Protocolo de Atenção farmacêutica em pacientes com DSTs

Protocolo de Atenção farmacêutica em pacientes com DSTs

Protocolo de Atenção Farmacêutica nas DSTs

Alunas : Alessandra Marques

Amanda Sant’Anna

Keise Abreu

Lidiane Costa Flores

Introdução

  • Após a segunda guerra mundial ocorre a expansão da indústria farmacêutica;

  • Modificação de Hábitos de consumo, das práticas profissionais e das instituições de saúde;

  • Publicidade aumentou o uso excessivo de medicamentos pela população devido a excessiva oferta e grande exposição.

Atenção Farmacêutica

  • Segundo a OMS Atenção Farmacêutica é toda prática profissional na qual o paciente é o principal beneficiário das ações do farmacêutico. A AF é o compêndio das atitudes, os comportamentos, os compromissos, as inquietudes, os valores éticos, as funções, os conhecimentos, as responsabilidades e as habilidades do farmacêutico na prestação da farmacoterapia com o objetivo de obter resultados terapêuticos definidos na saúde e na qualidade de vida do paciente.

A comercialização de medicamentos no Brasil

  • O setor privado é responsável por 76% do fornecimento direto de medicamentos à população brasileira ;

  • Abertura de farmácias por leigos, sem levar em conta a sua formação e a quantidade de estabelecimentos ;

  • A remuneração constituída de comissões proporcionais às vendas estimula a indicação terapêutica de produtos desnecessários, e a não intercambialidade por produtos genéricos, habitualmente mais baratos que os produtos de referência.

Doenças Sexualmente transmissíveis problema de saúde pública

  • Doenças Sexualmente Transmissíveis“ ou DST é todas as infecções transmitidas por meio de contato sexual;

  • Podem ser transmitidos de mãe para filho, antes ou durante o parto ou por transfusão de sangue contaminado;

  • As mais comuns são causadas por bactérias e podem ser completa e facilmente curadas, como a gonorréia, sífilis, cancro mole, infecção por clamídia e uretrites ;

  • As causadas por vírus como herpes, condiloma, hepatite B e Aids são facilmente transmitidas e não podem ser eliminadas por medicamentos;

DST de acordo a manifestação

DST de acordo a manifestação

  • Doenças que causam úlceras genitais

Sífilis

Cancro mole

Cancro mole

Linfogranuloma venéreo

Herpes Genital

Herpes Genital

Doenças que causam corrimento vaginal

  • Doenças que causam corrimento vaginal

Candidíase Vaginal

Tricomoníase

Vaginose bacteriana

Vaginose bacteriana

Cervicite

Doenças que causam corrimento uretral

  • Doenças que causam corrimento uretral

Uretrite Gonocócica

Doenças que causam verrugas genitais e ou anais

  • Doenças que causam verrugas genitais e ou anais

Condiloma acuminado

Medidas de Prevenção e controle das DSTs

Medidas de Prevenção e controle das DSTs

• Uso de preservativos em todas as relações sexuais;

• Diagnóstico e tratamento precoce e adequado dos acometidos e seus parceiros;

• Interrupção da atividade sexual até o portador estar totalmente curado;

• Rastreamento de casos assintomáticos em exames de rotina como pré-natal, planejamento familiar e no exame preventivo de câncer cérvico-uterino;

• Diminuição do número de parceiros sexuais, pois quanto maior o número de parceiros e o período de tempo em que uma pessoa se mantém infectada, maior é a chance de transmitir uma DST;

• Uso de seringas e materiais perfurocortantes esterilizados;

• Controle rigoroso da qualidade do sangue para transfusão.

Atenção Farmacêutica nas DSTs

  • Lei Federal 9.313, de 13 de novembro de 1996 acesso universal e gratuito ao tratamento antirretroviral no Brasil;

  • Acesso da população aos exames de monitoramento laboratorial da infecção pelo HIV, bem como aos insumos e ações de prevenção;

  • Um dos pontos de contato com os usuários é o momento da dispensação;

  • Os farmacêuticos orientam e repassam informações ao usuário.

Protocolo de atenção farmacêutica nas DSTs

  • Objetivo - fortalecer e orientar os profissionais e os pacientes para o uso racional dos medicamentos harmonizando procedimentos desde a programação, passando pelo sistema de informações, até orientações e recomendações gerenciais e clínicas sobre as diversas condições que fazem parte do cotidiano das pessoas que vivem com a DST;

  • Proporcionar - mobilização social, diminuição do estigma e do preconceito, o vínculo com a equipe de saúde, o acesso a informação e insumos de prevenção, a qualidade na assistência, a adequação do tratamento as necessidades individuais e o compartilhamento das decisões relacionadas a saúde, inclusive para pessoas que não fazem uso de terapia antirretroviral.

