NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

(Parte 6 de 7)

a) multiverificador portátil: é um equipamento que consiste em medir ou aferir a velocidade e a direção do vento; a temperatura ambiente e a umidade relativa do ar. Os dados são obtidos instantaneamente e facilitará na tática a ser empregada e no estudo do comportamento do fogo; b) bambi bucket: utilizado no combate aéreo, através de um helicóptero, servindo para o transporte de água, possuindo modelos de 500 L até 2000 L (figura 86);

Figura 86 - Bambi Bucket c) barraca de campanha: utilizada para a acomodação da tropa, bem como para a confecção de depósito de materiais, centro médico, rancho, etc; d) binóculos: utilizado na observação de focos de incêndios, bem como para se orientar no terreno (figura 87);

Figura 87 – Binóculos e) bússola: equipamento utilizado para orientação no terreno; f) carta da região: possui grande importância no estudo tático, pois é nela que são locados os focos de incêndio. A partir do estudo do comportamento do fogo, associado aos fatores climáticos e ao relevo da região, traça-se a tática a ser utilizada; g) GPS: equipamento de georeferenciamento que nos dá a latitude, longitude e a altitude. Possui grande utilidade na localização de guarnições e focos de incêndio de forma bem precisa; h) lima para afiar materiais de corte: com ferramentas afiadas, o trabalho é muito mais produtivo, além de ter um grau maior de segurança; i) mangueira: material utilizado na condução de água para abastecimento; j) roçadeira: utilizada na construção de aceiros que possuam materiais leves (figura 8);

Figura 8 – Roçadeira k) motosserra: utilizada na confecção de aceiros, onde se necessite abater árvores de médio e grande porte ou para cortar árvores já incendiadas que estejam em brasas. É fundamental a utilização de EPI pelo operador (figura 89);

Figura 89 - Motosserra l) pinga-fogo: material de ignição utilizado em incêndios florestais; m) rádio Portátil: meio de comunicação mais eficiente entre os homens que estão dentro da área de incêndio, na aeronave e os que se encontram no PCAV; n) sinalizador: serve para indicar a posição correta de um combatente ou guarnição, quando os mesmos estiverem perdidos;

14 – Viaturas de Combate aos Incêndios Florestais

As viaturas, terrestres ou aéreas, que transportam água ou tropa são fundamentais para apoio nas operações de combate aos Incêndios Florestais. Para esta finalidade, algumas diferenças entre as viaturas para atividades de combate a incêndios urbanos são necessárias, devido principalmente ao local por onde tais veículos vão trafegar ou atuar.

Para estabelecer a quantidade de água que o veículo irá transportar devese, primeiramente, observar as condições do terreno por onde essas viaturas irão trafegar, pois, dependendo das condições topográficas, vias de acesso e quantidade de área atingida pelas chamas, o comandante da operação optará por veículos com maior ou menor quantidade de água, devendo, portanto, procurar caminhos que venham encurtar a distância a ser percorrida; que facilite as manobras e que não exijam sobresforço do veículo. (figura 90).

Figura 90

Existem diversos tipos de veículos para o combate a incêndio florestal. A configuração pode variar de acordo com as necessidades e topografia da região, devendo, ainda, ser provido de um sistema de suspensão reforçado e mecanismo de tração auxiliar. Seu sistema de bomba deve ser independente para que permita ao veículo transitar e, ao mesmo tempo, lançar água na vegetação.

Os equipamentos e ferramentas disponibilizados para esses veículos devem ser acondicionados de forma a ficarem presos e travados. Devem, também, possuir compartimentos específicos para cada tipo de material. Deve-se evitar o transporte de ferramentas, materiais, equipamentos e pessoal juntos.

15 – Segurança nas Atividades de Combate aos Incêndios Florestais

Os acidentes e as mortes que ocorrem durante o combate aos incêndios florestais podem ser reduzidos ou evitados se forem cumpridas as regras de segurança. O bombeiro militar deverá possuir um preparo físico condizente com a função e os serviços que irá executar e sempre utilizar os equipamentos de proteção individual, evitando acidentes de trabalho e desguarnecer equipes.

15.1 –Regras Básicas de Segurança

São regras básicas de segurança: a) buscar conhecimento referente aos riscos e às regras de segurança necessárias; b) utilizar sempre os equipamentos de proteção individual e coletiva; c) transportar as ferramentas com as lâminas de corte voltadas para baixo, na linha da cintura. Não se esquecer de revezar e manter uma distância mínima de 2 m entre os combatentes; d) transportar motosserras sempre desligadas e com o sabre voltado para trás; e) nunca atuar isoladamente, e seguir as instruções do comandante; f) certificar-se que as instruções recebidas foram entendidas; e g) descansar por turnos e/ou em grupo.

