Drenagem urbana sustentavel2

Drenagem urbana sustentavel2

CTU – CENTRO DE TECNOLOGIA E URBANISMO

DRENAGEM URBANA SUSTENTÁVEL

Londrina – 2005

ARMANDO CICCARELLI

IGOR KIPGEN

KELLY DAYANE PEDROLLI

DRENAGEM URBANA SUSTENTÁVEL

Trabalho de Hidrologia Aplicada – Turma 022 – 4° ano de Engenharia Civil – Universidade Estadual de Londrina

Docente: Nelson Amanthea

LONDRINA - 2005

RESUMO

Os recursos hídricos tem recebido um impacto significativo devido à urbanização que tem crescido na grande maioria das cidades brasileiras. Esses impactos tornam-se visíveis na forma de inundações, que apresentam cada vez maior magnitude e freqüência.

Os sistemas de drenagem atual são insuficientes. Para um controle efetivo das inundações é necessário desenvolver uma série de medidas que buscam a integração dos sistemas relacionados à água, solo e meio ambiente, a fim de recompor o ciclo hidrológico natural.

Estas medidas estão presentes em uma idéia inovadora, testada e aprovada por países desenvolvidos, trata-se de uma nova visão, Drenagem Urbana Sustentável.

SUMÁRIO

1

i

KELLY DAYANE PEDROLLI ii

1 INTRODUÇÃO 10

O Brasil é um dos muitos países em desenvolvimento que sofrem impactos significativos na infra-estrutura de recursos hídricos devido ao desenvolvimento urbano. 10

As inundações apresentam, cada vez mais, maiores magnitude e freqüência. A degradação do meio ambiente também aumenta diretamente com a urbanização. 10

Os sistemas de abastecimento de água, saneamento, resíduos sólidos estão defasados, ineficientes e separados uns dos outros, intensificando o problema. 10

Uma boa solução seria uma Drenagem Urbana Sustentável. 10

2 METODOLOGIA 10

Este trabalho foi concebido através de análises e conclusões retiradas de alguns textos e publicações relacionados a Drenagem Urbana Sustentável. 11

3 SITUAÇÃO ATUAL NO BRASIL 11

3.1 Desenvolvimento Urbano 11

O problema de drenagem esta diretamente associado com a urbanização. O crescimento populacional acarreta um aumento tanto na impermeabilidade do solo quanto no numero de eventos de cheia. O gráfico abaixo demonstra claramente o crescimento das inundações com o aumento da população. 11

11

Nos últimos anos, o Brasil apresentou um crescimento da urbanização maior nas cidades de médio porte, e menor nas metrópoles. 12

Segundo TUCCI (2002) “Cidades acima de 1 milhão crescem a uma taxa média de 0,9% anual, enquanto os núcleos regionais como cidades entre 100 e 500 mil, crescem a taxa de 4,8 %.” 12

Tabela 1 – Crescimento da população brasileira e taxa de urbanização (IBGE, 1998) 12

Este crescimento geralmente tem uma expansão irregular de periferia, fora das regulamentações do plano diretor da cidade, quando existente, dificultando o ordenamento das ações não-estruturais do controle ambiental. A ocupação das margens dos mananciais de abastecimento acarreta na poluição das águas utilizadas para o abastecimento urbano. Também intensificam o numero de vítimas por inundações dos mananciais, processo que ocorre naturalmente as suas margens, quando ocorre superação dos períodos de retorno. 12

Algumas causas dessa expansão periférica são devido a baixa renda econômica das famílias e falta de planejamento e investimento público no direcionamento da expansão urbana. 13

3.2 Sistemas de Abastecimento de Água, Saneamento, Drenagem Pluvial, Coleta de Resíduos Sólidos. 13

Segundo POMPEO (2000), “Os serviços de abastecimento de água deixa de fora 12% da população urbana, a coleta de esgotos cobre apenas 35% desta população e apenas 8 % do esgoto produzido possui tratamento adequado. Quanto as resíduos sólidos, a situação é gravíssima: 76% são acumulados em “lixões” a céu aberto.” 13

O sistema de abastecimento de água tem evoluído satisfatoriamente no Brasil, porém ainda não atende a toda população. Ele é essencial para a qualidade de vida e desenvolvimento da população e diminui drasticamente os índices de mortalidade infantil. 13

