Qualidade de Vida no Trabalho Perspectivas

Qualidade de Vida no Trabalho Perspectivas

(Parte 1 de 6)

de Vida

Qualidade no Trabalho

CONCEITOSBÁSICOS

Eugenio Merino / merino@eps.ufsc.br

2003 [reprodução proibida sem autorização]

1.0 Considerações Inicias 03 2.0 Evolução histórica do trabalho 05 2.1. Situação do Trabalho 05 2.2. O trabalho 05 2.3. O trabalho e sua evolução 06 3.0 Evolução do comportamento humano frente ao trabalho 07 4.0 O significado da atividade do homem no trabalho 13 4.1. Modelo de representação da atividade de trabalho 14 5.0 Desenvolvimento e conceitos da QVT 16 5.1. Definições atuais de QVT 17 6.0 Modelos de QVT 18 6.1. Nadler e Lawer 18 6.2. Siqueira e Coleta 18 6.3. Walton 19 7.0 Cargos e responsabilidades e sua relação com a QVT 20 7.1. Qualidade de Vida no Trabalho e Produtividade 20 8.0. A QVT e o Nível Gerencial 2 9.0. O Gerente: seus papeis s determinantes de sua QVT 24 9.1. Origem e evolução da função executiva 24 9.2. Perfil e papel dos gerentes nas organizações contemporâneas 25 9.3. Evolução da instrução formal, como diferenciador par o novo gerente 25 9.4. Gerente atual 26 9.5. O gerente Brasileiro 28 10.0 Atividade física na empresa 30 1.0. O porque da importância da promoção da saúde no trabalho. 34 12.0. Considerações finais 36 13.0. Bibliografia 37 14.0. Anexos 38

Anexo 1- História de um corpo = historia de um ser 39 Anexo 2- Administradores e remadores 40 Anexo 3- Estresse no trabalho 42

Figura 1 Significado das atividades do homem no trabalho 13 Figura 2 Modelo antropocentrico do homem no trabalho 14 Figura 3 Imagem ilustrativa ao filme Tempos Moderno de Chaplin 30 Figura 4 Atividade física na empresa 31 Figura 5 Atividade física fora da empresa 3

Quadro 1 O trabalho 06 Quadro 2 O trabalho e sua evolução 09 Quadro 3 O termo QVT e sua evolução 16 Quadro 4 Definições evolutivas das QVT na visão de Nadler & Lawler 17 Quadro 5 O gerente médio nos projetos de QVT 23

1.0. CONSIDERAÇÕES INICIAS

"Companhias gastam milhões de dólares por ano na manutenção preventiva das suas máquinas. Não vemos razão para não fazermos o mesmo com nossos funcionários" (Peter Thigpen, Presidente da Levi Strauss, USA, In da Silva et all, 1997).

A relação entre Qualidade de Vida no Trabalho - QVT e a

Produtividade, tem sido ponto de atenção e discussão de muitos pesquisadores. Uma pessoa altamente produtiva, geralmente é uma pessoa muito motivada, com objetivos definidos e feliz. Raramente fica doente e suas atitudes têm, geralmente impactos positivos nos seus colegas de trabalho. Em resumo, estas pessoas são saudáveis em termos físicos, emocionais e espirituais.

Desta forma, segundo da Silva et All (1997), uma política voltada para a

Qualidade de Vida esta baseada na premissa de que, para onde for a mente o corpo ira atras. Ele reconhece o papel que a saúde representa na vida das pessoas.

Ainda, segundo o mesmo autor, os Programas de Qualidade de Vida e

Promoção da Saúde nos locais de trabalho estão se tornando parte integrante da Cultura das Organizações. Nos últimos anos, o tema Qualidade de Vida, tem sido fortemente discutido, tanto do ponto de vista empresarial como do individual e do comunitário.

Sem duvida que o termo Qualidade de Vida tem uma grande amplitude, viver com qualidade de vida é saber manter o equilíbrio no dia-a-dia, procurando sempre melhorar o processo de interiorização de hábitos saudáveis, aumentando a capacidade de enfrentar pressões e dissabores e vivendo mais consciente e harmônico em relação ao meio ambiente, às pessoas e a si próprio.

