NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

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Poderão, no entanto, ser empregados outros métodos sumários, os quais embora empíricos e sujeito a erros: trilhas de animais, mananciais de águas, ventos predominantes, voos predominantes de pássaros, etc.

A rosa dos ventos é um círculo subdividido em graus, de 0 a 360 graus, a partir do norte, no sentido dos ponteiros do relógio, onde aparecem marcados os pontos Cardeais, Colaterais e Subcolaterais (figura 54).

Figura 54 - Rosa dos Ventos

Pontos cardeais e colaterais (figura 5):

Pontos Cardeais Pontos Colaterais

Norte N Nordeste NE Sul S Sudeste SE Leste L/E Sudoeste SW Oeste O/W Noroeste NW

Figura 5

A orientação mais comum é aquela em que o sol é o ponto de referência.

Se uma pessoa estender o braço direito para onde nasce o sol, à sua frente estará o norte, à direita o leste, à costa o sul e à esquerda o oeste (figura 56).

Figura 56 – Nascente/Poente

Com o sol e com auxílio de um relógio, devidamente certo, pode-se determinar a direção Norte. Basta que, conservando-se a graduação 12 horas para o Sol, identifique, no terreno, a direção da linha que divide ao meio (bissetriz) o ângulo formado pela direção do sol e a do ponteiro das horas, contado no sentido do movimento dos ponteiros. Essa bissetriz define a direção Norte-Sul, antes de doze horas ela dá a direção sul e depois dessa hora a direção Norte (figura 57).

Figura 57 - Orientação com relógio

A constelação do Cruzeiro do Sul nos dá uma boa e fácil orientação.

Qualquer que seja a sua posição na esfera celeste (variável durante o ano) a determinação da direção do pólo sul se obtém, prolongando-se 4.1/2 para o lado da estrela que corresponde ao pé da cruz. O pé da perpendicular baixada pelo ponto fictício que limita esse prolongamento sobre o horizonte nos indica a direção Sul. No hemisfério Norte, utiliza-se a estrela Boreal (figura 58).

É importante observar com muito cuidado para não confundir com a constelação da “falsa cruz”, que se localiza mais à direita e acima da constelação

CBMGO/NO-03 43/74 Cruzeiro do Sul.

Figura 58 - Orientação noturna

Durante a noite, a orientação sem o auxílio da bússola se faz principalmente por meio da lua ou das estrelas. A lua em seu movimento aparente nos dá aproximadamente as mesmas identificações que o sol, principalmente, na fase cheia, quando podemos observá-la em plenitude.

Antes de montar uma equipe de navegação, faz-se necessário que seja feita aferição do passo duplo, visando mensurar a amplitude de passo dos componentes da equipe. O passo duplo será empregado pelo bombeiro militar responsável pela medida de distâncias, observando:

I – Em um terreno plano, medir e marcar a distância de 100 m; I – Percorrer essa distância várias vezes, observando-se, assim, cada vez um determinado número de passos (passo duplo);

I – Tirar a média e concluir: 100 metros são percorridos por “P” passos, a esse número de “P” somar P/3 (um terço);

IV – Concluindo, 100 m serão percorridos por “P” + P/3 passos, essa margem de segurança, P/3 compensará os erros provenientes de incidentes comuns nos deslocamentos através das vegetações fechadas.

O homem-bússola é o responsável pela determinação dos azimutes, sendo que o homem passo terá ao seu cargo a orientação das distâncias já percorridas através da contagem do passo duplo. Para tanto, devem ser escalados dois ou mais homens passos para que, fazendo-se uma média das medidas, obtenha-se mais precisão. Isso porque a distância deverá ser sempre repassada para a equipe de navegação em metros e nunca em passos. Dessa forma, é necessário fazer transformação por meio da regra de 3 simples.

O homem carta é o responsável pela orientação baseada na comparação da carta com o terreno, ou seja, é encarregado de anotações de orientação. Pode ser um dos homens passo.

