cadernos humanizasus atencao hospitalar

cadernos humanizasus atencao hospitalar

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Cadernos HumanizaSUS 1

Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas

Brasília - DF 2011

Série B. Textos Básicos de Saúde

Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas.

Atenção hospitalar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas.

– Brasília: Ministério da Saúde, 2011. 268 p., il. – (Série B. Textos Básicos de Saúde) (Cadernos HumanizaSUS ; v. 3)

ISBN 978-85-334-1760-1

1. Humanização do atendimento. 2. Formação profissional em saúde. 3. Gestão do trabalho e da educação em saúde. I. Título. I. Série.

Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2011/0017

CDU 614.39:658

Títulos para indexação: Em inglês: Hospital care Em espanhol: Atención hospitalaria

Apresentação5
1 Atenção hospitalar em rede9

Sumário

Saúde17
3 Pistas metodológicas para se avançar na humanização dos hospitais no Brasil29

2 Dimensão de planificação da Política de Humanização na Atenção e Gestão em

humanização hospitalar51
5 Considerações sobre o processo de humanização no H.U. de Dourados – MS63
6 Apelo à humanização da morte nas práticas de saúde81

4 Clínicaampliada e acolhimento: desafios e articulações em construção para a

trabalho pelo SUS9
8 Visita aberta e direito a acompanhante: garantia de acesso, de inclusão e de cidadania121

7 O processo de gestão participativa no Hospital Giselda Trigueiro: sentimentocoletivo de

João Pessoa/Paraíba129

9 O reencantamento do concreto e as apostas nas mudanças nos modelos de atenção e de gestão do SUS: o caso da maternidade do Instituto Hospitalar General Edson Ramalho –

integralidade na saúde da mulher143

10 Práticas cuidadoras como orientação da atenção à saúde: uma prática à teoria em

de um hospital universitário163
12 Projeto Conhecendo Quem Faz175
13 Acolhimento com classificação de risco: dois momentos de reflexão em torno das cores181

1 Construção de uma metodologia de acompanhamento do cuidado na emergência

universitário de grande porte no município de São Paulo211

14 Implantação do Acolhimento com Classificação de Risco (ACCR) em um hospital

informais no Hospital Geral de Pirajussara227

15 Cuidando dos Cuidadores – um programa multidisciplinar de acolhimento dos cuidadores

pré-operatória: relato de experiência235

16 A contação de história como estratégia de acolhimento na orientação

Eliane Teixeira Leite de Almeida Erasmo Ruiz Erika Dittz Fabiana Almeida Dantas Gislene de Oliveira Nogueira Guilherme Cândido Costa Gustavo Nunes Jackeline Pillon José Luiz do A. C. Araújo Jr. Júlia Cristina do Amaral Horta Júlia Florêncio Carvalho Ramos Karla Larica Kelly Leonel Medeiros Lélia Maria Madeira Lidiane Pereira Raposo Maira Barros Hasemi Magalhães Mara Xavier Melnik Mariluci Hautsch Willig Milena Maria Costa Martins Patricia Andreia Lima Maciel Priscila Bagio Maria Regina Célia Tanaka Nunes Ricardo Luiz Vilela de Castro Rosane Maria dos Santos Serafim Barbosa Santos Filho Sheylla Maria Moura Rodrigues Shirley Monteiro de Melo Tenile Guimarães Aguiar Teresa da Costa Freire Thiago Feitosa Vera Cristina Augusta Marques Vera Lúcia Patrezze Verônica Duarte Processi Yara Cristina Neves Marques Barbosa Ribeiro Yumi Kaneko

Elaboração, distribuição e informações:

MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas - Política Nacional de Humanização Endereço: SAF Sul, trecho 2, bloco F, 1º andar, sala 102, Ed. Premium, torre I. CEP: 70070-600, Brasília – DF Tel.: (61) 3306-8130 Fax: (61) 3306-8131 E-mail: humanizasus@saude.gov.br Home pages: w.saude.gov.br/ humanizasus w.redehumanizasus.net

