SUBSTITUIÇÃO PARCIAL DO MILHO DA RAÇÃO PELO RESÍDUO DAINDÚSTRIA DE BOLACHAS NA PRODUÇÃO DE MATRIZES DEMARRECO-DE-PEQUIM (Anas boschas)

SUBSTITUIÇÃO PARCIAL DO MILHO DA RAÇÃO PELO RESÍDUO DAINDÚSTRIA DE BOLACHAS NA...

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INDÚSTRIA DE BOLACHAS NA PRODUÇÃO DE MATRIZES DE MARRECO-DE-PEQUIM (Anas boschas)

Florianópolis/SC 2010

INDÚSTRIA DE BOLACHAS NA PRODUÇÃO DE MATRIZES DE MARRECO-DE-PEQUIM (Anas boschas)

Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Agronomia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro Agrônomo.

Acadêmica: Gislaine Costa Pereira

Orientadora: Profª Drª Marília T. Sangoi Padilha Supervisora: Profª Msc. Stelamaris Dezen

Empresas: Instituto Federal Catarinense – Araquari Laboratório de Nutrição Animal – CCA/UFSC

Florianópolis/SC 2010/2

Dedico este trabalho a Marcio Rieper (in memorian) que desde o início me incentivou a continuar sempre sem nunca desistir, e estando no plano que estiver sei que estará sempre ao meu lado me dando forças para continuar minha jornada.

Agradeço à Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC pela formação, auxílio, dedicação e apoio. Sobretudo à Professora Marília que acreditou em mim e me orientou, aos Professores Padilha e Rosa pelo apoio e ensinamentos sobre avicultura, aos Professores Diego e Vladimir pelo apoio, às meninas do Laboratório Nutrição Animal (Ione, Jaqueline, Fernanda, Tamiles, Maiara e as mestrandas Graciele e Tatiana) pela ajuda nas análises, às meninas da biblioteca (Catarina, Rose, Marlene e Maria) e ao pessoal da secretaria dos Cursos (Borsoi, Jussara e Bárbara) que sempre me ajudaram.

Ao Instituto Federal Catarinense/Campus Araquari (IFC) pelo acolhimento e apoio que permitiram a viabilização da parte experimental do meu trabalho de conclusão de curso, principalmente ao Téc. Eleutério, à Profª Stelamaris, ao Prof. Jonas, à secretária Thaís, ao funcionário Pócera e aos alunos que participaram do trabalho.

À Empresa Biscoitos Mabel® pela doação dos resíduos de bolacha utilizados neste trabalho. À toda minha família, principalmente aos meus pais João e Laureci por serem a minha base de sustentação, por me incentivarem a enfrentar e superar os desafios e por me ensinar a maioria das coisas que acredito. Agradeço ao meu tio Odair pela ajuda durante minha vida acadêmica, sem a qual não atingiria algumas conquistas. Agradeço ao Sr. Arnaldo e Srª Zélia e demais membros desta família por estarem sempre ao meu lado e me ajudarem. Agradeço à família Fraga De Santis, pelo apoio durante alguns semestres de faculdade.

Ao meu namorado Vanderli pelo amor, apoio, carinho e compreensão. À todos os meus amigos por simplesmente existirem em minha vida e me ajudarem, principalmente à Bernadete, Clarice, David, Diogo, Fábio, Fernando, Igor, Jaqueline, Karina,

Marcelos (Koscialkowski e Borba) e Marcio (in memorian). Agradeço também aos meus amigos de faculdade pela companhia durante as aulas, ajuda, discussões e trabalhos compartilhados, principalmente à Cláudia, Cíntia, Gleise, Katherine, Júlio, Lídia, Lucas, Marcelo, Mônica, Peterson, Sabrina, Sebastião e Tatiane.

E por fim agradeço à Deus por iluminar meu caminho e me conceder forças e luz para enfrentar as dificuldades e à todos aqueles que de uma forma ou de outra contribuíram para a realização e conclusão do meu curso.

