NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

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Figura 65 – Esquema de uma bússola de limbo móvel a) Leitura – Apontar a seta de navegação da tampa para o objetivo e girar o limbo até fazer coincidir a agulha imantada (parte vermelha) com a seta vermelha do fundo da caixa. A graduação permanece sobre a linha branca existente na parte anterior da bússola.

b) Azimute pré-determinado – pôr o azimute determinado sobre a linha branca da parte anterior da bússola e fazer a coincidência da parte vermelha do fundo da caixa. Dessa forma, onde a seta preta da frente da bússola apontar, esse será o alvo pedido.

Para determinar a direção dos elementos do terreno, quer na Carta, quer no próprio terreno, há um modo muito simples de comparação. Suponhamos que, em dado momento, achamos-nos situados no centro de um círculo e que dele partem “avenidas” em todas as direções e que essas avenidas sejam em número de 360. Cada um dos 360 espaços chama-se “grau” e cada avenida constitui um azimute.

Azimute é justamente o nome que se dá a cada uma das direções, cujo número de graus dependerá apenas da sua situação, entre as outras 359 avenidas, podemos marchar ao longo de uma dessas avenidas ou azimutes, partindo do centro do círculo. As avenidas começam todas onde estamos, quer seja em uma floresta, em uma elevação ou numa estrada, ressaltando duas coisas a respeito desses círculos de avenidas.

A avenida zero aponta sempre para o norte, mas também as avenidas são numeradas no sentido do movimento dos ponteiros do relógio.

Contra azimute é o azimute de uma direção vista em sentido contrário. É muito importante porque sabendo utilizá-lo bem, ter-se-á condições de retornar ao ponto de partida, também é chamado de azimute inverso. Caso tenha de cumprir missão em lugar desconhecido à noite, por exemplo, o contra azimute poderá indicar a direção pela qual deveremos retornar. Esta diferença é de 180 graus (figura 6).

Figura 6

Será normal, nos deslocamentos realizados em terrenos desconhecidos, encontrar na direção de marcha os mais variados obstáculos, sendo, às vezes, necessário realizar o desvio do obstáculo encontrado; outras vezes será mais vantajoso vencê-lo. Dentre a variedade de processos existentes para realizar um desvio de obstáculo, serão apresentados os que se seguem:

I – Primeiro processo: do ponto de referência nítido – chegado ao obstáculo, escolhe-se um ponto bem nítido no lado oposto, para servir como referência. Efetua-se o desvio necessário, chega-se ao ponto e a marcha é reiniciada. Entretanto, o processo raramente terá aplicação prática quando se tratar de obstáculos de grandes dimensões, pois o mais difícil na selva será encontrar aquele ponto nítido.

I – Segundo processo: da compensação com passos e ângulos retos: marcha-se na direção amarrada pelo azimute de marcha até o ponto A, frente ao obstáculo (figura 72). De A vai-se a B, deslocando-se segundo um novo azimute, de modo que este forme com o de marcha um ângulo reto em A. Neste deslocamento, contam-se os passos dados entre A e B (P passos). De B vai-se a C, deslocando-se segundo o mesmo azimute de marcha (será o azimute paralelo); também neste deslocamento contam-se os passos dados entre B e C (Q passos), para que não se perca a noção da distância geral do percurso realizado ou ainda a realizar. De C vai-se a D, deslocando-se segundo o contra-azimute da direção AB, e percorrendo a mesma distância que se percorreu entre A e B. Isto é, os mesmos P passos. Chegado em D, reinicia-se o deslocamento na direção dada pelo azimute de marcha original. Será normal ocorrerem pequenas diferenças em direção e em distância, quando se realizarem deslocamentos desse tipo, por causa dos acidentes e incidentes em terreno de selva; daí a necessidade de designar, no mínimo, 2 homens para utilizar a bússola e outros 2 para contar o número de passos, quando possível, para minimizar os erros (figura 67).

Figura 67 – Desvio de um obstáculo pelo processo da compensação com passos e ângulos retos.

Os campos magnéticos influem na bússola, alterando-lhe o funcionamento. Quando se está trabalhando com a bússola, deve-se deixar de lado todo e qualquer material constituído de aço ou ferro e campos elétricos. São as seguintes as distâncias mínimas de segurança: linha de força de alta tensão – 60 m, canhão ou umbuzeiro de campanha – 20 m, viatura ou carro de combate – 20 m, linha telefônica – 20 m, cercas e redes de arame farpado – 10 m, metralhadora ou similares – 5 m.

O Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System, GPS) tem como principal propósito prover sinais que permitam que qualquer usuário no planeta, equipado com um receptor GPS, possa calcular corretamente e em tempo real sua posição geográfica (longitude, latitude e altitude).

O padrão de uso para os usuários comuns (não militares) é o Sistema de

forma contínua

Posicionamento Padrão (Standard Positioning System, SPS). Este sistema está disponível para qualquer usuário no mundo, em todas as condições climáticas e de

O GPS é formado por dois segmentos: o espacial e o terrestre. O segmento terrestre é subdividido em dois subsegmentos: de Controle e de Usuário.

