Emergências no diabetes mellitus

Emergências no diabetes mellitus

(Parte 1 de 9)

Diretor científico Antonio Carlos Lopes

Diretores acadêmicos Hélio Penna Guimarães Renato Delascio Lopes

Artmed/Panamericana Editora Ltda.

Os autores têm realizado todos os esforços para localizar e indicar os detentores dos direitos de autor das fontes do material utilizado. No entanto, se alguma omissão ocorreu, terão a maior satisfação de na primeira oportunidade reparar as falhas ocorridas.

A medicina é uma ciência em permanente atualização científica. À medida que as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade

Sociedade Brasileira de Clínica Médica Rua Botucatu, 572. Conjunto 112 04023-061 - São Paulo, SP Tel (1) 5572-4285. Fax (1) 5572-2968 E-mail: sbcm@sbcm.org.br http://www.sbcm.org.br

SISTEMA DE EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA A DISTÂNCIA (SEMCAD) PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO EM MEDICINA DE URGÊNCIA (PROURGEN) Artmed/Panamericana Editora Ltda. Avenida Jerônimo de Ornelas, 670. Bairro Santana 90040-340 – Porto Alegre, RS – Brasil Fone (51) 3025-2550 – Fax (51) 3025-2555 E-mail: info@semcad.com.br consultas@semcad.com.br http://www.semcad.com.br de um erro humano ou de mudanças nas ciências médicas, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que planejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contraindicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso.

Estimado leitor

É proibida a duplicação ou reprodução deste Programa de Atualização em Medicina de Urgência, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na web e outros), sem permissão expressa da Editora.

Os inscritos aprovados na Avaliação de Ciclo do Programa de Atualização em Medicina de Urgência receberão certificado de 80h/aula, outorgado pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica e pelo Sistema de Educação Médica Continuada a Distância (SEMCAD) da Artmed/Panamericana Editora, e créditos a serem contabilizados pela Comissão Nacional de Acreditação (CNA), para obtenção da recertificação (Certificado de Avaliação Profissional).

Doutor pela Escola Paulista de Medicina. Professor da Disciplina de Clínica Médica e Chefe do Departamento de Medicina da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto

O diabetes constitui uma das principais causas de morbimortalidade, principalmente em países desenvolvidos, decorrente de complicações agudas e crônicas.

As principais complicações agudas do diabetes são a cetoacidose diabética, estado hiperglicêmico hiperosmolar e a hipoglicemia.

As complicações crônicas podem estar relacionadas à microangiopatia como a nefropatia, a retinopatia e a neuropatia diabética, ou a macroangiopatia relacionada à doença arterial coronariana, doença cérebro-vascular e arterial periférica.

Dados do estudo NHANES (National Health and Nutrition Examination Survey) revelam que 9,3% dos indivíduos acima de 20 anos de idade apresentam diabetes diagnosticado e não-diagnosticado (glicemia em jejum >126mg/ dL). A prevalência da doença aumenta com a idade ocorrendo em 15,8% da população acima dos 65 anos. Vários fatores contribuem para um número cada vez mais elevado de diabéticos, como a obesidade, o sedentarismo e número maior de idosos.1

A American Diabetes Association (ADA) define diabetes como “um grupo de doenças metabólicas caracterizado por hiperglicemia resultante de defeitos na secreção ou na ação da insulina, ou ambos”. Considera o diabetes como um grupo heterogêneo de doenças com diferentes mecanismos fisiopatogênicos e abordagens terapêuticas distintas.

As duas principais categorias são o diabetes tipo 1 (insulinodependente) e tipo 2 (não-insulinodependente).2 Para o entendimento dos mecanismos responsáveis pelas complicações agudas à terapêutica, é importante caracterizar os 2 tipos principais dessa moléstia, como será abordado a seguir.

