Distanásia

Distanásia

Distanásia

A distanásia é exatamente o oposto da eutanásia, ela é representada pela prolongação da vida de um indivíduo mesmo que este seja desenganado pelos médicos, como no caso de doenças incuráveis.

O ato da distanásia pode levar o doente, sua família e amigos a um maior sofrimento ao adiar a sua morte, porém, no Brasil a eutanásia ainda não é legalmente permitida.

No período de distanásia podem-se usar todos os recursos que a medicina dispõe para prolongar a vida do doente como a medicação ou outros tratamentos, mesmo sabendo que o doente nunca será curado e as chances de melhoria de seu quadro são extremamente baixas.

Muitos doentes em distanásia encontram-se nos cuidados paliativos de hospitais.

A distanásia pode abranger 3 aspectos principais: o pessoal, o familiar e o social.

No aspecto pessoal, o indivíduo doente, que inicialmente teve seu processo de morte prolongado em vista de uma possibilidade idealizada de cura, aos poucos passa a depender completamente do processo tecnológico que o mantém, e a prorrogação constante da morte se torna o único elo com a vida; o doente se torna passivo e já não decide por si mesmo, apenas vive em função do processo de controle sobre a natureza.

No aspecto familiar, ocorre uma dualidade psicológica: por um lado o prolongamento da vida do ente querido, enquanto por outro o sofrimento perante a possibilidade constante e repetitiva da perda, além do doloroso ônus financeiro em prol de um objetivo inalcançável.

No aspecto social, ocorre o esgotamento da disponibilidade de recursos mediante uma situação irreversível, que repercute sobre o emprego oneroso dos recursos públicos, em especial nas sociedades carentes, em prejuízo de questões mais essenciais para a saúde pública, cujo resultado teria maior abrangência social.

O desafio de cuidar

Cultivar a sabedoria de integrar a morte na vida, como algo natural e inerente à própria vida, é indispensável. A morte não é uma doença e não deve ser tratada como tal. Podemos ser curados de uma doença classificada como mortal, mas não de nossa mortalidade e finitude humanas. A condição de existir não é uma patologia! Quando isso é esquecido, cai-se na tecnolatria e na absolutização pura e simples da vida biológica. Nesse contexto, instrumentos de cura e cuidado se transformam em ferramentas de tortura.

Exemplo nesse sentido foi dado pelo papa João Paulo II. Quando foi proposto a ele que voltasse para a UTI do hospital (Clínica Gemelli), o pontífice, percebendo que sua vida chegava ao momento final, recusou e simplesmente pediu: “Deixem-me partir, para o Senhor”. Se o papa voltasse ao hospital e ficasse em uma UTI, sua vida certamente poderia ser prolongada por vários dias, mas em que isso o beneficiaria? O que se evitou aqui foi a distanásia.

Permanece como um grande desafio o cultivo da sabedoria de abraçar e integrar a dimensão da finitude e da mortalidade na vida, bem como oferecer cuidados holísticos (físico, social, psíquico e espiritual) no adeus final. É necessário exercitar profunda indignação ética em relação a tudo o que diminui a vida em um contexto social excludente (mistanásia) e se comprometer com a solidariedade. Ter convicções ligadas a limites opostos: de um lado, a não abreviar intencionalmente a vida (eutanásia), de outro, não realizar um tratamento fútil e inútil (distanásia), prolongando o sofrimento e adiando a morte inevitável.

Entre o não abreviar e o não prolongar está o cuidar com arte e humanidade, ou seja, garantir a morte em paz e sem sofrimento (ortotanásia), proporcionada pela prática dos cuidados paliativos. É um desafio grande aprender a cuidar do paciente fora das possibilidades terapêuticas, terminal, sem exigir retorno, com a gratuidade com que se cuida de um bebê, em um contexto social no qual tudo é medido pelo mérito! Assim como os humanos são cuidados ao nascer, devem também ser cuidados no final da vida. Cuidar é um desafio que une competência técnico-científica e ternura humana, sem esquecer que “a chave para se morrer bem está no bem viver!”

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