Educação e formação de professores de ciência das séries iniciais do ensino fundamental no contexto amazônico

Educação e formação de professores de ciência das séries iniciais do ensino...

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Universidade Federal de Rondônia- campus de Guajará-Mirim

Leidy Daianny da Silva Ferreira1 Jorge Luiz Heráclito de Mattos2

RESUMO: O presente artigo aborda a formação acadêmica do professor e analisa o desenvolvimento da prática docente nas aulas de Ciência nas séries iniciais do ensino fundamental. Trás à luz o entendimento de que o estudo da Ciência se faz através da compreensão do meio físico, químico e biológico dentro de um contexto social e que o professor deve estar munido de uma visão holística sobre as possibilidades do fazer didático-pedagógico no âmbito do ensino formal. É colocado o conhecimento científico, na perspectiva do aproveitamento dos recursos naturais e na melhoria da vida do ser humano. PALAVRAS-CHAVE: Educação, Ciência, Didática.

ABSTRACT: This article discusses the teacher's academic background and analyzes the development of teaching practice in science classes in early grades of elementary school. Back in the light of the understanding that the study of science is through understanding of the physical, chemical and biological processes within a social context and that the teacher should be provided with a holistic view on the possibilities of making didactic teaching within the formal education. Scientific knowledge is put in perspective the use of natural resources and improving human life.

KEYWORDS: Education, Science, Teaching.

INTRODUÇÃO: Falar sobre a Ciência implica em considerar a trajetória do próprio homem sobre a

Terra. Considerar o que fez para modificar o ambiente e utilizá-lo em seu benefício, manipular, em certa medida, as forças da natureza como o fogo, a água, a luz e o ar. A qualidade e a quantidade dessas modificações impostas ao ambiente evoluíram como resultado do acúmulo de conhecimentos que o homem produzia e continuamente aplicava em seu entorno físico juntamente com as observações que fazia em relação às manifestações de ordem natural. No entanto, surgia a necessidade de se passar os

1 Acadêmica do curso de pedagogia da UNIR- campus de Guajará-Mirim. 2 Professor orientador. Biólogo e Mestre em Ciências da Linguagem. Professor do Departamento de Ciências Sociais e Ambientais (DACSA) UNIR- campus de Guajará-Mirim.

conhecimentos adquiridos empiricamente às próximas gerações de forma sistematizada, de forma coerente e didática.

O ensino de Ciência possui suas características e peculiaridades que devem ser compreendidas por quem ministra aulas de Ciência, sobretudo nas séries iniciais do ensino fundamental. É notória a presença de professores sem nenhum curso universitário e aqueles que o possuem, como no caso dos cursos de Pedagogia, não aprofundaram os conhecimentos científicos durante a sua formação inicial, o que implica numa demanda por formação continuada. Além disso, presenciamos hoje a imperiosa necessidade de se rever os currículos, especialmente aqueles que se destinam à formação de professores para as séries iniciais.

Assim como a Ciência, o currículo não existe de forma despretensiosa ou inocente. O currículo atende a determinada ideologia e por ela tem o potencial de promover a segregação social e impedir o acesso ao conhecimento.

A prática docente deve privilegiar alguns aspectos na construção do conhecimento como, por exemplo, a aplicação do método experimental e a aproximação, sempre que possível, dos materiais e objetos reais. Não pode esta prática encontrar-se divorciada da interdisciplinaridade sob a pena de manter os conhecimentos dissociados, sem permitir uma mútua correspondência que venha favorecer a compreensão dos conteúdos das várias áreas do saber. A prática docente deve permitir a curiosidade epistemológica como condição de se prosseguir na investigação do mundo material e na construção de novos conhecimentos.

abranger a totalidade do conhecimento, daquilo que é objeto de aprendizado”

Primeiramente, precisamos indagar o que é Ciência. Conforme Dampier (1986, p. 1): “A palavra vem do latim scire, que significa aprender, saber, e por isso deveria Vemos a Ciência como uma história e suas evoluções desde o momento primitivo do homem: vista nas pinturas rupestres, nas ferramentas, na descoberta do fogo e na evolução da linguagem.

