NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

NO-03 - Prevencao e Combate a Incendio Florestal

(Parte 1 de 7)

30 de novembro de 2010

Titulo Único Da Prevençãoe Combatea Incêndio Florestal

1 - Considerações Gerais
2 - Cerrado Goiano e sua Vegetação
3 - Triângulo do Incêndio Florestal
3.1 - Topografia

3.2 - Condições Climáticas e Umidade dos Combustíveise

sua Variável
3.2.1 - Ventos
3.2.2 - Temperatura
3.2.3 - Umidade Relativa do Ar
3.3 - Umidade do Combustível ou Vegetação
4 - Mapeamentoe Classificação dos Combustíveis
4.1 - Mapeamento
4.2 - Classificação dos Combustíveis
5 - Classificação dos Incêndios em Vegetação
5.1 - Classificação quanto ao Tipo
5.2 - Classificação quanto à Morfologia
5.3 - Classificação quanto à Propagação
5.4 - Classificação quanto ao Comportamento
6 - Combatea Incêndio em Vegetação

3.4 - Da Variável Umidade do Combustível ou da Vegetação

Extinção de Incêndios em Vegetação
Vegetação
9 - Mobilização e Desmobilização

7 - Dos Métodos e Técnicas de Prevenção, Controlee .8 - Tática e Segurança no Combatea Incêndio em 10 - Aquartelamento de Campanha e Composição das

Equipes
1 - Meios de Orientação e Navegação
12 - Unidades de MedidaI
13 - Equipamentos de Combate aos Incêndios Florestais
13.1 - Equipamentos Individuais
13.2 - Equipamentos Coletivos
14 - Viaturas de Combate aos Incêndios Florestais
Florestais
15.1 - Regras Básicas de Segurança
15.2 - Equipamentos de Proteção Individual
15.3 - Manutenção e Transporte das Ferramentas
16 - Das Operações de Apoio Aéreo
Referências Bibliográficas

15 - Segurança nas Atividades de Combate aos Incêndios

Titulo Único Da Prevenção e Combate a Incêndio Florestal

1 – Considerações Gerais

Esta norma tem por finalidade padronizar os procedimentos operacionais e o aprimoramento técnico-profissional nas atividades de prevenção e combate a incêndios florestais no Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás – CBMGO.

De acordo com a legislação e regulamentação pertinente, em especial a

Lei n. 12.596, de 14 de março de 1995, que institui a Política Florestal no âmbito do Estado, regulamentada pelo Decreto n. 4.593, de 13 de novembro de 1995, combinada com a Lei n. 15.802, de 1 de setembro de 2006, esta norma visa também estabelecer doutrina relacionada à prevenção e combate a incêndio em todas as formas de vegetação existente no território goiano, com ênfase ao bioma Cerrado e suas características gerais.

A figura abaixo representa a logomarca da “Operação Cerrado Vivo”, simbolizando a preservação e proteção do Cerrado goiano e de suas florestas.

O clima típico do território goiano é o tropical semi-úmido, com duas estações bem definidas: inverno seco e verão chuvoso.

O solo do cerrado goiano se destaca pela deficiência em nutrientes e pelos altos teores de ferro e alumínio, abrigando plantas de aparência seca, na maioria arbustos esparsos sob uma manta de gramíneas, armazenando em seu subsolo reservas significativas de água doce.

Para efeito de aplicação desta norma, considera-se como florestais os incêndios ocorridos em qualquer tipo de vegetação.

2 – Cerrado Goiano e sua Vegetação

O Cerrado existente no território goiano possui uma diversidade fisionômica singular, tendo em vista as condições ambientais locais, condicionadas pelo tipo e profundidade do solo, clima local e relevo, com variações fitofisionômicas, com as seguintes formas de vegetação:

I – Cerrado (strictu sensu): é a vegetação composta por exemplares arbustivo-arbóreos, de caules e galhos grossos e retorcidos, distribuídos de forma ligeiramente esparsa, intercalados por uma cobertura de ervas, gramíneas e espécies semiarbustivas (figura 1);

Figura 1 – Cerrado (strictu sensu)

I – cerradão: a vegetação cresce em solos bem drenados e relativamente ricos em nutrientes. Nesse tipo de vegetação as copas das árvores, que medem em média de 8 a 10 m de altura, se mostram de forma agrupadas com aspecto fechado (figura 2);

