Cultura do tomate

Cultura do tomate

(Parte 1 de 6)

Agrodok 17

A cultura do tomate produção, processamento e comercialização

Shankara Naika

Joep van Lidt de Jeude

Marja de Goffau

Martin Hilmi Barbara van Dam

A cultura do tomate 2

Esta publicação foi patrocinada por: PROTA

© Fundação Agromisa e CTA, Wageningen, 2006.

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida qualquer que seja a forma, impressa, fotográfica ou em microfilme, ou por quaisquer outros meios, sem autorização prévia e escrita do editor.

Primeira edição em português: 2006

Autores: Shankara Naika, Joep van Lidt de Jeude, Marja de Goffau, Martin Hilmi, Barbara van Dam Editor: Barbara van Dam Ilustraçöes: Barbera Oranje Design gráfico: Eva Kok Tradução: Rob Barnhoorn; revisão: Láli de Araújo Impresso por: Digigrafi, Wageningen, Países Baixos

Introdução 3

Prefácio

O tomate é uma das culturas mais comuns do mundo, sendo uma fonte importante de vitaminas e uma cultura comercial importante para pequenos agricultores e agricultores comerciais de escala média. Este Agrodok concentra-se nas práticas apropriadas para a produção duma cultura saudável de tomate, com o fim de obter um rendimento razoavelmente estável. Fornece informação prática sobre o cultivo, colheita, armazenamento, processamento e comercialização em pequena escala de tomates. Incluem-se também a selecção e a conservação de sementes, métodos de maneio integrado de pragas e o registo de dados. Esperamos que esta informação forneça conhecimento útil para os horticultores – sejam principiantes ou mais experientes – , agricultores, extensionistas, e professores de agronomia.

Nesta edição revista omitiram-se as secções sobre a cultura do pimento/pimentão presentes nas edições anteriores, de forma a se dispor de mais espaço para incluir informação sobre todos os aspectos supramencionados da cultura do tomate. Para a elaboração deste Agrodok, a Agromisa colaborou com o PROTA. Para mais informação sobre o PROTA ver a secção correspondente no final deste Agrodok.

Gostaríamos de expressar os nossos agradecimentos a Jan Siemonsma e Chris Bosch do PROTA, Remi Nono-Womdim, Gerard Grubben, Rene Geelhoed, Bianca van Haperen e Guus van den Berg pelo seu comentário ao manuscrito.

A Agromisa agradece observações e sugestões, de todos os leitores, que possam contribuir para melhorar a qualidade ou ampliar o conteúdo deste Agrodok.

Os autores Wageningen, Setembro de 2005

A cultura do tomate 4

Índice

1 Introdução 6 1.1 Uma descrição sucinta do tomate 6

2 Requisitos para realizar um cultivo bem sucedido 10 2.1 Clima e solo 10 2.2 Escolha de variedades 12

3 Preparação e plantio 14 3.1 Preparação do terreno 14 3.2 Plântulas 14 3.3 Repicagem 16

4 Tratamentos culturais 18 4.1 Estrumes e fertilizantes 18 4.2 Rega 21 4.3 Poda 2 4.4 Sistemas de suporte 25 4.5 Controlo das ervas daninhas 28 4.6 Rotação de culturas 29 4.7 Cultivo protegido 32 4.8 Agricultura biológica 37 4.9 Práticas de saneamento 40

5 Pragas e doenças 41 5.1 Nemátodos 42 5.2 Insectos 43 5.3 Doenças 50 5.4 Outras causas da danificação de culturas 62 5.5 Controlo de pragas e doenças 63

6 Colheita e produção de sementes 68 6.1 Planeamento laboral para a colheita 69 6.2 Planeamento da colheita 70

Índice 5

6.3 Selecção e cultivo de sementes 72 6.4 Produção de sementes híbridas 72 6.5 Qualidade das sementes 73

7 Tratamentos pós-colheita 74 7.1 Procedimentos do tratamento 74 7.2 Armazenamento 7 7.3 Processamento 79

8 Comercialização 89 8.1 Em quê consiste um mercado 89 8.2 Financiamento 91

Prota 9 Endereços úteis 100 Leitura recomendada 101 Glossário 102

A cultura do tomate 6

1 Introdução

1.1 Uma descrição sucinta do tomate

O tomate (Lycopersicon esculentum Mill.) tornou-se num dos legumes mais importantes do mundo. Em 2001, a produção mundial do tomate atingiu um nível de, aproximadamente, 105 milhões de toneladas de frutos frescos produzidos numa área estimada de 3,9 milhões de ha. Como se trata de uma cultura com um ciclo relativamente curto e de altos rendimentos, a cultura do tomate tem boas perspectivas económicas e a área cultivada está a aumentar cada dia. O tomate pertence à família das Solanáceas. Esta família inclui também outras espécies conhecidas, como sejam a batata, o tabaco, os pimentos e a beringela.