Numa ótica contemporânea da evolução da Ciência podemos citar alguns cientistas que contribuíram para a fuga do homem aos dogmas e superstições em direção ao esclarecimento: Galileu Galilei, que foi perseguido pelo Tribunal do Santo Ofício por colocar a Terra no seu devido lugar; Albert Einstein, genial físico que permite ao mundo conhecer o poder existente na matéria através da energia atômica e

humana entre tantos outros

ainda oferta ao mundo a Teoria da Relatividade; Charles Darwin, o naturalista inglês que conduz o homem pelos caminhos da evolução e o retira da condição de criação divina; Isaac Newton, com sua teoria da gravitação universal e a descoberta da natureza da luz e sua decomposição; Leonardo da Vinci, com seus inventos fabulosos e suas projeções para o futuro e não poderíamos deixar de citar Descartes com a elaboração das bases do método científico para indicar apenas alguns exemplos da genialidade

Para responder ao questionamento, “o que é Ciência?”, podemos recorrer a alguns autores sem a intenção, no entanto, de encontrar uma resposta final e conclusiva. Podemos aceitar a seguinte definição, Ciência é o conjunto de conhecimentos reunidos ao longo da história da humanidade ou, Ciência é a sistematização de observações de fatos da natureza ou podemos ainda considerar o diz Popper (1972, p. 35): “Os positivistas modernos têm condição de ver mais claramente que a Ciência não é um sistema de conceitos, mas, antes, um sistema de enunciados”. Na literatura não faltam personagens que procuram dar uma definição para Ciência.

ocorreu porque Deus o quis, não é asserção suscetível de investigação científica”

De uma forma ou de outra, qualquer definição para Ciência ainda é melhor que a aceitação do senso comum. Conforme Koyré (1991, p. 185): “O senso comum é - e sempre foi - medieval e aristotélico”. O veredito da Ciência (vere dictum = dito verdadeiro), busca sua afirmação e explicação além do senso comum e longe do abrigo da Teologia. A explicação da Ciência deve ser submetida à verificação empírica. Assim, para Lambert (1972, p. 43): “Apelo à vontade divina, por exemplo, embora satisfaça a muitos, não é, geralmente considerado explicativo; afirmar que o terremoto de Lisboa Contudo, há de se perceber que a Ciência tem sua roupagem identificada com sua época muito embora algumas vezes apresente alguns traços mais avançados como prenúncio de novas épocas.

Em todo o conteúdo de ciência ou de outras áreas do conhecimento, deve haver um aprofundamento nas questões epistemológicas do objeto do conhecimento sem o que a base inicial da formação acadêmica pode interferir futuramente na vida do profissional em educação e na educação escolar dos seus alunos. No entanto, o que pode ser entendido por formação escolar ou docente? Segundo Moreira (2007, p. 109):

Trata-se do desenvolvimento pleno, completo e harmonioso que envolve a aquisição de conhecimentos, atitudes e habilidades, no que se refere em geral e ao processo ensino-aprendizagem que ocorre na escola, nas instituições que se preocupam com o ensino e, especificamente, na sala de aula.

Através da formação inicial do professor ele deve estar impregnado dos princípios científicos que norteiam o seu fazer pedagógico. Porém, parece ser verdadeiro que poucos alunos se destacam, durante sua vida acadêmica, em tarefas de pesquisas, de leituras, de produção cientifica e de projetos. Os acadêmicos devem sim, questionar os professores, dar sugestões de aulas, estabelecerem uma relação dialética no espaço da sala de aula, buscando o aluno alcançar o nível do professor. O professor deve conduzir o processo de ensino e de aprendizagem como um processo, fornecendo todas as condições necessárias à evolução do discente. Isso pode parecer óbvio, no entanto não é o que acontece em muitas práticas em sala de aula. Além disso, o trabalho docente não se resume em apenas o docente para avaliar o aluno, contudo, o professor é avaliador e avaliado. Argumenta Demo a respeito dessa situação (1946, p.36):

O primeiro truque, típico sobretudo de professores que imaginam ter nascido para avaliar, nunca para ser avaliados, é capturar o processo avaliativo em meras “auto-avaliações” de cunho autodefensivo. Argumenta-se que a avaliação externa seria impositiva, antidemocrática, deturpadora. Ademais, questiona-se o avaliador externo sobre suas condições reais de avaliar [...].

