Meteorologia agricola

Meteorologia agricola

INTRODUÇÃO

Os recursos naturais são ilimitados era como pensavam no passado, alguns anos atrás sob condições de produção escassa e exploração industrial mínima, parecia que a terra poderia ser provedor inesgotável dos recursos naturais, entretanto a população cresceu e a industrialização se expandiu e cada vez ficamos mais preocupados com as limitações dos recursos da terra. Com o crescimento da população mundial tivemos que aumentar a produção mundial de alimentos diminuindo as perdas agrícolas e pastoris, tendo a eficiência da produção agrícola melhorada. As empresas agrícolas modernas, não exploram mais uma região esgotando os recursos desta área e mudando-se para outra, entretanto os métodos presentes da exploração agrícolas estão começando a prejudicar o ambiente, solo, ar e água de outras maneiras, fazendo com que houvesse uma área da ciência destinada ao estudo do clima para melhor aproveitamento de culturas agrícolas. A importância cada vez mais do estudo do clima e de seu manejo para melhorar a produção agrícola do Brasil fez da meteorologia uma técnica indispensável ao estudo para o aproveitamento dos diferentes tipos de climas adaptáveis aos diversos tipos de cultivos agrícolas, sendo denominada como AGROMETEOROLOGIA. A presente obra, enquanto resultará em uma útil introdução a esta matéria vai dirigida aos estudantes de geografia ávidos de conhecimentos técnicos, possibilitando assim uma melhor compreensão desta área da disciplina. O estudo das condições climáticas em si é tão importante para o estudo da produção agrícola quanto ao estudo da resposta das culturas agrícolas às condições atmosféricas. Neste contexto, é fundamental estudar as características do clima em determinada região e quais culturas agrícolas são aptas ao clima predominante desta região. Por outro lado, o cenário de mudanças climáticas globais é tido como inevitável, fazendo com que agricultura tome rumos diferentes, adaptando-se a estas condições, pois novas áreas poderão ser adicionadas ao processo produtivo, e o efeito fisiológico do CO2 aumentaria não apenas a produtividade das culturas agrícolas, mas também a das ervas daninhas. Uma das aplicações das pesquisas climatológicas relaciona-se com as práticas culturais, problemas com irrigação, o espaçamento entre as linhas de determinada cultura, a época de aplicar alguns fertilizantes, a seleção de variedades, os transplantes podem ser melhores resolvidos levando em conta os elementos climáticos. Por fim, também é necessário entender a contribuição da agricultura para o aquecimento global, e o que deve ser feito para diminuir esta contribuição. Esta linha de pesquisa objetiva:- Realizar estudos de natureza física e estatística sobre o sistema climático, obtendo previsões de tempo detalhadas, na ocasião exata e adaptadas para as operações agrícolas comuns, - Realizar zoneamento climático de diversas culturas agrícolas, dando suporte para os agricultores usar estas informações em seus cultivos,- Estudar os efeitos das mudanças climáticas globais na agricultura, de forma a instruir uma melhor utilização e reaproveitamento dos recursos, amenizando o agravamento destes efeitos causados pelo agricultor- Estudar a contribuição da agricultura para o aquecimento global,

Além destes pontos devemos ter por base outros programas de pesquisa para apoiar os serviços de informações meteorológicas aos agricultores:

  1. Estudos microclimáticos detalhados para determinar as interações entre os parâmetros meteorológicos medidos e as respostas das plantas,

  2. Estudos de balanço de energia solar que afeta a evaporação da agua do solo e das superfícies de agua e a transpiração das plantas,

  3. Estudo sobre a influência dos parâmetros meteorológicos na incidência de doenças e pragas e suas consequências epidemiológicas das infecções,

  4. Estudo das relações dos parâmetros meteorológicos sobre os problemas da pré e pós-colheita, armazenamento e transporte de produtos, em relação a sua qualidade,

  5. Estudo das relações dos fatores meteorológicos com a incidência de incêndios de florestas e pastagens, geadas, granizo, temporais, etc.

