NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

(Parte 2 de 7)

Figura 19 b) combustível vivo ou verde são todos os combustíveis em normal crescimento e possuem umidade elevada, ou seja, possui menor poder de propagação.

Figura 20 – Floresta úmida

Quanto à disposição e arranjo teremos a continuidade vertical, horizontal e compactação:

a) continuidade vertical é quando a vegetação das copas das árvores permite uma ligação entre os vários combustíveis no solo, por meio de cipós, de pequenas árvores e de arbustos, facilitando a propagação das chamas do solo até as copas (figura 21);

Figura 21 b) continuidade horizontal é quando a vegetação permite uma proximidade continuada, vegetação lado a lado, facilitando, desta forma, a propagação das chamas. A existência, apenas de continuidade horizontal, só possibilitará a instalação de um incêndio de copa causado por correntes de convecção, seja por proximidade das copas com o solo devido à ocorrência de aclives ou em virtude de elevada inflamabilidade das copas como no caso de espécies resinosas.

Figura 2 c) compactação refere-se à distribuição volumétrica de combustível, isto é, a proximidade das partículas de combustíveis umas das outras, em relação à livre circulação do ar em torno das partículas (figura 23).

– a velocidade da combustão é diretamente interferida pelo nível de compactação, devido à aeração (para interferir a propagação num campo de mato, basta compactar a vegetação passando com a guarnição).

– quando as chamas do incêndio chegarem à faixa compactada, certamente diminuirá a intensidade, propiciando o ataque direto, o controle e a extinção do incêndio.

– a compactação é uma característica oposta à continuidade, ou seja, quanto maior a continuidade, maior a taxa de propagação, enquanto que maior a compactação significa menos calor e maior dificuldade de propagação, devido à falta de oxigênio em volta das partículas de combustível.

Figura 23

Quanto à disponibilidade, temos o combustível total, disponível e restante:

a) combustível total é todo o material existente no local do incêndio, seja ele vivo ou morto, pois com o decorrer do incêndio, devido à irradiação e à convecção, o que estava vivo poderá passar a estar morto, potencializando o incêndio.

b) combustível disponível é todo aquele que está em condições de queimar e consumir-se durante o incêndio.

c) combustível restante é a fração de combustível que não queimou e permaneceu após o incêndio. Conforme a severidade do Incêndio, o material restante poderá ficar com uma enorme potencialidade para a queima, devido à irradiação e à convecção, devendo-se atentar, de forma preventiva, para um novo incêndio.

5 – Classificação dos Incêndios em Vegetação

Os incêndios em vegetação classificam-se quanto ao tipo, morfologia, propagação e comportamento.

5.1 – Classificação quanto ao Tipo

Nos incêndios em vegetação são encontrados os seguintes tipos de fogo: I – de superfície; I – de copa; e I – subterrâneo.

Fogo de superfície é o que se desenvolve na superfície do solo, queimando os restos orgânicos depositados e a cobertura vegetal rasteira (figura 24) com as seguintes características: a) geralmente bastante inflamável; b) grande poder de propagação; c) a onda de calor normalmente não é tão grande; e d) geralmente queima materiais leves.

Figura 24 – Incêndio em vegetação rasteira

Fogo de copa caracteriza-se pela queima das copas das árvores. A folhagem é totalmente destruída e as árvores quase sempre morrem devido ao superaquecimento do câmbio. No Cerrado é difícil ocorrer esse tipo de incêndio, devido à descontinuidade da vegetação, possuindo árvores escassas no contexto (figura 25). Constituem características deste tipo de fogo: a) avança sempre na direção do vento; b) gera grande quantidade de calor; c) possui grande velocidade e propagação; d) muito perigoso de se trabalhar; e) geralmente origina um fogo de superfície; e f) ocorre em dias de vento forte e baixa umidade.

