Comida que Cuida O prazer na mesa e na vida de quem tem diabetes

Comida que Cuida O prazer na mesa e na vida de quem tem diabetes

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O prazer na mesa e na vida de quem tem diabetes

Comida que cuida2

O prazer na mesa e na vida de quem tem diabetes

Comida que cuida2

CONSULTORIA E REVISÃO NUTRICIONAL Paula Cristina Augusto da Costa – CRN 6.292 Nutricionista do Centro de Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

REVISÃO MÉDICA Dr. Sergio Atala Dib – CRM25.052 Endocrinologista e Coordenador do Centro de Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

COLABORAÇÃO E AGRADECIMENTOS Aos médicos Antonio Roberto Chacra, Balduino Tschiedel, Denise Reis Franco, Freddy Goldberg Eliaschewitz, Hermelinda Cordeiro Pedrosa, Levimar Rocha Araújo, Marcos Antonio Tambascia, Maria Isabel Vergani, Marilia de Brito Gomes eReine Marie Chaves Fonseca.

Às nutricionistas Adriana Servilha Gandolfo eDaniela Shargorodsky Benzaquen.

À chefCarla Pernambuco, do restaurante Carlota.

Agradecimentos especiais a João Carlos Ottae Marina Lindenberg Lima, por compartilharem suas experiências de vida com o diabetes.

As informações e sugestões contidas neste livro têm apenas finalidade educacional e informativa e traduzem o melhor entendimento dos conhecimentos disponíveis sobre o tema pelos colaboradores desta obra. Elas não substituem, em qualquer hipótese, o diagnóstico, o tratamento ou as recomendações do seu médico, nem devem servir de subsídio para automedicação. Somente o médico está apto a prescrever a melhor conduta para o seu caso.

As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta.

REALIZAÇÃO Diretoria de Comunicação Sanofi-aventis Brasil

TEXTO E EDIÇÃO Cris Ramalho

PROJETO GRÁFICO Luciana Cury

ILUSTRAÇÕES Mariana Manini

REVISÃO Patrícia Villas Bôas Cueva

À sua saúde 6

A alegria dos sentidos 13

Um outro olhar 17

Doces bandidos 29

Hoje é festa 37

Da porta pra fora 53

Felizes para sempre 65

Tempo rei 79

Bom pra você 91

Vida com balanço 94

Referências 180 Índice de receitas 181

“O essencial é a Saúde”, assim mesmo, com S maiúsculo, significa muito mais do que a simplicidade dessas palavras faz supor. Saúde, para a sanofi-aventis, significa trabalhar com precisão, eficiência e, claro, carinho, sempre em benefício do paciente. É a tradução, a cada dia, da busca pelo que há de mais moderno nas pesquisas científicas, no emprego dos melhores talentos, tudo para descobrir medicamentos ainda tão esperados. E tão necessários.

É o compromisso da sanofi-aventis com a qualidade de vida, além da abordagem terapêutica. A Saúde em todos os seus aspectos: do apoio às causas humanitárias, dos projetos culturais, sociais e de valorização da auto-estima; da relação mais próxima com a comunidade, até o olhar atento, tão fundamental, no que está ao redor do paciente.

Descobrir o prazer de se cuidar, sem abrir mão do sabor

Iniciada em 2006, Comida que Cuidaé uma coleção criada com leveza e alto-astral, para mostrar como, através da alimentação e de pequenas mudanças no jeito de ver as coisas, fica mais fácil superar as limitações que nos impõe uma doença, seja ela qual for.

Em nossa primeira experiência, com o Comida que Cuida - Dicas de alimentação durante o tratamento do câncer, o paciente é convidado a fazer uma deliciosa viagem por cheiros, sabores e temperos de sua infância, para estimulá-lo a se alimentar bem durante o seu tratamento.

Já o Comida que Cuida 2 - O prazer na mesa e na vida de quem tem diabetesvem para trazer uma boa notícia ao adolescente ou jovem com diabetes, aos adultos que acabaram de receber o diagnóstico ou àqueles que convivem há anos com o diabetes: é possível, sim, viver a vida em toda a sua plenitude, descobrir o prazer de se cuidar, sem abrir mão do sabor.