Figura 2 – Cerradão

I – campo rupestre: encontrado em áreas de transição do cerrado para a caatinga. Os solos deste tipo fisionômico são quase sempre rasos e sofrem bruscas variações em relação à profundidade, drenagem e conteúdo nutricional. É, caracteristicamente, composto por uma vegetação arbustiva de distribuição aberta ou fechada (figura 3);

Figura 3 – Campo rupestre

IV – campos litossólicos miscelâneos: caracterizados pela presença de um substrato duro “rocha mãe”, ou seja, solo macio praticamente inexistente. Mas, quando presente, não ocupa mais que poucos centímetros de profundidade até se deparar com a camada rochosa pela qual não passam nem umidade nem raízes. Sua flora é caracterizada por um tapete de ervas latifoliadas ou de gramíneas curtas, havendo, em geral, a ausência de exemplares arbustivos ou a presença de raríssimos espécimes lenhosos, neste caso, enraizados em frestas da camada rochosa (figura 4);

Figura 4 - Campos litossólicos miscelâneos

V – vegetação de afloramento de rocha maciça: representada por cactos, liquens, musgos, bromélias, ervas e raríssimas árvores e arbustos, cresce sob

CBMGO/NO-03 4/74 escarpas e vertentes íngremes (figura 5);

Figura 5 - Vegetação de afloramento de rocha maciça

VI – florestas de galerias e florestas de encosta associadas: tipos de vegetação que ocorrem de modo adjacente. Elas estão associadas à proximidade do lençol freático da superfície do solo. Assim como as florestas mesofíticas, também constituem um tipo florestal. Contudo, estão situadas sob solos mais férteis e com maior disponibilidade hídrica, o que lhes atribui uma característica mais densa (figura 6);

Figura 6 - Florestas de galerias

VII – buritizais e veredas: ocorrem nos fundos dos vales em áreas inundadas, inviáveis para o desenvolvimento das florestas de galerias. São caracterizados pela presença dos denominados "brejos" e há a ocorrência de agrupamento de exemplares de buriti (Mauritia vinifera Mart.), em áreas mais úmidas, babaçu (Orbignya barbosiana Burret) e carnaúba (Copernicia prunifera Miller) em áreas mais secas (figura 7); e

Figura 7 - Buritizais e veredas

VIII – campo úmido: caracterizado por um campo limpo, com raras espécimes arbóreas. Ele permanece encharcado durante a época chuvosa e ressecado na estação seca ou, no final desta. Em geral, constitui uma área de transição que separa a floresta de galeria ou a vereda do Cerrado de interflúvio (figura 8).

Figura 8 - Campo úmido

3 – Triângulo do Incêndio Florestal

Em analogia ao triângulo do fogo, o triângulo do incêndio florestal é bem mais complexo, devido à dificuldade em controlar os elementos que o compõem (clima, topografia e vegetação) (figura 9).

Figura 9 – Triângulo do Incêndio em Vegetação 3.1 – Topografia

As formas do relevo de uma determinada região podem influenciar diretamente na circulação do vento, nas médias térmicas e na umidade relativa do ar, podendo favorecer ou não a propagação dos incêndios em vegetação.

Dentre as principais características topográficas de uma área que podem condicionar a dinâmica dos incêndios em vegetação, destacam-se:

I – a altitude; I – a exposição das vertentes; I – a inclinação do terreno; e IV – a morfologia do relevo.

O principal aspecto a ser considerado, junto à variável altitude, se baseia na influência que esta possui na composição fisionômica e distribuição da vegetação sobre a superfície terrestre (figura 10).

Figura 10 – Influência da altitude na postura da cobertura vegetal

A exposição das vertentes, refere-se ao posicionamento de uma vertente em relação ao sol, ou seja, ao meio-dia registram-se diferenças dos valores de temperatura entre uma vertente virada ao sul, que se apresenta mais fria que uma

CBMGO/NO-03 7/74 virada ao norte, mais quente (figura 1).