Figura 25 – Incêndio propagando-se pelas copas das árvores

Fogo subterrâneo é o que queima sob a superfície do solo. Mantém-se através da queima de húmus, turfa, raízes e troncos mais grossos. Perdura por longo tempo para queimar as camadas de húmus e turfa, que são compactadas e completamente isoladas da atmosfera. Devido à falta de oxigênio, o fogo se desenvolve de forma lenta, sem chamas, mas persistente. Gera enorme quantidade de calor, queima lentamente e, ainda, há dificuldade em se localizar o foco. É muito perigoso para o combatente (figura 26).

Figura 26 – Propagação do fogo abaixo da superfície

5.2 – Classificação quanto à Morfologia

Do ponto de vista morfológico, o incêndio em vegetação é constituído por: cabeça ou frente, que se define em função do sentido do vento; região posterior ou colo, localizada em sentido oposto ao da cabeça; flancos ou laterais.

Seja qual for o incêndio em vegetação, as principais partes sempre estarão presentes em sua formação. Para tanto, o combatente florestal deverá ter uma atenção redobrada quanto a sua posição de combate em relação às partes do incêndio (figura 27).

Figura 27 – Partes do Incêndio 5.3 – Classificação quanto à Propagação

O incêndio em vegetação sempre começa através de um pequeno foco que, inicialmente, tende a se propagar para os lados. Vários fatores, como a existência de ventos na região, a inclinação do terreno e o tipo de combustível definem a forma dos incêndios em vegetação, que pode ser pontual, superficial e linear:

a) o incêndio pontual é a forma inicial de um foco de incêndio florestal (figura 28).

Figura 28 – Foco de incêndio b) o incêndio superficial classifica-se em: I – circular: normalmente ocorre em dias calmos, sendo que em áreas planas é frequente observar um anel de chamas, semelhante a uma figura geométrica em forma de círculo (figura 29).

Figura 29

I – elíptico: normalmente ocorre com a presença de vento ou numa encosta, o anel de chamas já não tem a forma circular, mas sim a de uma elipse (figura 30).

Figura 30 I – irregular: pode-se observar tanto a forma circular como a elíptica.

c) no incêndio linear observa-se que as chamas possuem um formato em linha, mesmo que irregular. O vento, a topografia e o tipo de vegetação determinam a direção da queima, independentemente na cabeça e retaguarda do incêndio.

O incêndio linear possui propagação rápida, com alternância de calmaria e com rajadas de vento. Quando ocorre de forma irregular é decorrente da influência da vegetação heterogênea e pelos obstáculos naturais encontrados no terreno (figura 31).

Figura 31

5.4 – Classificação quanto ao Comportamento

Entre os fenômenos físicos que se descrevem no comportamento dos incêndios em vegetação estão:

I – velocidade de propagação; I – intensidade calórica; I – direção do avanço do fogo; e IV – tamanho das chamas.

A velocidade de propagação de um incêndio pode ser medida em forma de linha (m/seg; m/min; km/hora) e também conforme a superfície (m² ou hectares/unidade de tempo).

I – Lenta: 0-2 m/min; I – Mediana 2-10 m/min; I – Alta 10-70 m/min; e IV – Extrema + de 70 m/min.

Os combustíveis volumosos favorecem a propagação mais rápida e intensa do incêndio. Dessa forma, uma mata fechada similar a fitofisionomia do Cerradão pode se tornar propícia a grandes incêndios devido à disposição densa e volumosa de suas árvores.

A intensidade calórica é a taxa de liberação de energia ou taxa de liberação calórica por unidade de tempo e por unidade de largura da frente de avanço do fogo. A intensidade calórica mensura-se em quilocalorias (Kcal) por segundo e por metro de frente de fogo.

A direção do avanço do fogo é a orientação que tem a frente de avanço principal do incêndio. Se expressa segundo os pontos cardeais, sendo relevante a observação das condições climáticas, vegetação e o relevo onde se ocorre o incêndio.

