste das plantas em excesso é obrigatório, em culturas propagadas pela semeadura direta, visando a obtenção do numero desejável de plantas, dentro de um espaçamento pré-determinado. Consiste no corte, com uma lamina afiada, das plantas em excesso.

Tratos Culturais Podas e desbastes

O raleamento pode ser praticado, nas pencas, para diminuir o numero de frutos, em favor de sua qualidade. No tomateiro somente é útil em cultivares do grupo Salada, em cultivares tutoradas ou rasteiras, obtendo-se um maior tamanho e peso unitário.

As desbrotas consistem no corte sistemático e freqüente dos numerosos brotos laterais, que surgem nas axilas das folhas, modificando-se a forma natural do tomateiro. Efetuase tal operação uma ou duas vezes, semanalmente.

Tratos Culturais Podas e desbastes

As plantas daninhas interferem diretamente no desenvolvimento do tomateiro, competindo por água, nutrientes, luz e liberando substâncias alelo químicas, que afetam a germinação e o crescimento do tomateiro. Deve-se, por isso, evitar o plantio de tomate em áreas infestadas por espécies que possuam substâncias inibitórias, como a tiririca, o capim-maçambará, a grama-seda e o feijão-de- porco. Indiretamente, as plantas daninhas interferem como hospedeiras de um número grande de pragas e de patógenos que atacam o tomateiro.

Tratos Culturais Capinas

Especialmente na sua fase inicial, após o transplante ou a emergência das plântulas (no caso da semeadura direta) o tomateiro mostra-se muito sensível a concorrência motivada por ervas daninhas. Então, as capinas devem ser rigorosas, pelo menos junto as plantas, nas fileiras. Quando a planta alcança uma boa altura, ou um bom comprimento na haste principal, as capinas com enxada ou meios mecânicos devem ser efetuadas com muito cuidado, evitando ferir as raízes superficiais.

Tratos Culturais Capinas

Pode-se controlar as ervas daninhas entre as fileiras, pela passagem de cultivadores tracionados por animais ou por tratores;.

A capina manual ainda é largamente utilizada, mesmo em tomatais extensos.

Tratos Culturais Capinas

O controle de insetos e ácaros do tomateiro não se restringe apenas ao controle químico ou biológico.

Um manejo eficiente é obtido com a adoção das seguintes recomendações:

Adotar rotação de culturas. Destruir os restos culturais imediatamente após a colheita.

Manter a lavoura livre de plantas daninhas e outras hospedeiras de insetos e ácaros.

Utilizar cultivares mais adaptadas à região.

Traça-do-tomateiro Mosca branca

Ácaros

Larva minadora

Tripes

Pulgões

Lagarta-rosca, Broca grande, Broca pequena e Lagartamilitar

Burrinho

Ocorre durante todo o ano, especialmente no período mais seco, quase desaparecendo em períodos chuvosos. Lavouras irrigadas por aspersão convencional ou por pivô central são menos danificadas do que as irrigadas por sulco. A irrigação por aspersão derruba os ovos, larvas e pupas, reduzindo o potencial de multiplicação do inseto.

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