Há muitos anos estamos num acelerado processo de mudanças. As pessoas, as instituições, as organizações e as empresas estão passando por verdadeiros vendavais e tempestades. As Inovações ocorrem em todas as esferas e setores. A informática, a automação, a robótica e a tecnologia revolucionaram os processo de produtos e serviços.

que as pessoas fiquem muito estressadas. Desta forma pode-se dizer que "

Segundo Sarlet (in Cañete, 1996), as condições de saúde, habitação, educação, transporte e segurança são as mais precárias da vida urbana brasileira. A autora ainda coloca que, os crescentes problemas de ordem social, cultural e econômico, a intranqüilidade quanto ao emprego fazem com qualidade das pessoas, dos profissionais, das empresas...Pois a qualidade dos produtos e serviços é uma decorrência lógica e indiscutível da qualidade de vida".

3 Pontos de grande importância ao se discutir o tema de Qualidade de

Vida no trabalho referem-se a insatisfação no trabalho, a desmotivação vem preocupando pesquisadores e principalmente administradores. Sendo este, um problema que afeta um número significativo de trabalhadores e não distingue cargo, hierarquia, ou status dentro das organizações.

conclui que: "não há qualidade, sem qualidade de vida no trabalho".

Búrigo (1997), refere-se a insatisfação dos trabalhadores, como um fato penoso, tanto para a organização como para ele mesmo. As organizações se estruturam e acabam pela forma como seus integrantes agem e trabalham. Não podem ser concebidas organizações estrategicamente vencedoras, nem organizações motivadas sem pessoas motivadas. Em conseqüência o autor

Este ensaio tem como objetivo fornecer os elementos necessários para o entendimento dos conceitos básicos do tema Qualidade de Vida no Trabalho, que venham auxiliar alunos e profissionais interessados em desenvolver esta disciplina. Não é um trabalho exaustivo, ao contrario, conhecendo suas limitações, a expectativa é que a leitura e a utilização do aqui proposto, leve ao leitor a desenvolver um pensamento e um senso crítico com relação o tema.

2.0. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO TRABALHO

Não poderíamos começar a estudar o temo Qualidade de Vida no

Trabalho, sem antes fazer um breve resumo da evolução histórica do trabalho e algumas das suas condicionantes que serviram de base ao entendimento do tema em questão.

2.1. Situação de Trabalho

Situação de trabalho é o campo no qual a atividade de trabalho é exercida.

Assim, segundo Wisner (1987), quatro aspectos devem ser considerados na atividade do homem na interação com o sistema sócioeconômico:

ƒ Econômicos (mercado, investimentos);
ƒ Sociais (políticas salariais, seleção de pessoal);

Técnicos (limites tecnológicos...);

ƒ Organizacionais (políticas, métodos, relações).

Desta forma estes quatro aspectos, se considerados de forma correta e coerente, possibilitaram, segundo o autor, a propiciar um trabalho mas humano.

Os níveis de importância, dos aspectos acima mencionados, dependem de vários fatores, dentre os quais podemos destacar os objetivos da organização, os quais ainda são os mais importantes, e não poderia ser diferente, na mente dos administradores, junto aos resultados.

2.2. O Trabalho

À medida que o tempo passa, os hábitos e a exigências das pessoas mudam. Aquilo que era aceito como normal para uma geração, pode tornar-se inaceitável para a outra, devido à evolução da sociedade. Assim, o que antes era um fenômeno localizado, pode tornar-se um fato mundial com a evolução dos meios de comunicação.

Cada vez mais, os cidadãos estão reclamando por melhores condições de trabalho e de vida. A comunidade Européia é um claro exemplo dessa tendência. Tanto por razões econômicas como sociais, cidadãos desse grande mercado comum estão exigindo condições de trabalho equivalentes, nivelando os diversos países entre si.

Na busca dessa equivalência, diversas melhorias são demandadas.

