Psicologia social

Psicologia social

UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO

PROF. JOSÉ DE SOUZA HERDY

ESCOLA DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

Psicologia Social

Jéssica da Silva Souza – Matrícula: 2401740

Dhafne de Castro Salvador – Matrícula: 2401730

Dhandara Nascimento – Matrícula:

Juliana Soares de Oliveira – Matrícula: 4306621

Bruna Furtado da Silva – Matrícula: 2401729

Ana Lúcia – Matrícula:

Trabalho acadêmico apresentado a disciplina psicologia social como requisito parcial para aprovação.

Profª: Susana Siqueira

Duque de Caxias – Rj

05/2011

Instituto Dr. Francisco Spinola

O presente hospital é composto por dezesseis médicos e vários plantonistas, três assistentes sociais e enfermeiros e outros especialistas nos cuidados aos internos. O número de pacientes equivale a duzentos e oitenta pacientes com idades bastante variadas (de dezoito a sessenta anos). Existem três tipos de pacientes o primário (pacientes com dependência química), o secundário (além da dependência química, há também transtorno por conta do consumo da droga) e o terciário (que já tem além de tudo, comprometimentos clínicos).

O tempo de internação dos pacientes pode variar de vinte á quarenta e cinco dias de acordo com suas necessidades, porém existem pacientes na instituição que estão a mais de dez anos em tratamento internado.

As condições físicas do local são boas se comparadas às outras instituições. É composta por um ambiente limpo, bem iluminado, com uma área verde enorme, repleta de árvores, campo de futebol, quadra de esportes, sala para terapia ocupacional, piscina, sala com televisão dentre outras atividades.

Os pacientes são encaminhados de hospitais e remanejados de acordo com suas necessidades, a instituição é conveniada com SUS (Sistema Único de Saúde), porém tem uma fração peculiar de origem particular, em casos de estrema urgência e em grande maioria com relação aos dependentes químicos que necessitam de terapeutas.

As necessidades dos internos são atendidas em geral pela instituição, alimentação, higiene pessoal, dentre outras necessidades. O grupo pôde perceber que mesmo a Instituição atendendo as demandas, ainda assim precisam doações de roupas, calçados (chinelos), roupas íntimas entre outros objetos pessoais, também há a necessidade da contratação de mais profissionais capacitados para atendê-los.

Os trabalhadores do local são bem atendidos pela diretoria da Instituição, com salas amplas, bem equipadas e um ambiente super agradável. Por existir apenas três Assistentes Sociais, fica complicada a manutenção e eficácia nos atendimentos prestados. A Assistência prestada é feita a partir de um olhar imediatista, onde se priorizam os casos que tenham uma maior gravidade e são realizados acompanhamentos psicológicos e clínicos.

A Instituição não realiza Assistências destinadas à comunidade pelo o fato do número pequeno de Assistentes Sociais devido ao enxugamento que foi realizado em dois mil e quatro, que de sete Assistentes passam a ter apenas três.

Podemos apresentar como propostas para uma melhor humanização das relações Assistenciais é a realização de trabalhos que os incluam, e façam com que eles se sintam importantes e tratamento como cidadãos e não como meros doentes mentais.

O Instituto Dr. Francisco Spinola realiza seus atendimentos de uma forma personalizada porque cada paciente é visto como um individuo único com seus problemas. Então é promovido o atendimento das necessidades especiais para cada paciente tornando assim o atendimento personalizado com o acompanhamento necessário para promover a reabilitação dos dependentes químicos e a melhora dos pacientes com problemas mentais com a ajuda de medicamentos.

Promove cidadania na medida em que acontece uma inserção dos pacientes que recebem alta nas suas famílias, visa à participação e acompanhamentos das mesmas na vida de interno em tratamento durante e após seu período de internação.

Uma das frases ditas pela assistente social Augusta na nossa visita foi: ”É proibido proibir.” Então nos chama atenção à preocupação e o cuidado de assegurar o que é de direito do cidadão mesmo após a internação desse paciente os seus direitos são atendidos e preservados como o de qualquer pessoa ou cidadão comum de ter acesso até mesmo ao seu dinheiro pra gastar conforme sua vontade e necessidade.

O doente mental é imprevisível algumas vezes são agressivos, se isolam e em até muitos casos não apresentam afeto, porem, não é por isso que devemos excluí-los da sociedade. Daí se apresenta a importância dos profissionais de saúde para a orientação das famílias sobre os cuidados que devem ser tomados durante o tratamento.

O que na visão do grupo falta não só para família, mas sim para a sociedade civil, é um esclarecimento sobre a doença desenvolvida pelo o individuo e orientações para relacionamento com o mesmo.

Diante a instituição familiar desses portadores de necessidades, as ações dirigidas devem estruturar-se de modo a favorecer e fortalecer os dois lados.

A sociedade também precisa se preparar para uma nova visão em saúde mental que, antes considerava o louco como um indivíduo que deveria ficar excluído por não obedecer às normas conceituadas normais e agir em desacordo com os ideais imposto por ela. A falta de conscientização da cidadania faz com que o próprio portador do transtorno mental tenha como única solução a internação psiquiátrica por se sentirem excluídos e dessa forma seu quadro clínico sofre declinações. Essa atitude preconceituosa com os “loucos” se dá muito pela ignorância e falta de informação das pessoas que não são orientadas pelos profissionais de saúde que acabam não se dedicando em passar tais informações.

