Monografia

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(Parte 1 de 3)

EMPREENDEDORISMO Flávia Teodoro

MINEIROS – GOIÁS 2006

EMPREENDEDORISMO Flávia Teodoro

Monografia apresentada ao Curso de Administração, oferecido pelo Instituto de Ciências Administrativas e de Informática mantido pelas Faculdades Integradas de Mineiros, como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Administração, sob a orientação do Prof. Miguel Ângelo Flach.

MINEIROS – GO 2006

A Deus que tem me abençoado nos momentos difíceis e bons de minha vida. A Ele deposito toda confiança de vencer cada barreira que surge com o intuito de me fazer melhorar como pessoa e profissional.

Aos meus pais e familiares, pelo incentivo e cooperação nesta caminhada, que ensinaram que vale a pena ser honesto e justo, e que deram forças para encarar os medos e limitações, para que os sonhos, projetos, desejos e vontades sejam alcançadas, acreditando em Deus e em mim mesma.

Aos professores que são a chave mestra deste projeto.

Aos meus colegas e amigos que incentivaram-me nos momentos difíceis.

A vocês, minhas considerações e respeito.

“Não há nada mais vergonhoso do que alguém ser honrado pela forma dos antepassados e não pelo merecimento próprio’’. Platão

O tema empreendedorismo, compreendendo desde a origem da palavra até sua importância estratégica para o desenvolvimento econômico de um país é hoje um fenômeno global, dadas as profundas mudanças nas relações internacionais entre nações e empresas, no modo de produção, nos mercados de trabalho e na formação profissional. O Brasil é citado como um dos países mais criativos do mundo, mas precisa melhorar no que se relaciona à consolidação de milhares de iniciativas de novos negócios e empresas, assim como a formação de empreendedores particularmente nas Escolas de Administração. O empreendedor corporativo é um perfil cada vez mais procurado pelas organizações, nas quais um dos principais objetivos é a busca de eficácia. Investir na disseminação organizada do empreendedorismo será fator fundamental de progresso econômico e social e também fonte de geração de novos empregos. Neste trabalho é apresentado um modelo de formação de empreendedores baseado na competência individual e na busca de idéias e oportunidades dentro do âmbito da graduação em Administração de Empresas, compondo uma disciplina teórico-prática para o desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes.

INTRODUÇÃO09
OBJETIVOS1
CAPÍTULO I - DEFINIÇÃO DO EMPREENDEDOR13
1.1 DEFINIÇÃO DO EMPREENDEDOR13
1.2 CARACTERISTICAS DOS EMPREENDEDORES DE SUCESSO13
1.3 CARACTERISTICAS BÁSICAS17
CAPÍTULO I - EMPREENDEDORISMO E GERAÇÃO DE EMPREGOS18
2.1 EMPREENDEDORISMO E GERAÇÃO DE EMPREGOS19
2.2 O EMPREENDEDOR EMPRESARIAL21
2.3 EMPREENDEDORISMO EM SETE PASSOS23
CAPÍTULO I – IDENTIFICANDO OPORTUNIDADES27
3.1 OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS27
3.1.1 Predisposição27
3.1.2 Criatividade28
3.2 FÓRMULAS PARA IDENTIFICAR OPORTUNIDADE28
DO NOVO NEGÓCIO32
4.1 COLETA DE INFORMAÇÕES32
4.2 PLANO DE NEGÓCIO3
4.3 DESCRIÇÃO DO NEGÓCIO35
4.3.1 Definição do negócio35
4.3.2 Análise financeira35
4.3.3 Análise de risco36
4.3.4 Documentos de apoio36
4.3.5 Motivação pessoal37
CONCLUSÃO38

As mudanças observadas no cenário econômico mundial nos últimos anos induzem as sociedades em desenvolvimento, tal como o Brasil, a um repensar no modo como devam se posicionar no mercado competitivo globalizado. Este novo posicionamento exige um processo de maturidade que esteja “antenado” com as influências colocadas mundialmente no ambiente sócio-econômico destacando, principalmente, àquelas referentes à relação entre educação e trabalho.

