Economia - as várias possíbilidades de leitura de um texto

Economia - as várias possíbilidades de leitura de um texto

Para começo de conversa...

  • Para começo de conversa...

  • O que é um texto?

  • Como definir o que é sentido?

  • O que chamamos de contexto?

  • Que fator(es) contribui (em) para que um determinado texto tenha sendito?

  • De que forma um sentido de um texto é revelado?

  • Qual é a pertinência do contexto para a construção de sentido?

  • Podemos considerar a leitura uma atividade de produção de sentido?

  • Essa atividade se realize com base em quê?

  • O significado de um texto está simplesmente no próprio texto?

  • Um texto se constitui enquanto tal no momento em que os parceiros de uma atividade comunicativa global, diante de uma manifestação linguística pela atuação conjunta de uma complexa rede de fatores de ordem situacional, cognitiva, sociocultural e interacional, são capazes de construir, para ela, determinado sentido.

  • Uma vez constuído um – e não o sentido, adequado ao contexto, situações concretas de interação, às imagens recíprocas dos parceiros da comunicação, ao tipo de atividade em curso, a manifestação verbal será considerada coerente pelas pessoas envolvidas, levando os parceiros a identificar um texto como texto.

Costa Val (1999)

  • Costa Val (1999)

  • A produção e recepção de um texto pressupõe uma série de fatores pragmáticos que contribuem para a construção de seu sentido.

  • O contexto sociocultural em que se insere o discurso também constitui elemento condicionante de seu sentido.

  • Souza e Carvalho (1995)

  • O Contexto de uma determinada situação comunicativa, para a pragmática, deve ser considerado para a real compreensão do que é dito, uma vez que o significado social das afirmativas não é o conteúdo literal das frases, mas sim a interpretação que os participantes vão oferecer às expressões.

Platão e Fiorin (2004)

  • Platão e Fiorin (2004)

  • O significado global de um texto não é o resultado de uma mera soma de suas partes, mas de uma certa combinação geradora de sentidos, que envolve o próprio texto e seu contexto.

  • Uma mesma frase pode ter sentidos distintos dependendo do contexto dentro do qual está inserida.

Ex 1.: “Depois eu falo com você lá fora”

  • Ex 1.: “Depois eu falo com você lá fora”

  • Que sentidos podemos atribuir ao enunciado acima?

  • Dependendo do contexto, de quem diz, para quem diz e das intenções, a afirmativa poderá ter múltiplos sentidos, tais como:

  • Uma conversa posterior;

  • Uma ameaça;

  • A necessidade de um conchavo;

  • Uma evasiva para fugir a uma pergunta, etc.

Ex. 2: “Adorei o jogo da seleção brasileira. Perdemos de 2 a 1.” (Fala dita ao final de uma partida de futebol entre a seleção brasileira e a seleção argentina por um brasileiro amigo.)

  • Ex. 2: “Adorei o jogo da seleção brasileira. Perdemos de 2 a 1.” (Fala dita ao final de uma partida de futebol entre a seleção brasileira e a seleção argentina por um brasileiro amigo.)

  • O enunciado aparentemente apresenta incoerência, pois pressupomos que nenhum brasileiro gostaria de ver a derrota de seu time. No entanto, vejamos duas situações (contextos) em que esse enunciado teria sentido:

  • a) O locutor deseja ser irônico, ou seja, diz uma coisa querendo dizer outra. No caso, a palavra adorei está substituindo odiei . Se os interlocutores entenderem essa intenção, dizemos que o texto foi coerente, pois alcançou plenamente o sentido pretendido para aquela situação.

b) Antes do jogo, os amigos fizeram uma aposta. O locutor apostou sozinho na derrota do Brasil por 2 a 1, por isso, está feliz. O enunciado não é irônico e os interlocutores certamente compreenderão o sentido pretendido pelo locutor: adorou não a qualidade do futebol do time brasileiro, mas o resultado da partida que lhe deu o prêmio.