Finalizando, devemos enfatizar que condições de favoráveis de clima, somente, não produzem alto rendimento a menos que se use adequada tecnologia, podemos dizer então que uma tecnologia adequada aliada a condições favoráveis de clima expressem o seu melhor potencial.

Como a agricultura é uma atividade que depende principalmente das condições do clima em uma determinada região, sendo necessária para a sobrevivência ao crescimento acelerado da população mundial, existe uma grande preocupação com o aumento da produção de alimentos. Para isso, é necessária toda e qualquer informação meteorológica com base em dados de anos anteriores á prática empregada, funcionando como guia e suporte à implantação de práticas agrícolas ao clima. Sendo capaz de partir deste ponto o agricultor pré selecionar o cultivo de um determinado segmento ao saber do clima que insurge sobre a região escolhida.

O estudo entre a relação ambiente e sistemas agrícolas chama-se Agrometeorologia, que tem como principal objetivo colocar a ciência da meteorologia e a climatologia a serviço da agricultura. Para através de fontes do clima, antes, durante e por vir, possa ser aplicado o melhor uso da terra, para ajudar na produção do máximo de alimentos, evitando assim o abuso irreversível dos recursos naturais (água e solo).

Existem diversas aplicações técnicas meteorológicas as operações de campo. Alguns exemplos importantes são:

  1. Previsão e proteção contra geadas,

  2. Aviso contra fogos nas florestas,

  3. Planejamento de irrigação,

  4. Calendários de plantio e de colheitas,

  5. Seleção de lugares para as culturas,

  6. Controle de insetos,

  7. Controle de doenças e muitas modificações microclimáticas, como a utilização da pratica de quebra-ventos.

Na agricultura o produtor tendo a variabilidade de informações sobre condições favoráveis durante todo o seu ciclo vegetativo do campo, isto é, exigem determinados limites de temperatura nas várias fases do ciclo, de uma quantidade mínima de água, e de um período seco nas fases de maturação e colheita pode-se então alcançar produtividade econômica. É nesse sentido que os controles meteorológicos e climatológicos agrícolas se fazem importantes, uma vez que um dos seus principais objetivos é delimitar as regiões ou “zonas” com potencial de clima e solo que permita a exploração de uma determinada cultura. O controle permite determinar a melhor época de semeadura para cada município, onde as fases mais críticas da cultura tenham uma probabilidade menor de coincidirem com as adversidades climáticas (como falta de água, temperaturas excessivamente elevadas ou baixas). Para tais eventos de plantio tem as chamadas classes de influência agrícola. Estando presentes os seguintes fatores controlados por dados obtidos em anos anteriores e com previsão de ocorrência, aplicado a estudos da meteorologia e climatologia.

FATORES DE INFLUÊNCIA AGRÍCOLA

GEADAS

A geada Ocorre quando a temperatura do ar atinge 0°C e tem umidade presente na atmosfera. Acontece que com a presença da formação de geada as plantas nos campos sofrem variações em sua estrutura ocasionando a tardia no crescimento se estas expostas a uma ocasião de baixa intensidade, ou a morte em função de grande concentração da formação de gelo sobre o campo.

Considera-se a temperatura critica mínima cerca de - 2°C, o que ocasionaria danos as plantas de espécies menos resistentes, como a banana, mamoeiro e o arroz. Já para as espécies mais resistentes a formação de gelo a temperatura de - 4°C causa danos como exemplo, na cana-de-açúcar e cafeeiros. Conforme mais declive houver na temperatura maior será amplitude do problema a ser enfrentado pelo agropecuário, no entanto em Agronomia, entende-se geada como fenômeno atmosférico que provoca a morte das plantas ou de suas partes (folhas, caule, frutos, ramos), em função da baixa temperatura do ar, que acarreta congelamento dos tecidos vegetais, havendo, ou não, formação de gelo sobre a planta. A morte pode ser causada tanto por ventos muito frios soprando por muitas horas, como pelo resfriamento radiativo com o ar muito seco.