Inovação é, talvez, um dos assuntos mais discutidos do mundo dos negócios nos dias atuais. Os livros mais modernos de administração apontam neste sentido como uma das características essenciais para o sucesso no século 21. Para se distinguir num mercado cada vez mais competitivo, as empresas têm de obter avanços na produtividade, em geral decorrentes de uma nova forma de fazer as coisas - seja um modo mais eficiente de aproveitar os recursos, seja a entrada em um mercado diferente ou a aposta num produto extraordinário ou completamente novo. Trata-se de um dos paradoxos da gestão: para ser estável e perene, uma organização deve constantemente promover a mudança. Na maioria das vezes as empresas promovem pequenas mudanças, cujo somatório permite manter-se à frente dos concorrentes. Essas pequenas mudanças são o fruto do trabalho e iniciativa dos empreendedores que se encontram nas organizações.

O empreendedorismo tem sido muito difundido no Brasil nos últimos anos, particularmente na década de 1990, e hoje ser um empreendedor é quase um imperativo, pois é importante lembrar que por trás de novas idéias que vem revolucionando a sociedade, há sempre um visionário, que com seu talento, somado à análise, planejamento e capacidade de implementação, é responsável por empreendimentos de sucesso. Neste estudo são discutidos alguns mitos que com o tempo foram criados, relacionando o empreendedor e suas relações com o surgimento de novas empresas e novos negócios, sugerindo um modelo de formação de gestores baseado nas diferenças individuais bem como em suas competências e habilidades.

As sociedades desenvolvidas se diferenciam das demais pela maneira como elas determinam seu processo inovador, ou seja, de criação e de agregação de valor econômico. Acreditamos que sociedade é tão mais rica, quanto sua capacidade interna de gerar conhecimento e de se estimular a produção. Nesse sentido, promove nas pessoas que compõe determinada sociedade, seus desejos de realização, suas habilidades e potenciais de criação. Quando refletimos sobre este contexto, entendemos porque o tema empreendedorismo é uma pauta prioritária para o desenvolvimento do nosso País, e como particularmente afeta o futuro da sociedade.

Este trabalho tem por objetivo analisar o conceito de empreendedorismo e seu processo, fazendo um paralelo à realidade brasileira, verificando o tipo de atuação das micro e pequenas empresas no contexto empreendedor do Brasil. Será estabelecido o modelo mental do empreendedor e, a forma de organização do negócio. Na construção de modelos de atuação, serão propostas alternativas para o desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil, a partir da formação de administradores em cursos de graduação.

A utilidade deste estudo poderá ser aplicada a melhor definição de políticas de estímulo e fomento ao empreendedorismo, como forma de geração de riqueza, valor, emprego e renda. Do ponto de vista econômico, pode reduzir o desperdício do capital de start-up (capital investido na criação de novos negócios) perdido no processo de mortalidade precoce de micro e pequenas empresas. Do ponto de vista psicológico, o processo de intraempreendedorismo possibilitará uma participação efetiva do empregado na geração de valores para micro e pequenas empresas, tornando-as ainda mais flexíveis e criativas.

Do ponto de vista administrativo, o potencial criativo inerente ao empreendedor, supera as técnicas tradicionais de administração, fazendo-se necessária orientação diferenciada e de características mais simplificadas, de modo a aproximá-lo do “mundo real”, ao invés de “engessá-lo” em teorias muitas vezes formuladas sob realidades muito distintas da brasileira.

1.1 DEFINIÇÃO DE EMPREENDEDOR

Segundo Idalberto Chiavenato, empreendedor não é somente um fundador de novas empresas ou o construtor de novos negócios, é mais que isso, é a energia da economia, a alavanca de recursos, o impulso de talentos, a dinâmica de idéias, é quem fareja as oportunidades e precisa ser muito rápido, aproveitando as oportunidades fortuitas, antes que outros aventureiros o façam. O termo empreendedor vem do francês entrepreneur, que significa aquele que assume riscos e começa de novo.

