NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

(Parte 3 de 7)

Figura 40 - Fogo contra fogo

A linha negra ou fogo de eliminação é a faixa de vegetação queimada com o objetivo de eliminar os materiais combustíveis, visando o alargamento da linha de aceiro, o controle e até a eliminação de um incêndio (figura 41).

Figura 41 - Linha negra

A linha de controle é uma linha de segurança contra um incêndio, podendo ser constituída por aceiros, linhas negras e outros dessa natureza.

A linha fria é constituída por uma faixa da vegetação umedecida mecanicamente (figura 42).

Figura 42 – Linha Fria

As técnicas de construção de aceiro classificam-se em: I – método progressivo ou funcional; I – método progressivo por setor; e I – método por rotação ou progressivo setor por setor;

No método progressivo ou funcional cada bombeiro realiza apenas uma função na linha, de forma que a linha estará concluída somente após a passagem do último homem (figura 43).

Figura 43 - Construção de aceiro (método progressivo funcional)

No método progressivo por setor cada bombeiro faz completamente um setor da linha ou uma função específica na construção do aceiro (figura 4).

Figura 4 - Construção de aceiro (método progressivo por setor)

No método por rotação ou progressivo setor por setor os bombeiros alternam as suas funções dentro da linha, evitando o esgotamento prematuro, ou seja, O primeiro que terminar de roçar é deslocado para ser colocado na cabeça da linha. Os outros homens vão fazendo o mesmo à medida que completam sua tarefa no trajeto designado (figura 45).

Figura 45 - Construção de aceiro (método por rotação)

Na construção de linhas de controle, os seguintes aspectos são relevantes:

I – evitar ângulos agudos; I – circundar focos secundários; I – a distância entre o fogo e a linha de controle deve estar condizente com a velocidade de propagação do fogo, tendo em vista a segurança das equipes durante a criação da linha; e IV – contornar obstáculos e evitar os solos e combustíveis críticos.

A técnica de queima consiste no uso da energia liberada pelo fogo para aumentar a largura do aceiro (figura 46).

Figura 46 - Técnica de Queima

A técnica de fogo contra fogo a favor do vento (running fire) é utilizada quando o sentido do vento coincide com o sentido de propagação do incêndio. O combate deve ser feito com o empenho de três equipes que atuarão em três momentos diferentes, a saber (figura 47):

I – numa primeira etapa, todos concorrerão para a construção de um aceiro a uma distância considerável da frente do fogo, distância esta que ficará a critério do comandante das operações;

I – num segundo momento, a primeira equipe vai atear fogo na vegetação, a partir de um ponto determinado, equidistante ou não da frente do fogo e da margem do aceiro mais próximo deste, o que vai depender da velocidade do incêndio.

Figura 47 - Running Fire (A favor do vento)

A técnica de fogo contra fogo contra o vento (backing fire) é utilizada quando o sentido do vento é contrário ao sentido de propagação do incêndio, ou seja:

I – a primeira equipe ateará fogo na vegetação numa linha defronte à cabeça do incêndio;

I – a segunda equipe repetirá a operação numa linha mais próxima da margem do aceiro; e

I – finalmente, a terceira equipe fará queimar a vegetação a partir de um determinado ponto mais próximo possível da margem do aceiro que seria atingida pelo incêndio, caso ele não fosse contido (figura 48).

Figura 48 - Backing Fire (Contra o vento)

Antes de iniciar um contra-fogo, deve-se assegurar da existência de meios e equipamentos de extinção suficientes para proteger a faixa de contenção, eliminando possíveis focos secundários que possam surgir.

As técnicas para utilização do fogo contra fogo diferem, na prática, da prevenção e combate apenas na finalidade da aplicação, ou seja:

I – se usada para limpar uma área, será a utilização de forma preventiva; mas

I – se as chamas estiverem sendo utilizadas para abrir uma linha negra a fim de extinguir o material combustível à frente de um incêndio, tratar-se-á de técnica de queima.

8 – Tática e Segurança no Combate a Incêndio em Vegetação

Tática, para fins da presente norma, é a maneira de aplicação do conjunto de meios ou recursos disponíveis para emprego na prevenção e combate aos incêndios em vegetação.

A tática deve ser coordenada pelos comandantes com os seguintes objetivos:

I – limitar e controlar os sinistros; I – reduzir os danos e prejuízos causados; e I – facilitar o restabelecimento da situação de normalidade, no menor prazo possível.