Nos locais situados a médias e altas latitudes, a agricultura torna-se atividade de risco durante o inverno, devido à ocorrência de temperaturas baixas. A proteção de plantas contra os efeitos letais causados pela geada é problema considerável na agricultura, especialmente para as lavouras de alta rentabilidade, entre as quais está às frutíferas de clima tropical, o cafeeiro, seringueira entre outros

UMIDADE DO SOLO

A estimativa de umidade do solo é obtida a partir de dados de precipitação antecedente estimados via satélite aplicado a um modelo hidrológico simples. Composto por variáveis que estudam diferentes camadas e formações da terra, sendo disponibilizada para produtores como fonte de informação agrícola.

Exemplo de mapa demonstrando a umidade do solo na América do Sul no dia 09/06/2011.

SECAS COM RISCO DE QUEIMADAS

A precipitação é um fenômeno espacialmente distribuído de natureza contínua que é avaliado em localizações pontuais através de estações meteorológicas. Geralmente, a seca ocorre devido a uma deficiência de precipitação por um determinado período de tempo, usualmente durante uma estação ou mais, resultando na falta de água para uma determinada atividade, grupo, ou setor. Ela também pode ser caracterizada em relação ao atraso do início da estação chuvosa e à eficiência da precipitação, como a intensidade e o número de eventos de chuva.

    A persistência da insuficiência de precipitação pode resultar no estresse hídrico da vegetação, na redução da produção agrícola e ainda na diminuição do nível da água em reservatórios e lagos, afetando também o habitat de diferentes animais selvagens. Quando a seca atinge este estágio populações inteiras podem migrar de uma região para outra acirrando a disputa por água e podendo gerar conflitos.

    Portanto, o fenômeno seca possui impacto tanto econômico, como social e ambiental, e é um dos mais importantes desastres naturais relacionados com a condição atmosférica podendo afetar áreas extensas durante meses e anos e possuindo grande impacto sobre a produção de alimentos e o desempenho econômico de diferentes países. 

Para os agricultores a análise de diferentes indicadores sobre a seca, como a quantidade de dias sem chuva, onde se podem observar condições extremas, como, por exemplo, locais que não chove há mais de 60 dias; há ainda mapas sobre acumulados de chuva, temperatura média, umidade média, risca de fogo, entre outros influenciam diretamente em um plantio saudável.

Além destes podemos citar mais alguns itens que devem ser estudados e feita uma relação entre os pontos, para o auxilio da produção agrícola como :

A temperatura do ar e plantas cultivadas – escolhendo a melhor região para cada espécie.

A temperatura do solo e as plantas cultivadas – difere muito da temperatura do ar, pois responde mais aos efeitos locais de insolação, topografia e outros efeitos semelhantes.

Perfil do vento próximo ao solo – auxilia no projeto da altura dos irrigadores, pois a distribuição da agua no campo é muito dependente da velocidade do vento na altura do bico aspersor.

Aspectos agrometeorológicos da água na atmosfera – conforme o ambiente em que vivem, em relação as aguas, cada espécie tem suas características de desenvolvimento.

Efeitos adversos do tempo – relaciona-se com o pré-planejamento e com o melhoramento do lugar para reduzir o impacto dos extremos meteorológicos sobre as plantas

EXEMPLOS DE PERDAS AGRÍCOLAS POR FALTA DE PREVISÃO METEOROLÓGICA ADEQUADA

Chuva prejudica safra de feijão em Prudentópolis (PR)

Mais de seis mil agricultores de Prudentópolis, no Paraná, estão sentindo os prejuízos causados pelo excesso de chuva nas lavouras de feijão. Alguns chegaram a perder toda a produção. A plantação de sete hectares de feijão virou adubo. Para não ter ainda mais prejuízos, o agricultor Teodoro Vinharski teve de destruir a lavoura. “O feijão estava apodrecido e nós passamos o trator para plantar outra safra de milho agora”, diz.A chuva em excesso prejudicou a qualidade dos grãos. O agricultor perdeu 90% do plantio e não sabe o que vai fazer para pagar o financiamento no banco. “Agora estou pensando em ir à cooperativa ver se negocio semente e adubo para pagar depois, tentando plantar o milho e pagar com a colheita dele. Vou ter de acumular mais uma dívida, a do feijão e mais outra”, revela Teodoro.  Na região central do Paraná, 6.500 famílias vivem da produção do feijão, mas além da qualidade comprometida, outro problema é o baixo preço de mercado. “Tem casos que tem perda de 50% no preço, conforme o tipo que ele conseguiu colher – é um ato de bravura conseguir colher alguma coisa”, comenta o agrônomo Paulo Ricardo Rickli.