  • b) Antes do jogo, os amigos fizeram uma aposta. O locutor apostou sozinho na derrota do Brasil por 2 a 1, por isso, está feliz. O enunciado não é irônico e os interlocutores certamente compreenderão o sentido pretendido pelo locutor: adorou não a qualidade do futebol do time brasileiro, mas o resultado da partida que lhe deu o prêmio.

  • A construção de sentido textual implica a ocorrência de alguns fatores, dentre eles:

  • 1. A intencionalidade: concerne ao empenho do produtor em construir um discurso coerente, coeso e capaz de satisfazer os objetivos que tem em mente numa determinada situação comunicativa.

2. A situacionalidade: é um fator de textualidade que diz respeito aos elementos responsáveis pela pertinência e relevância do texto quanto ao contexto em que ocorre. É a adequação do texto à situação sociocomunicativa. Assim, a construção de sentidos dar-se-á mediante o contexto discursivo que, normalmente, orienta tanto a produção quanto a recepção.

  • 2. A situacionalidade: é um fator de textualidade que diz respeito aos elementos responsáveis pela pertinência e relevância do texto quanto ao contexto em que ocorre. É a adequação do texto à situação sociocomunicativa. Assim, a construção de sentidos dar-se-á mediante o contexto discursivo que, normalmente, orienta tanto a produção quanto a recepção.

Ex. 3: “Eles vão te pegar na esquina” (Propaganda – Jornal da Globo)

  • Ex. 3: “Eles vão te pegar na esquina” (Propaganda – Jornal da Globo)

  • O sentido da frase pode assumir diferentes significados a depender do contexto em que foi enunciada.

  • Situação 1: uma cidade violenta. Dois amigos conversam e comentam sobre os frequentes assaltos no bairro. Um deles avisa ao outro: eles vão te pegar na esquina. Nesse caso, é possível que a frase se refira aos assaltantes que esperam por vítimas n esquina, portanto, o contexto é responsável pela construção de sentido. Situação 2: uma família. Um irmão liga para casa e avisa a sua irmã que os pais estão passando de carro para apanhá-la. Nesse caso, é possível que eles combinem o local do encontro e o irmão avise: eles vão te pegar na esquina. O que, na situação 1, poderia soar como ameaça, passa a ser, agora, uma ocorrência familiar normal.

No caso da propaganda, porém, o contexto é outro: a frase “Eles vão te pegar na esquina” é seguida pelo nome de várias pessoas, algumas delas bastante conhecidas. O que há em comum entre essas pessoas? Todas publicam seus textos em diversos jornais de grande circulação. Na parte inferior da propaganda, vê-se o nome de um jornal, Se consideramos essas informações, concluiremos que a frase “Eles vão te pegar na esquina”, nesse contexto situacional específico, refere-se ao fato de que os textos escritos por todas as pessoas identificadas poder ser encontrados no Jornal do Brasil, vendido em bancas de revista que, muito frequentemente, se localizam em esquinas das cidades.

  • No caso da propaganda, porém, o contexto é outro: a frase “Eles vão te pegar na esquina” é seguida pelo nome de várias pessoas, algumas delas bastante conhecidas. O que há em comum entre essas pessoas? Todas publicam seus textos em diversos jornais de grande circulação. Na parte inferior da propaganda, vê-se o nome de um jornal, Se consideramos essas informações, concluiremos que a frase “Eles vão te pegar na esquina”, nesse contexto situacional específico, refere-se ao fato de que os textos escritos por todas as pessoas identificadas poder ser encontrados no Jornal do Brasil, vendido em bancas de revista que, muito frequentemente, se localizam em esquinas das cidades.

  • “Pegar”, nesse contexto, não significa atacar ou buscar alguém, mas sim capturar a atenção do leitor, que, interessado pelos textos escritos por todos os colunistas identificados, decide comprar o Jornal do Brasil.

