Drogas de Abuso

Drogas de Abuso

Anna Layse

Clycia Dantas

Dérick Gustavo

Janaína Sheyla

Apresentaremos os aspectos

  • Maconha

  • Cocaína

  • Inalantes

  • Uma breve abordagem do Crack

“Estimulante é toda substância utilizada voluntariamente com a finalidade de obtenção de estados alterados da consciência, caracterizados por euforia decorrente da estimulação do SNC.”

Maconha

Sumário

  • Introdução

  • Química e constituintes

  • Preparações

  • Vias de introdução e absorção

  • Distribuição

  • Biotransformação e excreção

  • Mecanismo de ação

  • Efeitos tóxicos

  • Dependência

  • Tolerância e síndrome de abstinência

Introdução

  • Cannabis – droga ilícita mais cultivada, traficada e consumida em todo mundo

  • Origem: Ásia Central

  • Primeiros registros: 2723 a.C., quando foi citada na Farmacopéia Chinesa

  • Linné a classificou em Cannabis sativa (1753)

  • Difundiu-se para Índia, Oriente Médio e Europa nos fins do século XIX

  • Daí passou para África e atingiu as Américas

  • Até então seu uso se dava por suas propriedades têxteis e medicinais

  • No Brasil, ela chegou na época das capitanias (fim do século XVII) – fibras

  • Foi usada como hipnótico pelos escravos

  • Começou a ser usada pelos jovens de classe mais baixa e agora entre jovens de todas as classes

Introdução

  • Um relatório anual de 2007 do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC) mostrou que 160 milhões de pessoas no mundo consumiram maconha entre 2005 e 2006 (15 e 64 anos de idade)

  • Um aumento do seu consumo ocorreu na América do Sul, principalmente no Brasil devido à facilidade de encontrá-la no Paraguai

Química e Constituintes da Cannabis sativa L

  • Cannabis é o gênero botânico de algumas plantas, das quais a mais famosa é a Cannabis sativa, da qual se produz o haxixe e a maconha

  • A Cannabis sativa L. contém 489 compostos naturais, como o Δ⁹ - Tetraidrocanabinol (Maconha), canabidiol (CBN), canabigerol (CBG) e outros

Preparações da Cannabis

O teor de Δ⁹ - THC varia conforme a parte da planta usada e o modo de preparo, além de variar de um país para outro

Vias de Introdução e Absorção

Distribuição

  • Ligada às proteínas plasmáticas (97 a 99%) – lipoproteínas

  • Bastante lipossolúvel

  • pKa = 10,6

  • Coeficiente de partição octanol / água em pH neutro da ordem de 6000

  • Após absorção é distribuído para tecidos bem vascularizados como cérebro, fígado, coração, rins e pulmões

  • Então é redistribuído acumulando-se em tecidos menos vascularizados como o adiposo (reservatório) – [ ] 1000x maior que a plasmática

  • Cruzam a placenta e são secretados no leite

Biotransformação e Excreção

O THC-COOH é o principal produto de biotransformação urinário, sendo um biomarcador de exposição à Cannabis

Em média, o tempo em que é possível ser detectado após exposição para fumantes eventuais é de 2 a 4 dias (positivo acima de 15 ng / mL)

Já para fumantes frequentes esse tempo se estende para um mês e, em casos excepcionais, três meses

Mecanismo de Ação

  • Nós temos um sistema canabinóide endógeno!!!!!!

  • Receptores CB₁ e CB₂ - são da família dos GPCR

  • CB₁ (SNC): inibição dos canais de cálcio operados por voltagem, diminuindo a liberação de neurotransmissores e abertura dos canais de potássio, diminuindo a transmissão de sinais

  • CB₂ (Sistema Imune e Hematopoiético): imunossupressão

Efeitos Tóxicos

À curto prazo

  • Período inicial de euforia seguido de disforia, sonolência e risos espontâneos

  • Perda da discriminação de tempo e espaço

  • Diminuição da coordenação motora

  • Prejuízo da memória recente

  • Falha nas funções intelectuais e cognitivas

  • Retardo na capacidade de percepção sensorial, intensificando as sensações, os sentidos e exagerando a sensibilidade

  • Taquicardia

  • Olhos vermelhos (hiperemia das conjuntivas)

