doenças ocupacionais 1

doenças ocupacionais 1

DOENÇAS OCUPACIONAIS

  • Profª Drª Rita Wetler Tonini

DOENÇA OCUPACIONAL

  • É a designação de várias doenças que causam alterações na saúde do trabalhador, provocadas por fatores relacionados com o ambiente de trabalho.

  • A doença ocupacional está diretamente ligada à modificação na saúde do trabalhador por causa da atividade desempenhada por ele ou da condição de trabalho às quais ele está submetido.

  • Uma doença ocupacional é adquirida quando um trabalhador é exposto em excesso a riscos sem nenhuma proteção compatível.

FATORES DE RISCO NO AMBIENTE LABORAL

  • FÍSICOS

  • QUÍMICOS

  • BIOLÓGICOS

  • ERGONÔMICOS E PSICOSSOCIAIS

  • MECÂNICOS E DE ACIDENTES

  • A eliminação desses fatores reduz a incidência ou modifica o curso evolutivo da doença ou agravo à saúde.

PREVENÇÃO DAS DOENÇAS OCUPACIONAIS

  • reconhecimento prévio das atividades e locais de trabalho onde existam substâncias químicas, agentes físicos e/ou biológicos e fatores de risco, decorrentes da organização do trabalho, potencialmente causadores de doença;

  • identificação dos problemas ou danos potenciais para a saúde, decorrentes da exposição aos fatores de risco identificados;

  • proposição das medidas a serem adotadas para eliminação ou controle da exposição aos fatores de risco e proteção dos trabalhadores;

  • educação e informação aos trabalhadores e empregadores.

DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO

  • Exposição ocupacional e ambiental a substâncias químicas, agentes físicos e outros fatores, decorrentes da organização do trabalho - Episódios isolados ou epidêmicos de doença nos trabalhadores.

SINTOMAS

  • SINTOMAS

  • distúrbios da consciência e da atenção;

  • afasia ou distúrbios da comunicação;

  • estado mental e anormalidades das funções de integração;

  • distúrbios emocionais ou comportamentais;

  • tipos especiais de preocupação ou obsessão;

  • anormalidades sensoriais ou motoras importantes;

  • distúrbios dos movimentos;

  • distúrbios neurológicos episódicos;

  • distúrbios do sono

  • EXEMPLOS DE DOENÇAS E AGENTES CAUSAIS

  • Ataxia e tremores semelhantes aos observados em doenças degenerativas do cerebelo (ataxia de Friedreich) – exposição ocupacional ao tolueno, mercúrio e acrilamida.

  • Lesões medulares, semelhantes às que ocorrem na neurossífilis, na deficiência de vitamina B12 e na esclerose múltipla - intoxicação pelo triorto-cresilfosfato.

  • Manifestações de espasticidade, impotência e retenção urinária, associadas à esclerose múltipla - intoxicação pela dietilaminoproprionitrila.

  • Doença de Parkinson secundária - um distúrbio de postura, com rigidez e tremor - exposição ao monóxido de carbono, ao dissulfeto de carbono e ao dióxido de manganês.

  • Manifestações de compressão nervosa, como na síndrome do túnel do carpo - uso de determinadas ferramentas e posturas adotadas pelo trabalhador no desempenho de suas atividades.

TRATAMENTO

  • TRATAMENTO

  • Não têm tratamento específico. Porém, alguns procedimentos devem ser adotados:

    • afastamento da exposição, nos casos em que a permanência na atividade possa contribuir para o agravamento do quadro;
    • suporte de ordem geral para alívio da sintomatologia e melhoria da qualidade de vida do paciente.

PREVENÇÃO

  • PREVENÇÃO

  • substituição do agente por outros mais seguros, menos tóxicos ou lesivos;

  • isolamento do agente ou substância por enclausuramento, suprimindo ou reduzindo a exposição;

  • diminuição do tempo de exposição e do número de trabalhadores expostos;

  • classificação e rotulagem das substâncias químicas;

  • informação e comunicação dos riscos aos trabalhadores;

  • EPI e EPC adequados;

  • facilidades para a higiene pessoal adequada (banheiros, pias, vestuário);

  • Adequação do ambiente - Ex.: sistemas de ventilação e exaustão, manutenção de máquinas/equipamentos e monitoramento sistemático dos agentes agressores;

  • medidas de controle médico e monitoramento biológico dos trabalhadores expostos.

DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO

  • A poluição do ar nos ambientes de trabalho associa-se a uma extensa gama de doenças do trato respiratório que acometem desde o nariz até o espaço pleural.

  • Entre os fatores que influenciam os efeitos da exposição a esses agentes estão:

    • propriedades químicas e físicas dos gases e aerossóis
    • características próprias do indivíduo - herança genética, doenças preexistentes e hábitos de vida, como tabagismo.

SINTOMAS

  • SINTOMAS

  • Dispnéia

  • Tosse

  • Sibilância

  • Produção de escarro

  • Hemoptise

  • EXEMPLOS DE DOENÇAS E AGENTES CAUSAIS

  • Faringite aguda não-especificada

  • Laringotraqueíte aguda e crônica

  • Rinites alérgicas e crônicas

  • Sinusite crônica

  • Ulceração ou necrose e perfuração do septo nasal

  • Doenças pulmonares obstrutivas crônicas (inclui asma obstrutiva, bronquite crônica, bronquite asmática, bronquite obstrutiva crônica)

  • Asma

  • Pneumoconioses (carvão, asbesto, sílica, outras poeiras inorgânicas, poeiras orgânicas

  • Afecções respiratórias devidas à inalação de produtos químicos, gases, fumaças e vapores - bronquite e pneumonite (bronquite química aguda)

    • Causas: biológicas, químicas e físicas.

TRATAMENTO

  • TRATAMENTO

  • Alguns procedimentos gerais devem ser adotados:

    • afastamento da exposição, nos casos em que a permanência na atividade possa contribuir para o agravamento do quadro;
    • suporte de ordem geral para alívio da sintomatologia e melhoria da qualidade de vida do paciente.
    • Deve ser adequado a cada caso: antibióticos, antimicóticos, repouso, vasoconstrictores, anti-histamínicos, expectorantes, etc.

PREVENÇÃO

  • PREVENÇÃO

  • substituição do agente por outros mais seguros, menos tóxicos ou lesivos;

  • isolamento do agente ou substância por enclausuramento, suprimindo ou reduzindo a exposição;

  • diminuição do tempo de exposição e do número de trabalhadores expostos;

  • classificação e rotulagem das substâncias químicas;

  • informação e comunicação dos riscos aos trabalhadores;

  • EPI e EPC adequados;

  • facilidades para a higiene pessoal adequada (banheiros, pias, vestuário);

  • Adequação do ambiente - Ex.: sistemas de ventilação e exaustão, manutenção de máquinas/equipamentos e monitoramento sistemático dos agentes agressores;

  • medidas de controle médico e monitoramento biológico dos trabalhadores expostos.

DOENÇAS DO SISTEMA CIRCULATÓRIO

  • Crescente valorização dos fatores pessoais - sedentarismo, tabagismo e dieta – nas doenças cardiovasculares

  • Pouca atenção aos fatores de risco presentes na atividade ocupacional atual ou anterior dos pacientes.

  • Relações entre infarto agudo do miocárdio, doença coronariana crônica e hipertensão arterial com situações de estresse e a condição de desemprego, entre outras.

  • Mortalidade e são causas freqüentes de morbidade, representando a principal causa de gastos em assistência médica (16,2% do total)

SINTOMAS

  • SINTOMAS

  • Taquicardia ou bradicardia

  • Arritmia

  • Edema dos membros inferiores

  • Dormência nas extremidades

  • Dor e/ou desconforto no peito/ombro esquerdo

  • EXEMPLOS DE DOENÇAS E AGENTES CAUSAIS

  • Hipertensão arterial / Doença renal hipertensiva

  • Angina pectoris

  • Infarto agudo do miocárdio

  • Doença cardiopulmonar crônica

  • Parada cardíaca

  • Arritmias cardíacas

  • Aterosclerose

    • Causas: Estresse; ruídos, poeira de sílica; eletrocussão; monóxido de carbono; arsina; chumbo;mercúrio; clorofórmio; cloreto de metileno; tetracloroetileno; tricloroetileno

TRATAMENTO

  • TRATAMENTO

  • afastamento da exposição, nos casos em que a permanência na atividade possa contribuir para o agravamento do quadro;

  • suporte de ordem geral para alívio da sintomatologia e melhoria da qualidade de vida do paciente.