Fonte: Agrolink – 10/03/2010

Condições ideais para plantio de feijão:

Precipitação Pluviométrica: aproximadamente 100 mm em seu período de produção

Temperatura: entre 10º C a 25º C

Época adequada para plantio: Fim de Setembro inicio de Outubro.

Análise da notícia:No caso citado acima ao analisarmos a data da notícia podemos observar que os agricultores em questão, ao desconsiderar a época adequada para o plantio acabaram por ter grande perca de sua produção. Época essa informada por diversas entidades de prestação de serviço meteorológico onde informam tanto precipitação quanto temperatura e outras diversas informações importantes para auxilio na produção agrícola.

Falta de chuva atrapalha produção de milho no Paraná e deixa produtores preocupados.

O milho do Paraná começa a sentir a falta de chuvas. Apesar das lavouras estarem em diferentes etapas, a cultura é muito sensível ao déficit hídrico. O Estado e as instituições ligadas aos produtores não arriscam ainda um índice de perdas, mas a preocupação é grande em todos os setores. Este ano, o milho cobre 1,7 milhão de hectares de solo paranaense, 25% a mais em relação ao inverno passado. Problemas com o trigo levaram boa parte dos produtores a migrar para a cultura que está com preço atraente. Mas no Norte e no Oeste, principais regiões produtoras, não chove há mais de um mês. Com 900 hectares de milho e R$ 1,3 mil investidos em cada um, o agricultor Antonio Perucci, de Cambé, norte do Estado, já calcula possíveis perdas.

Fonte: Canal Rural – 01/06/2011

Condições ideais para plantio de feijão:

Precipitação Pluviométrica: aproximadamente 200 mm em seu período de produção

Temperatura: aproximadamente 26ºC

Época adequada para plantio: Meados de Outubro

Análise da notícia:A notícia acima nos mostra com clareza a inobservância dos produtores aos escolher a data de produção do gênero alimentício citado, logo a perda em questão poderia ser evitada com o estudo meteorológico local onde se poderia analisar a precipitação pluviométrica e a data adequada para sua produção.

CONCLUSÃO

O presente trabalho teve como base as informações coletadas através de pesquisas, na qual nosso grupo se reuniu, juntando as mais diversas conclusões que nos fizeram refletir sobre as atuais condições climáticas do nosso planeta e o quanto estas condições influenciam no nosso dia a dia, sem que as percebamos, levando-nos a refletir que estes fatores de uma forma ou de outra podem ser utilizados em prol da estrutura agrícola, com o manejo consciente e com as aplicações corretas das tecnologias disponíveis. A aplicação do estudo na AGROMETEOROLOGIA aliada com outras áreas ligadas a climatologia e ao aperfeiçoamento do manejo das culturas agrícolas do país, obteremos resultados mais satisfatórios, visto que ao mesmo tempo que algum fato climático pode ser prejudicial a uma cultura, pode ser utilizado com menos prejuízo a outra, desde que se consiga antecipar as suas consequências.

BIBLIOGRAFIA

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LYRA, R., Souza, S.S., Fisch, G. Comparação Floresta pastagem através dos balanços á superfície, durante a a estação seca. In: Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, 10. Piracicaba, p 552-554, 1997.

PEREIRA, A. R., Angelocci, L. R. Sentelhas, P. C. 2002: Agrometeorologia fundamentos e aplicações práticas. Livraria e Editora Agropecuária, Guaiba – RS, 478p.

TUCCI, C. E. M. Hidrologia: Ciência e aplicação. 2.ed. Organizado por Carlos E. M. Tucci – Porto Alegre: Editora da Universidade: ABRH, 1997

AYOADE, J. O., O clima e a agricultura. Introdução a climatologia para os tropicos. 5ª ed. Riode Janeiro: Bertrand Brasil 1998.

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