Programa de Preparação para Aposentadoria

Programa de Preparação para Aposentadoria

(Parte 1 de 7)

SÃO BERNARDO DO CAMPO 2009

Trabalho de conclusão de curso apresentado em atendimento à exigência parcial para conclusão do curso de pósgraduação lato sensu em Gestão de RH e Psicologia Organizacional da Universidade Metodista de São Paulo – UMESP sob orientação do Prof. MS Carlos Augusto C. Silva.

SÃO BERNARDO DO CAMPO 2009

Araujo, Eduardo Brito de

Inovo amanhecer, novos caminhos: o que fazer após se aposentar / Eduardo Brito de Araujo. 2009. 148 f.

Monografia (Espec. em Gestão de RH e Psicologia

Organizacional) –Faculdade da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2009. Orientação : Carlos Augusto C. Silva

1. Trabalho 3. Aposentadoria 3. Autorrealização 4. Gestão de pessoas I. Título

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Pós- Graduação em Gestão de Rh e Psicologia Organizacional da Universidade Metodista de São Paulo, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Gestão de Rh e Psicologia Organizacional.

Conceito Final:

Banca Examinadora Profo. MS Carlos Augusto C. Silva

Profª MS Marli Donizeti de Oliveira

Mais de vinte anos e muitos cabelos brancos separam minha graduação em Administração de Empresas desta especialização em Recursos Humanos e Psicologia Organizacional.

Foram noites descontraídas, porém de absoluta concentração. Foi um tempo de dúvidas e certezas, erros e acertos, indagações e constatações sobre a carreira que escolhi. Porém, antes de tudo, foi um tempo de aprendizado conduzido pela dedicação dos mestres da Universidade Metodista de São Paulo.

A todos os professores deste curso, através de sua coordenadora, Profª. Ms. Marli Donizeti de Oliveira.

Em especial ao meu competente orientador, Prof. Ms. Carlos Augusto C. Silva, que através de sua crítica inteligente, respeito e perseverança, me guiou nessa exaustiva caminhada.

Aos colegas pela confiança e apoio ao me designarem representante da turma I 08.

Enfim, a todos que, de uma maneira ou de outra, contribuíram para a concretização deste importante capítulo da história da minha vida.

Dias Melhores

Vivemos esperando

Dias melhores

Dias de paz, dias a mais

Dias que não deixaremos Para trás

Vivemos esperando

O dia em que

Seremos melhores

Melhores no amor

Melhores na dor Melhores em tudo

Vivemos esperando

O dia em que seremos

Para sempre

Vivemos esperando

Dias melhores para sempre

(Para sempre!)

Dias melhores para sempre (Rogério Flausino – Jota Quest)

A aposentadoria é um momento de ruptura, de quebra do longo vínculo entre o homem e o trabalho. É quando diminuem os rendimentos, se perde a identidade corporativa, quando podem surgir sentimentos de inutilidade e problemas de saúde física e mental. Este trabalho objetiva contribuir através da implantação de um programa de preparação para a aposentadoria – PPA, para uma mudança na cultura da empresa, que passará a realizar práticas organizacionais que possam agregar valor e bem-estar aos profissionais que em breve se aposentarão. Através do PPA, esse grupo de pessoas será preparado e orientado para enfrentar com sabedoria um novo ciclo de suas vidas através de informações sobre aspectos físicos, biológicos, psicológicos, culturais, econômicos, legais e previdenciários, assim como reflexões sobre sua condição de vida atual e futura, mudanças de hábito e a redescoberta da família, culminando na elaboração de um novo projeto de vida que lhes permitirá o investimento em si mesmo.

Palavras-chave: trabalho; aposentadoria; autorrealização.

new project of life that allows a self-investment

The retirement is a moment of rupture where the long link between man and work is broken down. In this moment there is an income reduction, a loss of the corporative identity and when feelings of uselessness and physical and mental health problems arise. This work aim to contribute due a retirement preparation program (PPA) to a cultural change in the organization that will realize organizational practices that increase value and well-being to the people that will be retired in short period of time. Through the PPA this group of people will be oriented to face with wisdom a new cycle of their lives with information about physical, biological, psychological, cultural, economic, legal and social welfare issues and reflections about actual and future life conditions, life habits changes, a new discovery of the family and how to elaborate a Keywords: work; retirement; self-realization.