No diabetes mellitus pode ocorrer o estado de coma em decorrência de hiper ou hipoglicemia. O coma é uma emergência médica que exige avaliação imediata para determinar sua causa e iniciar o tratamento apropriado. No caso de hiperglicemia pode ser devido à deficiência absoluta da insulina caracterizando a cetoacidose diabética ou deficiência relativa, às vezes responsável pelo coma hiperglicêmico hiperosmolar não-cetótico.

A freqüência do estado de coma atualmente é muito menor nos indivíduos diabéticos. Esses três estados são denominados mais apropriadamente: cetoacidose diabética, estado hiperglicêmico hiperosmolar e hipoglicemia.

1. Complete o quadro:

2. O coma é uma emergência médica que exige avaliação imediata para determinar sua causa e iniciar o tratamento apropriado. No diabetes mellitus pode ocorrer o estado de coma em decorrência de hiper ou hipoglicemia. Quais são os três estados de coma citados nesse capítulo?

Ao final do estudo desse capítulo, espera-se que o aluno:

As principais complicações agudasdo diabetes são:

As principais complicações crônicas do diabetes são:

PROURGEN SEMCADESQUEMA CONCEITUAL Diabetes tipo 1 – insulinodependente

Diabetes tipo 2 – não-insulinodependente

Regulação do metabolismo da glicose

Insulina Hormônios contra-reguladores

Controle fisiológico da glicemia

Emergências hiperglicêmicas Cetoacidose diabética (CAD)

Fisiopatogênese Metabolismo dos carboidratos – hiperglicemia Metabolismo lipídico – hipercetonemia Metabolismo de água e eletrólitos Acidose e anion gap Diagnóstico Laboratório Gasometria Tratamento

Monitoramento

Administração de fluidos Bicarbonato Fosfato Insulinoterapia Complicações

Estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH)

Fatores predisponentes Fisiopatogênese Aspectos clínicos Manifestações neurológicas

Laboratório Hipoglicêmicos

Fisiopatologia

Hipoglicemia em diabéticosAspectos fisiopatológicos

Sintomatologia e diagnóstico

Exercício de tratamento – hipoglicemia em situações especiais

Hipoglicemia em idosos

Resposta contra-regulatória no DM1 e DM2 Tratamento Medidas preventivas

Caso clínico

DIABETES TIPO 1 – INSULINODEPENDENTE

O diabetes tipo 1 (10% dos diabéticos) caracteriza-se pela deficiência absoluta de insulina decorrente da destruição das células β do pâncreas mediada por processo auto-imune. Acredita-se que esse processo seja causado pela combinação de fatores ambientais, como infecções virais e suscetibilidade genética.

Verifica-se uma associação evidente de diabetes tipo 1 e indivíduos com determinados halotipos do sistema HLA principalmente HLD DR4-D28c DR3-DQ 2.

Vários fatores são considerados no desencadeamento de diabetes tipo 1 em indivíduos geneticamente suscetíveis: viroses, como enteroviroses, coxakies, e rubéola, aditivos alimentares, toxinas e inclusive leite de vaca. A partir desses mecanismos ocorre destruição das células β do pâncreas e declínio progressivo na secreção de insulina.2

DIABETES TIPO 2 – NÃO-INSULINODEPENDENTE

No diabetes tipo 2 (90% dos diabéticos) o componente genético (familial) é mais evidente, mas também depende de fatores ambientais. Caracteriza-se pela combinação de deficiência relativa na secreção de insulina com aumento na produção hepática de glicose e resistência à ação periférica da insulina. A resistência à insulina na maioria dos casos precede a deficiência de secreção da insulina. Está bem estabelecido que o sobrepeso e a obesidade se relacionam fortemente com o aparecimento do diabetes tipo 2 e são responsáveis pela verdadeira pandemia de diabetes.3

A obesidade constitui um dos fatores causais da resistência à insulina. O mecanismo da resistência à insulina provocado pela obesidade pode depender de vários fatores bioquímicos como ácidos graxos livres, leptina, fator de necrose tumoral e outros.

(Parte 1 de 9)

Comentários