Figura 1 – Exposição das Vertentes

Para observar as diferenças demonstradas no parágrafo anterior, basta olhar com atenção para os combustíveis (vegetais) existentes numa e noutra encosta, que, muitas vezes, nestas circunstâncias são diferentes, adaptando-se às condições climáticas locais, com maior exposição ao sol, ou seja, a propagação do incêndio poderá ocorrer com maior facilidade na área onde a incidência dos raios solares é mais intensa.

A inclinação de uma vertente pode interferir na velocidade de propagação do fogo, e na ação direta da tropa contra o sinistro. Quanto mais inclinado for o terreno mais se dobram as chamas no sentido da propagação, o que torna o trabalho de combate direto mais perigoso.

No aclive, o fogo queima com mais rapidez para cima, devido à ação de uma corrente de convecção produzida por gazes quentes (figura 12);

Figura 12

No declive, o fogo é lento porque as correntes de convecção deslocam no sentido oposto aos combustíveis, não os aquecendo (figura 13;

Figura 13

Nos declives íngremes, troncos incandescentes podem rolar, causando riscos para os bombeiros, quer pelo impacto com o material, quer pela possibilidade que eles têm de conduzir o fogo para a retaguarda dos bombeiros.

A morfologia do relevo é constituída por um conjunto das formas da crosta terrestre, suas feições são determinadas pela ação de agentes internos (tectonismo, vulcanismo) e externos (ventos, precipitações hídricas, degradação ambiental).

As principais formas do relevo podem ser generalizadas em três fisionomias básicas: planaltos, planícies e depressões. As formas do relevo podem também constituir-se em fator determinante na produção de micro-climas.

3.2 – Condições Climáticas e Umidade dos Combustíveis e sua Variável

As condições climáticas exercem influência marcante nos incêndios em vegetação, tendo como principais fatores:

a) a continentalidade ou interioridade de uma área; b) a temperatura; e c) o relevo.

A interioridade de uma região influencia, principalmente, na umidade relativa do ar. Nas áreas típicas de cerrado a baixa umidade relativa do ar é justificada pelo distanciamento em relação às grandes massas de água (oceanos). O relevo pode condicionar tanto a direção dos ventos como a temperatura.

No combate a incêndios nas áreas de vegetação, as condições climáticas que podem influenciar nas ações operacionais são as seguintes:

I – vento; I – temperatura; e I – umidade relativa do ar.

O vento é o suprimento adicional de oxigênio para o incêndio. Favorece o transporte de chispas ou de fagulhas e a secagem do material combustível, ou seja, quanto mais forte for o vento, mais rápida será a propagação das chamas (figura 14).

Os ventos, de acordo com o histórico do território goiano, podem ser classificados em periódicos (brisas, ciclones e vendavais) e turbulências (térmica e mecânica):

– as brisas são ventos de pouca intensidade, que geralmente não ultrapassam aos 50 km/h.

– o ciclone caracteriza-se por uma tempestade violenta que ocorre em regiões tropicais ou subtropicais, produzida por grandes massas de ar em alta velocidade de rotação com ventos que superam aos 50 km/h.

– os vendavais são ventos fortes com grande poder de destruição que chegam a atingir até 150 km/h. Ocorre geralmente de madrugada e sua duração pode ser de até 5 horas.

– a turbulência térmica, causada pelas correntes de convecção localizadas, é decorrente do aquecimento da superfície (ar frio movendo-se sobre o solo mais quente).

– a turbulência orográfica, decorre da irregularidade da superfície terrestre e da velocidade do vento, sendo que a mecânica ocorre em áreas urbanas em virtude de obstáculos artificiais (ex. edificações verticais).

Figura 14

No inverno temos um período crítico, devido à falta de chuva, sendo que a maior temperatura do dia acontece no período das 12h às 14h, favorecendo a secagem da vegetação. Em contrapartida, temos uma noite muito fria atingindo a menor temperatura entre 2h e 6h, que ajuda a umedecer o combustível.

A temperatura durante o dia tem efeito direto sobre a tropa, quanto mais alta for, mais desconfortáveis e cansativas serão as condições de trabalho. Conforme o horário, há uma alternância na umidade relativa do ar, na temperatura do solo, na temperatura do ar circulante, na elevação da pressão atmosférica e na umidade da vegetação.

Levando-se em consideração os fatores mencionados no parágrafo anterior, constata-se que o melhor horário para combate ao incêndio é entre 18h e 10h, sendo que, teoricamente, os melhores resultados poderão ser alcançados no período compreendido entre 2h e 6h da manhã, desde que a topografia ofereça condições de segurança para o combate.