O portador de transtorno mental deve ser encarado em sua própria visão, pois ele

mesmo não se dá conta do transtorno que possui. Assumir a loucura é assumir que não se tem controle da vida. Uma das perspectivas contemporâneas de tratamento se constituí na Reforma Psiquiátrica que pretende construir um novo estatuto social para o doente mental, que lhe garanta cidadania, o respeito a seus direitos e sua individualidade. Porem se olharmos por outro lado acharemos absurdos que ferem os direitos humanos, por isso essa reforma é tão discutida entre os profissionais de saúde.

A reforma psiquiátrica pretende modificar o sistema de tratamento clínico da doença mental, eliminando gradualmente a internação como forma de exclusão social. Este modelo seria substituído por uma rede de serviços territoriais de atenção psicossocial, visando a integração da pessoa que sofre de transtornos mentais à comunidade.

A rede territorial de serviços proposta na pela Reforma Psiquiátrica inclui centros de atenção psicossocial (CAPS), centros de convivência e cultura assistidos, cooperativas de trabalho protegido (economia solidária), oficinas de geração de renda e residências terapêuticas, descentralizando e territorializando o atendimento em saúde. Esta rede substituiria o modelo dos manicômios do Brasil. A reforma psiquiátrica a desativação gradual dos manicômios, para que aqueles que sofrem de transtornos mentais possam conviver livremente na sociedade. Ocorre que muitos deles sequer têm nome conhecido, documentos, familiares, dificultando a reinserção social. Também não possuem acesso aos benefícios sociais oferecidos pelo Estado, como a aposentadoria e auxílio-doença.

LEI No 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental, de que trata esta Lei, são assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção política, nacionalidade, idade, família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de seu transtorno, ou qualquer outra.

Art. 2o Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo.

Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:

I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades;

II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;

III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;

IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas;

V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;

VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;

VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;

VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;

IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.

Art. 3o É responsabilidade do Estado o desenvolvimento da política de saúde mental, a assistência e a promoção de ações de saúde aos portadores de transtornos mentais, com a devida participação da sociedade e da família, a qual será prestada em estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as instituições ou unidades que ofereçam assistência em saúde aos portadores de transtornos mentais.

Art. 4o A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.

§ 1o O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio.

§ 2o O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros.

§ 3o É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos recursos mencionados no § 2o e que não assegurem aos pacientes os direitos enumerados no parágrafo único do art. 2o.

Art. 5o O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida, sob responsabilidade da autoridade sanitária competente e supervisão de instância a ser definida pelo Poder Executivo, assegurada a continuidade do tratamento, quando necessário.

Art. 6o A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos.

Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica:

I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;

II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; e

III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.

Art. 7o A pessoa que solicita voluntariamente sua internação, ou que a consente, deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tratamento.

Parágrafo único. O término da internação voluntária dar-se-á por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico assistente.

Art. 8o A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento.

§ 1o A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta.

§ 2o O término da internação involuntária dar-se-á por solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento.

Art. 9o A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente, pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários.

Art. 10. Evasão, transferência, acidente, intercorrência clínica grave e falecimento serão comunicados pela direção do estabelecimento de saúde mental aos familiares, ou ao representante legal do paciente, bem como à autoridade sanitária responsável, no prazo máximo de vinte e quatro horas da data da ocorrência.

Art. 11. Pesquisas científicas para fins diagnósticos ou terapêuticos não poderão ser realizadas sem o consentimento expresso do paciente, ou de seu representante legal, e sem a devida comunicação aos conselhos profissionais competentes e ao Conselho Nacional de Saúde.

Art. 12. O Conselho Nacional de Saúde, no âmbito de sua atuação, criará comissão nacional para acompanhar a implementação desta Lei.

Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

O grupo

O grupo acredita que está reforma é boa pelo o lado da exclusão social, pois deste modo o doente mental terá sempre o convívio da família só precisando ir para hospital em casos extremos. Em contrapartida, devemos pensar naqueles que estão nos hospitais psiquiátricos e que não sabem seu nome, o da família, onde moravam, data de nascimento, enfim não estão situados em nada. O que seria feito com eles? Como o Estado iria fazer para acompanhar e inserir estes doentes na sociedade?

A única coisa que podemos ter certeza é que com o fim dos hospitais psiquiátricos o número de moradores de rua irá aumentar e esses “loucos” ficarão sem ninguém, sem remédio, ou seja, sem o mínimo de qualidade de vida que é papel do Estado garantir a cada individuo. Fica fácil analisar o que o Estado pretende com essa reforma: Como muitos desses pacientes não votam e a maioria das famílias que tem um membro portador de doença mental internado em hospitais públicos ou conveniados com o SUS são famílias de baixo poder aquisitivo e com pouca ou nenhuma identificação política na sociedade este problema passará despercebido pela maioria da população enquanto que o poder público enxugará os gastos na saúde em detrimento da dignidade dos pacientes.

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