Com a introdução da QVT, fica claro que não podem ser aceitos os velhos procedimentos no projeto do trabalho, nos quais os operadores eram considerados apenas como um par de mãos. Os trabalhadores devem ser considerados, do ponto de vista da ergonomia, como seres integrais, contribuindo para que o trabalho seja visto e tratado de uma forma mais humana.

2.3. O trabalho e sua evolução

O significado histórico e etimológico do trabalho tem tido diferentes acepções ao longo do tempo. O quadro a seguir apresenta algumas destas definições (adaptado Santos e Fialho, 1997).

Quadro 1. O trabalho

O trabalho e sua evolução Pré-historia Subsistência

Em latim Trabalho “tripalium”; Trabalhar “tripaliare” ( torturar com tripalium)

Na bíblia “Ganharas o pão com o suor de teu rosto”

Gregos “trabalho-ponos penoso” “trabalho-ergon criação”

Adam Smith (1776) Teorias sobre a divisão técnica do trabalho e o aparecimento da sociedade capitalista; “o melhor meio para o indivíduo contribuir no interesse geral é de perseguir seu próprio interesse”;

F. W. Taylor (XVIII) Administração científica;

“the one best way”, aquele que unifica a ciência das operações industriais e a ciência das relações entre o operário e as técnicas de produção”;

Administração como ciência; divisão do trabalho e especialização do operário; análise do trabalho e estudo dos tempos e movimentos; homem econômico; padronização; dentre outros pontos.

Ombredane e Faverge (1955)

“Todo trabalho é um comportamento adquirido por aprendizagem e que teve de se adaptar às exigências de uma tarefa”; Trabalho é um comportamento e um constrangimento.

J. Leplat (1974) “o trabalho situa-se no nível da interação entre o homem e os objetos de sua atividade, ele constitui o aspecto dinâmico do sistema homem-máquina”;

Leontiev (1976) “o trabalho humano...é uma atividade originalmente social, fundada sobre a cooperação de indivíduos, a qual supõe uma divisão técnica ..das funções de trabalho”;

Atualmente O trabalho, para muitos estudiosos, é considerado como toda e qualquer atividade realizada pelas pessoas, seja assalariadas ou não. Ainda, existe um consenso, que diz que o maior ou mais importante capital de toda organização, é o capital humano.

3.0. EVOLUÇÃO DO COMPORTAMENTO HUMANO FRENTE AO TRABALHO

Ao longo de toda a historia, o homem tem modificado seu comportamento frente às atividades de trabalho, e estas mudanças têm sido foco da atenção de muitos estudiosos, que concluem que o trabalho ocupa um lugar muito importante na vida de todos nos. Quase todo mundo trabalha, e uma grande parte das nossas vidas são passadas dentro de organizações. Desta forma, o trabalho possui um importante valor em nossa sociedade.

Na nossa relação com o trabalho, segundo de Morais (in Rodrigues, 1998), parece algo ainda muito conflitivo, sendo ele, muitas vezes percebido como algo indesejado, como um fardo pesado que acaba nos impedindo de viver. Mas freqüentemente ele é também percebido como algo que da sentido a vida, eleva status, define identidade pessoal e impulsiona o crescimento do ser humano.

Ainda Rodrigues (1998), coloca que o tédio, a alienação, a falta de tempo, são elementos freqüentes na vida das pessoas que trabalham. Segundo Boss (in Rodrigues, 1998), após entrevistar inumares pessoas, sobre suas vivências durante o trabalho ouve-se pouca coisa positiva. Muitos vivem num dilema: "apenas funcionam no seu trabalho e começam a viver após o expediente".

Segundo o acima apresentado, pode-se dizer que hoje em dia muitas pessoas adoecem por causa do trabalho. Ou seja, as pessoas estão mentais e espiritualmente pouco saudáveis.

Sentimentos como alienação, solidão, falta de poder e falta de sentido (perda de identidade), são aspectos tratados como características marcantes do cotidiano industrial (Blauner, in Rodrigues, 1998).

