Encontrocas 2011

Encontrocas 2011

ENCONTROCAS 2011

Autor: Aluisio Azevedo

Obra: O Cortiço

A obra ¨O Cortiço” de Aluisio de Azevedo, narra a vida miserável dos moradores de duas habitações coletivas. Ele fala dos personagens detalhando-lhes os pormenores significados de suas vidas urbanas. João Romão, português, parecia o único naquele Cortiço que tinha consciência da sua realidade de pobreza e miséria; ao receber de pagamento pelo seus 12 anos de trabalho a venda do seu patrão, que ao enriquecer com aquele comércio se mudou e deixou para ele uma certa quantia em dinheiro, assim João Romão se atirou ao trabalho com o intuito de enriquecer, e possuir muitos bens. Ao lado de sua venda estava a quitanda da Bertoleza, uma negra que morava com outro português, ela, escrava que pagava todo mês uma quantia para o seu senhor para ser alforriada; ela considerava os brancos uma raça superior a sua e por isso não se ajuntava com negros; e assim o autor os descrevia, cada qual em suas particularidades. Com destaque para Pombinha, que sabia ler e escrevia as cartas para aquele povo miserável que não tinha conhecimento, mas verdadeira admiração por aquela moça que estava prometida e esperançosa no casamento com o Costa que tiraria ela e sua mãe daquele cortiço; do lado do Cortiço tinha a casa do Miranda, português que se mudara para um casarão com dona Estela sua esposa, sua filha Alzira e seus criados; para afastar a esposa infiel dos caixeiros que trabalhavam com ele, mas mesmo assim dona Estela permaneceu infiel, pois na sua casa hospedou Henrique, filho de fazendeiro que veio estudar e assim encostava com dona Estela pelos muros; sendo vista por várias pessoas do Cortiço, também por Botelho, velho ranzinza que morava de favor na casa do Miranda; este, por sua vez se fez de compreensivo e até aconselhou o casal, que negava veemente; Botelho ficava por a casa de Miranda, ora aconselhando o Miranda, ora aconselhando dona Estela para não se separarem; mas ficava Felix com o desentendimento dos dois; saía durante o dia e passava horas em frente á uma charutaria falando da vida de todos. João Romão, depois que se ajuntara com a Bertoleza, pois o seu homem morrera e João Romão dera-lhe todo apoio, então ela confiou todos os seus negócios nas mãos dele; passaram a morar juntos, e João Romão emendou seu comércio À quitanda de Bertoleza fazendo seu comércio ficar maior e os lucros aumentarem pois, ela era uma mulher esplêndida no trabalho. Todo o mês Bertoleza dava a quantia a ser paga ao seu Senhor pela carta de sua alforria; assim João arrumou uma carta feita por ele mesmo e levou até a negra para dizer-lhe que ela estava forro e não precisava pagar mais a mensalidade, Bertoleza ficou Feliz, e, não procurou saber realmente a veracidade dos fatos , só sabendo depois de muitos anos que fora enganada pelo seu João. O livro de Aluizio Azevedo mostra a humanidade sem aquele sentimento de pureza; mas o modo de agir do homem em sua realidade, a inveja e admiração do Miranda, por João e vice-versa; todos os domingos tinha festa no Cortiço, mostrando que o povo consumia o que ganhava sem expectativa de melhorar de vida. Mudou para o Cortiço Jerônimo, português,

Este sabia de sua miséria; e com sua mulher juntava um dinheiro para pagar o colégio da filha, melhorar de vida e voltar para sua terra de origem; isto antes de conhecer a mulata Rita, que também morava no Cortiço, ele se enrabichou por ela a tal ponto, que foi capaz de brigar por ela e até de matar para fugir com Rita, baiana gastadeira, boa de farra e de molejo; não tardou para que Jerônimo se afundasse na bebida e ficasse a enrolar no trabalho como os brasileiros que conhecia. Azevedo em seu livro O Cortiço; caracterizou aquele pessoal brasileiro como sem vergonhas que faziam filhos como ratos e gente sem ambição que vivia a mercê da esperteza do português João Romão.

