Design - e-Planejamento

Design - e-Planejamento

(Parte 1 de 5)

design e planejamento marizilda dos santos menezes luis carlos paschoarelli (orgs.) aspectos tecnológicos

MARIZILDA DOS SANTOS MENEZES LUIS CARLOS PASCHOARELLI (Orgs.)

Editora afi liada:

CIP – Brasil. Catalogação na fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

Design e planejamento : aspectos tecnológicos / Marizilda dos Santos

Menezes, Luis Carlos Paschoarelli (org.). – São Paulo : Cultura Acadêmica, 2009.

Inclui bibliografi a ISBN 978-85-7983-042-6

1. Ergonomia. 2. Desenho industrial. 3. Desenho industrial – Aspectos sociais. 4. Produtos novos – Planejamento. I. Menezes, Marizilda dos Santos. I. Paschoarelli, Luis Carlos.

09-6237. CDD: 658.5 CDU: 658.512.5

© 2009 Editora UNESP

Cultura Acadêmica Praça da Sé, 108 01001-900 – São Paulo – SP Tel.: (0xx11) 3242-7171 Fax: (0xx11) 3242-7172 w.editoraunesp.com.br feu@editora.unesp.br

1 Origami: trajetória histórica, técnica e aplicações no design 13 Thaís Regina Ueno e Roberto Alcarria do Nascimento

2 Design étnico: a identidade sociocultural dos signos 31

Jacqueline Aparecida Gonçalves Fernandes de Castro e Marizilda dos Santos Menezes

3 Gestão de design nas MPEs do vestuário de moda:

Lucimar de Fátima Bilmaia Emídio e Marizilda dos Santos Menezes

4 Design para micro e pequena empresa: o desenho como abordagem do projeto 93 Claudemilson dos Santos e Marizilda dos Santos Menezes

5 Design de superfície: abordagem projetual geométrica e tridimensional 107 Ada Raquel Doederlein Schwartz e Aniceh Farah Neves

6 Design e metodologia nas indústrias de calçados 129 Fernando José da Silva e Marizilda dos Santos Menezes

7 O papel do designer de moda no desenvolvimento de produtos: a indústria de confecção de Cianorte (PR) 143 Cláudia Cirineo Ferreira Monteiro e Francisco de Alencar

8 Arquitetura de informação: sistemas distribuídos 169 Rodrigo Ferreira de Carvalho e João Fernando Marar

9 Design de homepage: a usabilidade na web 179 Daniela Macário Custódio e José Carlos Plácido da Silva

10 Pictogramas de prevenção na manipulação de drogas: o caso dos laboratórios do campus da Unesp de Jaboticabal 211 Paulo Antonio Tosta e José Carlos Plácido da Silva

1 Espaços públicos viários: uma abordagem qualitativa 227

Roberto Antônio Gasparini Júnior e João Roberto Gomes de Faria

12 Moradia e mobiliário para profi ssionais autônomos:

diretrizes projetuais 247 Roberta Barban Franceschi e Roberto Alcarria do Nascimento

O Planejamento de Produto é uma das linhas de pesquisa do

Programa de Pós-Graduação em Design (PPGdesign) da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp. Compreende as diversas formas de conhecimento que possibilitam o desenvolvimento de produtos e objetos visuais ou tácteis. Os projetos envolvidos nessa área de conhecimento percorrem toda a vida do produto, desde os problemas de concepção, passando pelos de projeto e de confi guração, pela produção e gestão, até a distribuição. Investigam-se desde os conceitos ou ideias iniciais até as questões de uso e descarte. Discutem-se a confi guração e a representação do produto de design.

