Avaliação do SISTEMA DE GESTÃO DE RISCO de uma empresa de fabricação de arames

Avaliação do SISTEMA DE GESTÃO DE RISCO de uma empresa de fabricação de arames

(Parte 1 de 5)

José Ricardo Gonçalves

Segurança do trabalho

Relatório Técnico - Cientifico apresentado ao programa de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho, como requisito parcial á obtenção do titulo de Especialista em Engenharia de Orientador: Prof. Msc. X

Dedico este trabalho a todos que me ajudaram nessa difícil jornada, em especial minha família, minha esposa Alessandra e meus filhos Sabrina, Ricardo e Richard, por serem diferentemente como pessoas, igualmente belas e admiráveis em essência, estímulos que me impulsionaram a buscar vida nova a cada dia, meus agradecimentos por terem aceitado se privar da minha companhia pelos estudos, me concedendo a oportunidade de mais uma realização.

Agradeço a DEUS por minha vida e pela oportunidade de realizar mais um sonho.

A todos os meus familiares, irmãos de sangue e irmãos do coração.

A Minha esposa Alessandra e meus filhos Sabrina, Ricardo e Richard por estarem do meu lado a todo o momento, sem a compreensão de vocês não conseguiria.

“O pior cárcere não é o que aprisona o corpo, mas o que asfixia a mente e algema a emoção. Sem liberdade, as mulheres sufocam seu prazer. Sem sabedoria, os homens se tornam máquinas de trabalhar.”

Algustu Cury

“Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo; a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará jamais.”

Mario Quintana

GONÇALVES, José Ricardo. DIAGNOSTICAR O PORQUÊ DA NÃO EFICÁCIA DE UM SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR IMPLANTADO EM UMA INDÚSTRIA METALÚRGICA ENVOLVENDO ACIDENTES COM AS MÃOS. 2012. 67f. Relatório Técnico Científico (Pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho), Faculdade de Engenharia de Minas Gerais, Belo Horizonte, dezembro 2012.

Resumo

O trabalho é um estudo de caso de uma indústria metalúrgica da região metropolitana de Belo Horizonte que, após a implantação de um Sistema de Gestão de Segurança, tem buscado todo dia transformar-se, para uma melhor atuação perante aos funcionários e diretoria, demonstrando taxas significativas de redução de acidentes do trabalho, o período da implantação iniciou-se no ano de 2008 e terminado em 2009 sendo que no ano de 2010 houve a certificação da OHSAS 18000. Com o envolvimento de todos os funcionários do setor analisado, desde a direção até o chão de fábrica esta fábrica passou a ser referência para as demais, com conquista significantes no que diz respeito a segurança do trabalho. Após a apresentação dos resultados dos dados estatísticos do segundo biênio, ficou evidente um aumento de acidentes envolvendo as mãos e em razão desses números, houve a necessidade de uma metodologia que pudesse intervir, para que houvesse mudanças nos comportamentos e de ferramentas de trabalho, partiu da alta direção a contribuição decisiva a campanha de segurança do ano de 2012 esta denominada “Mãos Protegidas” para alcançar resultados desejados que justificasse o titulo de fábrica modelo. O Sistema de Gestão de Segurança é o método determinante para análise e resolução dos problemas, no sentido de buscar uma solução de melhorias, mas o mesmo não tem sido utilizado de forma correta e com o comprometimento que deveria ter para alcançar o sucesso desejado.

Palavra chave: Sistema de gestão de segurança, acidente do trabalho em mãos, ferramentas de segurança.