Graças à ciência, já é possível entender melhor como transformar alimentos em grandes aliados da sua saúde. Você vai ver como pequenas mudanças no prato e nos hábitos farão grandes efeitos na sua qualidade de vida, no seu pique, na sua imagem...

Mais uma vez, o texto “tão gostoso que dá pra comer de colher” da jornalista Cris

Ramalho, colorido pelas ilustrações de fazer sonhar acordado da Mariana Manini e pelo visual sempre acolhedor da designerLu Cury, vai transportar você para o mundo de delícias preparadas pela nutricionista Paula Cristina da Costa, que também tem diabetes. Para completar, depoimentos de vários dos maiores especialistas brasileiros derrubam alguns mitos e esclarecem dúvidas sobre o diabetes.

Você vai aprender dicas rápidas de como incrementar uma sobremesa, o que fazer na hora de lidar com a opinião alheia sobre o seu diabetes ou como se divertir em festas, restaurantes, no dia-a-dia. Vai ler histórias reais de pacientes que souberam sacudir a poeira e crônicas feitas especialmente para este livro, que revelam como pode ser doce enxergar o mundo de outros jeitos.

Comida que Cuida 2 - O prazer na mesa e na vida de quem tem diabetesé um convite para celebrar o paladar, os prazeres pequenos e grandes, a vida. Aproveite!

Odiabetes surge quando a produção de insulina do corpo falha ou não atua como deveria, o que eleva a taxa de glicose no sangue. O pâncreas produz insulina no corpo, e é ela que transporta a gli- cose, fonte de energia, para as células. Quando o pân- creas não produz a insulina ou está debilitado e produz pouco, há um aumento da glicose. Daí o diabetes.

Como saber se você tem diabetes? Os sintomas mais freqüentes são cansaço, perda de peso, muita sede, vontade constante de urinar e visão turva. Quando a doença não é bem cuidada, a pessoa tem problemas nos pés, na visão (há casos de cegueira), no coração, nas artérias e nas veias.

O diabetes pode acontecer em alguma fase da vida:

DIABETESTIPO1-Geralmente diagnosticado na infância ou na adolescência. É preciso cuidar da alimentação e usar insulina, já que o corpo não produz nada ou produz muito pouca insulina.

DIABETESTIPO2 -Costuma surgir depois dos 40 anos, em indivíduos sedentários e normalmente bem acima do peso, o que faz com que o corpo não utilize a insulina de forma adequada. En-

tão, deve-se perder peso e usar medicação adaptada a cada caso.

“Você descobriu que tem diabetes. Então vai aprender a se alimentar de forma saudável, fazer

colesterol alto, problemas cardíacos, obesidade

exercícios, cuidar de verdade da sua saúde e evitar A descoberta do diabetes acaba sendo positiva.”

Frase que o dr. Levimar Rocha Araújo, endocrinologista de Belo Horizonte que tem diabetes, gosta de dizer para seus pacientes

com sabor, uma alegria que se pode tocar e que desce goela abaixo

Agora essa. O médico lhe diz que você tem diabetes e, com o diagnóstico, a primeira coisa que lhe vem à cabeça é a certeza de um futuro para sempre insosso, sem açúcar, nunca mais nenhuma pitada de abuso, adeus ao glamour de chantilly. E isso lá é vida? A boa notícia é que não tem de ser assim, não. Você tem diabetes? Então o que vai mudar de vez é o seu jeito de encarar as coisas. Aqui começa a primeira e fundamental lição para portadores de diabetes de todas as idades: VOCÊVAIREDESCOBRIROREALPRAZERDECOMER.Sentir o gosto de cada alimento, perceber melhor os temperos, a delicadeza dos perfumes, como as frutas podem ser doces. Como uma bela massa, devorada na hora certa, ganha uma graça danada. É a alegria de reverenciar o alimento, de festejar o privilégio que é comer

Tudo tem dois lados, nos ensinam nossas avós, nossas professoras, o senso comum pela vida afora. DEUMADOENÇAQUEEXIGEATENÇÃOCONSTANTE, PARASEMPRE, COMOODIABETES, JÁ QUE PODE TRAZER CONSEQÜÊNCIAS MAIS SÉRIAS, O LADO BOM É QUE BROTA A VONTADE DE SE CUIDAR. E vão se revelar coisas inesperadas no seu dia-a-dia. Descobrir, por exemplo, que fazer exercício é um grande prazer, sim. Pode ser andar a pé todos os dias, fim de tarde, aquela luz alaranjada em que até a cidade grande ganha certa poesia. Se você tiver a sorte de morar no campo, ou na praia, respirar fundo, sentir a brisa num dia de sol bom. Pode ser dançar, uma dança de salão, que deixa a alma em férias e esquenta a paquera. Seja qual for a sua idade, o seu estilo, você vai constatar que o humor melhora muito quando a gente se mexe, a pele ganha viço, novos amigos entram na roda, e o que era para ser só recomendação médica de controle da doença vai melhorar tantas outras coisas.