O tomate tem a sua origem na zona andina de América do Sul, mas foi domesticado no México e introduzido na Europa em 1544. Mais tarde, disseminou-se da Europa para a Ásia meridional e oriental, África e Oriente Médio. Mais recentemente, distribuiu-se o tomate silvestre para outras partes da América do Sul e do México.

Alguns nomes comuns locais do tomate são: tomate (português, espanhol, francês), tomat (indonésio), faan ke’e ( chinês), tomati (africano ocidental), tomatl (nauatle), jitomate (espanhol mexicano), pomodoro (italiano), nyanya (swahili).

O consumo dos frutos contribui para uma dieta saudável e bem equilibrada. Estes são ricos em minerais, vitaminas, aminoácidos essenciais, açúcares e fibras dietéticas. O tomate contém grandes quantidades de vitaminas B e C, ferro e fósforo. Consomem-se os frutos do tomate frescos, em saladas, ou cozidos, em molhos, sopas e carnes ou pratos de peixe. Podem ser processados em purés, sumos e molho de tomate (ketchup). Também os frutos enlatados e secos constituem produtos processados de importância económica.

Introdução 7

O tomate amarelo tem um teor mais alto de vitamina A do que o tomate vermelho, mas o tomate vermelho contém licopeno, um antioxidante que pode contribuir para a protecção contra substâncias carcinogéneas.

O tomate (ver a Figura 1) é uma planta anual, que pode atingir uma altura de mais de dois metros. Contudo, na América do Sul, pode-se colher frutos das mesmas plantas durante vários anos consecutivos. A primeira colheita pode-se realizar 45-5 dias após a florescência, ou 90-120 dias depois da sementeira. A forma dos frutos difere conforme a cultivar (variedade cultivada). A cor dos frutos varia entre amarelo e vermelho.

Figura 1: O tomate

A cultura do tomate 8

Pode-se distinguir entre dois tipos de tomateiro: ? o tipo alto ou tipo indeterminado

? o tipo arbusto o tipo determinado

Estes dois tipos (alto e arbusto) constituem dois tipos de culturas completamente diferentes. Contudo, existem também variedades de tomateiro de porte semideterminado.

As variedades altas (indeterminadas) são mais apropriadas para culturas com um período de colheita prolongado. Continuam a desenvolver-se após a florescência. Esta característica denomina-se `indeterminada’. Embora, sob condições tropicais, o desenvolvimento possa parar devido a doenças e ataques de insectos, as plantas têm, geralmente, uma folhagem mais abundante. Por conseguinte, reduz-se a temperatura dentro da cultura e os frutos crescem à sombra das folhas. Como os frutos estão assim cobertos, não são danificados pela luz do sol e amadurecem mais lentamente. Um amadurecimento mais lento e uma razão folhas/frutos elevada melhoram o sabor dos frutos e aumentam a doçura. Os tipos altos deverão ser empados ou suportados por uma armação ou uma latada (ver o capítulo 4).

Os tipos baixos suportam-se, geralmente, por si mesmos e não precisam de serem empados. Sob condições climáticas severas, como sejam tufões, pode ser recomendável empar as plantas. Os tipos determinados param o seu desenvolvimento depois da florescência. Como as suas necessidades de mão-de-obra são mais reduzidas, o seu uso é comum nos cultivos comerciais. Têm uma frutificação relativamente concentrada dentro de, apenas, duas ou três semanas e os seus frutos amadurecem com muito maior rapidez do que os dos tipos indeterminados.

O cultivo do tomate apresenta as seguintes vantagens: ? trata-se duma cultura de legumes com um ciclo relativamente curto

(Parte 1 de 6)

Comentários