A intenção do método naturalista era fazer uma crítica da realidade corrompida e a mistura de raça; o narrador onisciente, sabe de tudo e tenta com julgamento provar a influência do meio à que se vive da raça e do momento histórico.

O espaço em que se passa o enredo, è um amontoados de casebres mal feitos com a mistura de raças de portugueses, brasileiros e negros que para o autor, se tornou uma promiscuidade.

Outro espaço do cortiço é o sobrado do Miranda; português rico que morava com sua família, perto do cortiço.

O cortiço de Azevedo se assemelha à população do Brasil, formados por portugueses, os burgueses, os negros e os mulatos; também expõem um relacionamento lésbico, de Pombinha com Leone e ao citar Albino como homossexual em seu romance, caracteriza assim a sociedade existente.

Aluisio menciona o conceito racista quando fala de Bertoleza e sua submissão e trabalho por ser negra, completamente dominada pelo dia a dia, sendo influenciada e não tendo poder sobre si mesma. Destaca-se o capítulo 1 no qual acontece o nascimento do cortiço e o processo de enriquecimento de João Romão.

Citação do autor:

Ele propôs-lhe morarem juntos e ela concordou de braços abertos, feliz em meter-se de novo com um português, porque, como toda a cafuza, Bertoleza não queria ajeitar se a negros e procurava instintivamente o homem numa raça superior à sua. AZEVEDO, Aluisio. O cortiço, São Paulo: Abril cultural, 1981. p.14.

A obra de Azevedo escrita no final do século dezenove descreve o personagem de Bertoleza com a representação do negro as margens da sociedade; considerando o homem branco superior ao negro, e o negro inferior ao branco, também como ao português, raça superior ao brasileiro.

Citação do autor:

Que milagres de esperteza e de economia não realizou ele nesta construção! Serviu de pedreiro amassava e carregava barro, quebrava pedra , que o velhaco fora de horas , junto com a amiga,furtava à pedreira do fundo, da mesma forma que subtraíam o material das casas em obras que haviam ali por perto.

AZEVEDO, Aluisio. O cortiço, São Paulo: Abril cultural, 1981, p.16.

Bertoleza é o símbolo do negro serviçal que fazia o que seu superior mandava sem questionar.

Ao mesmo tempo em que fala de Jerônimo português forte, trabalhador e honesto que se tornou como um brasileiro, malandro, preguiçoso depois de conhecer a Rita mulata; que ele a comparava como uma cadela no cio; que os homens se apaixonavam, ao ver seu molejo. Seguindo assim a teoria de Darwin; preceito naturalista em que o meio determina o homem, transformando-o em animal selvagem e primitivo.

Foi publicado em 1890, numa época de grandes mudanças sociais, políticas e econômicas. Justifica assim as formas pejorativas em que os negros eram citados; com a idéia dominante da sociedade, branco livre/ negro escravo.

O discurso opressor de Azevedo, sobre o personagem de Bertoleza soa como o de um racista; porém não se pode afirmar devido à sociedade do momento e da época, em que acontecia o final da escravidão e a abolição da escravatura; no qual os negros, mesmo sendo libertos, ficavam a mercê de seus senhores brancos.

CÂNDIDO, Antônio. Presença de literatura Brasileira do romantismo, e do simbolismo, 9° Ed. Defil, 1981, p. 139.

BERNADI, de Francisco. As bases da literatura brasileira, Porto Alegre, AGEM, 1995, P. 123.

Sobre isto, o lingüista italiano Maurizzio Gnesse (1985) uma variedade lingüística vale o que vale na sociedade de seus falantes isto é, vale como reflexo do poder e da autoridade que eles tem nas relações econômicas e sociais.

Ref. Possentti. Linguagem, escrita e poder, São Paulo, 1996 Martin. Fontes, p. 4.

Comentários