O grande problema se encontra no tratamento de esgotos. Em média, apenas 35 % da população tem coleta de esgoto, e uma pequena porcentagem desses 35% é adequadamente tratada. 14

Cidades que apresentam baixa densidade demográfica utilizam fossas sépticas para destino final do esgoto. A medida que as cidades se desenvolvem o esgoto é lançado junto ao sistema de transporte das águas pluviais, que tem como destino final, os mananciais, que são responsáveis pelo abastecimento de água da cidade. 14

Apenas uma pequena parcela do esgoto é encaminhada às estações de tratamento de esgoto. Nos últimos anos, as empresas de saneamento tem investido na coleta e tratamento de esgoto, mas nem todo o volume é tratado antes de chegar aos rios. 14

Os sistemas de transporte de águas pluviais possuem uma idéia básica defasada, onde a solução do problema se dá apenas na transferência do impacto do rápido escoamento para a jusante. A sujeira das vias públicas, existente devido à baixa freqüência de limpeza, junto ao acumulo de resíduos sólidos, existente devido baixa cobertura de coleta de lixo, após uma precipitação, são diretamente lançados aos sistemas de drenagem pluvial, onde também é descarregado o sistema de esgoto. Os pontos de descarga são os mananciais, que ficam assoreados e poluídos apresentando grande sedimentação. O acumulo da sedimentação juntamente com o esgoto aumentam a proliferação de algas e da cobertura vegetal nos pontos de descarga, diminuindo a velocidade de escoamento do rio. 14

O sistema de coleta de resíduos sólidos ainda não atende a toda população, o que acarreta na poluição das vias publicas e dos rios, entupimento de galerias pluviais e esgoto, aumentando e intensificando as inundações. O uso de aterros sanitários mal projetados pode contaminar lençóis freáticos através da infiltração do chorume. 15

Como resumo, podemos concluir o estado atual da seguinte forma, o esgoto é lançado junto a rede de drenagem pluvial, que tem como destino final os mananciais. Quando ocorre precipitação, as águas das chuvas carregam a sujeira das ruas, - pois geralmente não existe uma adequada limpeza nas cidades - o acumulo de resíduos sólidos, - pois a coleta de resíduos não atende totalmente a população - e levam diretamente aos sistemas de drenagem pluvial. Portanto, existe uma poluição dos pluviais devido aos ineficientes sistemas relacionados, conseqüentemente, os rios que são destinos finais das águas pluviais tornam-se poluídos, rios que servem de abastecimento da população. 15

3.3 Impactos Devido À Urbanização 15

Com o desenvolvimento da urbanização, existe um aumento da impermeabilização da superfície, que diminui drasticamente a taxa de infiltração do solo e aumenta a velocidade e o volume do escoamento superficial. 15

A qualidade da água pluvial é comprometida através da lavagem das ruas e transporte dos sólidos. A água subterrânea é atingida e poluída pelas ligações de esgoto clandestinas e aterros sanitários mal projetados. 16

Os mananciais que servem de abastecimento à população são poluídos pelos pluviais, esgoto e resíduos sólidos que, quando não chegam aos rios pelo sistema de pluviais, são poluídos pela própria população residente próxima às suas margens. 16

Com o asfaltamento das vias e construções em concreto, a incidência de radiação solar pode provocar um fenômeno chamado de ilhas de calor. Esse efeito gera um movimento de ar ascendente que pode aumentar os eventos de precipitação. 16

O aumento de sedimentação nas bacias hidrográficas é significante. Com a retirada da camada vegetal, o solo fica desprotegido e vulnerável ao seu carregamento após as precipitações. Esse solo “solto” é carregado pelas enxurradas e, através das galerias de águas pluviais, são depositados nos rios. Os pontos de descarga dessas galerias também causam um assoreamento dos rios devido à velocidade e vazão de descarga. 16

Todos esses fatos acarretam em inundações em áreas urbanas. Essas inundações ocorrem por que o ciclo hidrológico natural é interrompido ou afetado. Inundações causam transtorno, perdas materiais e doenças de veiculação hídrica à população, e é um problema que se intensifica cada vez mais. 16

