2008-03-26 - apostila - Contabilidade Gerencial e Financeira

2008-03-26 - apostila - Contabilidade Gerencial e Financeira

(Parte 1 de 5)

Unidade de Santa Helena de Goiás MBA em Gestão Estratégica de Negócios

FINANCEIRA (1ª Parte)

Profª Ms.Débora Ferguson Ferreira

1. TOMADA DE DECISÃO. 5 1.1. Tomada De Decisão Em Uma Empresa 5 1.2. Fatores Que Auxiliam As Tomadas De Decisões Nas Empresas 5 1.3. Função do Contador 6 2. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E RELATÓRIOS CONTÁBEIS 7 2.1. Relatório contábil 7 2.2. Relatórios Obrigatórios 7 2.3. Complementação às Demonstrações Financeiras. 7 2.3.1 Relatório da diretoria (ou da administração) 7 2.3.2 Notas Explicativas 8 2.3.3 Parecer dos Auditores 8 2.3.4 Balanço Social 9 3 BALANÇO PATRIMONIAL 10 3.1 Capital De Terceiros X Capital Próprio 12 3.2 Origem E Aplicação De Recursos 13 3.3 Requisitos Do Balanço Patrimonial 13 3.4 Curto Prazo E Longo Prazo 14 3.5 Ciclo Operacional 15 3.6 Grau De Liquidez 16 3.7 Classificação Dos Grupos De Contas Do Ativo E Passivo 16 3.8 Grupos De Contas Do Ativo 17 3.8.1 Ativo Circulante 17 3.8.1.1 Componentes Do Ativo Circulante 18 3.8.1.2 Significado Dos Termos Contábeis 18 3.8.2 Ativo Realizável A Longo Prazo 2 3.8.3 Ativo Permanente 2 3.9 Grupo De Contas Do Passivo 23 3.9.1 Componentes Do Passivo 23 3.9.1.1 Passivo Circulante 23 3.9.1.2 Passivo Exigível A Longo Prazo 23 3.10 Grupo De Contas Do Patrimônio Líquido 24

4 ALGUMAS DECISÕES EM RELAÇÃO AO BALANÇO PATRIMONIAL 25

4.1 Importância Do Passivo. 25 4.2 Situação Financeira: Ativo Circulante X Passivo Circulante 26 4.3 Capital Circulante Líquido (CCL). 26 5 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE) 27 5.1 Detalhes De Informações Da Dre 28 5.1.1 Receita Líquida. 29 5.1.2 Lucro Bruto 30 5.1.2.1 Custo Das Vendas 31

5.2 Lucro Operacional 31 5.2.1 Despesas Operacionais 32 5.2.1.1 Despesas De Vendas 32 5.2.1.2 Despesas Administrativas 32 5.2.1.3 Despesas Financeiras 32 5.2.1.4 Variações Monetárias 3 5.2.2 Outras Despesas E Receitas Operacionais 34 5.3 Lucro Antes Do Imposto De Renda 34 5.3.1 Despesas E Receitas Não Operacionais 34 5.4 Lucro Antes Do Imposto De Renda 35 5.4.1 Calculo Do Ir E Da Contribuição Social Sobre O Lucro 35 5.4.2 Alguns Ajustes No Lucro 35 5.5 Lucro Líquido 37 5.5.1 Participações Nos Lucros 37 5.5.2 Lucro Líquido Por Ações 38 5.5.3 Distribuição Do Lucro E Demonstração Dos Lucros E Prejuízos

Acumulados 38

6 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. (DLPA). 39

6.1 O Que Fazer Com O Lucro 39 6.2 Instrumento De Integração Entre Dre E Balanço Patrimonial 40 6.3 Exemplo De Demonstração De Lucros Ou Prejuízos Acumulados 40 6.3.1 Ajustes De Exercícios Anteriores 41 6.3.2 Proposta Da Administração Para Destinação Dos Lucros 42 6.3.3 Transferência De Lucro Líquido Para Reservas De Lucros (Conforme

A Lei Das Sociedades Anônimas) 42

6.3.3.1 Reserva Legal 42 6.3.3.2 Reservas Estatutárias 42 6.3.3.3 Reservas Para Contingência 43 6.3.3.4 Reserva Orçamentária 43 6.4 Dividendos – Transferência De Lucro Líquido Para Dividendos 43 6.5 Demonstração De Lucros Ou Prejuízos Acumulados 4 7. DEMONSTRAÇÕES DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL). 45