O homem ponto desloca à frente da equipe e baliza a direção dos sucessivos azimutes, determinados pelo homem bússola. Para maior precisão no trabalho pode-se utilizar de uma baliza que será cravada sobre o solo no local estabelecido pelo homem bússola. À noite deve valer-se de meios que assinalem sua posição exata, tais como equipamentos infravermelhos, lanternas veladas, dispositivos fosforescentes, etc.

A carta pode ser definida como representação no plano, em escala média ou grande, dos aspectos artificiais e naturais de uma área tomada de uma superfície planetária, subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais – paralelos e meridianos – com a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores, com grau de precisão compatível com a escala. Possui como características:

I – a representação plana; I – escala média ou grande; I – desdobramento em folhas articuladas de maneira sistemática; e IV – limites das folhas constituídos por linhas convencionais, destinada à avaliação precisa de direções, distâncias e localização de pontos, áreas e detalhes.

Os elementos de uma carta são: Título, Convenções Cartográficas,

Altimetria, Planimetria (Hidrografia, Vegetação, Rodovias, etc.), Escalas (Numérica e Gráfica), Data, Fonte e Coordenadas Geográficas.

I – título: utilizado para expor uma determinada região ou localidade.

Geralmente, se localiza na parte superior de uma carta (topográfica, aeronáutica, etc.), mapa (temático) ou, ainda, croqui.

I – convenções cartográficas: nas legendas de uma carta topográfica, as cores têm a seguinte correspondência: a) verde: vegetação (conforme tonalidade da cor e a densidade no terreno); b) azul: mananciais de água; c) vermelha: estradas pavimentadas ou planejadas; d) preta: estradas vicinais; e e) branca: falta de informação por quem efetuou a interpretação.

I – altimetria: é a parte da topografia que se ocupa das formas do terreno, ou seja, do seu modelado e relevo e de sua representação gráfica;

IV – ponto cotado – COTA é o número que exprime a altura de um ponto em relação a um plano horizontal de referência. Nas cartas topográficas, as cotas são, normalmente, expressas em metros e tomadas a partir do nível do mar, correspondendo, portanto, ao valor métrico da altitude. É comum, também, referirse a uma elevação pela sua cota, ou seja, uma elevação cuja cota é apresentada em metros;

V – planimetria (hidrografia, vegetação, rodovias, etc.): são os elementos representados na carta topográfica que estão no plano horizontal, tais como: mananciais de água, cobertura vegetal, intervenção antrópica em geral;

VI – escala: é a relação entre as distâncias traçadas em uma carta/mapa e as existentes na natureza. Ela demonstra quantas vezes às dimensões do terreno foram reduzidas para serem representadas na carta; a) escala numérica: esse tipo de escala pode ser expresso por fração (1/5 0 0) ou por uma razão (1:5 0 0), significando, nos exemplos, que a unidade de comprimento no numerador da fração ou no primeiro membro da razão vale 5 milhões, indicada pela forma 1/5 0 0 ou 1: 5 0 0. Isso significa que cada centímetro no papel está representando 5 milhões de centímetros da região cartografada. Transformando essa medida em quilômetros, teremos 1 cm = 5 0 0 cm, que é igual a 500 0 dm, que é igual a 50 0 m , que é igual a 50 km. Quanto menor for o denominador, maior será a escala, portanto mais detalhes poderão ser representados. Assim, a escala 1:5 0 é maior que a escala 1:5 0 0, pois na primeira, cada centímetro representa 5 00 cm (50 m), enquanto na segunda, cada centímetro representa 5 km. Esse tipo de escala necessita de uma régua; b) escala gráfica: esse tipo de escala exprime, através do desenho, a relação mapa x natureza. Configura a determinação da distância por comparação. Esse tipo de escala dispensa a utilização de réguas ou outra unidade de medida qualquer. Basta que você utilize um objeto linear para fazer a comparação deste objeto com a escala gráfica (figura 59);

Figura 59 – Escala gráfica

VII – data: na orientação, todos os detalhes são de suma importância.