A primeira equipe de combate que chegar ao local do incêndio, defrontarse-á com problemas que deverão ser contornados com providências imediatas, no intuito de determinar o meio mais eficiente a ser adotado e planejar um ataque inicial tão logo esses pontos sejam conhecidos. Nesse sentido, deverão ser observados alguns aspectos:

I – utilização do Sistema de Comando de Incidentes; I – a segurança das equipes; I – método de combate (direto ou indireto) a ser empregado; IV – onde será feito o combate (cabeça, flancos ou retaguarda); V – ponto vital a ser atacado; VI – as melhores ferramentas a serem utilizadas para cada situação; VII – as zonas de segurança e o black; VIII – concentração de forças e equipamentos; IX – quando chegará o reforço; X – condições de comunicação; XI – hora de chegada e do início das ações; XII – nível de propagação (lenta, rápida ou muito rápida); XIII – a origem e causas do incêndio (se for possível); XIV – a frequência de incêndios na região (se for possível); XV – o melhor acesso até o fogo; XVI – rota de fuga; XVII – a cabeça do incêndio; XVIII – os materiais que estão à frente da cabeça do incêndio; e XIX – percurso que provavelmente o incêndio fará durante a sua evolução;

No combate a incêndios em vegetação os prováveis cenários a serem enfrentados são os seguintes:

I – primeiro cenário: caso de pequeno fogo, com grande caloria, ardendo em combustível pesado, próximo a terra solta, adota-se a seguinte ação:

a) arremessar terra sobre o combustível que está queimando, na base das chamas, para abafar e resfriar o material em combustão; b) circundar a margem do fogo com um aceiro ovalar ou circular, no intuito de controlar o incêndio com uma distância mínima de aceiro e com máxima rapidez. A ação de resfriamento diminui o perigo da propagação das chamas, ao passo que, a construção do aceiro, na margem do fogo, torna desnecessária a utilização do fogo de eliminação.

I – segundo cenário: caso de pequeno fogo, de propagação rápida em combustível leve, dispondo-se de bomba costal, adota-se a seguinte ação: dirigir jatos dágua na base do combustível que está queimando e, em ato contínuo, construir um aceiro. A água permite o resfriamento rápido e o aceiro construído, mesmo que a água tenha detido o fogo, evitará que ele volte a arder após a evaporação da água (figura 49).

Figura 49 - Combate com bomba costal

I – terceiro cenário: caso de fogo ardendo no alto de um tronco, com combustível em quantidade moderada em torno do mesmo e vento brando. Considerando que o tronco poderá ser tombado com segurança em terreno plano, adota-se a seguinte ação: a) remover o combustível na área de tombamento e circunscrever o tronco com um aceiro; b) derrubar o tronco e extinguir as chamas com água ou terra, observando a presença de chamas esparsas. Esta ação traz o foco de incêndio ao alcance operacional de extinção, evitando a disseminação de materiais em combustão (fagulhas) (figura 50).

Figura 50 – Tombamento de tronco incandescente

IV – quarto cenário: caso de pequeno fogo em combustível pesado, com grande desprendimento de calor, propagação rápida, passando para copa da vegetação. Considerando que uma viatura tipo ABT esteja disponível, adota-se a seguinte ação: a) atacar as pontas de fogo nos flancos; b) aplicar água na base da vegetação em chamas; c) trabalhar nos flancos objetivando atingir a cabeça do fogo; d) usar jatos paralelos à margem do fogo; e) fechar o esguicho quando se mover entre pontos; e f) prosseguir com trabalho de aceiro, circunscrevendo completamente o fogo. A pronta ação da água reduz a velocidade de propagação do fogo e oferece tempo suficiente para a construção do aceiro (figura 51).

Na tática de combate a incêndio utilizando água, quando puder utilizar esta tática, ataque diretamente a cabeça do incêndio, arrefecendo com água e detendo a propagação. Algumas vezes, em combustíveis ligeiros, pode-se evitar o calor e as chamas, atacando a partir do interior do incêndio. Outras vezes, as estratégias adequadas são os ataques nos flancos, sobretudo em combustíveis moderados ou pesados. Também é possível atacar desde a retaguarda, onde o calor e a fumaça são menores, sobretudo se o combustível é ligeiro.

Figura 51 - Combate com Auto Bomba Tanque

V – quinto cenário: caso de fogo em tora posicionada em terreno íngreme, solo sem acidentes, não dispondo de água para extinção, adota-se a seguinte ação: a) deter a proporção do fogo com um aceiro rapidamente construído, em caráter provisório; b) virar a tora em posição perpendicular ao declive; c) providenciar uma cova e rolar a tora; d) usar terra para abafar e resfriar o material em combustão. Com essa ação, evita-se que o material em combustão role declive abaixo e com a terra provoca-se a extinção, evitando que as brasas se espalhem (figura 52).

Figura 52 - Material incandescente em terreno íngreme

VI – sexto cenário: caso de fogo em declive rochoso íngreme, com material que pode rolar ao ser atingido pelo fogo, adota-se a seguinte ação: a) converter o aceiro em trincheira, como na situação anterior, usando pedra, toras pequenas e outros detritos para formar a estrutura; b) cobrir a superfície com terra viva e, se necessário, utilizar árvores, estacas ou pedras para manter as toras no lugar. Com isso, evita-se o rolamento de material incandescente que poderá originar focos abaixo da linha de controle

CBMGO/NO-03 38/74 (figura 53).

Figura 53 – Proteção através de barreiras e trincheira

9 – Mobilização e Desmobilização

A integração das Unidades permite a adoção de um único plano de contingência, objetivando a maximização dos recursos, a minimização do desgaste humano e material e a redução do tempo resposta.