8 DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS (DOAR) 52

8.1 Conceitos Preliminares 52 8.1.1 Exemplo De Variações Do Capital Circulante Líquido (CCL) 53 8.2 Introdução A Estrutura Da Doar 54 8.3 Conceito De Origem E Aplicação 5 8.4 Elementos Não Monetários Que Interferem No Lucro Líquido 58 8.5 Técnicas De Elaboração Da Doar 60 8.5.1 Contas Do Não Circulante 61 8.5.1.1 Realizável A Longo Prazo 61 8.5.1.2 Permanente 61

8.5.1.3 Exigível A Longo Prazo 62 9 REGIMES CONTÁBEIS DE APURAÇÃO DO RESULTADO. 63 9.1 Regime de competência 63 9.2 Regime de caixa 63 10 PCGA - PRINCÍPIOS CONTÁBEIS GERALMENTE ACEITOS 64 1 REFERÊNCIAS 65 12 PRÁTICA 6 13 ANEXOS 98

1. TOMADA DE DECISÃO.

O ser humano pela sua própria natureza vive tomando decisões; algumas comuns ao dia a dia como: ♦ Horário de acordar;

♦ O que vestir; ♦ O que comer;

♦ O que fazer no final de semana.

Por outro lado algumas decisões são importantíssimas e necessitam de um cuidado maior, uma análise mais profunda dos dados disponíveis, pois, uma decisão mal tomada pode prejudicar toda uma vida: ♦ A carreira que se escolhe;

♦ Compra da casa própria.

1.1 - TOMADA DE DECISÃO EM UMA EMPRESA ♦ Comprar ou alugar uma máquina?

♦ Qual a quantidade de estoque mínimo que a empresa deve ter?

♦ Qual setor deve ter o seu custo reduzido?

♦ Produzir mais ou não? 1.2 - FATORES QUE AUXILIAM AS TOMADAS DE DECISÕES NAS EMPRESAS ♦ Dados;

♦ Informações corretas;

1.3 - Função do Contador:

2. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E RELATÓRIOS CONTÁBEIS

2.1 - Relatório contábil: é a exposição resumida e ordenada de dados colhidos pela contabilidade. Ele objetiva relatar às pessoas que utilizam os dados contábeis os principais fatos registrados por aquele setor em determinado período.

2.2 - Relatórios Obrigatórios: São os exigidos por lei, conhecidos como demonstrações financeiras.

⇒ Balanço Patrimonial;

AdministraçãoAdministração

InvestidoresInvestidores

BancosBancos

GovernoGoverno Outros interessadosOutros interessados

Coleta de dadosColeta de dadosRegistro de Registro de dadosdados

Usuários (tomada Usuários (tomada de decisão)de decisão)RelatóriosRelatórios

AdministraçãoAdministração

InvestidoresInvestidores

BancosBancos

GovernoGoverno Outros interessadosOutros interessados

Coleta de dadosColeta de dadosRegistro de Registro de dadosdados

Usuários (tomada Usuários (tomada

⇒ Demonstração do Resultado do Exercício; ⇒ Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados;

⇒ Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido;

⇒ Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos.

2.3 - Complementação às Demonstrações Financeiras.

2.3.1 - Relatório da diretoria (ou da administração): Após a identificação da empresa, na publicação das Demonstrações financeiras, destaca-se, em primeiro plano, o Relatório da Administração, em que a Diretoria dará ênfase às informações normalmente de caráter não financeiro (não monetário). As principais informações são: ♦ Dados estatísticos diversos;

♦ Indicadores de produtividade;

♦ Desenvolvimento tecnológico

♦ A empresa no contexto socioeconômico;

♦ Políticas diversas; recursos humanos, exportação;

♦ Expectativa com relação ao futuro;

♦ Dados do orçamento de capital;

♦ Projetos de expansão;

♦ Desempenho em relação aos concorrentes.

Segundo IUDICÍBUS & MARION (2000:23) “Essas informações seriam mais significativas se não houvesse excesso de otimismo (inconseqüente), como algumas vezes se observa. Os administradores da companhia aberta são obrigados a comunicar imediatamente à bolsa de valores e a divulgar pela imprensa qualquer deliberação da assembléia geral ou dos órgãos de administração da companhia, ou qualquer outro fato relevante ocorrido em seus negócios, fato que possa influir de modo ponderável na decisão dos investidores e o mercado de vender ou comprar valores mobiliários emitidos pela companhia”.