O Segmento Espacial é formado pelos satélites que estão em órbita, consiste de 24 satélites em 6 órbitas diferentes, com 4 satélites em cada órbita. Os satélites percorrem a órbita em torno da Terra a cada 12 horas, a uma altitude de aproximadamente 1.0 milhas náuticas. Cada satélite tem 28 graus de visualização sobre a Terra e estão inclinados 5 graus em relação à linha do Equador. Por alguns momentos, vários pontos da Terra são visualizados ao mesmo tempo por 6 a 10 satélites que focalizam a mesma área. Isto fornece redundância, pois apenas 4 satélites são necessários para uma determinação tridimensional de posição. Todos os 24 satélites são controlados pelo Segmento de

Controle em terra. Este controle é feito por uma estação de controle Master, localizado no Colorado, nos Estados Unidos. Ela é responsável por monitorar o rastro dos satélites com o auxílio de cinco estações de monitoramento espalhados pela Terra, que processam todos os dados e, então, enviam a correção e sinais de controle para os satélites. O segmento de controle monitora o desempenho total do sistema, corrige posições do satélite e reprograma o sistema com o padrão necessário. A localização de cada estação de monitoramento oferece um monitoramento constante de cada satélite. O subsegmento de Usuário do GPS consiste em receptores GPS utilizados por uma comunidade de usuários. Os receptores GPS convertem os sinais dos satélites em posição, velocidade e tempo estimado. Quatro satélites, no mínimo, são necessários para calcular as quatro dimensões: x, y, z (posição) e t (tempo) e altitude. Assim, sob condições ideais o sistema permite, apenas com um receptor, uma precisão de cerca de 25 m. Vale ressaltar que o sinal “GPS” é “degradado” pelas Forças Armadas dos Estados Unidos da América, que não permite um posicionamento preciso. Os limites de precisão são estabelecidos por questões de segurança, para evitar a recepção de dados muito precisos por potenciais adversários. Uma técnica para aumentar a precisão, para cerca de 1-5m, é differential correction, que necessita de um segundo receptor GPS. A navegação é uma das funções do GPS e é usada por usuários de aeronaves, navios, veículos e por indivíduos que usam o receptor portátil (figuras 68 e 69).

Figura 68 - Estrutura do receptor GPS

Figura 69 - Páginas de trabalho de um GPS (nesse caso, Garmin Etrex Legend)

O que mais interessa a uma pessoa que se encontra desorientada ou perdida é ser encontrada. Para tanto, se for utilizado um processo qualquer para a sinalização, haverá possibilidade ampla de sucesso, desde que esse processo seja mais adequado para a ocasião. Temos abaixo a representação do sistema de comunicação Terra – Ar, mais simples e mais utilizado, conforme figura 70:

Figura 70 Tratando-se ainda de orientação, podemos ressaltar a presença de luzes de cor vermelha para o lado esquerdo (bombordo) e luzes de cor verde para o lado direito (boreste) das embarcações e ponta de asa das aeronaves.

12 – Unidades de medidas

Na prevenção e no combate aos incêndios em vegetação utilizaremos as seguintes unidades de medidas:

I – quilômetro (km): unidade de distância, do sistema m equivalente a 1000 m;

I – milha terrestre (mt) ou Statute Mile (ST): unidade de medida de distância adotada nos EUA e na Inglaterra, equivalente a 1609 m;

I – milha marítima (MIMA) ou Nautical Mile (NM): unidade de medida de distância usada Internacionalmente para fins de navegação equivalente a 1852 m. Uma Milha Marítima ou Milha Náutica corresponde ao comprimento de 1 (um minuto) de arco de um círculo máximo da terra ou 1 de latitude que corresponde a 1 de meridiano.

IV – pés (feet/FT): unidade de medida de distância, usada em aviação, para expressar altitudes, comprimento de pista, altura da base e topo das nuvens. Na conversão de metros para FT temos: 1 m = 3.28 FT. Conversões: unidades de massa e volume, sendo 1 kg = 2,2 Lb (kg para Lb) e 1 U.S.gal = 3,78 L.

13 – Equipamentos de Combate aos Incêndios Florestais

Os equipamentos de combate a incêndios florestais ocupam papel de destaque nas operações, uma vez que nas áreas de difícil acesso caberá ao bombeiro militar transportar apenas o material portátil.

Os materiais devem estar sempre em condições de uso. A quantidade e o tipo de ferramentas que serão utilizadas dependerão, sem dúvida, das características locais: tipo de vegetação, tamanho da área do incêndio, topografia do terreno, pessoal disponível, etc.

Os materiais são classificados, conforme a sua utilização, em individuais e coletivos.

