introdução

Entomologia forense é a aplicação do estudo da biologia de insetos e outros artrópodes em processos criminais. A entomologia forense é mais comumente associada a investigações de morte, ajudando a determinar local e tempo dos incidentes de acordo com a fauna encontrada no cadáver e o estágio de desenvolvimento desta. A Entomologia forense pode ser dividida em duas subcategorias: urbana e médico-legal.

Histórico no Brasil

Esses estudos iniciaram-se no Brasil em 1908, com os trabalhos pioneiros de Edgard Roquette Pinto e Oscar Freire, respectivamente nos Estados do Rio de Janeiro e da Bahia.

Com base em estudos de casos em humanos e animais realizados na primeira década do Século XX, esses autores registraram a diversidade da fauna de insetos necrófagos emregiões de Mata Atlântica, então ainda bastante preservadas. Tais trabalhos foram realizados pouco tempo depois da publicação do livro de Mégnin (1894), o primeiro a tratar do tema de forma sistemática, e chamaram a atenção por postura crítica e seu esforço em desenvolver métodos adequados às

condições locais do Brasil O desenvolvimento da Entomologia Forense no Brasil tem sido facilitado pela sólida tradição brasileira no estudo deinsetos das Ordens Diptera e Coleoptera. Outros grupos deinsetos também são relevantes para a Entomologia Forense, mas as moscas e os besouros são os mais importantes, especialmente em casos envolvendo morte. Devido à sua

importância na medicina, na saúde pública, na veterinária e na agricultura, moscas e besouros foram extensamente estudados por profissionais de diversas áreas do conhecimento. Além

disso, as coleções taxonômicas brasileiras contêm uma razoável representação da diversidade de insetos de nossa região.Um breve histórico sobre a Entomologia Forense. Nas civilizações antigas da Babilônia e do Egito, as moscas aparecem como amuletos, como deuses (Baal Zebub, O Senhor

das Moscas) e como uma das pragas na história bíblica doÊxodo (Thompson & Pont 1993).

A metamorfose das moscas já era conhecida no antigo Egito. Um papiro encontrado no interior da boca de uma múmia continha a seguinte inscrição: “As larvas não se transformarão

em moscas dentro de ti” [Papiro de Gizé no. 18026:4:14]. A maioria dos insetos encontrados em corpos embalsamados são os mesmos que agora auxiliam na solução de casos de

morte (Greenberg 1991). O primeiro caso documentado de Entomologia Forense está

relatado em um manual de Medicina Legal Chinês do SéculoXIII. Foi um caso de homicídio em que um lavrador apareceu degolado por uma foice. Para resolver o caso, todos os lavradores da região foram obrigados a depositar suas foices no solo, ao ar livre. As moscas pousaram em apenas uma

delas, atraídas pelos restos de sangue que ainda estavam aderidos à lâmina. A conclusão foi de que aquela era a foice do assassino (Benecke 2001)

Tarefas da Entomologia Forense.

A Entomologia Forense dedica-se à aplicação do estudo dos insetos na solução de casos criminais e disputas judiciais. Insetos podem ser usados como evidência na solução de crimes e, em alguns casos, podem estar no centro de disputas judiciais ao causar danos a produtos armazenados ou estruturas (Keh 1985). A Entomologia Forense foi classificada em três subáreas,

descritas abaixo (modificado de Lord & Stevesson 1986).

1) Urbana: relativa às ações cíveis envolvendo a presença

de insetos em bens culturais, imóveis ou estruturas. Um caso

típico seria o do comprador de um imóvel que, pouco tempo

depois da compra, descobre que ele se encontra infestado por

cupins e responsabiliza o vendedor pelo seu prejuízo. A

questão a ser respondida pela Entomologia Forense é o tempo

de infestação e se ocorreu antes ou depois da compra.

2) Produtos armazenados: diz respeito à contaminação, em

p e q u e n a o u g r a n d e e x t e n s ã o , d e p r o d u t o s c ome r c i a i s

estocados. O comprador do lote de alimento infestado por

insetos pragas pode exigir do vendedor uma compensação

pelo prejuízo. O desafio para a Entomologia Forense seria

determinar quando ocorreu a infestação.