O escopo do Planejamento de Produto do design, embora já bastante abrangente, cresce à medida que outras especialidades de projeto são agregadas ao design. A ideia de design enquanto projetos dirigidos quase exclusivamente para a indústria e a consequente produção em série que tem origem na Revolução Industrial têm evoluído e se alterado. Hoje o design adquire novos olhares e novos enfoques a partir de demandas da contemporaneidade, como as do meio ambiente (com o design ecológico ou ecodesign e design de moda), preocupações com o bem-estar da comunidade (com o design social) e com os sentimentos e afetividade (com design emocional e até mesmo o design de serviços). Essas e outras áreas têm em comum a questão do planejamento e do projeto de produtos.

8 MARIZILDA DOS SANTOS MENEZES • LUIS CARLOS PASCHOARELLI

Os textos aqui apresentados representam uma parcela da produção científi ca do PPGdesign que demonstra as muitas possibilidades que o Planejamento de Produto engloba.

Partindo dos novos conceitos que o design adquire, encontramos o design cultural, muitas vezes chamado de design étnico ou design vernacular. Ele trata da produção cultural humana, independentemente da forma de produção (industrial ou manual) ou estágio de avanço tecnológico em que se encontra o grupo étnico que o produz. Neste livro temos dois trabalhos que discutem objetos ligados ao conhecimento tradicional de povos de origem asiática, africana e europeia.

No primeiro caso – Origami: trajetória histórica, técnica e aplicações no design –, temos o resgate do origami, em uma busca das possibilidades de exploração dessa arte milenar japonesa, para utilização na concepção de formas de produtos contemporâneos. No segundo – Design étnico: a identidade sociocultural dos signos –, discute-se a questão da identidade nos projetos de design, fazendo-se um estudo comparativo dos signos de duas culturas tradicionais, akan (africana) e celta (europeia), e análise por meio da Gestalt.

O papel relevante que tem o design na gestão empresarial, em especial nas micro e pequenas empresas (MPEs), é demonstrado em dois exemplos. Em Design para micro e pequena empresa: o desenho como abordagem do projeto, mostra-se o signifi cado do desenho como elemento de gestão, ressaltando-se como o desenvolvimento de projetos contribui efetivamente com o crescimento da produtividade da empresa.

Outro estudo em MPEs enfoca de modo mais direto a incorporação do design às estratégias de gestão e a importância da inovação e controle de qualidade que essa integração proporciona. Nesse capítulo – Gestão de design nas MPEs do vestuário de moda: o caso da região de Londrina –, corrobora-se a ideia de design como um dos fatores preponderantes de gerenciamento da empresa, tendo como estudo de caso duas empresas do ramo de moda.

Prática profi ssional e metodologias projetuais, tônicas nos anos 1980, retornam como objeto de pesquisa em design no século XXI. Sob essa perspectiva, temos como estudo de metodologia projetual

DESIGN E PLANEJAMENTO 9 o capítulo Design e metodologia na indústria de calçados: estudo de caso, que trata das metodologias empregadas nos cursos de design e discute a necessidade de maior integração das metodologias ensinadas na academia e aquelas utilizadas na indústria, tendo em vista a melhor formação dos futuros profi ssionais e pesquisadores de design e proporcionar maior participação do designer no chão de fábrica. Apresenta como estudo de caso a indústria de calçados infantis.

Ainda no campo do design de moda, apresentamos o capítulo O papel do designer de moda no desenvolvimento de produtos: a indústria de confecção de Cianorte/PR, em que o foco passa a ser o agente, e não mais o produto. Analisa-se então como o profi ssional designer atua e qual o seu espaço de atuação na indústria. Essa perspectiva é signifi cativa, uma vez que essa reatroalimentação permite um aprimoramento das relações empresa/escola e contribui para a formação profi ssional.

O design de superfície é uma das especialidades de projeto mais recentemente incorporadas ao design. O capítulo Design de superfície: abordagem projetual geométrica e tridimensional exemplifi ca as questões da relação entre materiais, representação e projeto de design. Discute o design sob o ponto de vista do projeto e da confi guração das formas, fundamentando e interrelacionando formas de abordagens de análise e projeto de superfície.