A temperatura também exerce influência sobre a combustibilidade da vegetação:

I – ponto de ignição está entre 260°C a 398°C; e I – ponto de ignição da madeira seca: em torno de 285°C.

3.2.3 – Umidade Relativa do Ar

Podemos medir a umidade de várias maneiras, mas a umidade relativa é a mais comum. Para entender a umidade relativa, é preciso compreender a umidade absoluta: relação entre o peso da água dissolvida no ar e o peso do ar seco. Sua unidade de medida é grama por quilograma (g/kg).

A umidade relativa é a razão entre a umidade absoluta atual e a maior umidade absoluta possível (depende da temperatura atual do ar). Quando a umidade relativa do ar atinge 100%, o ar está totalmente saturado com vapor d'água, criando a possibilidade de chuva. A umidade abaixo de 50 % aumenta o risco de incêndios.

3.3 – Umidade do Combustível ou Vegetação

A Umidade do Combustível é a quantidade de água presente na vegetação, expressa como porcentagem em relação ao peso seco. A umidade do material combustível influencia diretamente na propagação do incêndio e no comportamento que este apresenta uma vez iniciado.

Os combustíveis vivos têm umidade muito elevada, podendo, às vezes, funcionar como retardante do incêndio (cortinas de segurança). Abaixo de 75 % de sua umidade absoluta, o perigo de incêndio torna-se iminente, ou seja, varia muito em função da temperatura (figura 15).

Figura 15 3.4 – Da Variável Umidade do Combustível ou da Vegetação

A variável umidade do combustível é outro elemento que compromete a dinâmica do comportamento do incêndio em vegetação, influenciando diretamente no poder de inflamabilidade e propagação, tendo em vista que no local de incêndio podem existir vários tipos de vegetação com diferentes capacidade de retenção de líquido.

Outros aspectos que devem ser considerados, sob o ponto de vista da variável umidade do combustível, são as dimensões e a homogeneidade dos combustíveis. Quanto menores e mais homogêneas a dimensão dos combustíveis, mais rápida será a queima total. Quanto mais uniformes a dimensão e a homogeneidade dos combustíveis, mais previsível será sua propagação e seus danos.

4 – Mapeamento e Classificação dos Combustíveis 4.1 – Mapeamento

O mapeamento do material combustível ou de vegetação é de fundamental importância para as ações de prevenção e combate a incêndios, tendo em vista:

I – o porte (pequeno, médio ou grande); I – sua extensão territorial (altura, largura e profundidade); I – sua localização; e IV – sua umidade.

Quanto à localização, os combustíveis classificam-se em: I – subterrâneo: são as raízes e outros materiais que se encontram sob o solo vegetal;

I – superficial: é composto por folhas, acículas, arbustos ou árvores jovens, troncos, etc. Encontra-se até 1,5 m de altura sobre o solo;e

I – aéreo: são as ramas, frutos das árvores, folhagens, musgos e outros que se encontram acima de 1,5 m sobre o solo (figura 16).

Figura 16

4.2 – Classificação dos Combustíveis

Os Combustíveis classificam-se quanto à: I – rapidez em arder; I – condição orgânica; I – disposição e arranjo; e IV – disponibilidade.

Quanto à rapidez em arder podem ser lentos ou ligeiros: a) combustíveis lentos são aqueles que geram uma grande quantidade de calor, queimam em superfície e em profundidade, com pequena velocidade de propagação (troncos, árvores de grande porte, raízes centenárias, etc.) (figura 17);

Figura 17 b) combustíveis ligeiros são aqueles que apresentam grande poder de propagação com maior perigo no seu combate e maiores cuidados em relação a uma área de segurança ou escape. Geralmente apresentam pequeno poder calorífico (gramíneas, arbustos, árvores jovens, etc.) (figura 18).

Figura 18 – Incêndio em pastagem

Quanto à condição orgânica, a água é de fundamental importância, pois estará diretamente relacionada à umidade da vegetação, ou seja, teremos o combustível morto, vivo ou verde:

a) combustível morto é constituído pela vegetação morta. Apresenta maior poder de propagação por possuir menor porcentagem de umidade; e

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