Muitos professores pensam que estão na sala apenas para ensinar, porém, todos estão aprendendo a cada momento em pesquisas realizadas ou até mesmo por leituras feitas periodicamente. Sobretudo o acadêmico que deveria ter hábitos de leitura e escrita. Infelizmente, a maioria não se preocupa com a sua formação inicial e prejudica a si próprio desqualificando o papel do professor que assumirá futuramente, pois, muitos acadêmicos oferecem resistência a tarefa de fichar o material exigido ou fazer resumos das obras indicadas pelos professores.

O que parece ser uma deficiência maior dos acadêmicos é a falta do desempenho do envolvimento na pesquisa. Muitos saem das universidades sem saber o que é pesquisa, pois conforme Wanderley (1994, p. 37): “Pouco a pouco, sob o impacto determinado por novas exigências, constatou-se a necessidade de ampliar os conhecimentos, produzir novos saberes, e o meio privilegiado foi a pesquisa” (grifo nosso). A maioria dos discentes utiliza apenas materiais que são indicados pelo professor para os exercícios de leitura, e se dedicando apenas a estes textos, muitos lêem por obrigação e com rapidez, sem saber qual o objetivo da leitura e sem a devida interpretação do texto. Muitos acadêmicos não pesquisam os conteúdos das obras indicadas e não realizam o necessário diálogo entre os diferentes autores, a fim de desenvolver uma visão ampla sobre o assunto, o que limita a verdadeira percepção e compreensão do objeto de estudo.

Apesar das variações encontradas nas nomenclaturas propostas para dividir e classificar o ensino formal como, por exemplo, séries, ciclos, anos e graus, isso não garante a qualidade do ensino levado para o interior das salas de aulas. O problema continua sendo a formação do professor na área do ensino de Ciências sem desconsiderar o aspecto interdisciplinar intrínseco na formação docente. Considerando a formação do profissional em Educação, que se destina a lecionar nas séries iniciais do ensino fundamental, tal formação se dá nos cursos de Pedagogia e por característica da política educacional praticada nas Secretarias de Educação, esse profissional termina lecionando em todas as séries do ensino fundamental e o que é ainda pior, chega às séries do ensino médio, contudo sem a devida formação que requerm os sucessivos estágios do processo de ensino e de aprendizagem.

Segundo Gil-Pérez (2003, p. 21): “Todos os trabalhos investigativos existentes mostram a gravidade de uma carência de conhecimentos da matéria, o que transforma o professor em um transmissor mecânico dos conteúdos do livro texto”. Podemos suspeitar, no mínimo, que tal carência denunciada por Gil-Pérez seja originada no interior dos cursos de formação de pedagogos. Pela deficiência na investigação epistemológica dos segmentos que constituem as áreas de conhecimento da Ciência. A superficialidade do tratamento científico dado aos objetos do conhecimento é emblemática dos cursos de Pedagogia. Segundo Mattos (2009, p.59):

Existe um sentimento específico de que aos pedagogos lhes faltam a doxa e a episteme. Sendo por tanto a falta desses dois elementos, a opinião e a ciência, que vão comprometer a qualidade do trabalho pedagógico que será desenvolvido dentro das escolas. Aliado a esse aspecto está a exigência de uma formação sólida do pedagogo o que permitiria uma diminuição ou extinção da sua subserviência às direções de escolas.

Na falta de professores de Ciências propriamente ditos, que não são formados nos cursos de Pedagogia, o profissional em Educação, destinado às séries iniciais do ensino fundamental, precisa buscar os conhecimentos da área da Ciência através da investigação e da prática do experimento utilizando as habilidades adquiridas no ensino superior para a pesquisa e elaboração própria de material didático. Não podem entregarse passivamente ao anacronismo pedagógico encontrado no interior da escola e ficarem submetidos a uns poucos materiais colocados à sua disposição.

O curso de Pedagogia, no campus universitário na cidade de Guajará-Mirim da

Fundação Universidade Federal de Rondônia, por exemplo, foi implantado em 1988, e tem como objetivo formar profissionais em Educação para lecionar para crianças nas séries iniciais do ensino fundamental. No entanto, uma vez na escola estes profissionais atuarão como professores, diretores, orientadores educacionais, supervisores, enfim como gestores em educação. Nas palavras de Moreira (2007, p. 1): “Pedagogo é o único profissional habilitado, por lei e formação, a preparar, administrar e avaliar currículos, orçamentos e programas escolares, além de poder atuar como pesquisador”. Vemos que a pesquisa não é só no âmbito da Ciência, na sala de laboratório, mas, executada nos trabalhos desenvolvidos no interior das escolas.