Assim sendo, a data é um dos elementos que também vai pesar, imagine uma pessoa navegando com uma carta que possui aproximadamente 30 anos, quanta mudança “pode” ter acontecido, principalmente, por ações antrópica. Neste ponto, não está sendo afirmado que não se deve utilizar um material desse, mas que se deve ter cuidado redobrado durante os deslocamentos em campo;

VIII – fonte: deve-se sempre utilizar material de um órgão que tem como mister produzir tais materiais; e

IX – coordenadas geográficas: as coordenadas geográficas (latitude e longitude) dão condições para localizar qualquer ponto sobre a superfície terrestre. São medidas em grau, minuto e segundo. As coordenadas geográficas foram determinadas por meio de observações astronômicas e satélites geodésicos. Para determinar a posição, ou localização, de um ponto situado na superfície da Terra, utilizamos linhas imaginárias (paralelos e meridianos), que são medidas em grau, minuto e segundo. Essas linhas, na realidade, não existem na superfície da Terra. Elas são imaginárias e estão presentes nos mapas, apenas para orientar seus usuários. Para localizarmos um ponto sobre a superfície terrestre precisamos conhecer suas Coordenadas Geográficas (latitude e longitude). a) paralelos: são as linhas imaginárias que determinam a latitude; b) meridianos: são as linhas imaginárias que determinam a longitude; c) latitude: sabe-se que a Terra tem uma forma quase esférica, com achatamento nos pólos (geóide) e é apresentada nos mapas, dividida em duas metades por uma linha imaginária denominada Linha do Equador (palavra de origem latina aequatore, que significa “o que iguala”). A linha do Equador está situada a igual distância dos pólos, divide a terra em duas metades: o Hemisfério Norte ou Setentrional e o Hemisfério Sul ou Meridional. As linhas imaginárias, paralelas (paralelos) ao equador, determinam a latitude que é à distância em graus de um lugar qualquer da superfície terrestre até a linha do equador. Para a latitude, a distância em graus será de 0° na linha do equador até 90° para o norte ou 90° para o sul. Portanto, para a latitude a linha de referência é a linha do equador, isso significa que para a longitude também é preciso uma linha de referência; e d) longitude: é determinada por meio dos meridianos, sempre em relação ao meridiano principal, definido como Meridiano de Greenwich (0° de longitude) que também divide a terra em duas metades, o hemisfério oriental (leste) e o hemisfério ocidental (oeste). Por que Greenwich? Ele tem esse nome porque é o meridiano que passa sobre um observatório astronômico localizado na cidade de Greenwich, na periferia de Londres, na Inglaterra. A longitude varia de 0° (no meridiano de Greenwich) a 180° para leste e 180° para oeste.

Durante a navegação de uma equipe, utilizando carta topográfica, existe a necessidade de se saber basicamente duas coisas:

I – orientar a carta: é ato de a equipe localizar-se na carta topográfica e, para que isso aconteça, a primeira coisa que se dever fazer é efetuar a coincidência de um dos pontos cardeais da carta com o mesmo ponto cardeal no terreno. Exemplo: coincidir norte da carta com o norte do terreno. É importante lembrar que, para que tal fato aconteça é necessário fazer o uso de bússola para achar os pontos cardeais no terreno com uma boa precisão. Ver desenho (figura 60) esquemático a seguir:

Figura 60 – Representação do terreno na carta topográfica

I – localização de um sinistro numa carta topográfica: de posse de uma carta topográfica de certa região e, sabendo onde se localiza nesta carta (item anterior); existe a necessidade de que se tenha de 2 a 3 observadores munidos de bússolas em locais distintos (e distantes). Todas apontadas para o mesmo sinistro (incêndio), determinando os respectivos azimutes. Na carta, os azimutes encontrados são traçados, resultando na convergência das direções, sendo que neste local convergente está indicando o local do sinistro (incêndio) (figura 61).

