saude do trabalho

saude do trabalho

(Parte 1 de 3)

Disciplina: Saúde do Trabalho e Biossegurança Escola de Massoterapia SOGAB w.sogab.com.br

Prof. Roberta Merino Masina roberta@sogab.com.br Prof. Keli Steffler keli@sogab.com.br

Apostila de Saúde do Trabalho e Biossegurança

BIOSSEGURANÇA A biossegurança é uma ciência que surgiu para controlar e diminuir os riscos quando se praticam diferentes tecnologias, tanto aquelas desenvolvidas em laboratórios, ambulatórios como as que envolvem o meio ambiente. Também aparece em: indústrias, hospitais, clínicas, laboratórios de saúde pública, laboratórios de análises clínicas, hemocentros, universidades, etc. A biossegurança é regulada por um conjunto de leis que ditam e orientam como devem ser conduzidas as pesquisas tecnológicas. No Brasil está formatada legalmente para os processos envolvendo: a) organismos geneticamente modificados, de acordo com a Lei de Biossegurança - N. 8974 de 05 de Janeiro de 1995. b) os alimentos transgênicos, produtos da engenharia genética.

Comissão de Biossegurança A Comissão de Biossegurança tem a função de fazer cumprir o que determina o Regulamento Interno: a) descrever os cuidados relativos aos aspectos de Biossegurança; b)estabelecer as rotinas de procedimentos no controle de doenças transmissíveis; c)manter registro das ocorrências relativas a doença. As Metas Específicas São

• reduzir o número de microrganismos patogênicos encontrados no ambiente de tratamento;

• reduzir o risco de contaminação cruzada no ambiente de tratamento;

• proteger a saúde dos pacientes e da equipe de saúde;

• conscientizar a equipe de saúde da importância de, consistentemente,

• aplicar as técnicas adequadas de controle de infecção;

• difundir entre todos os membros da equipe de saúde o conceito de precauções universais, que assume que qualquer contato com fluidos do corpo é infeccioso e requer que todo profissional sujeito ao contato direto com eles se proteja, como se eles apresentassem o vírus da imunodeficiência adquirida ou da hepatite B, C ou D;

• estudar e atender às exigências dos regulamentos governamentais locais, estaduais e federais.

Conceitos e Definições em Biossegurança: a) Anti-sepsia: é a eliminação das formas vegetativas de bactérias patogênica e grande parte da flora residente da pele ou mucosa, através da ação de substâncias químicas (anti-sépticos). b) Anti-séptico: substância ou produto capaz de deter ou inibir a proliferação de microrganismos patogênicos, à temperatura ambiente, em tecidos vivos. c) Assepsia: Método empregado para impedir que um determinado meio seja contaminado. Quando este meio for isento de bactérias chamamos de meio asséptico. d) Bactérias: forma vegetativa; quando estão realizando todas as suas atividades metabólicas, como respiração, multiplicação e absorção. Os microrganismos, na cavidade bucal, estão na forma vegetativa. e) Degermação: é a remoção de detritos, impurezas, sujeira e microrganismos da flora transitória e alguns da flora residente depositados sobre a pele do paciente ou das mãos através da ação mecânica de detergente, sabão ou pela utilização de substâncias químicas (anti-sépticos). f) Descontaminação: tem por objetivo a função dos microrganismos sem eliminação completa devido à presença de matéria orgânica, realizado em instrumentais e superfícies. g) Desinfecção: é a eliminação de microrganismos patogênicos na forma vegetativa de consultório e demais ambientes da clínica, geralmente é feita por meio químicos (desinfetantes). h) Desinfestação: exterminação ou destruição de insetos, roedores e outros seres, que possam transmitir infecções ao homem. i) Desinfetantes: substância ou produto capaz de deter ou inibir a proliferação de microrganismos patogênicos em ambientes e superfícies do consultório, à temperatura ambiente. j) Detergente: substância ou preparação química que produz limpeza; possui uma ou mais propriedades: tensoatividade, solubilização, dispersão, emulsificação e umectação. k) Equipamento de proteção individual (EPI'S): são equipamentos de proteção utilizados pelo profissional, pessoal auxiliar, paciente e equipamentos, a fim de evitar contaminação e acidentes (gorro, máscara, avental, luvas, óculos de proteção...). l) Esterilização: é a destruição dos microrganismos nas formas vegetativas e esporuladas. A esterilização pode ser por meio físico (calor) ou químico (soluções esterilizantes). m) Esterilizante: agente físico (estufa, autoclave) ou químico (glutaraldeído 2%, formaldeído 38%) capaz de destruir todas as formas de microrganismos, inclusive as esporuladas. n) Infecção cruzada: é a infecção ocasionada pela transmissão de um microrganismo de um paciente para outro, geralmente pelo pessoal, ambiente ou um instrumento contaminado. o) Infecção endógena: é um processo infeccioso decorrente da ação de microrganismos já existentes, naquela região ou tecido, de um paciente. Medidas terapêuticas que reduzem a resistência do indivíduo facilitam a multiplicação de bactéria em seu interior, por isso é muito importante, a anti-sepsia pré-cirúrgica. p) Infecção exógena: é aquela causada por microrganismos estranhos ao paciente. Para impedir essa infecção, que pode ser gravíssima, os instrumentos e demais elementos que são colocados na boca do paciente, devem estar estéreis. É importante,

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Prof. Roberta Merino Masina roberta@sogab.com.br Prof. Keli Steffler keli@sogab.com.br que barreiras sejam colocadas para impedir que instrumentos estéreis sejam contaminados, pois não basta um determinado instrumento ter sido esterilizado, é importante que em seu manuseio até o uso ele não se contamine. A infecção exógena significa um rompimento da cadeia asséptica, o que é muito grave, pois, dependendo da natureza dos microrganismos envolvidos, a infecção exógena pode ser fatal, como é o caso da AIDS, Hepatite B e C. q) Infecção Nosocomial (Hospitalar): Toda infecção contraída em um estabelecimento hospitalar. Essas infecções são adquiridas geralmente a partir do ambiente ou pessoal hospitalar, do equipamento inadequadamente esterilizado ou da própria microflora do paciente. São germes adaptados e ultra-resistentes. r) Infecção Comunitária: Infecções não originarias de ambiente hospitalar sendo adquiridas no meio social da comunidade.