Uma solução adaptada de países desenvolvidos é a Drenagem Urbana Sustentável. 17

4 DRENAGEM URBANA SUSTENTÁVEL 17

Em países desenvolvidos já foram resolvidos os problemas quanto ao tratamento de água e esgoto, e o controle de inundações se deu através de medidas não-estruturais intrínsecas ao planejamento da drenagem urbana. O que existe hoje é um controle de vazões na fonte, diminuindo a transferência do impacto do desenvolvimento urbano para as redes de drenagem. 17

Já em países em desenvolvimento como o Brasil, ainda estão em fase de tratamento de esgotos e apenas medidas estruturais como soluções de drenagem. 17

A Drenagem Urbana Sustentável tem uma idéia baseada em um pensamento sistêmico, onde todos os sistemas relacionados à água, solo e meio ambiente fazem parte de um só conjunto. Sua intenção se dá em “imitar” o ciclo hidrológico natural, através de medidas estruturais para a resolução física de problemas, e medidas não – estruturais como parte do planejamento e infra-estrutura do plano diretor das cidades. 17

Seus princípios são o controle de vazão de saída e volume e a não transferência de impactos para a jusante. Técnicas inovadoras como pavimentos permeáveis e trincheiras aumentam a infiltração do solo, abastecendo os lençóis subterrâneos e diminuindo o volume de escoamento dos precipitados. O armazenamento de águas de chuva em reservatórios de acumulação para posterior reuso também retém o volume de água. Essas técnicas dentre outras, ajudam a não transferir o impacto do desenvolvimento para o sistema de drenagem. 18

O Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDU) é o conjunto de diretrizes que determinam a gestão do sistema de drenagem minimizando o impacto ambiental devido ao escoamento das águas pluviais. Em sua elaboração deve ser mantida a sua coerência com as outras normas urbanísticas do município, com os instrumentos da Política Urbana Nacional de Recursos Hídricos. O PDDU deve contemplar um plano de gestão integrada, uma prioridade para as medidas não–estruturais maior participação pública, plano por sub-bacia urbana e uma gestão municipal. 18

As etapas de desenvolvimento do PDDU são: a) concepção, levantamento dos dados existentes; b) medidas, diagnóstico da situação atual; c) produtos, proposições para ampliação e melhoria do sistema; d) programas, plano de ações e sistemas de supervisão e controle. 18

Algumas sugestões de praticas inovadoras devem ser incorporadas ao PDDU com o propósito de dar sustentabilidade à gestão da drenagem urbana. 18

O aproveitamento de espaços públicos como espaços de lazer, parques e quadras esportivas, não só oferecem uma melhor qualidade de vida para os habitantes como evitam ocupações ribeirinhas e reservam áreas de inundação e amortecimento para cenários futuros. 19

Os sistemas de resíduos sólidos, esgoto, riscos ambientais, água e drenagem formam uma gestão integrada do saneamento ambiental. Eles devem funcionar de uma forma integrada, o esgotamento deve ser separado dos pluviais e tratados antes em estações antes de serem descarregados nos rios. Os resíduos sólidos junto com a limpeza das cidades devem ser intensificados, a fim de evitar o entupimento de galerias e poluição das águas pluviais que também desembocam nos rios. Os sistemas de drenagem devem ser reavaliados com maior ênfase nas medidas não-estruturais, e redimensionados de acordo com a bacia local. Com essas medidas a qualidade da água dos mananciais é melhorada, facilitando o tratamento de água destinado ao abastecimento. 19

Tecnologias sustentáveis devem ser incorporadas ao plano diretor. O incentivo ao uso de pavimentos permeáveis junto com o aproveitamento de espaços públicos e reservatórios de detenção e retenção, favorecem o amortecimento das cheias, facilitando o controle de inundações e, conseqüentemente, diminui os gastos com implantação e manutenção do sistema de drenagem. 19

A implantação de sistemas de alerta também diminui o número de vitimas por inundações. Após um mapeamento das áreas de risco de enchentes, são analisadas algumas causas. As causas por deficiência do sistema são resolvidas a custos relativamente baixos. Nos locais de inundação onde o município não consegue implantar medidas estruturais devido a falta de recursos, são implantados os sistemas de alerta, que, associado à previsão meteorológica e à Defesa Civil, consegue realizar a retirada da população dentro de algumas horas. 19