Figura 61

A bússola é um instrumento de orientação composto por uma base móvel sobre a qual se coloca a figura da Rosa dos Ventos. Em um eixo vertical, bem no centro da figura, instala-se uma agulha imantada, ou seja, capaz de atrair ou de ser atraída por minerais metálicos, particularmente o ferro. Tal processo está relacionado ao magnetismo e à existência de Campos Magnéticos.

Nas proximidades dos pólos, devido ao próprio movimento de rotação da Terra, houve uma grande concentração de minerais metálicos, criando-se os pólos magnéticos da Terra. O termo magnético deriva do nome de uma rocha rica em óxido de ferro, denominada Magnetita. Este é o principal minério responsável pelo fenômeno da imantação.

A agulha da bússola sempre indica a direção dos pólos magnéticos norte e sul. Basta que se gire a parte móvel, onde está a Rosa dos Ventos, até que o norte da figura fique embaixo da agulha, que teremos, com razoável precisão, todas as outras direções indicadas (figura 62).

Figura 62

É preciso destacar, no entanto, o fato de que o pólo norte magnético indicado pela bússola está localizado acerca de 1500 km de distância do pólo norte geográfico. Assim, ao traçar uma linha reta que ligue dois pólos magnéticos, ela não passará pelo ponto central do planeta.

O ângulo que se forma pela diferença de posição entre os pólos magnéticos e geográficos denomina-se ângulo de declinação magnética, que deve ser levado em consideração quando se quer calcular com precisão a localização de um ponto qualquer.

Utiliza-se, basicamente, dois tipos de bússolas, a de limbo fixo e a de limbo móvel.

I – bússola de limbo fixo: composta por uma caixa metálica ou plástica, fechada por um vidro móvel. No interior da caixa, encontramos um disco graduado em graus e milésimos e o limbo, o qual se une a agulha imantada. O vidro móvel é unido à caixa através de um anel serrilhado e contém duas linhas luminosas de tamanhos diferentes e separadas de 45°. Ao ser girado, o vidro móvel emite estalidos “cliques” provocados pelo anel serrilhado. No fundo e no centro da caixa existe um pino (quício) sobre a qual gira a agulha no limbo (figura 63). A bússola deste modelo tem um limbo ligado à agulha, permanecendo sempre numa posição constante, independente dos movimentos da bússola.

Figura 63

Determinação do azimute de um ponto – segura-se a bússola na altura do rosto, coloca-se o polegar de uma das mãos no anel suporte; utilizando-se o entalhe retículo, faz-se a visada sobre o objetivo; deixa-se o limbo parar (utilizar o retém do limbo) e sem desfazer a visada, faz-se a leitura do azimute através da lente. A leitura do azimute deve ser feita sob a maior fonte luminosa do vidro móvel. Para tanto, essa linha deve, previamente, ser colocada em alinhamento com o retículo da tampa (para conferir, feche a tampa e veja se a linha está exatamente sob o retículo). Escolhe-se então nessa direção, um ponto de referência que materialize no terreno, a direção obtida. (figura 64)

Figura 64

I – bússolas de limbo móvel: em geral, esse tipo de bússola é constituído de uma caixa de acrílico transparente, no interior da qual, contém um círculo graduado em 360° com agulha imantada, sendo uma metade na cor vermelha (muita vezes com um sinal luminoso) e outra podendo ser branca ou preta. Ao fundo da caixa está os pontos cardeais. A coincidência da parte vermelha da agulha com a seta vermelha do fundo da caixa dará a direção desejada, desde que a graduação esteja sobre a linha branca situada na parte anterior da referida bússola (figura 65). Esse tipo de bússola (marca Silva) é graduada de 2 em 2 graus.

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