Procedimentos de segurança na operação com aeronaves: a) ter cuidados especiais para que pessoas não sejam atingidas pela descarga de água; b) cuidado com projeção de ramos ou árvores impelidos pelo choque do líquido; c) cuidados e procedimentos a ter na altura da descarga: sair da área da descarga, quando for possível; e) se verificar a possibilidade se ser atingido pela descarga, não ficar de pé, pois aumenta a possibilidade de se ferir com gravidade; f) procurar um obstáculo sólido para se esconder, deitando-se atrás dele; g) num descampado, deitar-se de frente para a aeronave, barriga para baixo, mantendo seguro o equipamento e peças soltas da farda; h) aproximar-se ou afastar-se da aeronave sempre pela frente, na zona de visão do piloto e com a sua autorização; i) nunca se aproximar ou deixar alguém aproximar da zona do rotor traseiro; j) se transportar material sapador, deve colocar-se o cabo da ferramenta na horizontal; k) o embarque ou desembarque deve ser feito numa posição curvada; l) não se aproximar ou afastar pela zona em que o terreno é mais elevado que o local onde ele está aterrado; m) apertar e segurar, firmemente, o capacete e óculos de proteção; n) o lançamento de caldas por helicópteros não é tão perigoso para o pessoal de terra como as descargas dos aviões; e o) devemos estar atentos quanto à possibilidade da queda de ramos e a força da água quando lançada a baixa altitude.

Todo bombeiro militar deverá portar seu Equipamento de Proteção

Individual – EPI, mesmo que esteja empenhado no ataque indireto, pois sempre há o risco de acidentes que podem gerar transtorno ao combatente e à operação de combate. (figura 91).

Figura 91

15.2 – Equipamentos de Proteção Individual

São Equipamentos de Proteção Individual:

a) capacete: garante ao combatente proteção mecânica contra queda de galhos e pequenos arbustos, além de protegê-lo de eventuais acidentes com ferramentas e equipamentos. Preferencialmente, deve-se optar por capacete que seja leve e cômodo ao combatente e possua jugular ajustável; b) protetor auricular: para proteção na utilização de equipamentos como motosserras, moto gerador e outros com elevada taxa de ruídos; c) protetor dos olhos: é usado para proteção dos olhos contra galhos, pedaços de madeira e outros combustíveis, além de proteção contra a fumaça emanada nos incêndios. Deve ser transparente, garantir um fechamento total das vistas, inclusive lateral, devendo ainda ser provido de meios que evitem sua perda em caso de queda (cordeletes); d) balaclava: garante ao combatente de Incêndios Florestais uma proteção facial contra a fumaça, pois funciona como um filtro contra a fuligem eliminada junto com a fumaça. Garante, também, ao Combatente, maior conforto, quando preso junto com o capacete (envolvendo a cabeça), pois é uma forma de dar maior firmeza ao capacete, bem como um filtro para o suor eliminado; e) apito: utilizado como meio de comunicação em casos emergenciais, desde que antes sejam feitas convenções para seu uso; f) luva de vaqueta: para proteção das mãos nas atividades de ataque direto ou indireto. É importante se utilizar uma luva que possua sistema de fecho no punho; g) bota resistente: o calçado para o combate a um Incêndio Florestal merece destaque, pois deve dar garantias ao seu usuário de resistência e de conforto. Existem no mercado vários tipos de calçados que oferecem tais condições. Entretanto não devemos deixar de lembrar que a bota deverá ser robusta o suficiente para suportar os arranhões de rochas e outros obstáculos comuns ao ambiente florestal, além de possuir solado que permita o caminhamento por curtos períodos em áreas com brasa. O material de sua constituição deve ser o couro, pois resiste mais à caloria dos incêndios e de pequenas fagulhas em brasa que venham a entrar em contato como calçado; e

h) perneira em couro: é utilizada para a proteção da perna do combatente contra fagulhas e cortes em pontas de madeira. Conforme a constituição da polaina ela poderá oferecer proteção contra picadas de ofídios.

15.3 – Manutenção e Transporte das Ferramentas

O trabalho de combate a incêndios florestais eficiente será possível com ferramentas em boas condições de uso. Todos os combatentes são responsáveis pela conservação das melhores condições de uso de todo o equipamento que se encontra dentro de suas atribuições. Após o uso, elas devem ser inspecionadas, ter a manutenção realizada e acondicionadas prontas para um próximo emprego.

A lima deve obedecer sempre ao sentido de corte das ferramentas e o fio é feito em um único sentido. Depois de afiadas, é importante proteger o seu fio com a colocação de uma fita aderente (crepe) no mesmo, pois assim garantiremos também proteção contra ferrugem.

O transporte das ferramentas é fator importante dentro de um combate a incêndios florestais. Jamais podemos transportar ferramentas e combatentes juntos, devendo, portanto, haver um local específico para as mesmas, preferencialmente, em compartimentos exclusivos. No transporte em linha por combatentes, o fio de corte sempre deverá estar voltado para o solo, e por questões de padronização e segurança todas as ferramentas devem ser transportadas do mesmo lado.