4.1 Limitações do Plano Diretor de Drenagem Urbana 20

Todas estas medidas são muito eficientes para combater os problemas acarretados pela urbanização, porém estes métodos possuem algumas limitações: 20

O conhecimento precário do sistema de drenagem já construído, seu estado de conservação e suas condições operacionais; 20

Poucos dados disponíveis e o custo do levantamento de campo é muito alto; 20

Na tentativa de organizar a manutenção e o gerenciamento do sistema de drenagem, os municípios enfrentam o problema de ausência de dados, cadastro técnico deficiente, ausência de capacitação do corpo técnico neste campo, falta de cultura e planejamento e manutenção tanto por parte dos órgãos quanto da população; 20

Precário conhecimento sobre os processos hidrológicos e o funcionamento hidráulico dos sistemas implantados; 21

Inadequação das equipes técnicas e gerenciais responsáveis pelos serviços de drenagem pluvial tanto no número de profissionais quanto na qualificação e atualização técnica para o exercício da função. 21

A tabela 2 apresenta o quadro institucional da drenagem urbana no Brasil apontando os níveis dos problemas relacionados à drenagem. 21

21

22

5 CONCLUSÃO 22

O desenvolvimento urbano tem crescido desordenadamente causando impactos no sistema de drenagem e ao meio ambiente. Esses impactos aparecem na forma do rápido escoamento dos volumes precipitados, que atingem a população e apresentam cada vez mais uma maior freqüência e magnitude, tornando a situação insustentável. 22

Em países desenvolvidos a adoção do sistema de Drenagem Urbana Sustentável obteve bons resultados. No Brasil, as práticas correntes estão defasadas e apresentam muitos defeitos, intensificando o problema. Redes de drenagem dimensionadas com previsão inferior à real densidade populacional, altas taxas de áreas impermeáveis que aumentam o escoamento superficial, galerias pluviais que não resolvem o problema do escoamento e sim apenas transmitem-no à jusante, poluição ambiental e dos mananciais de abastecimento, são apenas alguns exemplos disso. 22

A urbanização altera o balanço hídrico da bacia e gera inúmeros impactos ambientais. Uma boa solução para este agravante é a implementação do sistema de Drenagem Urbana Sustentável, que interliga todos os sistemas relacionados a água, solo e resíduos, sistemas que envolvem o ciclo natural das águas,. Mesmo com algumas limitações se obtém bons resultados. 23

O fato é que se não houver a consolidação de uma solução eficaz, um melhor gerenciamento das cidades, maiores serão as perdas à sociedade e ao meio ambiente, fatos que podem se tornar irreversíveis. 23

1 INTRODUÇÃO

O Brasil é um dos muitos países em desenvolvimento que sofrem impactos significativos na infra-estrutura de recursos hídricos devido ao desenvolvimento urbano.

As inundações apresentam, cada vez mais, maiores magnitude e freqüência. A degradação do meio ambiente também aumenta diretamente com a urbanização.

Os sistemas de abastecimento de água, saneamento, resíduos sólidos estão defasados, ineficientes e separados uns dos outros, intensificando o problema.

Uma boa solução seria uma Drenagem Urbana Sustentável.

2 METODOLOGIA

Este trabalho foi concebido através de análises e conclusões retiradas de alguns textos e publicações relacionados a Drenagem Urbana Sustentável.

3 SITUAÇÃO ATUAL NO BRASIL

3.1 Desenvolvimento Urbano

O problema de drenagem esta diretamente associado com a urbanização. O crescimento populacional acarreta um aumento tanto na impermeabilidade do solo quanto no numero de eventos de cheia. O gráfico abaixo demonstra claramente o crescimento das inundações com o aumento da população.

Nos últimos anos, o Brasil apresentou um crescimento da urbanização maior nas cidades de médio porte, e menor nas metrópoles.

Segundo TUCCI (2002) “Cidades acima de 1 milhão crescem a uma taxa média de 0,9% anual, enquanto os núcleos regionais como cidades entre 100 e 500 mil, crescem a taxa de 4,8 %.”