13.1 – Equipamentos Individuais

Os equipamentos individuais são aqueles que o uso ocorre em conformidade com a função de cada um dos combatentes da guarnição. A relação de equipamentos irá variar conforme a situação, localização e tempo de duração do incêndio. O comandante da operação deverá listar as ferramentas conforme o planejamento. Configuram equipamentos individuais:

a) facão: equipamento empregado para se marcar a linha de aceiro a ser seguida; no corte de vegetação baixa de pequenos arbustos (figura 71);

Figura 71 – Facão b) foice: possui emprego similar ao do facão, porém com capacidade de corte de arbustos de maior porte e árvores de pequeno diâmetro (figura 72). Pode ser empregada, após a confecção do aceiro, para se roçar a vegetação em ambos os lados a fim de diminuir a carga do material combustível a ser queimado;

Figura 72 - Foice c) enxada: fundamental para corte e remoção na confecção de um aceiro (figura 73). A vegetação próxima ao solo deve ser retirada com o emprego da enxada utilizando o método da capina;

Figura 73 - enxada d) rastelo: é empregado para a remoção do material que foi cortado.

Lembrar que tal material deve ser depositado, no lado oposto ao sentido de progressão da frente de fogo (figura 74);

Figura 74 - Rastelo e) gadanho: ferramenta com dupla finalidade que pode ser empregada para corte e raspagem do combustível (figura 75);

Figura 75 - Gadanho

f) pá de corte: tem uso importante na execução de aceiros, podendo ser utilizada para retirar material cortado, cavar e também no lançamento de terra na base das chamas ou para cobrir tronco e árvores incendiadas que estão no solo (figura 76);

Figura 76 - Pá de corte g) aparelho controlador de queima (pinga-fogo): aparelho utilizado para as práticas de fogo, contra-fogo e queimada controlada (figura 7);

Figura 7 - Pinga fogo h) machado: utilizado na derrubada e poda de pequenas árvores, durante a construção de aceiros, bem como na raspagem e corte de troncos que estejam em brasas ou chamas caídos no solo (figura 78);

Figura 78 - Machado i) abafador: tem grande utilização no ataque direto aos Incêndios

Florestais. O abafador age, basicamente, pelo princípio do abafamento ao batê-lo contra o fogo. Esta ferramenta consiste em um flap de borracha flexível com aproximadamente 40 cm de comprimento, 60 cm de largura e 0,6 cm de espessura, preso a um cabo de alumínio com 1,60 m de comprimento mínimo (figura 79);

Figura 79 - Abafador j) bombas: são equipamentos hidráulicos destinados a bombear água para a extinção de incêndios florestais. As bombas poderão fazer parte de uma viatura de combate a incêndios ou ser independentes (figura 80). Atualmente, existem bombas portáteis onde se necessita estabelecer uma coluna de água para se iniciar o bombeamento e também bombas auto-escorvantes, onde basta funcionálas para que se inicie o bombeamento. As bombas possuem acessórios para seu manuseio como mangotes para sucção, mangueiras e esguichos. Deverá ser previsto combustível sobressalente, nos casos de motores a combustão.

Figura 80 - Bomba k) mangueiras e esguichos: são utilizados nos combates a incêndios florestais, quando é possível a utilização de água para o combate, seja disponível através de viaturas ou moto bomba. As viaturas destinadas a tal atividade deverão ser providas de grande quantidade de mangueiras, pois muitas vezes há necessidade de se penetrar em longos trechos de vegetação, ou mesmo caminhar morro acima, necessitando, assim, a utilização de vários lances até que se atinjam as chamas (figura 81).

Figura 81 - Mangueira e esguichos l) bomba costal: equipamento de grande versatilidade utilizado no combate ao incêndio florestal no ataque direto ao fogo. A bomba costal possui uma capacidade de transporte de 20 L de água. Apresenta um sistema manual de pressurização e um esguicho com requinte ajustável que permite regular a qualidade do jato (figura 82).

Figura 82 - Bomba costal m) mochila costal: equipamento semelhante à bomba costal, porém confeccionado em PVC maleável que se molda perfeitamente as costas do combatente, garantindo-lhe mais conforto no transporte e no combate. Possui capacidade para 19 L de água (figura 83);

Figura 83 - Mochila costal n) lanterna de mão: é essencial para garantir segurança do BM florestal.

Deve-se optar por uma lanterna com interruptores protegidos, que não apresentem o risco de ligar a lanterna acidentalmente. O foco ajustável é uma excelente característica disponível em algumas lanternas. O refletor gira, permitindo um foco mais concentrado para iluminar mais a distância. Uma lanterna sempre deverá possuir focos sobressalentes. Para uma lanterna de mão deverá ser previsto dois focos sobressalentes e dois jogos de bateria, de preferência alcalina (figura 84);

Figura 84 - Lanterna de mão o) lanterna de capacete: tem a mesma finalidade da lanterna de mão, porém é de fundamental importância, pois devido possuir um sistema de tiras elásticas, se adapta à cabeça, deixando as mãos livres para trabalhos, dando também mais confiança e segurança nos deslocamentos. A existência da lanterna de cabeça não desobriga o uso da lanterna de mão, pois são necessárias duas lanternas para maior segurança (figura 85).

Figura 85 - Lanterna de capacete

13.2 – Equipamentos Coletivos

Equipamentos coletivos são os de uso comum, ou seja, todos da guarnição farão o uso de forma direta ou indireta de maneira a desenvolver melhor o serviço e ainda para o bem estar e segurança da guarnição:

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