Farmácias comunitárias

  • Atendimento primário de saúde;

  • SUS - A farmácia comunitária inclui estabelecimentos públicos e privados, ocupa lugar privilegiado como posto avançado de saúde;

  • Papel importante na educação em saúde e na dispensação de medicamentos;

  • Farmacêutico como responsável técnico que deve zelar pelo cumprimento da legislação sanitária vigente, responsabilizar-se pela promoção da saúde e orientação de seus funcionários e usuários;

  • Com relação às DST, a farmácia comunitária deve apoiar e participar de programas que visem à educação da comunidade e à adesão terapêutica. Devem, ainda, orientar a prevenção e encaminhar os usuários com sintomas a um serviço de saúde.

As intervenções educativas e orientações para DST nas farmácias comunitárias devem ter como objetivos:

As intervenções educativas e orientações para DST nas farmácias comunitárias devem ter como objetivos:

• O aumento da percepção de risco de se adquirir uma DST;

• A mudança de atitude com adoção de práticas sexuais seguras;

• A prevenção de novas infecções;

• O enfraquecimento da cadeia de transmissão das DST, por meio de orientações corretas;

• A otimização da terapêutica e promoção da adesão ao tratamento prescrito;

• A promoção da cura total, controle ou diminuição da sintomatologia e a melhoria da qualidade de vida dos usuários;

• A diminuição dos custos com tratamento e exames diagnósticos;

• A diminuição do sofrimento e de danos psicológicos;

• Estímulo à notificação dos casos para melhor dimensionamento do problema no Brasil.

 

Orientação farmacêutica em DST: uma proposta de sistematização

Orientação farmacêutica em DST: uma proposta de sistematização

  • Em 1995, o Programa Nacional de DST implementou o Projeto de Envolvimento das Farmácias no Controle das DST que constava no diagnóstico da situação existente nas farmácias do país e teve como proposta campanhas de educação continuada para farmacêuticos, proprietários e balconistas.

  • Apesar da expressiva produção científica nacional e internacional sobre DST e da existência de orientações quanto às responsabilidades do profissional farmacêutico, necessita-se de uma orientação não fragmentada em relação ao cuidado integral ao portador de DST no âmbito da farmácia comunitária

Orientação farmacêutica aos balconistas e proprietários de farmácias

Orientação farmacêutica aos balconistas e proprietários de farmácias

  • Os trabalhadores que atendem o público nas farmácias devem possuir conhecimentos e ser orientados quanto ao procedimento diante de um possível portador de DST, para oferecerem informação e orientação adequadas;

  • O farmacêutico deve organizar atividades educativas com balconistas e proprietários, discutindo em grupo problemas de saúde como as DST, estimulando a leitura de textos científicos e simulando situações reais

As discussões devem abranger temas como:

As discussões devem abranger temas como:

• o papel social da farmácia como estabelecimento de saúde pública;

• exemplos de DST e seus principais sinais e sintomas;

• dados epidemiológicos e importância das DST como problema de saúde pública no Brasil;

• mecanismo de transmissão e métodos de prevenção;

• orientações para o uso correto de preservativos masculinos e femininos;

• conseqüências de tratamento inadequados e curas parciais;

• sigilo e respeito no atendimento;

• encaminhamento para o farmacêutico dos casos importantes e da substituição genérica;

• indicação de locais de referência para tratamento e testagem para HIV;

• importância da notificação para Saúde Pública.

Orientação farmacêutica aos usuários

Orientação farmacêutica aos usuários

busca de informação por meio de perguntas como:

• Você sabe como usar seus medicamentos?

• Gostaria de falar sobre os seus remédios?

• Gostaria de receber orientações quanto a seu tratamento?

• Você tem alguma dúvida que gostaria de esclarecer sobre a sua saúde?

• Tem alguma dificuldade para seguir o seu tratamento?

  • Usuários, portadores de sintomas de DST, buscam os serviços das drogarias, com ou sem prescrições médicas Para cada um, as orientações do farmacêutico devem ser diferenciadas

Orientações ao usuário sem prescrição

Orientações ao usuário sem prescrição

Momento em que exercer o papel de educador em saúde, enfatizando as medidas preventivas e encaminhando o possível portador de DST a uma unidade de saúde para um diagnóstico correto e tratamento adequado.