1.2 CARACTERÍSTICAS DOS EMPREENDEDORES DE SUCESSO

José Carlos Assis Dornelas, afirma que o empreendedor de sucesso tem as seguintes características, (2001, p. 31 a 3):

São visionários: tem visão de como será o futuro para seu negócio e sua vida, e ainda tem habilidade de implementar seus sonhos.

Sabem tomar decisões: não se sentem inseguros, tomam decisões corretas na hora certa, principalmente em momentos de adversidade, sendo isso muito importante para o sucesso, e vão além, implementam suas ações rapidamente.

São indivíduos que fazem a diferença: transformam algo de difícil definição, uma idéia abstrata, em algo concreto, que funciona, transformando o que é possível em realidade (Kao, 1989; Kets de Vries, 1997), agregam valor aos serviços e produtos que colocam no mercado.

Sabem explorar ao máximo as oportunidades: a maioria das pessoas acredita que as boas idéias são daqueles que as vêem primeiro, por sorte ou acaso, porém para os empreendedores, as boas idéias são geradas daquilo que todos conseguem ver, mas não identificaram algo prático para transformá-las em oportunidade, por meio de dados e informação. Schumpeter (1949), afirma que empreendedor é aquele que quebra a ordem corrente e inova, criando mercado com uma oportunidade identificada. Já Kirzner (1973), afirma que é aquele que cria um equilíbrio, encontrando uma posição clara e positiva em um ambiente de caos e turbulência, ou seja, identifica oportunidades na ordem presente. Porém ambos concordam em um ponto, que o empreendedor é um grande identificador de oportunidades, sendo muito curioso e atento a informações, pois sabe que suas chances melhoram quando seu conhecimento aumenta.

São determinados e dinâmicos: implementam suas ações com total comprometimento, atropelam adversidades, ultrapassando os obstáculos, com uma vontade de “fazer acontecer”, sempre dinâmico cultivam certo inconformismo diante da rotina.

São dedicados: comprometem o relacionamento com amigos, família e até com a própria saúde. São trabalhadores exemplares, encontrando energia para continuar, até quando encontram obstáculos pela frente, são incansáveis e loucos pelo trabalho.

São otimistas e apaixonados pelo que fazem: adoram o trabalho que fazem, e isto é o principal combustível que os mantém animados e auto determinados, fazendo-os os melhores vendedores de seus produtos e serviços, pois sabem, como ninguém, como fazê-lo. Este otimismo faz com que sempre vejam o sucesso em vez de imaginar o fracasso.

São independentes e constroem o próprio destino: querem estar à frente das mudanças e ser donos do próprio destino, ser independentes, em vez de empregados, querem criar algo novo e determinar os próprios passos, abrir os próprios caminhos, ser o próprio patrão e gerar empregos.

Ficam ricos: ficar ricos não é o principal objetivo dos empreendedores, mas acreditam que o dinheiro é conseqüência do sucesso dos negócios.

São líderes e formadores de equipes: tem um senso de liderança incomum.

São respeitados e adorados por seus funcionários, pois sabem valorizá-los, estimulá-los e recompensá-los, formando um time em torno de si, pois sabem que para obter êxito e sucesso, dependem de uma equipe de profissionais competentes. Sabem também recrutar as melhores cabeças para assessorá-los nos campos onde não têm o melhor conhecimento.

São bem relacionados (networking): sabem construir uma rede de contatos que os auxiliam no ambiente externo da empresa, junto a clientes, fornecedores e entidades de classe.

São organizados: sabem obter e alocar os recursos materiais, humanos, tecnológicos e financeiros, de forma racional, procurando o melhor desempenho para o negócio.

Planejam, planejam, planejam: os empreendedores de sucesso planejam cada passo de seu negócio, desde o primeiro rascunho do plano de negócios, até a apresentação do plano a investidores, definição das estratégias de marketing do negócio, etc., sempre tendo como alicerce a forte visão de negócio que possuem.

Possuem conhecimento: estão sempre procurando aprender, pois sabem que quanto maior o domínio sobre um ramo de negócio, maior sua chance de sucesso. Esse conhecimento pode vir da experiência prática, de informações obtidas em publicações especializadas, em cursos, ou mesmo de conselhos de pessoas que montaram empreendimentos semelhantes.