FIGURA 1 - Melhoria continua em SST26
FIGURA 2 - Espiral de um sistema de gestão de SSO27
FIGURA 3 - Politica de SSO28
FIGURA 4 - Planejamento28
FIGURA 5 - Implantação e Operação29
FIGURA 6 - Verificação e Ação Corretiva29
FIGURA 7 - Análise critica dos responsáveis30
FIGURA 8 - Formula de Taxa de Frequências37
FIGURA 9 - Fator de probabilidade46
FIGURA 10 - Fator de exposição47
FIGURA 1 - Fator de consequência47
FIGURA 12 - Grau do risco48
GRÁFICO 1 - Número de anomalias no período de 2008 a 201135
GRÁFICO 2 - Número de relatos no periodo de 2008 a 201138
GRÁFICO 3 - Número de acidentes relatados em 200839
GRÁFICO 4 - Número de acidentes relatados em 200939
GRÁFICO 5 - Número de acidentes relatados em 201040
GRÁFICO 6 - Número de acidentes relatados em 201140

LISTA DE ILUSTRAÇÕES GRÁFICO 7 - Percentual de acidentes 2008 a 2011 ................................................. 41

TABELA 1 - Acidentes por partes do corpo relatado em 2008 a 201141
TABELA 2 - Probabilidades = Exposição +Controle + Detecção43

LISTA DE TABELA TABELA 3 - Efeito de Falha = Severidade + Abrangência ........................................ 4

A - Atendimento Ambulatorial ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas ART - Artigo BS - British Standard CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CPT - Com Perda de Tempo DDS - Diálogo Diário de Segurança EPI - Equipamento de Proteção Individual EPC - Equipamento de Proteção Coletiva INSS - Instituto Nacional de Seguro Social ISO - International Organization for Standardization NBR - Norma Brasileira OHSAS - Occupational Health & Safety Advisory Services OIT - Organização Internacional do Trabalho PDCA – Plan, Do, Check, Action PPO – Prática Padrão de Operação SPT - Sem perda de tempo SSO - Sistema de Saúde e Segurança Ocupacional SST - Segurança e Saúde do Trabalho SESMT - Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho

1 INTRODUÇÃO1
1.1 Problema de pesquisa13
1.2 Objetivo Geral13
1.3 Objetivos Específicos13
1.4 Justificativa14
1.5 Caracterização da Empresa15
2 REFERENCIAL TEÓRIOCO16
2.1 Gestão da Segurança16
2.2 A Questão da Segurança e Saúde do Trabalhador19
2.3 Acidentes do Trabalho21
2.4 Sistema de Gestão24
2.4.1 O Ciclo do PDCA26
3 METODOLOGIA DE PESQUISA31
3.1Tipo de Pesquisa31
3.2 Universo da Pesquisa32
3.3 Técnicas de Amostragens3
3.4 Seleção dos Sujeitos3
3.5 Instrumentos de Coletas de Dados3
3.6 Análise de Dados34
3.7 Limitações da Pesquisa34
4 ANÁLISE DOS DADOS35
4.1 Análise de dados estatísticos36
4.2 Análise de dados estatísticos de acidentes em mãos40
classificação dos riscos42
4.3.1 Método para classificar os riscos43
4.3.2 Método de Kinney4
responsáveis no SST48
pesquisada50
5 CONCLUSÃO51
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS53
REFERENCIAS5
ANEXOS57

SUMÁRIO 4.3 Análise dos riscos que os trabalhadores estão expostos e métodos de 4.4 Avaliação da participação e o comprometimentos dos gestores e técnicos 4.5 Diagnostico do sistema de gestão e seus benefícios para a empresa APÊNDICES. ............................................................................................................ 65

1 1 INTRODUÇÃO

Para a indústria metalúrgica do setor arames a segurança do trabalho é primordial e deixou de ser uma mera obrigação e passou ser um valor intrínseco na política da empresa e por não colocar em pratica todo Sistema de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho os acidentes envolvendo as mãos estão acontecendo e se repetindo quase do mesmo modo e características.

A preocupação com a segurança do trabalho dentro das empresas e organizações, a procura de reduzir ou eliminar os riscos existentes, estão levando as mesmas a desenvolverem e implantarem um eficiente Sistema de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), conforme sua política e seus desejos e objetivos. Sendo assim utilizam contexto de legislação cada vez mais exigente, em busca do desenvolvimento de políticas econômicas e outras medidas a fim de promover as praticam de SST.