Recomenda-se, ainda:

• ouvir com atenção as queixas;

• falar dos métodos preventivos, enfatizando o uso de preservativos;

• falar dos riscos de se adquirir as DSTs;

• falar da importância de se diagnosticar e tratar correta e completamente uma DST;

• falar da necessidade de tratamento dos possíveis parceiros, explicitando os mecanismos de transmissão das DST;

• colocar-se à disposição para futuro seguimento farmacoterapêutico.

Orientações ao usuário com prescrição

Orientações ao usuário com prescrição

Devem ser fornecidas orientações de caráter geral como:

• conferir sempre o nome e a dose dos medicamentos;

• conservar os medicamentos em suas embalagens originais, ao abrigo da luz, calor e umidade;

• observar as características organolépticas dos medicamentos,cor, odor, sabor;

• lavar sempre as mãos antes de usar qualquer medicamento;

• manter os medicamentos fora do alcance de crianças;

• estratégias simples para lembrar o horário de administração dos medicamentos na rotina diária e em situações especiais;

• ao esquecer uma dose do medicamento, tomá-la imediatamente quando lembrar (começar novamente a contar o intervalo de tempo, não duplicando as doses);

• evitar o consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades durante o tratamento;

• avisar o prescritor sobre o aparecimento de alergias ou efeitos adversos.

Orientações ao usuário, com relação ao autocuidado

Orientações ao usuário, com relação ao autocuidado

  • As condições socioeconômicas e culturais influenciam a adesão ao tratamento e o autocuidado.

  • O farmacêutico deve falar dos cuidados com a higiene pessoal e com a automedicação.

  • Encerrar o aconselhamento oferecendo o serviço de seguimento terapêutico na farmácia.

Condições para o sucesso do aconselhamento farmacêutico

Aconselhamento é entendido como processo de escuta ativa, individualizada e centrada no indivíduo. Pressupõe a capacidade de estabelecer uma relação de confiança entre interlocutores, visando ao resgate dos recursos internos do indivíduo para que ele tenha possibilidade de reconhecer-se como sujeito de sua própria saúde e transformação (Ministério da Saúde, 1999).

Técnicas que ajudam no estabelecimento de um processo de comunicação terapêutico eficiente, tais como:

Técnicas que ajudam no estabelecimento de um processo de comunicação terapêutico eficiente, tais como:

• Saber ouvir e saber manter-se em silêncio;

• não julgar o conteúdo do pensamento que é expresso.

• Verbalizar interesse pela sua saúde e pela sua pessoa, chamando-o pelo seu nome.

• Usar linguagem acessível e adequada ao nível de compreensão de cada um.

• Estar atento ao que o paciente não expressa verbalmente.

• Encorajá-lo a expressar de forma completa seus pensamentos com expressões do tipo: "e depois? ...e então? ...continue! ...estou ouvindo!"

• Verbalizar aceitação para que o paciente esteja disposto a falar, sentindo-se aceito como pessoa.

• Usar expressões faciais e linguagem corporal coerente com o que está sendo comunicado.

• Repetir comentários feitos pelo paciente;

• Repetir comentários feitos pelo paciente;

• Fazer perguntas diretas e claras, no nível de compreensão do paciente, uma pergunta de cada vez.;

• Manter o paciente no mesmo assunto, reconduzindo-o, com suavidade, ao ponto de interesse.

• Devolver, ao paciente, perguntas para que esclareça pontos que não ficaram claros.

• Repetir a mensagem do paciente para verificar se a compreensão está correta.

• Pedir que o paciente repita o que compreendeu dos pontos importantes.

• Ao sugerir modificações de hábitos ou comportamentos, demonstrar respeito à autonomia e preferências do paciente.

• Sumarizar o que foi dito na interação, enfatizando os pontos principais.

• Verificar a necessidade de orientações escritas.

conclusão

Diante dessa realidade de precariedade dos serviços de saúde é necessário refletir sobre o papel do farmacêutico, como profissional de saúde mais acessível à população, e sobre o papel da farmácia comunitária na melhoria do quadro de saúde. Nesse contexto, a presente proposta de sistematização se insere como uma estratégia para aumentar o alcance das ações de prevenção e controle das DST no Brasil, reconhecendo o importante papel do farmacêutico como educador e promotor de saúde, papel esse tão negligenciado em nosso meio.

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