A mobilização ocorrerá quando os recursos disponíveis na unidade da área afetada são insuficientes para conter o incêndio, necessitando de aporte de outras unidades para o restabelecimento da situação de normalidade.

A mobilização efetivará de acordo com as diretrizes, ordens, planos e/ou outras determinações pertinentes à necessidade devidamente verificada, tendo em vista o seguinte:

I – efetivo; I – instalações; I – viaturas; IV – materiais e equipamentos; e V – recursos financeiros.

No decorrer da operação, o bombeiro militar almoxarife, designado pelo comandante da operação, ficará responsável pelos materiais e equipamentos, devendo implementar um local para controle, acondicionamento e distribuição.

A Mobilização de instalações deverá ser feita a partir da estimativa das instalações necessárias para permitir o apoio das operações, verificando as instalações disponíveis.

Instalações construídas para outras finalidades, previamente cadastradas e mapeadas, podem ser adaptadas como instalações de apoio, por exemplo: I – ginásio de esportes;

I – escolas; e I – edificações que atende as condições mínimas se de segurança e higiene, e outras.

O Plano de chamada é um dos instrumentos de convocação para fins de mobilização de pessoal, devendo ser atualizado constantemente, de forma que o militar seja localizado onde estiver, no menor tempo possível, para compor a força tarefa.

A eficiência do Plano de chamada poderá ser verificada através de simulados, no intuito de verificar sua eficácia quando da convocação dos componentes da Força Tarefa ou dos demais bombeiros militares.

A desmobilização de pessoal e material ocorrerá por determinação do comandante da operação ou mediante ordem superior. O encarregado da desmobilização deverá utilizar o pessoal disponível para manutenir todos os materiais/equipamentos antes da devolução.

Nos casos de materiais, equipamentos e/ou veículos pertencerem a outras instituições públicas ou privadas, o comandante da operação providenciará os meios necessários para a devida devolução.

10 – Aquartelamento de Campanha e Composição das Equipes

O aquartelamento de campanha é o espaço físico destinado aos recursos disponíveis, alojamentos e do Posto de Comando, tendo em vista as seguintes necessidades:

I – suprimento de água potável; I – provisão de alimentos; I – suprimento de material de estacionamento, como: barracas, beliches, colchonetes, roupa de cama, travesseiros e utensílios de copa e cozinha;

IV – suprimento de material de limpeza e higienização; equipamentos individuais e coletivos, dentre outros.

O aquartelamento de campanha montado em área não edificada deverá possuir as latrinas, distantes, no mínimo, 3 m das margens do rio e similares, mantendo o tratamento dos dejetos através de cal virgem e/ou outros produtos para descontaminação.

Os banheiros devem ser mantidos adequados para o banho. O rancho deverá estar sempre em condições de fornecer alimentação ao pessoal envolvido na operação.

A equipe será formada por um efetivo mínimo de 5 bombeiros militares e no máximo de 7, denominada Guarnição de Combate a Incêndio Florestal – GCIF.

O emprego de até duas GCIF compõe um Destacamento de Combate a Incêndio Florestal – DCIF. Havendo o emprego de mais de duas até 4 GCIF, formar-se-á um Pelotão de Combate a Incêndio Florestal – PCIF. Consequentemente, havendo o emprego de mais de 4 até 6 GCIF, teremos uma Companhia de Combate a Incêndio Florestal – CCIF. Havendo o emprego de mais de 6 GCIF, a estrutura será de um Batalhão de Combate a Incêndio Florestal – BCIF.

Conforme diretriz do Comando Geral, será formada uma ou mais forçastarefas com o objetivo de complementar o emprego operacional para a prevenção e combate aos incêndios em vegetação. A Força ou Forças Tarefas serão comandadas por oficiais e coordenadas pelo comandante ou coordenador da operação.

Durante a operação, o oficial comandante poderá utilizar grupos de voluntários, desde que possuam conhecimentos e prática mínimos de prevenção e combate aos incêndios em vegetação.

1 – Meios de Orientação e Navegação

A orientação para as equipes de salvamento, resgate e combate a incêndios em vegetação é de grande importância para a segurança e êxito da operação. Cada bombeiro militar, quando de uma necessidade em se orientar, deve ter sempre em mente a sigla ESAON, que significa: E= Estacionar; S=Sentar; A=Alimentar; O=Orientar e N=Navegar.

A orientação é a maneira pela qual um observador determina o sentido de posição de um lugar. São vários os meios pelos quais uma pessoa pode se orientar. É necessário, entretanto, que tenha conhecimento dos pontos cardeais, colaterais e subcolaterais.

Vários são os processos de orientação utilizados nas operações dos quais os mais práticos e seguros são: I – GPS; I – bússola; e I – cartas topográficas;

Outros meios, menos seguros, poderão ser utilizados: I – o sol; I – as estrelas; I – a lua; IV – calor nas rochas, troncos de árvores, etc.

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