Também na área de expressão gráfi ca, o capítulo Design gráfi co de pictogramas de prevenção na manipulação de drogas: o caso dos laboratórios do campus da Unesp de Jaboticabal expõe um problema de usabilidade, que é a compreensão dos símbolos gráfi cos das embalagens, que em muitos casos não são claros e podem causar erros no manuseio. O grau de compreensão dos pictogramas e o público-alvo são avaliados, tomando como estudo de caso as embalagens de drogas do laboratório da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal.

A tecnologia tem lugar especial na trajetória do design, constituindo uma relação intrínseca. A produção industrial, desde o último quarto de século X, passou por profundas transformações. A noção de tempo e espaço foi alterada pela facilidade e velocidade da troca

10 MARIZILDA DOS SANTOS MENEZES • LUIS CARLOS PASCHOARELLI de informações, ganhando novos signifi cados em função dos avanços tecnológicos advindos principalmente da informática, com grande impacto na produção do design.

Duas pesquisas realizadas sobre esse tema são mostradas neste volume. Arquitetura de informação: sistemas distribuídos discute a difi culdade de busca na web em função da quantidade cada vez maior de informação ali contida, e propõe procedimentos que o designer pode utilizar para a melhoria da classifi cação do documento digital e simplifi cação da vida do usuário. Ainda com foco na usabilidade, em Design de home pages: a usabilidade na web encontramos uma abordagem diferenciada, na qual o usuário é ator principal. Com o uso da técnica de Card Sorting obtém-se “modelos mentais” concebidos pelos usuários que permitem reorganizar as informações e criar novas taxonomias mais signifi cativas, que contribuam para a produção de páginas dos sites com interfaces gráfi cas mais amigáveis.

Finalizando, temos a relação design/arquitetura. O design tem sua origem na arquitetura, com a qual mantém vínculos inalienáveis. Em Espaços públicos viários: uma abordagem qualitativa são investigadas as relações das condições morfológicas e microclimáticas dos espaços públicos da cidade de Bauru, no intuito de conhecer as infl uências dessas variáveis no comportamento dos usuários.

Já no capítulo Moradia e mobiliário para profi ssionais autônomos: diretrizes projetuais aliam-se questões de cunho sociocultural, tecnológico e arquitetural quando se investiga o impacto das transformações tecnológicas no comportamento dos indivíduos, sob o ponto de vista da moradia e dos limites dos espaços público e privado. O capítulo discute quais alterações ocorrem quando a residência se torna local de trabalho e propõe diretrizes projetuais para uma estação de trabalho residencial, adequando-a às necessidades do usuário.

Concluindo, além de mostrar uma parcela da produção intelectual do Programa de Pós-Graduação em Design da FAAC-Unesp, esta obra pretende refl etir um pouco do que se tem realizado em termos de investigação científi ca em Planejamento de Projeto em design, reunindo trabalhos de pesquisa de diferentes perspectivas. Os olhares diversos permitem vislumbrar novos cenários, com a

DESIGN E PLANEJAMENTO 1 introdução de tecnologias inovadoras, novos materiais, processos e atuação do material humano. Esses e muitos outros fatores devem ser considerados e discutidos quando se ensina, pesquisa e projeta em design, e têm refl exo direto no produto resultante.

1 ORIGAMI: TRAJETÓRIA HISTÓRICA, TÉCNICA E APLICAÇÕES NO DESIGN

Introdução

O origami tradicional, ou dobradura, como nós, brasileiros, a conhecemos, sempre fascinou pelo simples fato de transformar uma folha de papel em algo completamente novo e diferente. Porém, o que sabemos realmente sobre as tradicionais artes em papel? Existe alguma ligação com o design contemporâneo?

Por essas dúvidas é que houve a necessidade de resgatar essas artes e apresentar algumas possibilidades de exploração e utilização como produto, visto que, apesar do desenvolvimento e da difusão da tecnologia digital, computação gráfi ca e internet, o papel ainda é um dos principais suportes para o design. Além disso, sabendo-se mais sobre as características, vantagens e limitações de cada arte em papel, direciona-se melhor um projeto que envolva seus princípios, tornado-se, assim, um importante instrumento de comunicação visual.