Considerando que a qualidade e a profundidade no domínio dos saberes não são garantidas pela formação acadêmica inicial compreendemos que na formação contínua está a possibilidade de apropriação de novos conhecimentos e habilidades. Isso permite uma postura de investigação sobre a própria prática docente, porque conforme Saviani (2000, p. 48): “quanto a nós, se pretendemos ser educadores (especialistas em educação) é porque não nos contentamos com a educação assistemática. Nós queremos educar de modo intencional e por isso nos preocupamos com a educação”. Esta é uma preocupação que se justifica pela necessidade de se manter as práticas docentes e pedagógicas no interior da escola como uma possibilidade de se resgatar à Educação credibilidade, qualidade, cidadania e cientificidade. O professor deve se dedicar a pelo menos duas dimensões da sua prática docente: o ensino e a pesquisa. Nas palavras de Imbernón (2005, p. 64):

É preciso, pois, derrubar o predomínio do ensino simbólico e promover um ensino mais direto, introduzindo na formação inicial uma metodologia que seja presidida pela pesquisa-ação como importante processo de aprendizagem da reflexão educativa, e que vincule constantemente teoria e prática.

particular com grande qualidade sob o aspecto epistemológico

Devemos lembrar constantemente que a grande preocupação para o professor, importante para a sua prática docente, deve ser a formação continuada, atitude que pode ajudar na melhoria do ensino na sala de aula, no momento da transposição didática dos conteúdos, pois não basta ter um currículo estruturado se o docente não exerce bem seu desempenho em sala de aula. A formação continuada confere ao professor maior autonomia no seu fazer pedagógico, pois através da pesquisa adquire maior liberdade no manuseio e na aplicação dos conhecimentos que vai sendo construídos como resultado das suas pesquisas. A experiência adquirida nos anos de trabalho docente, quando devidamente mobilizada, conduz com efeito a uma formação continuada de iniciativa

O professor é idealizador, desenvolve modos específicos de ensinar através das brincadeiras lúdicas, educacionais, materiais didáticos, músicas, dobraduras, recortes de variados materiais impressos etc., com o propósito de explicar algum conteúdo, ou seja, uma aula dinâmica. O professor tem que tentar avaliar cada modo característico do comportamento de seu aluno, isto significa ter uma visão pedagógica. Assim, para Astolfi (1990, p. 123):

qual se deve ter consciência

Para o professor observar, analisar, gerir, regular e avaliar as situações de aprendizagem que ele coloca, necessita de ferramentas diversas que se apóiam na reflexão didática. Pelos procedimentos que o professor utiliza, pelas escolhas que faz, pelo contrato didático que implanta, ele se refere implicitamente a um conjunto de valores e finalidades do

Cada criança tem níveis de conhecimento e de aprendizagem diferentes, algumas aprendem com rapidez, outras com menos facilidade, então, o professor precisa ter uma ótica de verificar o desenvolvimento de cada criança, dialogar para conhecer e perceber as diferenças entre elas para se obter êxito dos alunos.

Marques (1992, p.1): considera que “tanto a educação como a ciência da educação necessitam ser mediadas pela ação do educador, para que possam, em reciprocidade, modelá-la e construí-la”. O professor que é idealizador, motivador, está impregnado do processo de ensino e de aprendizagem e estabelece variedades na ação pedagógica como forma de favorecer a criatividade nas aulas de ciências procurando promover a motivação, e assim, dessa maneira, cientificamente desenvolve a mente da criança. A escola precisa conscientizar-se da necessidade e o professor precisa querer a formação continuada, porque conforme Demo (2000, p. 25):

[...] tenta-se de tudo para manter a aula centrada no professor: armase o circo para manter a atenção do aluno, usa-se tecnologia eletrônica para efeitos especiais, apela-se para o computador como ambiente mais lúdico, todo mundo pode perguntar, a prova pode ser com consulta. Tudo para esconder o problema básico: o aluno aprende muito mal, porque o professor também aprende mal.

Pedro Demo (2000, p. 50), vem reforçar esse pensamento sobre a problemática da qualidade docente ao dizer que:

[...] muitos professores não se propõem mais a necessidade de aprender, pois já ensinam. Deixam de estudar, não se atualizam, emboloram no tempo. [...] Toda crítica soa como ofensa, porque deixaram de perceber que o novo vem da desconstrução, não dos elogios, que, mesmo podendo ser pedagogicamente adequados para a motivação do aluno, não levam a aprender.