Ano

População

Parcela da

Milhões de

população

habitantes

urbana %

1970

93,1

55,9

1980

118

68,2

1991

146,8

75,6

1996

157,1

78,4

2000

169

81,1

Tabela 1 – Crescimento da população brasileira e taxa de urbanização (IBGE, 1998)

Este crescimento geralmente tem uma expansão irregular de periferia, fora das regulamentações do plano diretor da cidade, quando existente, dificultando o ordenamento das ações não-estruturais do controle ambiental. A ocupação das margens dos mananciais de abastecimento acarreta na poluição das águas utilizadas para o abastecimento urbano. Também intensificam o numero de vítimas por inundações dos mananciais, processo que ocorre naturalmente as suas margens, quando ocorre superação dos períodos de retorno.

Algumas causas dessa expansão periférica são devido a baixa renda econômica das famílias e falta de planejamento e investimento público no direcionamento da expansão urbana.

3.2 Sistemas de Abastecimento de Água, Saneamento, Drenagem Pluvial, Coleta de Resíduos Sólidos.

Segundo POMPEO (2000), “Os serviços de abastecimento de água deixa de fora 12% da população urbana, a coleta de esgotos cobre apenas 35% desta população e apenas 8 % do esgoto produzido possui tratamento adequado. Quanto as resíduos sólidos, a situação é gravíssima: 76% são acumulados em “lixões” a céu aberto.”

O sistema de abastecimento de água tem evoluído satisfatoriamente no Brasil, porém ainda não atende a toda população. Ele é essencial para a qualidade de vida e desenvolvimento da população e diminui drasticamente os índices de mortalidade infantil.

O grande problema se encontra no tratamento de esgotos. Em média, apenas 35 % da população tem coleta de esgoto, e uma pequena porcentagem desses 35% é adequadamente tratada.

Cidades que apresentam baixa densidade demográfica utilizam fossas sépticas para destino final do esgoto. A medida que as cidades se desenvolvem o esgoto é lançado junto ao sistema de transporte das águas pluviais, que tem como destino final, os mananciais, que são responsáveis pelo abastecimento de água da cidade.

Apenas uma pequena parcela do esgoto é encaminhada às estações de tratamento de esgoto. Nos últimos anos, as empresas de saneamento tem investido na coleta e tratamento de esgoto, mas nem todo o volume é tratado antes de chegar aos rios.

Os sistemas de transporte de águas pluviais possuem uma idéia básica defasada, onde a solução do problema se dá apenas na transferência do impacto do rápido escoamento para a jusante. A sujeira das vias públicas, existente devido à baixa freqüência de limpeza, junto ao acumulo de resíduos sólidos, existente devido baixa cobertura de coleta de lixo, após uma precipitação, são diretamente lançados aos sistemas de drenagem pluvial, onde também é descarregado o sistema de esgoto. Os pontos de descarga são os mananciais, que ficam assoreados e poluídos apresentando grande sedimentação. O acumulo da sedimentação juntamente com o esgoto aumentam a proliferação de algas e da cobertura vegetal nos pontos de descarga, diminuindo a velocidade de escoamento do rio.

O sistema de coleta de resíduos sólidos ainda não atende a toda população, o que acarreta na poluição das vias publicas e dos rios, entupimento de galerias pluviais e esgoto, aumentando e intensificando as inundações. O uso de aterros sanitários mal projetados pode contaminar lençóis freáticos através da infiltração do chorume.

Como resumo, podemos concluir o estado atual da seguinte forma, o esgoto é lançado junto a rede de drenagem pluvial, que tem como destino final os mananciais. Quando ocorre precipitação, as águas das chuvas carregam a sujeira das ruas, - pois geralmente não existe uma adequada limpeza nas cidades - o acumulo de resíduos sólidos, - pois a coleta de resíduos não atende totalmente a população - e levam diretamente aos sistemas de drenagem pluvial. Portanto, existe uma poluição dos pluviais devido aos ineficientes sistemas relacionados, conseqüentemente, os rios que são destinos finais das águas pluviais tornam-se poluídos, rios que servem de abastecimento da população.

3.3 Impactos Devido À Urbanização

Com o desenvolvimento da urbanização, existe um aumento da impermeabilização da superfície, que diminui drasticamente a taxa de infiltração do solo e aumenta a velocidade e o volume do escoamento superficial.

A qualidade da água pluvial é comprometida através da lavagem das ruas e transporte dos sólidos. A água subterrânea é atingida e poluída pelas ligações de esgoto clandestinas e aterros sanitários mal projetados.

