Variação diatópica

Variação diatópica

Variação diatópica

Homem 1 - Opa meu querido tudo bem?

Homem 2 - Tudo tranqüilo!

Homem 1 – Que milagre ver você aqui na feira rapaz.

Homem 2 – Sabe como é? Solteiro, sem ninguém pra ajudar em casa, tem que vir né?

Homem 1 – Aquele camarada ali é novo, mas disseram que ele vende tudo no capricho e barato, vamos lá?

Homem 2 – oxe , só se for agora!

Homem 1 – Oi meu amigo, boa tarde?

Homem 3 – Boa tarrrde! ( falando carregado com o “r”)

Homem 1 – Já vi que não é daqui... Cidadão tem Jerimum?

Homem 2 – Não.

Homem 1 – Tem macaxeira?

Homem 2 – Também não.

Homem 1 – Tem laranja cravo?

Homem 3 – Também não!

Homem 2 – Meu amigo! Como é que faço agora, você não vende nada! Ou pelo menos não quer vender!

Homem 1 -  Calma relaxa, o cara não entendeu direito, vamos ficar calmos certo? Desculpa awe irmão, relaxa, vamos fazer assim: Vamos pesquisar e comprar em outro lugar, que tal esquecer isso, e chupar Dedé.

Homem 2 – Chupar quem?

Homem 1 – Chupar Dedé, Tu nunca chupou Dedé?

Homem 2 – Você tá tirando onda com minha cara?

Homem 1 – Não pow, num sei, de repente se você desse uma chupada no Dedé...

Homem 2 – Perai! Você tá confundindo as coisas!

Homem 2 – Não , não! Amigo... É... qual o seu nome?

Homem 3 – É Carlos André, mas pode me chamar de Dedé.

Homem 1 – Que isso pow?!

Homem 2 – Perai que agora lascou tudo!

Homem 3 – Vocês vão chupar ou não?

Homem  2 – Não pera awe! Não é isso!

Homem 1 – Falta de consideração pow!

Homem 2 – Calma eu iria perguntar ao amigo aqui, se ele sabe onde tem Dedé!

Homem 3 – Olha eu aqui, serve não?

Homem 4 – Que confusão é essa posso saber?

Homem 1 – É ele pow, mandou eu chupar Dedé...pra começar eu nem conheço esse cabra!

Homem 3 – Cabra, mas não era homem que vocês estavam falando?!

Homem 2 – Ai meu pai do céu!

Homem 4 – Ah já tou entendendo o que ta acontecendo aqui!

Todos -  O que?

Homem 4 – Vocês estão sendo vitimas da Variação Diatópica ou Variação Regional!

Todos – Como?

Homem 4 – Variação Diatópica ou regional, é  uma diversidade linguística regional ou geográfica, apresentadas por pessoas de diferentes regiões que falam a mesma língua. As variações diatópicas são responsáveis pelos regionalismos ou falares locais. Esses falares representam os costumes e a cultura de cada região.

Homem 1 – Isso explica muita coisa!

Homem 4 – Por exemplo, se eu falo que o amigo quer chupar Dedé, nós aqui não entenderíamos, já que nosso amigo aqui é o do Rio Grande do Norte, mas se eu falar Dudu, todos iram entender.

Homem 3 – Eu ainda não entendi.

Homem 4 – Bem, você é do interior de  São Paulo deve conhecer como sacolé, né verdade?!

Homem 3 – Eita é mesmo! Mas ainda não compreendi o seguinte, eles me pediram: Macaxeira, Jerimum e Laranja Cravo?!

Homem 4 – Na verdade você entenderia melhor, se falassem: Aipim Abobora e mexerica.

Homem 3 – Certo, e esse tal de Cabra?

Homem 4 – Bem no nordeste, principalmente aqui  em Pernambuco, Cabra é uma variação que nasceu através da expressão “Cabra da Peste”, que pode ter sentido pejorativo ou qualificativo.

A algum tempo atrás o homem que se alimentada do forte leite da Cabra, lhe trazia forças para enfrentar doenças e “pestes’’dai o nome. Há também outra versão que diz que os portugueses deram o apelido de Cabras aos índios, pelo costume de mastigar Bétel, uma planta com folhas de mascar.

Homem 2 – Nossa muito interessante, quer dizer que isso pode variar de estado para estado?

Homem 4 – Exatamente.

Homem 1 – Portanto os publicitários têm que ter muito cuidado com isso, pode se tornar uma ferramenta muito boa, porém se mal utilizada pode levar a algum entendimento muito diferente, do real, e até o fracasso da campanha.

Homem 2 – Verdade.

Homem 3 – Agora ninguém ira se confundir mais certo?

Homem 2 – “Certo” Sei não...esse jeito dele de falar me tira do sério.

Homem 4 – Isso é mais um exemplo de variação diatópica, o sotaque. Na região onde ele nasceu se fala com o “r” carregado : Porta, parto, participação, particular e etc.

Homem 3 – Já aqui em Pernambuco engolimos sempre as ultimas letras do gerúndio: Fazeno, brincano, quereno e por ai vai.

Homem 4 -  Vale salientar que tudo isso foi devido ao processo de colonização e entre outros fatores que nosso país foi submetido, apesar das confusões, isso garante um vocabulário rico de palavras e significados.

Homem 2 – Então eu gostaria de desculpar o “mano” aqui, né isso? E chamar para tomar uma cachaça conosco, depois fazemos as compras.

Homem 3 – Aceito, mas depende.

Todos – De que?

Homem 3 – Se vamos tomar uma caninha, meiota, branquinha, lapada...

Homem 2 – Aguardente.

Homem 1 – Cana.

Homem 4 – Marvada, enfim vamos confraternizar meus amigos.

Homem 3 – Perai.

Todos – O que foi?

Homem 4 – agora sim! ( vira a placa de aberto para fechado e sai).

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