RESUMO7
LISTA DE FIGURAS8
LISTA DE TABELAS9
LISTA DE ANEXOS10
LISTA DE APÊNDICES1
LISTA DE ABREVIAÇÕES12
1. INTRODUÇÃO13
2. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA15
3. HIPÓTESE15
4. OBJETIVO GERAL15
5. OBJETIVOS ESPECÍFICOS15
6. JUSTIFICATIVA16
7. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA17
7.1. Marreco-de-pequim (Anas boschas)17
7.1.1. Postura e Incubação dos ovos19
7.1.2. Nutrição das matrizes24
7.2. Composição bromatológica dos alimentos26
7.3. Destinação dos resíduos industriais3
7.3.1. Utilização dos resíduos industriais na Alimentação Animal34
7.3.2. Utilização do Resíduo de Bolacha na Alimentação Animal35
8. MATERIAL E MÉTODOS38
8.2. Formulação da ração com resíduo de bolacha39
8.3.1. Manejo das matrizes41
8.3.2. Manejo dos Ovos42
8.4. Viabilidade econômica4
9. RESULTADOS E DISCUSSÃO45
9.1. Composição do resíduo da indústria de bolachas45
9.2. Composição das rações experimentais46
9.3. Parâmetros Produtivos50
9.4. Viabilidade Econômica52
10. CONCLUSÕES5
1. CONSIDERAÇÕES FINAIS56
1.1. Quanto ao Experimento56
1.2. Quanto à importância do Trabalho de Conclusão de Curso56
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS57
ANEXOS57

SUBSTITUIÇÃO PARCIAL DO MILHO DA RAÇÃO PELO RESÍDUO DA INDÚSTRIA DE BOLACHAS NA PRODUÇÃO DE MATRIZES DE MARRECO-DE-PEQUIM (Anas boschas)

O aumento da população mundial e sua conseqüente demanda principalmente por alimentos processados tem gerado uma quantidade expressiva de resíduos industriais. Paralelo a esta oferta de resíduos tem sido crescente a preocupação e a fiscalização quanto à destinação destes. O custo e flutuação da oferta das matérias-primas tradicionais utilizadas na alimentação animal têm motivado a utilização de resíduos agroindustriais na formulação de rações. Pesquisas que visam o beneficiamento e a utilização de subprodutos industriais auxiliam na redução dos seus impactos no ambiente, assim como beneficiam a sociedade e a economia. O resíduo da indústria de bolachas, segundo alguns autores, apresenta uma composição variável dependendo da fórmula e dos ingredientes utilizados, sendo considerado um resíduo concentrado em energia, pelos teores de amido, açúcares e gordura. Este trabalho teve como objetivo analisar a viabilidade da substituição parcial do milho da ração de matrizes de marrecos-de-pequim (Anas boschas) pelo resíduo da indústria de bolachas (RIB). O resíduo foi fornecido pela Biscoitos Mabel® – Araquari/SC e o teste com os animais foi realizado no Instituto Federal Catarinense – Campus Araquari. A partir de análises do RIB realizadas no Laboratório de Nutrição Animal da Universidade Federal de Santa Catarina –

UFSC em conjunto com os dados obtidos da literatura foi formulada uma ração substituindo parcialmente o milho pelo resíduo de bolachas que estivesse de acordo com as necessidades do marreco em produção. Os animais foram divididos em 2 grupos, um recebeu a ração normalmente utilizada pelo Instituto (T1) e o outro uma ração na qual cerca de 30% do milho foi substituído pelo resíduo de bolacha (T2). O delineamento utilizado foi o de blocos casualizados com 4 repetições na unidade de tempo e os parâmetros avaliados foram os seguintes: produção de ovos, conversão alimentar, peso das matrizes (machos e fêmeas), ovos incubáveis, infertilidade dos ovos e morte prematura dos embriões, taxa de descarte dos ovos durante a incubação, taxa de eclosão e qualidade dos marrequinhos. Foram encontradas diferenças estatísticas através do teste de Tukey (p<0,05) somente para a produção de ovos e conversão alimentar, no qual a ração com RIB mostrou-se superior à utilizada pelo Instituto. Calculou-se o custo da ração e foi feita uma projeção desta e da renda bruta obtida pelo Instituto em um ano de produção considerando todas as matrizes existentes. Foi verificado que a ração com resíduo de bolacha pode diminuir o custo da ração e aumentar a renda bruta obtida com a venda dos marrequinhos.

Palavras chave: Nutrição de matrizes. Resíduos industriais. Alimentos alternativos.