O tamanho das chamas em um incêndio em vegetação é calculado de acordo com sua altura, largura e profundidade que podem alcançar. O tamanho das chamas depende também da quantidade de umidade dos combustíveis, da inclinação do terreno e das condições do vento. Mensura-se em centímetros ou metros (figura 32).

Figura 32

6 – Combate a Incêndio em Vegetação

As técnicas de combate a incêndio em vegetação são aplicadas tendo em vista inúmeros fatores, dos quais se destacam:

I – localização do incêndio; I – morfologia do local e da região; I – tipo de vegetação; IV – condições climáticas (umidade relativa do ar, variável umidade dos combustíveis, direção e magnitude dos ventos, temperatura ambiente);

V – exposição das vertentes; VI – tipo e comportamento do fogo; VII – forma de propagação do incêndio; e VIII – viatura e material a ser utilizado.

O êxito do combate aos incêndios em vegetação depende tanto das técnicas quanto das fases indispensáveis ao atendimento. As fases de combate a incêndio em vegetação são:

I – detecção: tempo decorrido entre início do fogo e o tempo que ele é visto por alguém;

I – comunicação: configura o tempo compreendido entre a detecção do fogo e o recebimento da informação pelo CBMGO;

I – mobilização de pessoal: tempo decorrido desde o acionamento das equipes até a chegada ao local do incêndio;

IV – estudo de situação e de contingência: avaliação ou reconhecimento do ambiente e da situação em que as equipes irão trabalhar, das condições de logística disponível e da necessidade de apoio operacional;

V – combate preliminar, salvamento e resgate: pós-fase do reconhecimento, fase de suma importância na tomada de decisão quanto ao emprego das equipes, tendo em vista as ações simultâneas que serão desencadeadas em decorrência do incêndio, ou seja, de controle do incêndio, salvamento de pessoas, animais e resgate de bens;

VI – combate inicial: fase de resposta com o objetivo de deter a frente principal do incêndio ou aquela que represente o maior risco;

VII – combate intermediário: pós-fase do combate inicial, com o objetivo de extinguir ou minimizar a progressão do incêndio e danos produzidos;

VIII – controle: consiste em circunscrever toda a área do incêndio dentro de uma linha de controle ou perímetro de segurança, com a finalidade de evitar a sua propagação ou reignição;

IX – extinção: é o resultado de todas as ações desenvolvidas e executadas no intuito de extinguir o incêndio; e

X – rescaldo: é a ação final preventiva no intuito de não permitir a reignição ou surgimento de novos focos de incêndio na área sinistrada.

7 – Dos Métodos e Técnicas de Prevenção, Controle e Extinção de Incêndios em Vegetação

Os métodos de prevenção e extinção utilizados para o combate aos incêndios em vegetação, baseiam-se nos elementos do triângulo do fogo, ou seja, eliminação do combustível, do oxigênio e do calor (figuras 3, 34 e 35).

A eliminação dos combustíveis consiste em eliminar ou cortar a continuidade do fogo por meio de aceiros ou linhas de controle.

Figura 3 - Eliminação do combustível (Isolamento)

A eliminação do oxigênio deve ser feita através do abafamento das chamas, utilizando abafadores ou qualquer material orgânico e/ou químico que não gere combustão.

Figura 34 - Eliminação do oxigênio (Abafamento)

A eliminação do calor tem como objetivo arrefecer ou esfriar o ambiente utilizando-se água pulverizada diretamente sobre os combustíveis, previamente ou no decorrer da combustão.

Figura 35 - Eliminação do calor (Resfriamento)

Os agentes extintores mais utilizados nos métodos de prevenção e combate a incêndio em vegetação são os seguintes:

I – água; I – terra; I – retardante químico; IV – espuma;

V – gás carbônico (CO2); e VI – explosão.