Figura 1 Modelo de gestão de pessoas39
Figura 2 Processos de gestão de pessoas41
Figura 3 Forças definidoras do espaço organizacional46
Figura 4 Visão geral do processo de movimentação51
Figura 5 Tipos básicos de corte de pessoal61
to

LISTA DE FIGURAS Figura 6 Objetivos x resultados alcançados em processos de enxugamen- 64

Figura 7 Efeitos e moderadores de efeitos de enxugamento de pessoal
nos remanescentes e na organização
Figura 8 Principais moderadores dos efeitos de enxugamento de pessoal74
trabalho

Figura 9 Hierarquia de estratégias alternativas para redução da força de 76

Figura 10 Fluxograma do projeto107
Figura 1 EAP Preliminar12
Quadro 1 Visão sistêmica x Visão Mecanicista32
Quadro 2 Modelo de gestão de pessoas37
Quadro 3 Competências dos profissionais45
Quadro 4 Processos de movimentação na organização48
Quadro 5 Movimentação sob o ponto de vista das pessoas49
Quadro 6 Efeitos de enxugamentos de pessoal na organização68
Quadro 7 Efeitos de enxugamentos de pessoal na organização71
Quadro 8 Efeitos da demissão no indivíduo79
Quadro 9 Moderadores dos efeitos da demissão no indivíduo82
Quadro 10 Recomendações da OIT – 200294
Quadro 1 Estágio de responsabilidade social para o indicador PPA9
1. INTRODUÇÃO12
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA19
2.1 A EVOLUÇÃO DA GESTÃO DE PESSOAS19
2.1.1 Conceitos19
2.1.2 RH ao Longo da História20
2.1.3 A empresa Vista Como um Sistema2
2.1.4 Administração de RH no Brasil25
2.1.5 Visão Mecanicista x Visão Sistêmica31
2. 2 MODELO DE GESTÃO DE PESSOAS34
2.2.1 Conceitos34
2.2.2 Premissas para Construção do Modelo38
2.2.3 Desenho do Modelo39
2.2.4 Bases Para um Novo Modelo de Gestão de Pessoas42
2.3 MOVIMENTAÇÃO DE PESSOAS48
2.3.1 Processos de Movimentação48
2.3.2 Planejamento do Quadro de Pessoas51
2.3.3 Atração de Pessoas52
2.3.4 Internalização53
2.3.5 Reposicionamento54
2.3.6 Recolocação de Pessoas56
2.3.7 Cortes de Pessoal56
2.3.8 Tipos de Corte de Pessoal60
2.4 DEMISSÃO, SEUS EFEITOS E MODERADORES62
2.4.1 Efeitos Econômicos e Sociais63
2.4.2 Objetivos da Redução de Quadro64
2.4.3 Consequências Para a Organização – Visão Geral6
2.4.4 Efeitos na Organização68
2.4.5 Efeitos nos Remanescentes70
2.4.6 Moderadores Para a Organização e Remanescentes72
2.4.7 Alternativas75
2.4.8 A demissão e o Indivíduo78
2.4.9 Ednei e os Efeitos da Demissão84
2.5 PREPARAÇÃO PARA A APOSENTADORIA86
2.5.1 Brasil, Jovem País de Velhos87
2.5.2 O Estatuto do Idoso89
2.5.3 Programa de Preparação Para a Aposentadoria – PPA93
3. METODOLOGIA100
4.1.1 Descrição108
4.1.2 Time do Projeto108
4.1.3 Objetivos108
4.1.4 Justificativa110
4.1.5 Resultados Esperados110
4.1.6 Produto1
4.1.7 Expectativa do Cliente1
4.1.8 Fatores de Sucesso1
4.1.9 Premissas1
4.1.10 Limites e Abrangência do Projeto112
4.1.1 EAP Preliminar12
4.1.12 Principais Atividades e Estratégias113
4.1.13 Entregas do Projeto115
4.1.14 Custo do Projeto115
4.1.15 Cronograma do projeto115
4.1.16 Riscos Iniciais do Projeto116
4.2 ESTRUTURA ANALÍTICA DO PROJETO – EAP117
4.3 PACOTES DE TRABALHO DA EAP119
4.3.1 Diagnóstico (Pacote 1)119
4.3.2 Levantamento de Dados (Pacote 2)120
4.3.3 Desenvolvimento dos Temas de Palestras e Encontros (Pacote 3.1)121
4.3.4 Preparação Final do Programa (Pacote 3.2)126
4.3.5 Divulgação do Programa (Pacote 4.1)126
4.3.6 Inscrição de Participantes (Pacote 4.2)127
4.3.7 Palestras de Informação (Pacote 5)128
4.3.8 Encontros de Formação (Pacote 6)129
4.3.9 Avaliação Geral do Programa (Pacote 7)130
4.3.10 Acompanhamento dos Participantes (Pacote 8)131
4.4 CRONOGRAMA132
4.5 PLANO DE COMUNICAÇÕES133
4.6 RISCOS136
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS139
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS142
ANEXO 1147

1. INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea vive, desde o início do século passado, importantes transformações históricas, políticas, sociais, culturais e progressos científicos que têm cada vez mais garantido a longevidade do ser humano. O Brasil, que por tantos anos vangloriou-se de ser um país de jovens, entrou para o século XXI perdendo essa característica, seja nas transformações ocorridas no mundo do trabalho, seja pelo avanço da ciência ou mesmo pela evolução dos papéis sociais de homens e mulheres, dentre tantas outras.