  • Pressão sanguínea inalterada

  • Aumento do apetite e secura da boca

Efeitos Tóxicos

À longo prazo

  • Sistema pulmonar: redução do número de bronquíolos, diminuição da função dos brônquios, obstrução da entrada de ar, forçando o pulmão a trabalhar mais

  • Sistema cardiovascular: fumar maconha pode ser tolerado por quem tem o coração normal; mas, em pessoas com angina ou doença coronária, o aumento do nível de carboxiemoglobina e a cardioaceleração provocada pela maconha pode produzir um ataque cardíaco fulminante

  • Sistema imune: deterioração da habilidade de combate à infecções bacterianas e tumores

  • Psicopatologias: esquizofrenia

  • Anormalidades comportamentais no recém-nascido: respostas alteradas à estímulos, choro agudo e tremor acentuado

Dependência

  • É controversa, já que muitos estudos a consideram inócua

  • Pesquisas mostram que quanto mais cedo se utiliza maconha, há um aumento na probabilidade de dependência e problemas com outras drogas pelo resto da vida

Tolerância e Síndrome de Abstinência

  • A tolerância é atribuída a uma dessensibilização dos receptores; a analgesia tem tolerância de 3 a 7 dias, ao passo que efeitos na memória ou neuroendócrinos são extremamente resistentes, necessitando de semanas a meses para desaparecerem

  • Síndrome de Abstinência: desejo veemente pela maconha, diminuição do apetite, dificuldade para dormir, perda de peso, agressão, raiva, irritabilidade, inquietação e sonhos estranhos

Cocaína

Sumário

  • Introdução

  • Padrões de uso

  • Toxicocinética

  • Toxicodinâmica

  • Doses usadas e tolerância

  • Dependência e síndrome de abstinência

  • Efeitos tóxicos decorrentes do uso abusivo

Introdução

  • Cocaína: alcalóide da folha de Erytroxylun

    • Erytroxylun novogranatense var. trujjilo – indústria farmacêutica e alimentícia
    • Erytroxylun coca – droga ilícita
  • Processo de extração: maceração da folha – pasta de coca (forma de tráfico)

  • Data de 5000 anos – fumo das folhas em cerimônias religiosas e fins terapêuticos

  • População pré-incaica: mascavam folhas em cerimônias religiosas

  • Fim do século XX: cigarros de coca para tratar asma e febre do feno e como droga recreativa

  • 1859: isolada e caracterizada por Albert Niemann

  • 1884: Freud popularizou a cocaína no meio científico (tratamento da depressão e na cura da dependência da morfina

  • Nesse mesmo ano usada em elixires, medicamentos e bebidas

  • 1891: primeiros relatos de intoxicação – 13 mortes

  • 1914: restrições e penalidades ao uso da cocaína

  • 1970: disseminação do uso recreativo da cocaína

Padrões de Uso

Padrões de Uso

  • “Drogas de rua”: sofrem adulteração por adição de

    • Anestésicos locais: procaína, lidocaína, benzocaína, etc
    • Estimulantes: cafeína, anfetamina, estricnina, etc
    • Piracetam
    • Diluentes: glicose, sacarose, talco, manitol, amido, etc

*crack: adulterante mais comum é o bicarbonato de sódio

  • Vias de administração: intranasal, i.v. e respiratória (*v.o.)

  • Associação

    • Etanol – cocaetileno
    • Ansiolíticos e antidepressivos: diminuição da ansiedade; agitação e depressão após uso
  • A pasta de coca* é fumada em cigarros (bazuco) ou em combinação com tabaco ou maconha (grimmie)

  • *Preço baixo, com grande quantidade de impurezas (querosene, gasolina e metais pesados)

  • Consumo

    • Cocaína pó intrasal: 4 a 5 g / semana
    • Cocaína pó i.v.: 120 mg / dia
    • Crack: 3 vezes / dia; prostitutas 6 a 10 pedras / dia

Toxicocinética

  • Absorção

    • Intranasal
      • Pela mucosa nasal
      • Baixa velocidade de absorção devido a vasoconstricção
      • Aparecimento mais lento dos efeitos
      • Efeito dependente da técnica de aspiração
    • Respiratória
      • A via respiratória possui maior rapidez e intensidade de efeitos
      • A duração de efeitos é curta
    • Oral
      • Menor estabilidade química do fármaco
      • Pico de [ ] plasmática: 45 a 90 min
      • Absorção no intestino