é uma belezaO prazer de se sentir leve, talvez perder uns quilinhos. E o melhor de todos os prazeres, o de come-

Há o prazer de trocar receitas com a vizinha que tem uma tia com diabetes que faz um manjar sem açúcar que ter uns pecados: numa alimentação equilibrada, por exemplo, cabe um brigadeiro transgressor, ou três Bis no meio da tarde, para manter a glicemia em dia. Como é que é? Doce de verdade para quem tem diabetes? E pode? Pois é, vez por outra pode. A pessoa com diabetes tem de ir a festas, jantares, restaurantes, rodopiar feliz no salão, fazer o que lhe dá na telha sem dar a mínima para os chatos com regras erradas, aprender a sorrir para o que existe a cada momento. Assim o diabetes deixa de ser um peso e passa a fazer parte da rotina, sem dramas.

Abre-se um novo lado para você.

passas, bolo de nozes, brownie com calda de chocolate, brigadeiroSó delícias de limpar o prato. Afinal, apetite

Com este livro, queremos lhe apresentar como a comida pode ser prazerosa, e a mesa – e o jeito de viver – de quem tem diabetes deve ganhar cara nova. Veja só nossas receitas, elaboradas por uma nutricionista especializadíssima em diabetes, até porque ela própria também tem diabetes: rondelli ao molho de é amor. É preparar um almoço com tudo fresco, que traga uma sensação boa, e alguém peça a receita, e essa receita passeie por aí, unindo sabores e pessoas que nunca se viram. É aquela alegria de comer e lembrar de um momento querido, então vem um sorrisão e a dádiva: a comida sempre será parte fundamental da nossa vida. Com o diabetes, você não vai ter de renunciar a esses prazeres. Vai é descobrir novos sentidos. E a vida pode virar outra – um lado bom da história.

“Uma das dificuldades é quando o paciente descobre que tem diabetes. Receber a notícia deprime, porque o preconceito contra a doença é grande, e a pessoa acha que a vida acabou, que nunca mais vai poder fazer nada, nem comer nada. E isso é uma inverdade; hoje a medicina defende que o diabético pode comer de tudo, desde que com equilíbrio. O segredo está na distribuição de alimentos, na dieta com moderação, na monitoração da glicemia.”

Dra. Denise Reis Franco, endocrinologista de São Paulo

Estas coisas são curiosas. Quando estamos de dieta, ou somos proibidos de comer algum alimento por qualquer razão, a comida em questão vira a coisa mais sublime do mundo. Um pão doce de padaria se transforma em iguaria dos deuses, só de lembrar do bolinho feito pela mãe a boca se enche de água e, sem nenhum motivo aparente, aquelas comidinhas fincadas no nosso imaginário – o hamburgão da lanchonete, a maionese escorrendo pelo lábio, a bomba de chocolate na porta do cinema – se tornam, de uma hora para outra, o único sentido da vida. Então, quando o médico lhe diz que é preciso ficar de olho na alimentação, o estômago entra em delírio. Seu coração balança entre a incerteza, a saudade do rocambole e a vontade de aprontar alguma. É preciso, é necessário cometer um pecado.

Dizem os homens que entendem de gastronomia que os doces portugueses, os mais doces do mundo, à base de ovos, açúcar e amêndoas, foram criados nos conventos por uma adaptação: as freiras usavam as claras para engomar as roupas e, sem saber o que fazer com as gemas, botaram açúcar na imaginação e criaram pastéis de Santa Clara, toucinhos do céu, papos-de-anjo e tantas delícias de nomes celestiais.

Moral do negócio: as freiras se adaptaram às circunstâncias e fizeram maravilhas.