Organização: Clara Sette Whitaker

Colaboradores: Aide Mitie Kudo Amanda Almeida Mudjalieb Amanda Ornelas Carvalho Ana Maria da Silva Annatália Gomes Antonio Carlos Vazquez Vazquez Bernadete Perez Coelho Cacilda Geraldo dos Santos Caria Paranhos Carine Bianca Ferreira Clara Sette Whitaker Cláudia E. Abbês Baêta Neves Cristina Amélia Luzio Dário Frederico Pasche

Reportagens: Bruno Aragão

Projeto gráfico e diagramação: Roosevelt Ribeiro Teixeira

Editora MS Documentação e Informação SIA, trecho 4, lotes 540/610 CEP: 71200-040, Brasília – DF Tels.: (61) 3233-1774 / 2020 Fax: (61) 3233-9558 E-mail: editora.ms@saude.gov.br Home page: http://www.saude.gov.br/ editora

Normalização: Amanda Soares

Júlio Maria Cerqueira

Revisão: Mara Pamplona

© 2011 Ministério da Saúde. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da área técnica. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br/bvs

Cadernos HumanizaSUS v. 3 Tiragem: 1ª edição – 2011 – 1.0 exemplares

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Cadernos HumanizaSUS

São Paulo: da teoria à prática245
18a Mário Gatti: quando bons encontros produzem mais e melhor saúde251
18b No HU de Dourados, todo dia é dia de índio257

Apresentação17 A humanização no Conjunto Hospitalar do Mandaqui da Secretaria de Estado da Saúde de 18c Protagonismo desde o berço....................................................................................................................261

Cadernos HumanizaSUSCadernos HumanizaSUS

Apresentação

A Política de Humanização (PNH) do Ministério da Saúde nunca pretendeu inventar a roda. Ao contrário, parte das boas experiências do SUS, identifica seus princípios, seus arranjos, seus modos de funcionamento, e propõe diretrizes, dispositivos, ferramentas, para incentivar sua multiplicação.

É nesse contexto que a PNH publica este Caderno. Ele contém reflexões acerca da humanização nos hospitais, artigos analíticos sobre experiências com diretrizes e dispositivos da PNH, relatos e reportagens sobre iniciativas de humanização que dão certo. Humanização aqui entendida como resultado da atuação sobre os processos de trabalho no cotidiano dos serviços hospitalares, no sentido de melhorar a qualidade da assistência prestada e a satisfação do usuário e do trabalhador.

O caderno se inicia mostrando-nos o contexto da atenção hospitalar no Brasil, e seu papel no sistema de saúde hoje, que se quer estruturar em rede. A seguir, o artigo sobre PNH e Planificação traz a importância da dimensão do planejamento e da avaliação, propondo auxiliar-nos na tarefa – muitas vezes deixada em segundo plano – de colocar em evidência a capacidade transformadora das nossas intervenções.

Os artigos seguintes nos permitem refletir sobre os novos paradigmas da humanização nos hospitais, e sobre duas importantes diretrizes da PNH, o acolhimento e a clínica ampliada. Mostram em que medida todos os dispositivos propostos se articulam entre si, e com outras iniciativas, para que sejam de fato desencadeadores de transformações das realidades dos hospitais.

A reflexão sobre a “boa morte” nos leva a pensar em novas atitudes para lidar com a morte e o morrer, tão presentes no cotidiano dos serviços hospitalares.