Muitas organizações têm contratado analistas e auditores de SST a fim de avaliar seu desempenho neste requisito. No entanto tal procedimento pode não ser suficiente, para que a organização tenha garantia de que seu desempenho irá atender e continuar a atendendo os requisitos desejados, sua própria política e as legais. Para que sejam eficazes, é necessário que esses procedimentos sejam feitos dentro de um sistema de gestão estruturado e que esteja interagindo com toda a organização.

O sucesso de um sistema de gestão de SST depende do envolvimento de todos os níveis e funções e deve ter apoio total da alta direção. Um sistema que tem o apoio total da alta direção consegue se desenvolver uma melhor política e uma melhor pratica de SST, consegue estabelecer objetivos concretos e melhorar os processos para atingir os desejos da explicitados na política e melhorar seus desempenhos.

Para definir os requisitos e preceitos de SST, podem-se utilizar diversas metodologias de implantação de sistema de gestão de segurança e saúde do trabalhador, o que melhor da condição e reconhecimento é a norma Sistema de Gestão para Segurança e Saúde Ocupacional (OHSAS), que estabelece diretrizes na implantação e manutenção de um programa de gestão, levando à certificação/registro e/ou auto declaração do sistema de gestão de SST da empresa, para estabelecer, melhorar ou implementar um sistema de gestão.

A gestão da SST deve conter uma vasta gama de questões que inclui aquelas com implicações, estratégias e competitivas. A demonstração de um processo bem estruturado e sucedido pode ser utilizado pela empresa para assegurar as varias partes interessadas que ela possui um sistema de gestão apropriado.

13 1.1 Problema de pesquisa

Já que a segurança do trabalho é um valor para a indústria metalúrgica do setor arames, torna-se necessário colocar em pratica todas as ferramentas disponíveis para que os acidentes do trabalho envolvendo as mãos não mais ocorreram.

Porque o sistema de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) e suas ferramentas, implantadas em uma indústria metalúrgica não esta sendo eficaz para diminuir os números de acidentes envolvendo as mãos?

1.2 Objetivo geral

Avaliar a não eficácia de um sistema de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho e suas ferramentas implantada em uma indústria metalúrgica para reduzir os índices de acidentes com as mãos a fim de justificar a campanha de segurança do ano 2012 denominada “Mãos Protegidas”.

1.3 Objetivos específicos a) Avaliar o histórico e apresentar os índices dos acidentes em mãos a fim de justificar a campanha de segurança denominada “Mãos Protegidas”; b) Avaliar e analisar os riscos para as mãos em que os trabalhadores estão expostos dentro da fábrica pesquisada e c) Apresentar e discutir as necessidades da participação dos gestores e técnicos na aplicação.

1.4 Justificativa

Por haver um aumento nos índices de acidentes e de forma repetitiva envolvendo as mãos a empresa estudada criou uma campanha denominada “Mãos Protegidas” no ano de 2012, com base nessa campanha se fez necessário um estudo a fim de avaliar a não eficácia do sistema de gestão de segurança implantado.

Apesar dos altos investimentos feitos pela empresa analisada na compra de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e ferramentas adequadas para segurança do trabalhador, esta não conseguia reduzir os números de acidentes envolvendo as mãos. Máquinas foram adquiridas sem a preocupação com os riscos em que funcionários estariam expostos. Houve grandes despesas com tentativas de melhoria nas maquinas a fim de reduzir os riscos e os índices de acidentes, porem sem o êxito esperado.

A intenção do projeto foi de avaliar o porquê da não eficácia de um sistema de gestão de segurança implantado na empresa, com o objetivo de conhecer como esse sistema está implantado e as ferramentas utilizadas para avaliação do mesmo, como esta funcionando e se todos os trabalhadores tem o real conhecimento dos riscos expostos, afim da conscientização para o uso correto dos equipamentos de segurança e que isso não é uma regra a ser cumprida e sim uma necessidade particular que todos devem cumprir para própria proteção.

1.5 Caracterização da Empresa

Empresa multinacional do setor siderúrgico localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, contendo uma fábrica de arames galvanizado para agropecuária, que contém 60 (sessenta) funcionários diretos e 12 (doze) indiretos, onde se trabalha em 3 (três) turnos, caracterizando 24 (vinte e quatro) horas de trabalho diário, essa empresa já possui um Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional (SGSSO) e é certificada pela OHSAS 18001:2007.