Toxicocinética

  • Distribuição e eliminação

  • Alta afinidade pela glicoproteína α-1-glicoproteína ácida

  • Fração livre de 67 a 68 % dependendo do pH (menos ligada em pH alcalino)

  • Rápida velocidade de distribuição – Vdistribuição = 2 L / kg

  • Sofre acúmulo no fígado, tecido adiposo e SNC (lipossolúvel)

  • Sofre incorporação no cabelo e sêmen (importância forense)

  • É excretada no leite e atravessa a barreira hematoencefálica e a placenta

  • Biodisponibilidade / meia-vida de eliminação

    • Via respiratória: 70 %; 38 a 58 min
    • Via intranasal: 60 a 80 %; 50 a 78 min
    • Via i.v.: 100 %; 40 a 67 min
  • Excreção pela urina – 10 % na forma inalterada

Biotransformação

Toxicodinâmica

Doses Usadas e Tolerância

  • Para farmacodependêcia a dose é de 4 a 5 g / semana

  • Tolerância ocorre em usuários crônicos após consumo de altas doses (diminuição dos efeitos eufóricos e fisiológicos)

  • Tolerância reversa

    • Excitação aumentada obtida com doses menores em usuários crônicos devido a diminuição da biossíntese de serotonina que leva a uma potencialização da DA
    • Aumento da susceptibilidade ao aparecimento de convulsões em doses recreacionais após uso crônico

Dependência e Síndrome de Abstinência

  • Substância com maior potencial de abuso

  • Possui elevada capacidade de produzir reforço positivo – potencializa as vias dopaminérgicas

Dependência e Síndrome de Abstinência

  • Síndrome de abstinência: depressão, fadiga, irritabilidade, perda da libido ou impotência, tremores, dores musculares, distúrbios da fome, mudanças do EEG e dos padrões de sono

Efeitos Tóxicos

À curto prazo

  • Estimulação central profunda com psicoses e convulsões

  • Arritmias ventriculares

  • Disfunção respiratória que leva à morte

  • Hiperpirexia severa

  • Infarto do miocárdio

Efeitos Tóxicos

À longo prazo

  • Distúrbios psiquiátricos: euforia, alteração do humor, sensação de aumento de energia, vigília e autoconfiança, comportamento grandiloquente, sensação de supressão de medo e pânico, confusão mental, agitação, convulsão e comportamento violento com paranóia, alucinações, desilusão paranóica com comportamento suicida ou homicida, psicose tóxica com alucinações táteis (sensações de insetos rastejando sobre a pele)

  • Distúrbios respiratórios: rinite, sinusite e fibrose pulmonar

  • Distúrbios cardiovasculares: aumento da FC e PA, infarto do miocárdio e angina, fibrilação ventricular, AVC e parada cardíaca

  • Distúrbios hepáticos: necrose

Inalantes

Sumário

  • Introdução

  • Produtos mais utilizados, principais componentes e forma de uso

  • Perfil do usuário e padrões de uso

  • Toxicodinâmica

  • Efeitos tóxicos decorrentes do uso abusivo

  • Tolerância e síndrome de abstinência

Introdução

  • São usados para a obtenção de um estado psíquico alterado e englobam cloas, tíner, esmaltes, tintas, propelentes contidos em aerossóis e fluidos de isqueiros

  • “Inalantes” devido a exposição pela via de administração das substâncias e se refere à absorção de vapores, ou por fossas nasais ou pela boca

  • O uso voluntário dessas substâncias começou em 1940

  • Atualmente essa prática é um problema que abrange numerosos países

  • Na América Latina há maior consumo dessas substâncias por homens; nas ruas do Brasil, o fenômeno é intenso, bem como na Bolívia, Peru e México

  • Pesquisas feitas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), estudantes de 1º e 2º graus usam inalantes em grande frequência, sendo esse consumo só menor que o do álcool e tabaco

Produtos mais Utilizados, Principais Componentes e Formas de Uso

Produtos mais Utilizados como Inalantes

Perfil do Usuário e Padrões de Uso

  • Maior incidência de uso entre a população mais jovem (mais em adolescentes e pré-adolescentes) – 13 a 15 anos

  • A maioria dos jovens experimenta apenas uma ou poucas vezes os solventes mais populares e um pequeno grupo se torna usuário pesado, inalando altas quantidades por longo tempo – baixo preço e a fácil aquisição e venda livre

  • Motivos relatados para uso: alívio para tédio, pressão dos companheiros, curiosidade, necessidade de aceitação e atenção