Essa historinha é só para ilustrar como as situações difíceis, vistas com um outro olhar, podem ser transformadas para melhor. E que os desejos, bem, os desejos às vezes levam a gente à loucura, mas também nos estimulam a ter idéias ótimas. Enfim, essas coisas são curiosas.

Na rotina do diabetes, você não vai poder se esbaldar em papos-de-anjo, é certo, mas em compensação pode criar receitas deliciosas com o doce das frutas, ou adoçantes. E vai aprender, aqui, como os cardápios saudáveis são muito mais saborosos do que você imagina. Dieta prazerosa, sim.

FUNDAMENTAL:O que vale, na hora de escolher o que vai no prato, é a quantidade e a combinação dos alimentos. De todos os nutrientes, o que mais eleva a sua glicemia é o carboidrato. Sabendo a quantidade de carboidratos que você consome a cada refeição, fica bem mais fácil ajustar a dose da sua medicação. Na tabela da página 94, você vai conferir a quantidade de carboidratos em vários alimentos.

Alguns alimentos ainda têm o poder de ajudar a equilibrar a absorção dos carboidratos, que no corpo se transformam imediatamente em açúcar. Comendo fibras e fazendo uma refeição balanceada, você consegue driblar o excesso de glicose, ou faz com que ela demore mais tempo para ser absorvida no sangue, e ainda melhora sua qualidade de vida. E quando bater aquela vontade de doce de verdade, coma seu açúcar sem culpa, mas escolha a hora certa e não exagere. Uma fatia sedutora, devorada com gosto, assim de vez em quando, transborda muito mais sentido do que se você comesse doce a toda hora. UMAFATIASÓDODOCE, BEMSABOREADA, TRAZPARAOSEUDIA-A-DIAAQUELA FELICIDADE DE UM MOMENTO ESPECIAL, COMO SE ACABASSEM DE INAUGURAR UM MUNDO NOVO. Experimente deixar essas fatias para instantes gloriosos.

IMPORTANTE:Independentemente do tipo de diabetes que você tem, o ideal é consumir esse doce no lugar de outro alimento, para evitar excessos e com isso o aumento do peso e da glicemia.

Melhor mesmo é reservar os doces e os alimentos mais proibidos para ocasiões ainda mais especiais. A festa de aniversário, pode ser. Ou aquele encontro regado a champanhe com um amor de mãos entrelaçadas nas suas. Ou simplesmente para comemorar como você se cuida e sua glicemia está certinha, de ganhar parabéns do médico.

Fibras:Com a óbvia exceção de quem tem problemas sérios no aparelho digestivo e precisa de dietas específicas, as fibras são fundamentais na vida de todos nós. Afinal, desde os tempos pré-históricos começamos a ingerir folhas, grãos, uma dieta rica em fibras, capaz de fazer o organismo funcionar como se deve e encher a gente de energia. As fibras varrem a sujeira do intestino (e seu corpo e sua pele cintilam), promovem

“Descobri que tinha diabetes tipo 1 aos 16 anos. Talvez porque eu fosse jovem, encarei bem a situação e resolvi me informar. Na época era difícil, sabia-se pouco sobre diabetes, mas tudo que aparecesse na minha frente, folhetos, livros, se eu ouvia falar de um estudo, eu ia atrás, queria me cuidar. Já que a vida tinha de me dado um limão, resolvi que faria uma limonada. Fui buscar o prazer alimentar de outros modos: como bem, mas evito, por exemplo, massas à noite, porque engordam mais e porque eu teria de tomar uma dose alta de insulina antes de deitar, o que não é bom. Prefiro jantar um refogado de legumes, bem temperado, ou experimento outros pratos, como o macarrão de yacon, aquela batata peruana boa para quem tem diabetes. Bem temperado, esse macarrão fica ótimo. Ou então vou a um restaurante japonês, peço sashimi (fatias de peixe cru) e não sushi, que leva arroz. Enfim, vou provando comidas que vão ser boas para a minha saúde e têm muito sabor.”

(JOÃOCARLOSOTTA, 53 ANOS, JOALHEIROEDOCUMENTARISTA– FEZ UM VÍDEO COM CRIANÇAS COM DIABETES, ODIABETES: INFORME-SE) aquela sensação de saciedade sem pesar no estômago e ajudam na absorção de outros alimentos.

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