O que é didática? Num primeiro momento podemos dizer que é o aspecto técnico que nos leva a conduzir melhor o conteúdo. Didática é, a arte e a técnica de ensinar. Conforme Piletti (1984, p. 5):

Estudar didática não significa apenas acumular informações técnicas sobre o processo de ensino-aprendizagem. Significa, antes de mais nada, desenvolver a capacidade de questionamento e de experimentação com relação a essas informações.

Didática e Metodologia são dois pilares que sustentam e direcionam a aplicação e o desenvolvimento dos conteúdos das diversas áreas do conhecimento humano trazidas para o âmbito da Educação Formal. O conjunto de procedimentos práticos e teóricos precisam se ajustar às orientações específicas segundo a natureza do seu objeto de estudo. Assim, segundo Marques (1990, p. 76):

Á Didática, como articulação geral das práticas docentes às teorias que delas defluem e as informam e impulsionam, cumpre traçar os parâmetros da atuação educativa explícita e sistemática, intencionada no projeto político-pedagógico da escola e dimensionada pelas bases conceituais, linhas e eixos temáticos da dinâmica curricular eleita.

No ensino de Ciências uma atenção especial deve ser dispensada ao método experimental que deve estar devidamente aliado aos processos do pensamento dedutivo e indutivo. Recorrer ao método experimental se justifica por ser imprescindível o contato do aluno com os objetos do conhecimento. A Didática desempenha a função de orientar os procedimentos do método experimental favorecendo a observação, a própria experimentação, a coleta de dados, a construção de hipóteses, o proceder à verificação, à repetição e a interpretação dos resultados e dos fenômenos tendo o raciocínio como substrato de todas essas ações. Para Santos (1968, p. 1):

No ensino das ciências não se deve separar o objeto da noção a que ele se refere. O objeto propriamente dito, ou suas figurações (modelos, desenhos, quadros, etc.) não só podem constituir o material motivador, como constituem recurso objetivador. Os objetos e os fenômenos que com eles se podem provocar constituem a matéria prima para o conhecimento científico.

Os procedimentos didáticos no ensino de Ciências devem estar direcionados para promover a motivação na aprendizagem. O próprio docente precisa encontrar-se estimulado com o seu trabalho, com as suas pesquisas. É importante que haja total identificação pessoal do docente com a sua área do conhecimento com a finalidade de não se perder as possibilidades de motivação no processo de ensino e aprendizagem.

Nos planejamentos didáticos para o ensino de Ciências devem constar itens como: feiras de ciências; exposições de materiais coletados; experiências (experimentos com materiais de natureza química, física e biológica); coleções de rochas e insetos ou outros pequenos animais; excursões ainda que nos arredores da escola e outras atividades que podem ser propostas dependendo da competência do professor. Com relação ao que foi dito encontramos apoio no que diz Santos (1968, p. 48):

Quem deve selecionar os objetivos específicos que orientarão a sua atividade didática é o próprio professor que inspirar-se-á nas obras dos que se dedicaram ao estudo dos aspectos mais gerais e teóricos da educação. A importância de alguns objetivos varia em cada situação particular pois depende da comunidade, da maturidade e dos conhecimentos anteriores, dos alunos e de muitos outros fatores que somente o professor poderá conhecer.

O ensino se torna mais profícuo quando no seu desenvolvimento utilizamos materiais originados no trabalho de pesquisa e investigação realizadas pelo docente responsável pela disciplina. Isso auxilia no desempenho da aprendizagem e na avaliação do aluno, que pode ser feita utilizando-se outros recursos e não apenas a prova escrita como única forma de avaliação.

Através dos trabalhos com orientação pedagógica do educador, se desenvolvem atividades com finalidades também sociais, pois além da transmissão dos conteúdos específicos do currículo, os alunos estão sendo capacitados para futuras vivências sociais. De forma didática a cada momento coisas novas estão sendo aprendidas, fato que enriquece as experiências e as vivências e nos colocam em contato com o meio ambiente desde o início da infância quando aprendemos a falar, a dar os primeiros passos, a ler e a escrever; fatos que promovem o desenvolvimento humano através do qual, somos inseridos no contexto social.

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