Os mananciais que servem de abastecimento à população são poluídos pelos pluviais, esgoto e resíduos sólidos que, quando não chegam aos rios pelo sistema de pluviais, são poluídos pela própria população residente próxima às suas margens.

Com o asfaltamento das vias e construções em concreto, a incidência de radiação solar pode provocar um fenômeno chamado de ilhas de calor. Esse efeito gera um movimento de ar ascendente que pode aumentar os eventos de precipitação.

O aumento de sedimentação nas bacias hidrográficas é significante. Com a retirada da camada vegetal, o solo fica desprotegido e vulnerável ao seu carregamento após as precipitações. Esse solo “solto” é carregado pelas enxurradas e, através das galerias de águas pluviais, são depositados nos rios. Os pontos de descarga dessas galerias também causam um assoreamento dos rios devido à velocidade e vazão de descarga.

Todos esses fatos acarretam em inundações em áreas urbanas. Essas inundações ocorrem por que o ciclo hidrológico natural é interrompido ou afetado. Inundações causam transtorno, perdas materiais e doenças de veiculação hídrica à população, e é um problema que se intensifica cada vez mais.

Uma solução adaptada de países desenvolvidos é a Drenagem Urbana Sustentável.

4 DRENAGEM URBANA SUSTENTÁVEL

Em países desenvolvidos já foram resolvidos os problemas quanto ao tratamento de água e esgoto, e o controle de inundações se deu através de medidas não-estruturais intrínsecas ao planejamento da drenagem urbana. O que existe hoje é um controle de vazões na fonte, diminuindo a transferência do impacto do desenvolvimento urbano para as redes de drenagem.

Já em países em desenvolvimento como o Brasil, ainda estão em fase de tratamento de esgotos e apenas medidas estruturais como soluções de drenagem.

A Drenagem Urbana Sustentável tem uma idéia baseada em um pensamento sistêmico, onde todos os sistemas relacionados à água, solo e meio ambiente fazem parte de um só conjunto. Sua intenção se dá em “imitar” o ciclo hidrológico natural, através de medidas estruturais para a resolução física de problemas, e medidas não – estruturais como parte do planejamento e infra-estrutura do plano diretor das cidades.

Seus princípios são o controle de vazão de saída e volume e a não transferência de impactos para a jusante. Técnicas inovadoras como pavimentos permeáveis e trincheiras aumentam a infiltração do solo, abastecendo os lençóis subterrâneos e diminuindo o volume de escoamento dos precipitados. O armazenamento de águas de chuva em reservatórios de acumulação para posterior reuso também retém o volume de água. Essas técnicas dentre outras, ajudam a não transferir o impacto do desenvolvimento para o sistema de drenagem.

O Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDU) é o conjunto de diretrizes que determinam a gestão do sistema de drenagem minimizando o impacto ambiental devido ao escoamento das águas pluviais. Em sua elaboração deve ser mantida a sua coerência com as outras normas urbanísticas do município, com os instrumentos da Política Urbana Nacional de Recursos Hídricos. O PDDU deve contemplar um plano de gestão integrada, uma prioridade para as medidas não–estruturais maior participação pública, plano por sub-bacia urbana e uma gestão municipal.

As etapas de desenvolvimento do PDDU são: a) concepção, levantamento dos dados existentes; b) medidas, diagnóstico da situação atual; c) produtos, proposições para ampliação e melhoria do sistema; d) programas, plano de ações e sistemas de supervisão e controle.

Algumas sugestões de praticas inovadoras devem ser incorporadas ao PDDU com o propósito de dar sustentabilidade à gestão da drenagem urbana.

O aproveitamento de espaços públicos como espaços de lazer, parques e quadras esportivas, não só oferecem uma melhor qualidade de vida para os habitantes como evitam ocupações ribeirinhas e reservam áreas de inundação e amortecimento para cenários futuros.

Os sistemas de resíduos sólidos, esgoto, riscos ambientais, água e drenagem formam uma gestão integrada do saneamento ambiental. Eles devem funcionar de uma forma integrada, o esgotamento deve ser separado dos pluviais e tratados antes em estações antes de serem descarregados nos rios. Os resíduos sólidos junto com a limpeza das cidades devem ser intensificados, a fim de evitar o entupimento de galerias e poluição das águas pluviais que também desembocam nos rios. Os sistemas de drenagem devem ser reavaliados com maior ênfase nas medidas não-estruturais, e redimensionados de acordo com a bacia local. Com essas medidas a qualidade da água dos mananciais é melhorada, facilitando o tratamento de água destinado ao abastecimento.