2.3.2 - Notas Explicativas: São normalmente destacadas após as Demonstrações

Financeiras (quando publicadas). A Lei das S/A estabelece que as Demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício.

Como alguns exemplos de notas Explicativas podemos citar: ♦ Critérios de cálculos na obtenção de itens que afetam o lucro;

♦ Obrigações de longo prazo, destacando credores, taxas de juros, garantias à dívida e outros fatos importantes; ♦ Composição do Capital Social por tipos de ações;

♦ Ajustes de exercícios anteriores.

2.3.3 - Parecer dos Auditores: As companhias abertas, instituições financeiras, e alguns outros casos específicos estão obrigados a publicar as demonstrações com o parecer da Auditoria Independente.

Trata-se de parecer de auditor que não possui nenhum tipo de vínculo com a instituição, tendo total independência para manifestar sua opinião.

Para maior segurança do usuário da contabilidade, as empresas auditadas apresentam parecer do auditor, onde ele expressa Ter feito um exame nas Demonstrações Financeiras, efetuado de acordo com os padrões de auditoria geralmente aceitos.

ao exercício anterior

O auditor emite sua opinião informando se as Demonstrações Financeiras representam adequadamente a situação Patrimonial e a Posição Financeira na data do exame. Informa se as Demonstrações Financeiras foram levantadas de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e se há uniformidade em relação

2.3.4 - Balanço Social: Evidência o perfil social das empresas:

♦ Relações de trabalho dentro da empresa (empregados: quantidade, sexo, escolaridade, encargos sociais, gastos com alimentação, educação, saúde do trabalhador, previdência privada); ♦ Tributos pagos;

♦ Investimentos para a comunidade (em cultura, esporte, habitação, saúde pública, saneamento, assistência social...); ♦ Investimentos no meio ambiente.

3 - BALANÇO PATRIMONIAL

⇒ Reflete a posição financeira de uma empresa em determinado momento. ⇒ O Balanço Patrimonial é constituído de duas colunas a coluna do lado direito denominada de Passivo e a coluna da esquerda denominada de Ativo

Representação gráfica

ATIVO: Todos os bens e direitos de propriedade da empresa, avaliáveis em dinheiro, que representam benefícios presentes ou futuros para a empresa.

Requisitos para ser um ATIVO:

1º Ser um bem ou um direito ⇒ Bens: máquinas, terrenos, estoques, dinheiro (Moeda) ferramentas, veículos, instalações, etc.

• Tangíveis: quando possuem corpo, matéria. • Móveis: não são fixo ao solo.

• Imóveis: fixos ao solo.

• Intangíveis: incorpóreo

⇒ Direitos: Contas a receber, os direitos podem ser vistos como bens de posse de terceiros. Por exemplo, se a empresa tem contas a receber, ela tem dinheiro (bens) de posse de terceiros para receber no futuro. De maneira geral são papeis, títulos, etc.

2º Ser de propriedade da empresa: Se o bem ou direito não for de propriedade da empresa, não constará do seu Ativo (leasing1). ⇒ Funcionários de uma empresa não são contabilizados como Ativo, pois ainda que sejam um bem, não são propriedade da mesma. ⇒ Escravos eram considerados como um Ativo da empresa.

⇒ O jogador de futebol é considerado um ativo, pois o clube de futebol tem propriedade do seu passe.

3º Ter valor objetivo (avaliável em dinheiro).

Uma empresa, por exemplo, que possui uma “marca” conhecida no mercado não poderá evidenciá-la como Ativo, embora seja um bem (intangível) de sua propriedade, pois é difícil avaliar a marca monetariamente. Exceção haverá quando a marca for adquirida de terceiros.

Um dos itens mais significativos que normalmente não é contabilizada como ativo, pois não tem um valor objetivo, é o que denominamos de Goodwill. Goodwill é o valor a maior, um ágio, de uma empresa em virtude de bons serviços prestados; da imagem/reputação; da clientela conseguida ao longo dos anos; do ponto comercial, localização; da marca conhecida.

Todos esses atributos positivos, e outros, no momento de se avaliar uma empresa, podem representar montantes algumas vezes maiores do que seu Ativo Tangível. Todavia, por ser de difícil avaliação dado ao subjetivismo, o Goodwill não é evidenciado no ativo, salvo em condições de negociação entre empresas (pois ai define-se ou acorda-se um valor).