Em decorrência destes fatos, estão surgindo alguns indicadores bastante evidentes da deterioração do homem no trabalho, ou da Qualidade de Vida no Trabalho, tais como; aumento dos índices de acidentes, surgimento de novas doenças, alcoolismo, utilização crescente de drogas, consumismo exagerado, perda do contato homem - natureza e ate depredação da mesma. Junto a tudo isto, aparece de forma assustadora, no entanto há muito tempo, o problema de alienação e perda de significado do trabalho.

O atual século caracterizou-se pelo desenvolvimento e preocupações com o binômio indivíduo-trabalho. Na década inicial deste século, a racionalização do trabalho a partir de métodos científicos foi predominante, onde o objetivo maior era a elevação da produtividade e conseqüentemente maiores ganhos aos detentos do capital. Nas três décadas subseqüentes, a preocupação básica foi o estudo do comportamento do indivíduo e sua satisfação.

Desta forma temos, que na primeira metade deste século apresenta-se com dois movimentos diferentes: produtividade e satisfação do trabalhador.

A partir dos anos 50 é que surgem as primeiras teorias que associavam estes dois elementos. Pensava-se que não somente era possível unir produtividade a satisfação, mas também propiciar essa satisfação na realização das atividades.

Nos anos 60, a sociedade apresenta-se numa convulsão social. Este tipo de fatos tornou o trabalhador mais consciência e favoreceu o desenvolvimento de estudos na área de Qualidade de Vida no trabalho, iniciados na década anterior, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos.

Na década dos 70, em função da repercussão do sucesso industrial japonês, o mundo assistiu a uma mudança do enfoque de gerenciamento organizacional. Nesta época surgem os primeiros movimentos e aplicações estruturadas e sistematizadas no interior da organização, utilizando a Qualidade de Vida no Trabalho.

Com o crescente avanço tecnológico da década dos 80, a conseqüente modernização das organizações, a automatização dos meios produtivos e as constantes mudanças políticas, econômicas, sociais e tecnológicas, tornam o contexto altamente dinâmico e instável.

Segundo Rodrigues (1998), a evolução apresentada acima nos leva a evidenciar a necessidade de se ter alguém com responsabilidade e autoridade para gerir, decidir, planejar, coordenar, controlar, etc. ou seja administrar todos os aspectos relacionados aos negócios, diante dos diversos contextos, ou seja, a necessidade de um gerente.

Nas organizações modernas é mantido "um imenso descompasso entre progresso tecnológico e progresso social em termos de qualidade de vida" (Moscovici, in Rodrigues, 1998)

A seguir apresentaremos um quadro que resume desta evolução (adaptado de Rodrigues, 1998).

Quadro 2. O trabalho e sua evolução

Evolução

Inicio século XVIII Crescimento da população mundial; Mercado consumidor estimulava a produção em grande escala;

Mão de obra abundante (migração);

Hegemonia tecnológica – Inglaterra;

Inventos importantes:

Lançadeira volante (John Key)

Tear hidráulico (Richard Arkwright);

Maquina a vapor (James Watt)

Acumulo de capital – donos de fabricas e comerciantes;

Condições de trabalho desumanas – jornada de 16/18 horas;

Salário – suficiente para o trabalhador subsistir, perpetuar a classe sem aumento ou redução; Aversão ao trabalho – por parte do trabalhador;

A fome – pressão – obrigando aos mais intensos esforços;

Necessidades básicas não atendidas

Owen Um dos primeiros donos de fabrica a propor condições decentes de trabalho – pioneiro de métodos para humanizar as condições de trabalho;

Salários melhores e benefícios (educação para os filhos de operários); Conclusão:

Melhor QV na fabrica – melhor desempenho produtivo

A Schmidt (1794) Um dos grandes incentivadores da racionalização da produção;

Especialização das etapas de produção – propicia uma maior destreza ao trabalhador e minimiza tempos de produção

Fim do século XVIII e inicio do século XIX Eficiência da produção – continuo sendo questionada;

Salário – produtividade;

USA – expansão das estradas de ferro, diretrizes do empreendimento (Henry Poor): Proporcionar a seus trabalhadores uma grande motivação e uma relativa satisfação no trabalho; Salários proporcionais ao desempenho de cada trabalhador;

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