16 2 REFERENCIAL TEÓRICO

Este trabalho aborda questões relativas à gestão da segurança do trabalho implantado em uma grande empresa e compara a eficácia dessa gestão no quesito acidentes envolvendo as mãos.

2.1 Gestão da segurança

Um sistema de gestão de SST tem como objetivo estabelecer estrutura que auxilia no desempenho para criar condições de trabalho seguro, proporcionando uma melhor qualidade laboral, trazendo benefícios à saúde e melhor desempenho em suas atividades.

Alguns sistemas existentes, fazemos menção para os sistemas de gestão e saúde ocupacional British Standart (BS) 80:1996 e a Occupational Health and Safety Assessment Series (OHSAS) 18001:2007.

Embora a OHSAS 18001 (2007), não faça parte do sistema ISO, é uma instituição que cria normas sobre sistemas de gestão em SST para certificação, por essa norma permite visualizar um maior comprometimento da empresa com redução de riscos ocupacionais, buscando cada vez mais a melhoria continua no que se refere a segurança e medicina do trabalho.

Auditoria é um exame sistemático para definir se as atividades e os resultados correlatos estão de acordo com as disposições planejadas e se estão efetivamente implementadas e se são adequadas para atingir a política e os objetivos da organização.

Sistema de gestão de segurança parte de um sistema de gerenciamento de risco de saúde e segurança associados aos negócios da organização. Isto inclui a estrutura organizacional, planejamento das atividades, responsabilidades, praticas, procedimentos e processos e recursos para desenvolver, implementar, alcançar, analisar criticamente e manter a política de saúde e segurança da organização. (OHSAS 18001; 2007)

A segurança e saúde no trabalho, que inclui o cumprimento das exigências contidas na legislação nacional de SST, constituem responsabilidade e dever do empregador. Este deve mostrar forte liderança e comprometimento com as atividades de SST na organização, assim como tomar as providencias necessárias para estabelecer um sistema de gestão da SST. O sistema deve incluir os principais elementos de política, organização, planejamento e implementação, avaliação e ação para melhorias. (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, Genebra. Diretrizes sobre sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho, 2001.17p).

A palavra segurança no pode ficar somente no papel ou em normas préestabelecidas, entidades governamentais ou certificadoras para que as empresas sintam-se comprometidas a cumprir. É preciso que não só a palavra mais sim a segurança esteja em todas as áreas e níveis das empresas, do mais alto escalão como a diretoria até o chão de fabrica o setor operacional, transformando consciência dos funcionários, esse envolvimento da liderança é fundamental para que todos os setores participem. Dessa forma pode-se reverter não só os números de acidentes mais também pode elevar a motivação de toda equipe. As empresas devem disponibilizar tempo e recursos para que todos participem ativamente nos processos de planejamento e implementação do projeto de gestão de segurança do trabalho.

Cultura e um padrão de pressupostos básicos compartilhados que o grupo aprendeu conforme resolvia seus problemas de adaptação externa e interação interna que funcionou bem o suficiente para ser considerado valido.

Toda empresa que quer tratar a questão da segurança do trabalho com seriedade tem que possuir uma gestão de SST dentro de sua politica organizacional, essa gestão deve ser transparente e tem que ser colocada em pratica não só na produção mais em toda estrutura da empresa para promoção da saúde de seus colaboradores. Essa politica pode ser à base de uma nova cultura e de novo comportamento organizacional é parti da politica implantada que as ações devem serem tomadas em todos os níveis cobrando o comprometimento de todos em busca dos resultados positivos e satisfação de todos funcionários, devem focar os funcionários não só com valor agregado gerando capital mais também como valor humano e com potencial para agir em prol do crescimento da empresa. Para que um sistema de SST funcione de acordo com o esperado é necessário a documentação e padronização das informações bem como revisões periódicas do projeto e de elaboração e de procedimentos e se necessário uma nova estratégia deve ser criada para não perder o foco da politica da empresa.

19 2.2 A questão de segurança e saúde do trabalhador

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