  • O uso começa em grupos e passa a individual

  • Os usuários são geralmente imaturos, desmotivados, sentem-se inferiores, são ansiosos, depressivos e sem habilidade para lidar com os problemas e frustrações; tendem ao isolamento, rebeldia e autodestrutividade

Toxicodinâmica

  • Os inalantes tem mecanismos de ação ainda pouco esclarecidos (pouca atenção dos pesquisadores)

  • Alguns estudos indicam que eles atuam por meio de receptores GABA e glutamato

  • Outros estudos dizem que tais inalantes fluidificariam as membranas

  • O tolueno atua no receptor GABAₐ, exarcebando a atividade simpática – apresenta efeitos excitatórios e inibitórios na neurotransmissão

  • O hexano atua dissolvendo a bainha de mielina, resultando em danos neuronais

  • Nitritos atuam por vasodilatação e relaxamento da musculatura lisa

Limites de Detecção

Efeitos Tóxicos

À curto prazo

  • Excitação seguida de disforia

  • Fase excitatória: euforia, desinibição e bem-estar (15 a 45 min); invulnerabilidade, tranquilidade, paz de espírito, grandiosidade, paz de espírito, onipotência, hilaridade, sensação de flutuação com distúrbios de espaço e tempo, alucinações visuais (distingue embriaguez alcoólica da inalação de solventes)

  • Fase de depressão: confusão, desorientação, obnubilação, perda do autocontrole, diplopia, cefaléia, palidez, redução do estado de alerta, sonolência, fala pastosa, diminuição dos reflexos

  • Altas [ ] inaladas causam arritmias, anóxia, asfixia e traumatismos ocasionados por acidentes devido a ataxia, podendo levar a morte

Efeitos Tóxicos

À longo prazo

  • Neurotoxicidade: perda da acuidade visual, anosmia, surcez, alteração da postura, nistagmo, ataxia, apatia, cefaléia, prejuízos na memória, perda de concentração e hostilidade

  • Cardiotoxocidade: edema do miocárdio, miocardite irreversível, fibrose e ICC

  • Dermotoxidade: prurido, eritema, queimaduras, dermatite

  • Nefrotoxicidade: acidose tubular, cálculo renal, preteinúria, hematúria e hipocalemia

  • Imunotoxicidade: supressão da medula óssea, leucopenia, anemia, trombocitopenia e hemólise

Tolerância e Síndrome de Abstinência

  • A tolerância pode ocorrer, mas é difícil de ser estimada

  • Geralmente leva de um a dois meses após a exposição repetida (estudos mostram que a tolerância ao tolueno aparece com 3 meses de uso regular)

  • Síndrome de abstinência: distúrbios do sono, irritabilidade, tremores das mãos, náuseas, vômitos, taquicardia e alucinações (não foi relatada síndrome de abstinência para o óxido nitroso)

CRACK

Sumário

  • Extração

  • Padrões de uso

  • Toxicocinética e Toxicodinâmica

  • Dependência

Extração

Padrões de Uso

  • O advento do crack modificou os padrões de uso da cocaína i.v. e inalatória para via respiratória

    • Grande potencial de abuso
    • Efeitos prazerosos mais rápidos e intensos
    • Conveniência e facilidade de aquisição
    • Facilidade de administração
    • Segurança
  • Os usuários utilizam cachimbos feitos de lata de cerveja ou refrigerante, copo de água, embalagens de Yakult, pedaços de isqueiro ou torneira, pedaços de cano, ferro ou pvc

  • Esses usuários apresentam queimaduras na boca, nariz e dedos

Toxicocinética e Toxicodinâmica

  • Marcador: éster metilanidroecgonina (EMA)

  • Efeito depende de

    • Porção do fármaco sujeita a pirólise
    • Temperatura usada para vaporizar cocaína
    • Recipiente onde o crack é aquecido
    • Condensação dos dispositivos usados
    • Efetividade da tragada
  • EMA: efeito colinérgico

  • “Pulmões de crack”: bronquiolite obstrutiva, infiltrados e granulomas pulmonares, broncoespasmo, dispinéia, tosse, etc

Dependência

Referências

  • OGA, S., CAMARGO, M. A., BATISTUZZO, J. A. O. Fundamentos de Toxicologia. 3 ed. São Paulo, Atheneu, 2008.

Obrigado (a)!!

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