1 Mestre em Design, Instituto de Ensino Superior de Bauru. 2 Doutor em Educação, Universidade Estadual Paulista.

14 MARIZILDA DOS SANTOS MENEZES • LUIS CARLOS PASCHOARELLI

Origami, kirigami e origami arquitetônico Origami

Origami é a tradicional arte japonesa de confeccionar fi guras por meio de dobras (fi gura 1). O nome origami surgiu pela fusão do verbo oru (dobrar) e a palavra kami (papel), mas antigamente chamava-se origata (forma dobrada).

Figura 1. Vaso e tulipa feitos com origami.

A origem do origami é desconhecida, mas acredita-se que tenha começado na China, assim que o papel foi inventado, e tenha sido levado juntamente com ele para o Japão. Todavia, Honda (1969) afi rma que mesmo com a difusão do papel pelo Japão, seu preço não era tão acessível para que as pessoas pudessem utilizá-lo como passatempo, sendo, assim, cuidadosamente empregado em ocasiões cerimoniais. Dessa maneira, o origami tinha alto valor, e suas técnicas eram rígidas, ensinadas apenas por especialistas. Talvez as

DESIGN E PLANEJAMENTO 15 formas mais antigas de origami tenham sido objetos de decoração em cerimônias religiosas, porque a palavra kami em japonês pode ter dois signifi cados, “papel” e “deus” ou “espírito”, embora sejam representados por dois ideogramas (kanji) diferentes.

Kirigami

O kirigami também é um artesanato de papel, mas nesse caso, corta-se o material a fi m de dar a ele uma forma, resultando em uma folha plana com partes vazadas. Vem da fusão da palavra kiru (cortar) e kami (papel). Segundo Shinzato (1998), sua origem é atribuída à China e tem três denominações:

Senshi – é utilizada apenas a tesoura, e a forma fi nal deriva do corte de uma alegoria ou fi gura dobrada sequencialmente (fi gura 2).

Sanshi – o papel é recortado manualmente e é usada especialmente por crianças como passatempo, como as conhecidas sanfonas de bonecos de papel (fi gura 3).

Kokushi – as formas das fi guras são mais complexas e defi nidas, pois são utilizadas lâminas afi adas de estiletes, formando imagens positivas e negativas (fi gura 4).

Figura 2. Exemplo de kirigami senshi.

16 MARIZILDA DOS SANTOS MENEZES • LUIS CARLOS PASCHOARELLI

Figura 3. Exemplo de kirigami sanshi.

Figura 4. Exemplo de kirigami kokushi.

Origami arquitetônico

No origami arquitetônico, outro artesanato tradicional em papel, ocorre a fusão das dobras do origami com o corte sistemático do kirigami, ocorrendo a transformação de imagens bidimensionais em tridimensionais, obtendo-se fi guras que parecem “saltar do papel”, dando a sensação visual de “edifi cação”. Para tanto, é necessário desenvolvimento técnico e processual na elaboração do origami arquitetônico, passando por etapas de planifi cação e detalhamento, essenciais para a defi nição de interatividade e complexidade de cada peça.

DESIGN E PLANEJAMENTO 17

O origami arquitetônico também é conhecido como origamic architecture, pop-up architecture, 3D cards ou kirigami tridimensional, e originou-se no período Edo japonês (1603-1868) com as lanternas de papel (okoshi-e) feitas para iluminar as casas de chá, das quais derivaram nossas lanternas de festa junina.

Essa arte, antes de ser aplicada em formas sofi sticadas, resultando em verdadeiras esculturas em papel, era empregada na produção artesanal de cartões a fi m de comemorar uma data ou evento ou ainda como saudação de alguém especial.

(Parte 1 de 5)

Comentários