3) Médico-legal: refere-se a casos de morte violenta (crime

contra a pessoa, acidentes de massa, genocídios, etc.). A

principal contribuição da Entomologia Forense, nesses casos,

é a estimativa do intervalo post-mortem

Determinação do Intervalo Post MortemO principal uso da Entomologia diz respeito à determinação de quando ocorreu o crime. Podem ser usados dois métodos:usando a sucessão entomológica usando a idade e o desenvolvimento das larvas.O primeiro método é usado quando o cadáver encontrado parecer estar morto há mais de um mês; o segundo método é usado quando morte aconteceu há menos de um mês.O primeiro método está baseado no facto de que um corpo humano, ou qualquer tipo de carne putrefacta, apresenta um tempo de decomposição, variável de região para região. Durante esta decomposição, o cadáver atravessa mudanças físicas, biológicas e químicas, e fases diferentes de decomposição do cadáver são atractivas a espécies diferentes de insectos. Muitas espécies estão envolvidas em fases particulares de decomposição. Então, com um conhecimento da fauna de insectos regionais e tempos de colonização de carne putrefacta, um conjunto de insectos associado com os restos pode ser analisado e assim é determinada uma janela de tempo na qual a morte ocorreu. É requerido um conhecimento prévio da sucessão de insectos, naquela região geográfica específica, para este método ter êxito.No segundo método usa-se a idade e o nível de desenvolvimento das larvas ou fases imaturas da varejeira (família Calliphoridae) para determinar a data de morte. Estas moscas depositam os ovos no cadáver, normalmente numa ferida, ou então em qualquer dos orifícios naturais (ex.: olhos, nariz, boca, ouvidos) ou noutros locais escuros e húmidos, tais como dobras de roupa ou simplesmente debaixo do corpo. O desenvolvimento delas segue um ciclo, um jogo previsível, sendo, consequentemente uma questão fácil determinar quando ocorreu a mortehttp://www.scienceinschool.org/repository/images/issue2forensic3_large.jpgCiclo de vida de uma varejeira Calliphorídea(no sentido horário, da esquerda em baixo):adultos, ovos, larvas de primeiro estádio,larvas de segundo estádio, larvas de terceiroestádio, pupários contendo pupasAs perguntas que um entomologista forense deve responder, assim que chega ao cadáver:Que espécies de varejeira estão presentes no corpo? Os espécimes recolhidos têm de estar correctamente identificados, para que possa ser utilizada toda a informação relevante acerca da fisiologia, comportamento e ecologia da espécie. A resposta a esta questão é dada pela taxonomia.Quais os mais velhos espécimes de varejeira? Podem ainda estar a alimentar-se no corpo; podem ter deixado o cadáver para se transformar em pupa noutro local; ou podem já ter emergido como adultos, deixando para trás as cápsulas de pupário vazias.Qual a idade dos espécimes mais velhos? A estimativa da idade envolve estudos morfológicos detalhados recorrendo a um microscópio binocular, para determinar o seu estado de desenvolvimento e para o comparar com dados standard relacionando estado de desenvolvimento e idade a diferentes temperaturas.Quais eram as temperaturas-ambiente no local quando as moscas se estavam a desenvolver no cadáver? Coloca-se um registador electrónico de temperatura no local do crime durante sete a dez dias, e comparam-se as leituras com dados da estação meteorológica local para o mesmo período. Esta comparação pode ser utilizada, juntamente com os dados da estação meteorológica para o período anterior à descoberta do corpo, para estimar as temperaturas no local do crime durante esse período. Assim, determina-se a temperatura a que as larvas se desenvolveram.

REFERÊNCIAS

Cem anos da entomologia forense no Brasil (1908-2008),localizado em http://www.scielo.br

Bioarqueologia e Antropologia Forense,localizado em http://muarq.ufms.br

ENTOMOLOGIA FORENSE: INSETOS ASSOCIADOS À INVESTIGAÇÕES MÉDICO-CRIMINAIS.localizado em http://www.uningareview.com.br pagina 75.

Nome dos componentes:

Nilcilene Cristina da silva

thiago da silva figueiredo

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