  • Mudança nos hábitos, dieta especial e atividade física regular

  • Medicamentos: Diuréticos, anti-hipertensivos, antiarrítmicos, anticoagulantes

  • Cirurgia

PREVENÇÃO (Fatores Psicossociais)

  • PREVENÇÃO (Fatores Psicossociais)

  • adoção de um estilo de vida mais saudável;

  • controle dos fatores geradores de estresse e de sobrecarga psicofisiológica;

  • propiciar maior autonomia aos trabalhadores sobre as formas de trabalhar;

  • diminuir as pressões de ritmo e exigências de produtividade - introdução de pausas em ambientes adequados;

  • rodízio e enriquecimento das tarefas nos trabalhos monótonos, isolados e repetitivos;

  • reduzir e/ou adequar os esquemas de trabalho e turno;

  • aumentar a participação dos trabalhadores nos processos de decisão e gestão;

  • melhorar as relações interpessoais de trabalho, substituindo a competição pela cooperação.

PREVENÇÃO (Fatores Técnicos)

  • PREVENÇÃO (Fatores Técnicos)

  • substituição do agente por outros mais seguros, menos tóxicos ou lesivos;

  • isolamento do agente ou substância por enclausuramento, suprimindo ou reduzindo a exposição;

  • diminuição do tempo de exposição e do número de trabalhadores expostos;

  • classificação e rotulagem das substâncias químicas;

  • informação e comunicação dos riscos aos trabalhadores;

  • EPI e EPC adequados;

  • facilidades para a higiene pessoal adequada (banheiros, pias, vestuário);

  • Adequação do ambiente - Ex.: sistemas de ventilação e exaustão, manutenção de máquinas/equipamentos e monitoramento sistemático dos agentes agressores;

  • medidas de controle médico e monitoramento biológico dos trabalhadores expostos.

DOENÇAS DO SISTEMA DIGESTÓRIO

  • As doenças do aparelho digestório relacionadas, ou não, ao trabalho estão entre as causas mais frequentes de absenteísmo e de limitação para as atividades sociais e ocupacionais.

  • Isso exige dos profissionais que prestam assistência ao trabalhador o preparo para identificar a contribuição do trabalho na sua determinação e/ou agravamento de condições preexistentes.

  • O sistema digestório é uma das portas de entrada dos agentes tóxicos no organismo e, apesar de menos vulnerável do que o trato respiratório, tem papel essencial no metabolismo e excreção da substância tóxica, independentemente de sua via de penetração

SINTOMAS

  • SINTOMAS

  • Diarréias

  • Náuseas

  • Vômitos

  • Dores abdominais

  • Azia persistente

  • Hematêmese

  • Lesões na boca (língua, gengivas, palato)

  • Icterícia

  • Alteração na coloração dos dentes

  • Dor de dente

EXEMPLOS DE DOENÇAS E AGENTES CAUSAIS

  • EXEMPLOS DE DOENÇAS E AGENTES CAUSAIS

  • Erosão dentária

  • Alterações pós-eruptivas da cor dos tecidos duros dos dentes

  • Gengivite crônica

  • Estomatite ulcerativa crônica

  • Gastroenterite e colite tóxicas

  • Cólica do chumbo

  • Doença tóxica do fígado/Necrose Hepática/Hepatite Aguda/Hepatite Crônica Persistente/ Cirrose

  • Hipertensão portal

    • Causas: agentes físicos (radiações ionizantes), químicos (PCB, solventes orgânicos, mercúrio, cobre, chumbo, cádmio, arsênio, bromo), biológicos (vírus, bactérias, fungos, parasitas), estresse, trabalho em turnos, fadiga, posturas forçadas, horários e condições inadequadas para alimentação.

TRATAMENTO

  • TRATAMENTO

  • afastamento da exposição,

  • repouso no leito;

  • hidratação vigorosa;

  • Tratamentos odontológicos

  • Lavagem gástrica

  • Medicamentos: analgésicos; antibióticos, diuréticos, quelantes

PREVENÇÃO (Fatores Psicossociais)

  • PREVENÇÃO (Fatores Psicossociais)

  • controle dos fatores geradores de estresse e de sobrecarga psicofisiológica;

  • diminuir as pressões de ritmo e exigências de produtividade - introdução de pausas em ambientes adequados;

  • reduzir e/ou adequar os esquemas de trabalho e turno;

  • melhorar as relações interpessoais de trabalho, substituindo a competição pela cooperação.