As experiências, vindas de Norte a Sul e de Leste a Oeste do Brasil, abordam diversos dispositivos da PNH e as mudanças que permitiram desencadear. A gestão participativa, a visita aberta e o direito ao acompanhante; mudanças nas maternidades e nos serviços de emergência; acolhimento à família cuidadora, acolhimento às crianças e o trabalho multidisciplinar são exemplos de iniciativas que, embora de amplitudes diferentes, têm grande potência para melhorar os serviços e o sistema de saúde.

tornar os serviços sempre melhores para todos

Esperamos que estas reflexões e experiências, escolhidas em meio a tantas outras que estão acontecendo pelo Brasil afora, contribuam com ideias e ferramentas para os trabalhadores dos hospitais, ao mostrar que é possível mudar, sim, e que isso só depende de nós. Somente incentivando os primeiros passos e valorizando os pequenos avanços é que conseguiremos

Política Nacional de Humanização Ministério da Saúde

Cadernos HumanizaSUSCadernos HumanizaSUS

Atenção hospitalar em rede

Karla Larica Wanderley1

Cadernos HumanizaSUSCadernos HumanizaSUS do Departamento de Atenção Especializada/ SAS/MS e Coordenção Geral de Atenção hospitalar. karlalaricaw@gmail.com possam ser, de fato, estruturantes e coerentes para a garantia e ampliação do acesso à população usuária dos serviços do SUS.

O debate atual sobre a situação da Atenção Hospitalar no Brasil está marcado pela percepção de algumas dificuldades que possuem várias dimensões conjunturais e que interagem entre si. Coexistem aspectos estreitamente vinculados aos fatores financeiros, assistenciais, organizacionais, políticos e sociais, além de outros que direta ou indiretamente interferem no setor, como por exemplo, o ensino e a pesquisa.

Há muito se diz sobre a necessidade de se implementar políticas específicas para o setor hospitalar brasileiro que induzam a uma reestruturação capaz de responder às efetivas necessidades de saúde da população de forma integrada à rede de serviços de saúde local e regional. A Atenção Hospitalar tem sido, ao longo de décadas, um dos principais temas de debate acerca da assistência no Sistema Único de Saúde. É indiscutível a importância dos hospitais na organização da rede de saúde, seja pelo tipo de serviços ofertados e sua grande concentração de serviços de média e alta complexidade, seja pelo considerável volume de recursos consumido por esse nível de atenção.

Segundo a OMS, o conceito de hospital é aplicado para todos os estabelecimentos com pelo menos cinco leitos para a internação de pacientes que garantam um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos.

Na prática, estas instituições agregam uma série de funções que as caracterizam como as organizações mais complexas do setor Saúde. Suas funções têm atravessado um período de rápidas mudanças que envolvem questões sociais, emprego, ensino e pesquisa, assistenciais e de apoio aos serviços de saúde.

Hoje, o Brasil conta com uma rede de serviços hospitalares construídos e legitimados historicamente, detentora de uma realidade concreta sendo operacionalizada dentro de um novo cenário sanitário e com diretrizes gerais que apontam para a busca de uma maior inserção na rede de serviços de saúde. São mais de 7,5 mil instituições que produzem mais de 1 milhões de internações por ano, segundo dados do DATASUS/MS (ano base 2008).

Assim, ao se discutir a necessidade de (re)construção de um novo papel dos hospitais brasileiros dentro da rede de serviços do SUS é preciso apreender sua historicidade, seus determinantes, os valores e atores envolvidos, com vistas à elaboração de propostas que

Em cada uma dessas dimensões é possível destacar variáveis que contribuem para tornar a situação hospitalar extremamente complexa e desafiadora. Na dimensão Financeira, destacam-se os aspectos relacionados com as opções em termos de mecanismos de custeio das unidades, bem como aspectos relacionados com a geração de investimentos necessários para a construção, ampliação e reforma das unidades existentes. Na dimensão Política, pode-se destacar a opção por uma dada direcionalidade, seja por privilegiar o modelo hospitalocêntrico como proposta hegemônica para a sociedade, seja inversamente, para fortalecer a atenção primária como vem sendo denominada no Brasil, aí incluídas as ações de promoção da saúde, prevenção de riscos e agravos e a assistência, essa última redefinida a partir da ênfase na assistência ambulatorial, em busca de maior cobertura, efetividade e satisfação da população. Do ponto de vista político-gerencial essa dimensão inclui o estabelecimento de mecanismos de regulação do sistema hospitalar o qual contribui para a dimensão Organizacional que trata de definir o lugar ocupado pelo hospital no conjunto da rede de serviços, tema que tem sido objeto de amplo debate internacional, em torno das alternativas de construção de redes assistenciais voltadas à prestação de serviços específicos, como é o caso das redes de serviços de urgência e emergência, as