16 – Das Operações de Apoio Aéreo

As Aeronaves são indiscutivelmente as viaturas mais eficientes no desenvolvimento das ações de detecção, mapeamento, localização e dimensionamento dos focos de incêndios florestais, permitindo um melhor planejamento e transporte de pessoal e de materiais para os locais dos incêndios.

O emprego de aviões requer pessoal especializado, como piloto, tripulantes e equipe de apoio em terra, são eficazes no lançamento de retardantes, à base de óxido de ferro, que alijados sobre os focos ou nas proximidades que os extinguem ou dificultam a sua propagação, até o termino do aceiro ou a chegada das equipes de reforços.

Figura 92 – Emprego de avião

As vantagens no uso de aeronaves são: a) lançamento de maior quantidade de água e retardantes químicos; b) rápida mobilização e deslocamento; c) grande capacidade de transporte de pessoal e material; d) facilitação na localização e dimensionamento dos focos; e) melhor planejamento das ações de combate; e f) êxito mais rápido nas ações.

Necessidades para o emprego de aeronaves: a) pessoal especializado (piloto – apoio); b) pista para pouso nas imediações do incêndio; c) previsão de meios para reabastecimento de água ou combustível; d) custo operacional elevado; e e) operação limitada a condições de visibilidade.

O uso do helicóptero nas operações de apoio aéreo permite observar com maior riqueza de detalhes a extensão do incêndio, o que seria impossível visualizar em terra.

Os helicópteros apresentam vantagens em mobilidade e deslocamentos devido as suas características únicas. Eles podem ser também empregados no transporte e lançamento de pessoal, materiais e equipamentos, além de possuírem equipamentos específicos para o combate a exemplo do reservatório aéreo transportável ou “Bambi Bucket” com capacidades variando de 420 L até 3000 L de água.

Figura 93 - Emprego de helicóptero com bambi bucket

São vantagens no uso de helicópteros: a) rápida mobilização; b) agilidade no transporte e lançamento de pessoal e material; c) localização de focos de incêndios facilitada; d) não necessita de pista para pouso; e) abastecimento do “Bambi Bucket”, pode ser feitos em pontos com pequenas capacidades de água; f) permite rápida evacuação de feridos; g) vistoria grandes áreas em curto espaço de tempo; h) fornece ao Comandante da Operação uma visão ampla da área e a realidade da situação; e i) apoio ao pessoal de terra quanto a melhores caminhos e itinerários.

Necessidades para o emprego de helicópteros: a) pessoal especializado (piloto – apoio de terra); b) Construção de Heliponto se necessário; c) Previsão de meios para reabastecimento de combustível; d) Uso limitado a luz do dia; e) Operação com custo elevado; e f) Operação limitada a condições de Visibilidade.

As Operações que envolvam helicópteros devem ser realizadas observando-se todos os preceitos de segurança, pois a aeronave exige uma criteriosa rotina de segurança que deve ser seguida para evitar que acidentes ocorram.

As recomendações abaixo são válidas para o emprego em qualquer tipo de helicóptero e garantem à a guarnição da aeronave a segurança mínima, por isso devem ser sempre observadas: a) antes da operação deverá ser feito um Briefing com o piloto; b) seguir todas as instruções do Comandante da aeronave; c) aproximar-se pela frente da aeronave, de forma que esteja sempre em contato visual com o piloto; d) desenho esquemático da área de embarque e desembarque;

Figura 94 - Desenho esquemático da área de embarque e desembarque e) manter-se distante do rotor de cauda; f) não tocar ou conversar com o piloto; caso tenha necessidade, faça o contato com o tripulante, para que ele se comunique com o piloto; g) não fumar, nem tampouco abasteçer equipamentos, dentro de um raio de 20 m da aeronave; h) carregar ferramentas na horizontal, pois na vertical poderá atingir o rotor principal; i) não se aproximar da aterrissagens, decolagens e pairados, a não ser que disponha de protetores auriculares e visuais; j) não se aproximar de aeronaves utilizando bonés; k) em terrenos inclinados aproximar-se ou afastar-se da aeronave pelo lado descendente, pois o rotor principal poderá atingir o combatente; l) colocar fitas adesivas nas lâminas de corte das ferramentas; m) colocar uma capa protetora no sabre de motosserras; n) aproximar-se ou afastar-se da aeronave com o tórax inclinado para frente; o) não sair nem tampouco pular da aeronave, caso haja uma pane; p) fazer a limpeza do local, retirando arbustos e pequenos galhos em caso de um pairado ou pouso; q) providenciar a colocação de uma biruta, próximo da área de pouso, com o objetivo de orientar o piloto quanto à direção do vento; r) liberar a área de pouso e decolagem de pipas, bandeiras, fogueiras etc.; e s) a área de pouso deverá ser plana, sendo aceito uma declividade de até 10%, ou seja, um desnível máximo de 20 cm entres os esquis da aeronave.

São fatores de segurança a serem observados pelo pessoal de terra: a) manter-se afastado no mínimo a 20 m do helicóptero quando ele estiver próximo ao solo. Procure ficar agachado para maior proteção;

(Parte 6 de 7)

Comentários