Ler atentamente o texto, tendo noção da conjunto;

  • Ler atentamente o texto, tendo noção da conjunto;

  • Compreender as relações entre as partes do texto;

  • Sublinhar momentos mais significativos;

  • Fazer anotações.

Não é apenas um decifrador de sinais, um decodificador da palavra. A palavra, para ele, é signo e não sinal. Busca uma compreensão do texto, dialogando com ele, recriando sentidos implícitos nele, fazendo inferências, estabelecendo relações e mobilizando seus conhecimentos para dar coerência às possibilidades significativas do texto.

  • Não é apenas um decifrador de sinais, um decodificador da palavra. A palavra, para ele, é signo e não sinal. Busca uma compreensão do texto, dialogando com ele, recriando sentidos implícitos nele, fazendo inferências, estabelecendo relações e mobilizando seus conhecimentos para dar coerência às possibilidades significativas do texto.

É cooperativo, na medida em que deve ser capaz de construir o universo textual a partir das indicações que lhe são fornecidas.

  • É cooperativo, na medida em que deve ser capaz de construir o universo textual a partir das indicações que lhe são fornecidas.

  • É produtivo, na medida em que, refazendo o percurso do autor, trabalha o texto e se institui em um co-enunciador.

  • É, enfim, sujeito do processo de ler e não objeto, receptáculo de informações.

Texto para análise

  • Texto para análise

  • Uma rã viu um boi que tinha uma boa estatura. Ela, que era pequena, invejosa, começou a inflar-se para igualar-se ao boi em tamanho. Depois de algum tempo, disse: - olhe-me, minha irmã, já é o bastante? Estou do tamanho do boi?

  • - De jeito nenhum.

  • - E agora?

  • - De modo algum.

  • - Olhe-me agora.

  • - Você nem se aproxima dele.

  • O animal invejoso inflou-se tanto que estourou.

  • (Adaptação de fábula de La Fontaine. Fábulas)

Questões para reflexão:

  • Questões para reflexão:

  • i) A leitura da fábula permite-nos reconhecer uma história de animais ou de homens?

  • ii) Se considerada de homens, que termos nos levam a essa classificação?

  • Interpretando o texto...

  • Os personagens são as duas rãs e o boi, que são animais. No entanto, certos termos, como “inveja”, “disse”, bem como a vontade de igualar-se ao boi são elementos próprios do ser humano, aplicam-se ao homem. Há então no texto uma retomada de significado voltado para o plano humano.

Essa retomada obriga a ler a fábula como uma história de gente. No plano humano, a rã não é a rã, mas o homem invejoso que faz tudo para igualar-se a quem ele inveja.

  • Essa retomada obriga a ler a fábula como uma história de gente. No plano humano, a rã não é a rã, mas o homem invejoso que faz tudo para igualar-se a quem ele inveja.

  • Os termos “rã” e “boi” propõem inicialmente um plano de leitura: uma história de bichos. Entretanto, à medida que vamos lendo o texto, os elementos que contêm traço humano não permitem mais que se leia a fábula como história de animais, pois apresentam um novo plano de leitura: a fábula passa a ser lida como história de homens.

  • ANALISANDO

  • TEXTOS

Temática: Análise semântica de textos.

  • Temática: Análise semântica de textos.

  • Objetivo: Discutir coletivamente sobre as várias possibilidades de leitura de um texto.

  • Orientação:

  • Selecionar 03 gêneros textuais;

  • Destacar os fragmentos que chamaram a atenção de vocês;

  • Apontar, com base no contexto em que circulam e em outros contextos possíveis, que sentidos podem ser atribuídos aos fragmentos selecionados.

  • Mostrar as possibilidades de leitura dos gêneros selecionados.

  • Observação: Elaborar a análise em powerpoint para ser apresentada entre 05 a 10 minutos.

  • Orientação:

  • Selecionar 02 gêneros textuais;

  • Apresentar por escrito a interpretação que você atribui aos textos selecionados.

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