Assumem riscos calculados: talvez essa seja a característica mais conhecida dos empreendedores. Mas o verdadeiro empreendedor é aquele que assume riscos calculados e sabe gerenciar o risco, avaliando as reais chances de sucesso, pois assumir riscos tem relação com desafios, e para o empreendedor, quanto maior o desafio mais estimulante será a jornada empreendedora.

Criam valor para a sociedade: utilizam seu capital intelectual para criar valor para a sociedade, com geração de empregos, dinamizando a economia e inovando, sempre usando sua criatividade em busca de soluções para melhorar a vida das pessoas.

Busca pelo sucesso: Segundo Flávio de Almeida, bons resultados profissionais, dependem do poder pessoal que, por sua vez, depende de três fatores básicos: Energia, que transforma em AUTO-ESTIMA;

Comunicação, que se transforma em PODER; Medo, que se transforma em CORAGEM.

1.3 CARACTERISTICAS BÁSICAS

Idalberto Chiavenato, já resume em três, as características básicas de um empreendedor (2004 p. 6-7):

Necessidade de realização: existem pessoas com pouca necessidade de realização e que se contentam com o status atual. Porém, as pessoas com alta necessidade de realização gostam de competir com certo padrão de excelência e preferem ser pessoalmente responsáveis por tarefas e objetivos que atribuíram a si próprias. Em muitos casos, o impulso empreendedor torna-se evidente desde cedo, até mesmo na infância.

Disposição para assumir riscos: o empreendedor assume variados riscos ao iniciar seu próprio negócio: riscos financeiros decorrentes do investimento do próprio dinheiro e do abandono de empregos seguros e de carreira definidas; riscos familiares ao envolver a família no negócio; riscos psicológicos pela possibilidade de fracassar em negócios arriscados. Eles preferem situações arriscadas até o ponto em que podem exercer determinado controle pessoal sobre o resultado, em contraste com situações de jogo em que o resultado depende apenas de sorte. A preferência pelo risco moderado reflete a autoconfiança do empreendedor.

Autoconfiança: quem possui autoconfiança sente que pode enfrentar desafios que existem ao seu redor e tem domínio sobre os problemas que enfrenta. As pesquisas mostram que os empreendedores de sucesso são pessoas independentes que visualizam os obstáculos inerentes a um novo negócio, mas acreditam em suas habilidades pessoais para transpor estes obstáculos. Rotter (1966) salienta que existem dois tipos de crença no sucesso: as pessoas que sentem que seu sucesso depende de seus próprios esforços e habilidades têm um foco interno de controle; por outro lado, as pessoas que sentem ter a vida controlada muito mais pela sorte ou pelo acaso têm um foco externo de controle. Pesquisas revelam que os empreendedores têm um foco interno de controle mais elevado do que aquele que se verifica na população geral.

2.1 EMPREENDEDORISMO E A GERAÇÃO DE EMPREGOS

Quando abordamos o tema empreendedorismo somos induzidos a pensar que se trata de uma questão voltada a atender as necessidades das camadas superiores da nossa sociedade.

Todavia, falar em empreendedorismo traduz a real necessidade de ampliarmos nossa capacidade de geração de empregos e crescimento econômico. Seus defensores, como Fernando Dolabela, afirma que o empreendedorismo trata, sobretudo do combate a miséria e da distribuição de renda em nossa sociedade.

É necessário entender o desenvolvimento econômico contemporâneo tal que possibilite às pessoas de diferentes camadas sociais a agregação de renda e valor a sua atividade, o que pode se dar principalmente pelo estímulo ao empreendedorismo.

Muito se tem dito que as questões emergentes com o processo de globalização afetaram, primeiramente, as economias e, posteriormente, a sociedade de um ponto de vista social. Ao entendermos que mudanças estão acontecendo no mundo, e que existe, de fato, uma perda no espaço profissional no mercado de trabalho, estamos discutindo uma redução no emprego e, conseqüentemente, um aumento no contingente de mão-de-obra de reserva.

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