PREVENÇÃO

  • PREVENÇÃO

  • substituição do agente por outros mais seguros, menos tóxicos ou lesivos;

  • isolamento do agente ou substância por enclausuramento, suprimindo ou reduzindo a exposição;

  • diminuição do tempo de exposição e do número de trabalhadores expostos;

  • classificação e rotulagem das substâncias químicas;

  • informação e comunicação dos riscos aos trabalhadores;

  • EPI e EPC adequados;

  • facilidades para a higiene pessoal adequada (banheiros, pias, vestuário);

  • Adequação do ambiente - Ex.: sistemas de ventilação e exaustão, manutenção de máquinas/equipamentos e monitoramento sistemático dos agentes agressores;

  • medidas de controle médico e monitoramento biológico dos trabalhadores expostos.

DOENÇAS DO SISTEMA GENITURINÁRIO

  • Condições de trabalho têm demonstrado ser responsáveis por causar ou agravar doenças renais ou do trato urinário.

  • Importância do controle e monitoramento dos fatores de risco de lesão no sistema geniturinário:

    • Evitar sofrimento, comprometimento da qualidade de vida, morte do trabalhador

SINTOMAS

  • SINTOMAS

  • Dor e/ou queimação ao urinar

  • Hematúria

  • Oligúria

  • Náuseas

  • Vômitos

  • Hipertensão

CLASSIFICAÇÃO

  • CLASSIFICAÇÃO

  • Guides to the Evaluation of Permanent Impairment (4.ª edição, 1995)

  • CLASSE 1: diminuição da função do trato urinário superior presente e evidenciada pelo clearance de creatinina de 75-90 l/24 h ou sintomas intermitentes de disfunção do trato urinário superior, que não requerem tratamento contínuo ou vigilância;

  • CLASSE 2: diminuição da função do trato urinário superior presente e evidenciada pelo clearance de creatinina de 60-75 l/24 h ou embora o clearance de creatinina seja maior que 75 l/24 h, os sintomas necessitam de vigilância contínua e tratamento frequente;

CLASSE 3: diminuição da função do trato urinário superior presente e evidenciada pelo clearance de creatinina de 40-60 l/24 h ou, embora o clearance de creatinina seja de 60-75 l/24 h, os sintomas não estão totalmente controlados por tratamento cirúrgico ou tratamento médico contínuo;

  • CLASSE 3: diminuição da função do trato urinário superior presente e evidenciada pelo clearance de creatinina de 40-60 l/24 h ou, embora o clearance de creatinina seja de 60-75 l/24 h, os sintomas não estão totalmente controlados por tratamento cirúrgico ou tratamento médico contínuo;

  • CLASSE 4: diminuição da função do trato urinário superior presente e evidenciada pelo clearance de creatinina inferior a 40 l/24 h ou, embora o clearance de creatinina seja de 40-60 l/24 h, os sintomas persistem a despeito de tratamento cirúrgico ou tratamento médico contínuo.

  • EXEMPLOS DE DOENÇAS E AGENTES CAUSAIS

  • Síndrome nefrítica aguda

  • Doença glomerular crônica

  • Nefropatia túbulo-intersticial (por metais pesados)

  • Insuficiência renal aguda

  • Insuficiência renal crônica

  • Cistite aguda

  • Infertilidade masculina (Feminina e Impotência!!!)

    • Causas: biológicas (malária, toxoplasmose, esquistossomose, etc.), solventes, metais pesados, praguicidas, vibrações, calor, radiação ionizante, estresse.

TRATAMENTO

  • TRATAMENTO

  • Afastamento do agente causal,

  • Repouso,

  • Dieta especial,

  • Restrição de sal,

  • Diuréticos,

  • Uso de sonda,

  • Diálise,

  • Transplante renal.

PREVENÇÃO

  • PREVENÇÃO

  • substituição do agente por outros mais seguros, menos tóxicos ou lesivos;

  • isolamento do agente ou substância por enclausuramento, suprimindo ou reduzindo a exposição;

  • diminuição do tempo de exposição e do número de trabalhadores expostos;

  • classificação e rotulagem das substâncias químicas;

  • informação e comunicação dos riscos aos trabalhadores;

  • EPI e EPC adequados;

  • facilidades para a higiene pessoal adequada (banheiros, pias, vestuário);

  • Adequação do ambiente - Ex.: sistemas de ventilação e exaustão, manutenção de máquinas/equipamentos e monitoramento sistemático dos agentes agressores;

  • medidas de controle médico e monitoramento biológico dos trabalhadores expostos.

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