Os retardantes químicos são substâncias que melhoram as propriedades extintoras da água por torná-la mais viscosa e aderente à vegetação e ao combustível, por reduzir a evaporação da água aplicada e por efeitos inibidores diretos sobre a combustão. Dentre os compostos químicos que possuem essa propriedade, os mais eficientes são:

I – sulfato de amônia ((NH4) 2SO4) em solução a 20%; e I – diamônio fosfato ((NH4) 2HPO4) a 18%.

Os incêndios em vegetação podem ser combatidos pelos métodos: I – direto; I – indireto; ou I – paralelo.

O combate direto consiste no ataque direto às chamas e ao respectivo material combustível, iniciando o combate pela cabeça do incêndio, sempre que possível, de modo a barrar de imediato o seu desenvolvimento. Se esta ação não for segura, o ataque poderá iniciar-se pela retaguarda, pelos flancos ou na direção da frente principal do incêndio, de modo a controlar as chamas a partir do local mais favorável (figura 36).

Figura 36 – Combate direto

O combate indireto visa conter a propagação das chamas quando o ataque direto não for possível, de forma a circunscrever o incêndio em uma determinada área, devendo-se considerar os seguintes fatores:

I – estabelecimento de uma faixa de contenção ou linha de controle à distância da borda do incêndio, utilizando-se de estradas, caminhos ou aceiros; e

I – o combustível (vegetação), localizado no espaço entre o fogo e o aceiro, poderá ser eliminado mediante o uso do fogo (queima de alargamento). Este método permite condições de trabalho mais favoráveis e pode ser usado para deter o avanço de um incêndio de grandes proporções. Contudo, essa técnica é recomendada quando: a) a radiação de calor e a fumaça impedem o trabalho perto da borda do incêndio; b) o incêndio apresenta uma rápida propagação e grande emissão de projeções; c) o terreno é de topografia abrupta, o que dificulta a movimentação do pessoal; d) a vegetação é densa, o que facilita a propagação de copas; e e) a ameaça pelo incêndio não justifica uma ação direta sobre o incêndio.

O combate paralelo é a combinação dos métodos direto e indireto, envolvendo meios terrestres e, quando possíveis, meios aéreos.

Os aceiros consistem em qualquer descontinuidade da vegetação em uma determinada área, natural ou por ação humana, com a finalidade de evitar ou

CBMGO/NO-03 27/74 minimizar a propagação das chamas (figuras 37, 38 e 39).

Figura 37 – Aceiro por Ação Humana

Figura 38 - Aceiro Natural

Figura 39 - Aceiro Artificial ou por Ação Humana

A construção do aceiro deve ser precedida de uma criteriosa análise que envolva:

I – área, tipo e porte de vegetação; I – predominância da direção e velocidade de ventos; I – pontos de acesso e rotas de fuga; IV – largura do aceiro; V – local de construção; e VI – disponibilidade de tempo e meios.

Quanto à largura do aceiro, estima-se que o tamanho da faixa roçada deve ser de 4 a 5 vezes o tamanho da faixa raspada.

Todo o combustível retirado da limpeza do aceiro deve ser removido em direção à área a preservar, com a finalidade de evitar o acúmulo da carga incêndio quando da utilização do fogo contra fogo.

A construção do aceiro deverá estar condicionado à suficiência de tempo, topografia e vegetação do local, levando-se em consideração os seguintes fatores:

I – o aceiro deverá ser contínuo, ou seja, sem a ocorrência de bolsões de vegetação que venham possibilitar a passagem do fogo pelo aceiro;

I – sempre que possível, as equipes deverão direcionar o fogo para aceiros naturais, tais como: rios, lagos, estradas, paredões rochosos e outros; e

I – estabelecimento, a pronto emprego, de uma ou mais rotas de fuga para uma zona de segurança.

Utiliza-se também a linha de fogo ou fogo contra fogo para conter outra frente ou alargar o aceiro (figura 40).

(Parte 2 de 7)

Comentários