Tecnologias sustentáveis devem ser incorporadas ao plano diretor. O incentivo ao uso de pavimentos permeáveis junto com o aproveitamento de espaços públicos e reservatórios de detenção e retenção, favorecem o amortecimento das cheias, facilitando o controle de inundações e, conseqüentemente, diminui os gastos com implantação e manutenção do sistema de drenagem.

A implantação de sistemas de alerta também diminui o número de vitimas por inundações. Após um mapeamento das áreas de risco de enchentes, são analisadas algumas causas. As causas por deficiência do sistema são resolvidas a custos relativamente baixos. Nos locais de inundação onde o município não consegue implantar medidas estruturais devido a falta de recursos, são implantados os sistemas de alerta, que, associado à previsão meteorológica e à Defesa Civil, consegue realizar a retirada da população dentro de algumas horas.

4.1 Limitações do Plano Diretor de Drenagem Urbana

Todas estas medidas são muito eficientes para combater os problemas acarretados pela urbanização, porém estes métodos possuem algumas limitações:

  • O conhecimento precário do sistema de drenagem já construído, seu estado de conservação e suas condições operacionais;

  • Poucos dados disponíveis e o custo do levantamento de campo é muito alto;

  • Na tentativa de organizar a manutenção e o gerenciamento do sistema de drenagem, os municípios enfrentam o problema de ausência de dados, cadastro técnico deficiente, ausência de capacitação do corpo técnico neste campo, falta de cultura e planejamento e manutenção tanto por parte dos órgãos quanto da população;

  • Precário conhecimento sobre os processos hidrológicos e o funcionamento hidráulico dos sistemas implantados;

  • Inadequação das equipes técnicas e gerenciais responsáveis pelos serviços de drenagem pluvial tanto no número de profissionais quanto na qualificação e atualização técnica para o exercício da função.

A tabela 2 apresenta o quadro institucional da drenagem urbana no Brasil apontando os níveis dos problemas relacionados à drenagem.

Tabela 2 – Problemas relativos à estrutura institucional da drenagem urbana no Brasil.

5 CONCLUSÃO

O desenvolvimento urbano tem crescido desordenadamente causando impactos no sistema de drenagem e ao meio ambiente. Esses impactos aparecem na forma do rápido escoamento dos volumes precipitados, que atingem a população e apresentam cada vez mais uma maior freqüência e magnitude, tornando a situação insustentável.

Em países desenvolvidos a adoção do sistema de Drenagem Urbana Sustentável obteve bons resultados. No Brasil, as práticas correntes estão defasadas e apresentam muitos defeitos, intensificando o problema. Redes de drenagem dimensionadas com previsão inferior à real densidade populacional, altas taxas de áreas impermeáveis que aumentam o escoamento superficial, galerias pluviais que não resolvem o problema do escoamento e sim apenas transmitem-no à jusante, poluição ambiental e dos mananciais de abastecimento, são apenas alguns exemplos disso.

A urbanização altera o balanço hídrico da bacia e gera inúmeros impactos ambientais. Uma boa solução para este agravante é a implementação do sistema de Drenagem Urbana Sustentável, que interliga todos os sistemas relacionados a água, solo e resíduos, sistemas que envolvem o ciclo natural das águas,. Mesmo com algumas limitações se obtém bons resultados.

O fato é que se não houver a consolidação de uma solução eficaz, um melhor gerenciamento das cidades, maiores serão as perdas à sociedade e ao meio ambiente, fatos que podem se tornar irreversíveis.

REFERÊNCIAS

TUCCI, C.E.M. Gerenciamento da Drenagem. Revista Brasileira de Recursos Hídricos. Porto Alegre, v. 7, n. 1, p. 5-27, 2002.

TUCCI, C.E.M. Drenagem Urbana Sustentável no Brasil. Relatório do Workshop em Goiânia – GO. Maio 2003.

POMPEO, C.A. Drenagem Urbana Sustentável. Revista Brasileira de Recursos Hídricos. V.5, n.1, p. 15-23, 2000.

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