Figura 1. Marreco-de-pequim (Anas boschas)18
Figura 2. Pato doméstico (Cairina moschata)18
Figura 3. Formatos de ovos indesejáveis para a incubação20
alguns ovos)20
Figura 5. Máquina Incubadora de Ovos21
Figura 6. Nascedouro21
Figura 7. Intensidade de ocorrência dos fatores que interferem na Eclosão23
Figura 8. Extrator Soxhlet27
Figura 9. Bloco Digestor utilizado na determinação da Fibra Bruta28

Figura 4. Primeira ovoscopia – setas indicam a câmara de ar (mancha escura no topo de

Bruta30
Figura 1. Conversão Alimentar apresentada pelas matrizes durante o experimento50

Figura 10. Bloco Digestor utilizado na determinação do Nitrogênio para o cálculo de Proteína Figura 12. Produção de ovos de marreca durante as 4 semanas de experimento ................... 51

boschas)18
Tabela 2. Malformações em aves (frangos) e suas principais causas23

Tabela 1. Diferenças entre o pato doméstico (C. moschata) e o marreco-de-pequim (A.

fases do desenvolvimento25
Tabela 4. Efeitos da deficiência na nutrição das matrizes na progênie25

Tabela 3. Exigências nutricionais de matrizes de Marreco de Pequim durantes as diferentes

diferentes autores37
Tabela 6. Preço das matérias-primas utilizadas na composição das rações4
Tabela 7. Composição bromatológica dos resíduos de bolachas estudados45
Tabela 8. Composição média encontrada do RIB46
Tabela 9. Composição das rações utilizadas46
Tabela 10a. Composição estimada da ração teste contendo o RIB47
Tabela 10b. Composição estimada da ração padrão do Instituto48
Tabela 1. Composição bromatológica das rações utilizadas49
Tabela 12. Desempenho das matrizes alimentadas com os dois tipos de ração50

Tabela 5. Composição Bromatológica do Resíduo da Indústria de Bolachas segundo

dois tipos de ração estudadas52
Tabela 14. Custo das rações utilizadas53

Tabela 13. Desempenho dos ovos e da progênie originados de matrizes alimentadas com os

considerando 1800 fêmeas e 360 machos em 1 ano de produção53

Tabela 15. Projeção econômica do custo da ração de matrizes de marreco-de-pequim

produção53

Tabela 16. Projeção da produção marrequinhos considerando 1800 fêmeas em 1 ano de

ANEXO B – Curva de produção de ovos da linhagem de marrecos Cherry Valley SM264

ANEXO A – Consumo de ração e peso esperado das aves (Linhagem Cherry Valley SM2) . 63

galpão de matrizes65

ANEXO C – Ficha utilizada pelo Instituto para registro diário da produção de ovos de cada

transferência e eclosão dos ovos6

ANEXO D – Ficha utilizada pelo Instituto para registro semanal da incubação, fertilidade, ANEXO E – Rótulo do núcleo utilizado para compor a ração das aves ................................ 67

Campus Araquari69
APÊNDICE B – Representação em 3D do incubatório do IFC – Araquari70
APÊNDICE C – Croqui do galpão de matrizes71
APÊNDICE D – Fotos do Experimento72
APÊNDICE E – Metodologia utilizada para a análise da Matéria Seca75

APÊNDICE A – Croqui do incubatório de ovos de marreca do Instituto Federal Catarinense

APÊNDICE G – Metodologia utilizada para a análise da Fibra Bruta7
APÊNDICE H – Metodologia utilizada para a análise da Proteína Bruta78
APÊNDICE I – Metodologia utilizada para a análise da Matéria Mineral ou Cinzas79

APÊNDICE F – Metodologia utilizada para a análise do Extrato Etéreo ou Gordura Bruta . 76 APÊNDICE J – Metodologia utilizada para a determinação do Extrativo Não Nitrogenado 80

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária CA – Conversão Alimentar CCA – Centro de Ciências Agrárias

EB – Energia Bruta E – Extrato Etéreo

EM – Energia Metabolizável ENN – Extrativo Não Nitrogenado

FB – Fibra Bruta GB – Gordura Bruta

IFC – Instituto Federal Catarinense M – Matéria Mineral MS – Matéria Seca PB – Proteína Bruta RIB – Resíduo da Indústria de Bolachas TCC – Trabalho de Conclusão de Curso UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina

1. INTRODUÇÃO

O aumento da população mundial e a sua conseqüente demanda por alimentos e bens de consumo tem gerado uma maior produção de resíduos de sua industrialização. A destinação destes resíduos tem sido alvo de preocupações, pois muitos deles são depositados ou lançados diretamente no meio ambiente sem sofrer qualquer beneficiamento. Uma vez jogados em espaço aberto estes subprodutos podem contribuir para o desequilíbrio ambiental pela poluição do solo e da água, que se lixiviados aos lençóis freáticos, contaminam toda uma região. Esta contaminação pode afetar toda a cadeia trófica de um sistema e trazer sérios prejuízos a saúde humana e dos animais, pois muitos subprodutos podem ter ação mutagênica ou cancerígena. Preocupados com estas conseqüências, tem sido elaboradas leis que visam fiscalizar as indústrias, obrigando-as a dar um destino ambientalmente correto aos seus resíduos. Entre alguns procedimentos, temos a instituição de taxas pelo volume de resíduos gerados e a obrigatoriedade da indústria declarar os procedimentos adotados em relação a sua destinação (SABALSAGARAY, 1998; SOUZA & SILVA, 1997).

Neste contexto, uma destinação para subprodutos da indústria alimentícia pode e deveria ser a alimentação animal. Estes resíduos geralmente são disponibilizados com preços menores que os ingredientes convencionais como o milho, sorgo e farelo de soja, portanto, dependendo da sua composição e oferta poderiam auxiliar na redução de custos com a alimentação (SABALSAGARAY, 1998; SOUZA & SILVA, 1997). O resíduo da indústria de bolachas (RIB) tem uma composição semelhante a dos grãos energéticos, equivalendo a 75% do valor nutricional do milho (OLIVEIRA, M. & LANÇANOVA, 2001; OLIVEIRA, A., 2005). Por possuir estas características, o RIB tem sido pesquisado para substituir parcialmente o milho em rações de monogástricos (aves e suínos) e de ovinos.

O marreco-de-pequim (Anas boschas) tem sido criado pelos chineses a mais de 3000 anos em consorciação com arrozeiras (anarizicultura). Por volta de 1368-1644 o marreco-depequim começou a ser criado para o abate por imperadores e pessoas de alta patente do continente Asiático (PAULA, 2004). No Brasil sua criação iniciou na década de 50 no Estado de Santa Catarina, mais precisamente na região do Vale do Rio Itajaí, devido à forte influência da cultura alemã que aprecia e promove o seu consumo. Esta ave pertence à família dos Anatídeos juntamente com os patos, gansos, tadornas e cisnes. Sua criação é relativamente fácil, sua alimentação e necessidades nutricionais se assemelham as outras aves como frangos, perus e patos permitindo a pesquisa de alimentos alternativos que possam reduzir custos para a sua produção.

Este trabalho teve como objetivo pesquisar a viabilidade da substituição de parte do milho da ração de matrizes de marrecos-de-pequim pelo resíduo da indústria de bolachas, observando seus efeitos na produção e viabilidade de ovos e de marrequinhos de um dia, assim como analisar o efeito desta substituição no custo da ração.

O trabalho experimental foi realizado no Instituto Federal Catarinense – Campus

Araquari, as análises laboratoriais dos resíduos e das rações foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e o resíduo foi fornecido pela indústria de Biscoitos Mabel® situada em Araquari/SC.

Este trabalho foi estruturado em seis partes. Inicialmente procurou-se introduzir, contextualizar e justificar o assunto que deu origem a este estudo assim como especificar a hipótese e os objetivos. A seguir procurou-se apresentar uma revisão bibliográfica focalizada principalmente na nutrição e manejo do marreco-de-pequim (Anas boschas), na utilização de resíduos industriais e na composição e análise dos alimentos. No capítulo seguinte procurouse descrever os principais procedimentos e metodologias utilizados. Os resultados são apresentados e discutidos na seqüência. Finaliza-se apresentando as conclusões, considerações finais e bibliografia que embasaram este estudo.

2. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

É viável a utilização do Resíduo da Indústria de Bolachas (RIB) em substituição de parte do milho para a produção de ração destinada às matrizes de marrecos-de-pequim?

3. HIPÓTESE

O resíduo da indústria de bolachas pode substituir parcialmente o milho em rações para matrizes de marrecos-de-pequim sem prejudicar a sua produtividade e aumentar os custos para produção de marrequinhos de um dia.

4. OBJETIVO GERAL

(Parte 1 de 7)

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