4º Trazer benefícios presentes ou futuros: ⇒ Se a empresa tiver um “título a receber” de uma empresa falida, ele não será

Ativo, pois não há a possibilidade de convertê-lo em dinheiro, não trazendo benefício algum para a sua portadora.

⇒ Itens como: carros acidentados, barco afundado, aeronave destruída, estoque obsoleto, bens destruídos por incêndio ou por inundação devem ser baixados. Se houver um valor residual depois do acidente, deve permanecer no Ativo apenas este valor, sendo a diferença baixada como uma perda.

1 Existe atualmente uma corrente contábil defendendo a contabilização dos bens arrendados (leasing como ativo, considerando que o leasing nada mais é do que um financiamento disfarçado).

1º Passivo Exigível: Evidência toda a obrigação (dívida) que a empresa tem com terceiros: contas a pagar, fornecedores, impostos a pagar, financiamento, empréstimos, etc. ⇒ O Passivo é uma obrigação exigível, isto é, no momento em que a dívida vencer será exigida (reclamada) a sua liquidação. Por isso é mais adequado denominá-lo de Passivo Exigível.

2º Patrimônio Líquido (PL): Evidência recursos dos proprietários aplicados no empreendimento. ⇒ Investimento inicial dos proprietários (primeira aplicação) é denominado de

CAPITAL. Se houver outras aplicações por parte dos proprietários (acionistas no caso das S/A, ou sócios no caso da LTDA), teremos acréscimo ao Capital.

⇒ O PL Não cresce apenas com novos investimentos dos proprietários, mas também, e isto é mais comum, com os rendimentos resultantes do capital aplicado. Esse rendimento e chamado de LUCRO

⇒ O Lucro resultante da atividade operacional da entidade, obviamente pertence, em última análise, aos proprietários que investiram na empresa.

⇒ Do lucro obtido em determinado período pela atividade empresarial, normalmente, uma parte é distribuída para os donos do capital (dividendos) e outra parte é reinvestida no negócio, isto é fica retida na empresa.

⇒ A parte do lucro acumulado é adicionada ao PL. Dessa forma, as aplicações dos proprietários vão crescendo.

Na verdade, tanto o Passivo quanto o Patrimônio Líquido são obrigações da

Empresa. No Passivo, temos as obrigações exigíveis por terceiros e, por isso, também são conhecidas como Capitais de Terceiros. No Patrimônio Líquido, temos as obrigações com os proprietários da empresa. No entanto, os proprietários, usualmente, por lei, não podem reclamar a restituição do seu dinheiro investido; por isso, este grupo também é conhecido como Não Exigível. Sendo assim se o proprietário só tiver seu dinheiro de volta no encerramento da empresa, podemos dizer que, num processo de continuidade, os recursos do Patrimônio Líquido pertencem à empresa e, por essa razão, também são conhecidos como Capital Próprio.

(Capital de Terceiros) ATIVO Bens + Direitos

PATRIMÔNIO LÍQUIDO (Capital Próprio)

3.1 - CAPITAL DE TERCEIROS x CAPITAL PRÓPRIO.

A comparação Capital de terceiros com o Capital Próprio revela o grau de endividamento da empresa. Quanto maior for o Capital de terceiros em relação ao Capital próprio, maior será o endividamento da empresa. É certo que um bom equilíbrio entre esses dois grupos é o que se deseja, embora, para ser mais competitiva, adquirir Ativos mais eficientes, haja tendência por parte das empresas em se endividarem mais.

3.2 - ORIGENS E APLICAÇÃO DE RECURSOS.

⇒ O lado do Passivo, tanto Capital de terceiros como Capital Próprio, representa toda a fonte de recursos, toda a origem de capital. Nenhum recurso entra na empresa se não for via Passivo ou Patrimônio Líquido.

⇒ O lado do Ativo é caracterizado pela aplicação dos recursos originados no

Passivo e PL.

⇒ Se a empresa tomar emprestado recursos de uma instituição financeira, terá uma origem de recursos: Passivo. Todavia, os recursos serão aplicados em algum lugar no Ativo: estoque, máquinas, caixa, etc.

⇒ Fica bastante simples entender que o ATIVO será sempre igual ao PASSIVO +

PL, pois a empresa somente pode aplicar aquilo que tem origem.

⇒ Se há uma origem (fonte) de $ 2.325.648 (PASSIVO + PL), haverá uma aplicação de $ 2.235.648 (ATIVO). ⇒ Daí, o lado do Ativo será sempre igual ao lado do Passivo + Patrimônio Líquido.

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