Figura 1 – Dimensões da área hospitalar

Ensino e Pesquisa

FinanceiraPolítica

Assistencial Organizacional

Social

Cadernos HumanizaSUSCadernos HumanizaSUS

UTIs, os serviços de atenção ao parto e à gestação de alto risco, os serviços de assistência oncológica, etc. A questão que se coloca é se a organização dessas redes leva ou não em conta o princípio da integralidade, que preconiza a implantação e articulação de serviços em vários níveis de complexidade, orientando, portanto, a constituição de sistemas de referência e contrarreferência de informações e pessoas, usuários, em algum momento, das diversas redes assistenciais.

Na dimensão propriamente Assistencial pode-se enfatizar o modo de organização tecnológica do trabalho desenvolvido no âmbito hospitalar à saúde, o que põe em questão o modelo clínico e seus desdobramentos na moderna medicina tecnológica, espaço de fragmentação do objeto de trabalho (doença e doentes) e divisão técnica do trabalho médico em especialidades e subespecialidades. O desafio é resgatar a integralidade do cuidado ao indivíduo, promovendo a rearticulação do trabalho parcelado, ao tempo em que se promove a humanização do cuidado, em verdade uma requalificação das relações entre equipe de saúde e usuários do sistema, com base em valores como respeito às singularidades e defesa dos direitos dos usuários.

A dimensão do Ensino, por sua vez, aparece nos hospitais que se constituem em espaço de ensino-aprendizagem das diversas profissões de saúde, tendendo a reproduzir um modelo médico-assistencial hegemônico, com todos os seus corolários em termos da divisão técnica do processo de trabalho, fragmentação dos objetos e dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos, emoldurados pela perda da qualidade na relação dos profissionais de saúde com os pacientes. Nessa dimensão situa-se o enorme desafio de mudança na formação do pessoal de saúde, que vem sendo problematizado de diversas formas, desde o debate sobre as reformas curriculares até a introdução de inovações pedagógicas no processo de ensino-aprendizagem.

Tudo isso tem implicações, evidentemente, na dimensão Social, na medida em que a população usuária da atenção hospitalar sofre os efeitos das políticas e dos processos referidos acima, quer se evidenciem na dificuldade de acesso a determinados serviços, quer na baixa qualidade da assistência hospitalar ou mesmo na falta de atenção a que são sujeitados, o que contribui para a insatisfação e elevação das pressões sociais e políticas por mudança, ainda que grande parte da população desconheça as alternativas que vêm sendo discutidas no âmbito dos serviços e da academia.

A formulação e implementação de políticas e estratégias de reforma da atenção hospitalar no SUS são, sem dúvida, um dos maiores, senão o maior desafio da atual gestão ministerial. Assim, é impossível pensar a problemática hospitalar de forma isolada, sendo necessário projetar as decisões a serem adotadas e as políticas que se pretenda formular, no cenário mais amplo de um sistema de saúde complexo e submetido a um conjunto de variáveis. A propósito, a literatura internacional tem privilegiado a temática da integração de sistemas de saúde como um dos grandes desafios contemporâneos, e a redefinição do papel do hospital é parte importante nesse processo.

O entendimento deste contexto sob a ótica da proposta de gestão impõe um (re) ordenamento e uma redefinição de ações para a atenção hospitalar no Brasil, tendo como princípios básicos a busca contínua da maior eficiência; a participação ampla de todos os interessados, inclusive usuários; e a total transparência na condução dos trabalhos e tomadas de decisão.

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