Desta maneira, o que há poucos anos se costumava chamar de futuro, já é, indiscutivelmente, presente. Na medida em que tempo e ciência avançam, a longevidade se torna a perspectiva de uma quantidade cada vez maior de pessoas, em nível mundial. É uma realidade que se alastra e que nos obriga a rever o momento da chegada da aposentadoria, nossos hábitos, nossos valores e, por conseguinte, como enxergamos esse momento e como somos enxergados por ele.

É uma grande parte da população que não pode ser mais encarada como apenas um pequeno grupo que tricota ou usa pijama e chinelos e se esparrama em um sofá se afundando em um mundo de ócio frente aos programas de televisão ou se reúne na pracinha do bairro para jogos de carta, dominó e conversa fiada. Os conceitos e as situações são outras. É necessário enxergar, assim como a milenar sabedoria oriental nos ensina, que os mais velhos devem ser respeitados e honrados.

A globalização e as recorrentes crises econômicas que afetam o mundo do trabalho colocam para fora de seus muros cada vez mais cedo as pessoas sem prepará-las para enfrentar um novo ciclo em suas vidas. Isto as deixa indefesas para enfrentar os dissabores da perversidade preconceituosa da sociedade ocidental, o cântico de sereia das drogas lícitas ou ilícitas e as doenças físicas ou psíquicas que espreitam a quem se vê de um momento para outro alijado do que considerava seu habitat natural. Deixar que os fatos simplesmente se desenrolem é não enxergar os custos que crescerão em ordem exponencial afetando a economia como um todo.

Dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística – IBGE apontam para um gigantesco salto da população idosa no país, de 12,3 milhões em 2008 para 48,8 milhões em 2050, considerando-se como idoso todo aquele que tenha acima de 65 anos de idade. São números que indicam um acelerado processo de envelhecimento em um país ainda em estágio de desenvolvimento, ao contrário de países já desenvolvidos, onde a economia é estável antes do envelhecimento da população.

O trabalho, ao longo do tempo, tem sido a principal atividade do homem, posto que já é parte integrante de sua identidade. O trabalho é quem dita as regras à vida cotidiana, uma vez que é necessário organizar horários, relacionamentos familiares e sociais, compromissos, tudo em função do próprio trabalho. Neste contexto, a aposentadoria vem representar uma quebra, uma ruptura do dia a dia profissional, quando deveria ser considerada como um repouso merecido.

A aposentadoria tem, para a maioria dos trabalhadores, consideradas aí as classes econômicas e demais fatores culturais e sociais aos quais os mesmos estão inseridos, a conotação de algo que termina abruptamente e não pode ser reposto jamais. Nesse momento há um enorme desgaste psíquico com as preocupações sobre tempo ocioso e, principalmente, a queda de padrão de vida relacionado diretamente à diminuição da renda mensal.

A discriminação, dele próprio, dos familiares, dos colegas, dos chefes, do meio social e a sensação de estar à margem dos acontecimentos e das inovações tende a levar o trabalhador a um estado de incerteza constante. Geralmente nessa época inicia-se a ocorrência de depressões, vazios existenciais e profundas incertezas quanto ao futuro, devido à falta de preparo para enfrentar uma mudança tão radical, que é a saída da tarefa rotineira ou de grande movimentação para um mundo de ócio, onde essa rotina simplesmente não existe mais.

Esse tipo de depressão é mais comum aos homens, que por não terem hábitos de execução de tarefas domésticas ou mesmo de ter vários papéis sociais como geralmente têm as mulheres, não conseguem superar o ócio e podem se tornar agressivos ou até mesmo se entregar ao alcoolismo ou a outras drogas, sejam lícitas ou ilícitas.

Outro fator presente é o medo da doença, de ficar incapaz e ter de depender física e emocionalmente de algum familiar, tendo sido ele – trabalhador – por vários e vários anos o que provém, o que sustenta, o que torna possível a existência e a sobrevivência da família.

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