Em geral os germes não apresentam uma resistência considerável. s) Procedimento crítico: é todo procedimento em que existe a presença de sangue, pus ou matéria contaminada pela perda de continuidade. t) Procedimento semicrítico: todo procedimento em que existe a presença de secreção orgânica (saliva) sem perda de continuidade do tecido. u) Procedimento não-crítico: todo procedimento onde não há presença de sangue, pus ou outra secreção orgânica (saliva). Em Odontologia não existe este tipo de procedimento

HIGIENE Do Grego: hygieiné, scilicet téchne, a arte relativa à saúde; Ramo da Medicina que estuda as inter-relações entre o Homem e o meio ambiente, no sentido da preservação da saúde individual e comunitária. Limpeza. Ramo das ciências médicas que se ocupa da prevenção das doenças e da manutenção da saúde; HIGIENE NO TRABALHO A Associação Norte-Americana de Higienistas Industriais define deste modo esta ciência: a) A Higiene Industrial: reconhecimento, avaliação e o controle daqueles fatores ambientais ou tensões, originadas nos locais de trabalho, que podem provocar doenças, prejuízos à saúde ou bem-estar, desconforto significativo e ineficiência nos trabalhadores ou entre as pessoas da comunidade; b) Princípios e metodologia de atuação são aplicáveis a qualquer forma de atividade humana, em que possam estar presentes diversos fatores causadores de doenças profissionais.

Higiene refere-se a um conjunto de normas e procedimentos que visa à proteção e a integridade física e mental do trabalhador (massoterapêuta), preservando-a dos riscos de saúde inerentes ás tarefas do cargo e ao ambiente físico onde são executados: a) Ambiente: clean, limpo, arejado, bem iluminado, organizado. b) Pessoal: cabelos presos, unhas curtas e limpas, jaleco, calçado fechado. c) Material: álcool, água e sabão.

RISCOS AMBIENTAIS A maioria dos processos pelos quais o homem modifica os materiais extraídos da natureza, para transformá-los em produtos segundo as necessidades tecnológicas atuais, capazes de dispensar no ambiente dos locais de trabalho substâncias que, ao entrarem em contato com o organismo dos trabalhadores, podem acarretar moléstias ou danos a sua saúde.

Estes processos poderão originar condições físicas de intensidade inadequada para o organismo humano, sendo que ambos os tipos de riscos são geralmente de caráter acumulativo e chegam, às vezes, a produzir graves danos aos trabalhadores.

Nível de Risco Itens Método de Descontaminação

Alto Risco Instrumentos que penetram à pele/corpo. Esterilização (autoclave), ou material descartável.

Risco Moderado Instrumentos que entram em contacto com mucosas ou pele que apresenta solução de continuidade.

Esterilização, fervura ou desinfecção química.

Baixo Risco Material que entra em contacto com pele intacta. Lavagem com água quente e sabão

• Riscos Químicos: São as diversas substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão.

• Riscos Físicos: representam um intercâmbio brusco de energia entre o organismo e o ambiente, em quantidade superior àquela que o organismo é capaz de suportar, podendo acarretar uma doença profissional. temperaturas extremas: como frio e calor. ruído. vibrações. pressões anormais. umidade. radiações ionizantes: são as mais perigosas e de alta freqüência: raios X, raios Gama (emitidos por materiais radiativos) e os raios cósmicos. Ionizar significa tornar eletricamente carregado. Quando uma substância ionizável é

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Prof. Roberta Merino Masina roberta@sogab.com.br Prof. Keli Steffler keli@sogab.com.br atingida por esses raios, ela se torna carregada eletricamente. Quando a ionização acontece dentro de uma célula viva, sua estrutura química pode ser modificada. A exposição à radiação ionizante pode danificar nossas células e afetar o nosso material genético (DNA), causando doenças graves, levando até à morte. O maior risco da radiação ionizante é o câncer! Ela também pode provocar defeitos genéticos nos filhos de homens ou mulheres expostos. Os danos ao nosso patrimônio genético (DNA) podem passar às futuras gerações. É o que chamamos de mutação. Crianças de mães expostas à radiação durante a gravidez podem apresentar retardamento mental. radiações não-ionizantes: são radiações de baixa freqüência: luz visível, infravermelho, microondas, freqüência de rádio, radar, ondas curtas e ultrafrequências (celular). Embora esses tipos de radiação não alterem os átomos, alguns, como as microondas, podem causar queimaduras e possíveis danos ao sistema reprodutor. Campos eletromagnéticos, como os criados pela corrente elétrica alternada a 60 Hz, também produzem radiações não ionizantes. iluminação deficiente. ultra-som.

• Riscos Biológicos: são microorganismos que podem contaminar o trabalhador e são, basicamente: as bactérias os fungos os bacilos os parasitas os protozoários os vírus

Muitas atividades profissionais favorecem o contato com tais riscos. É o caso das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios, etc. Estes microorganismos podem provocar diversas doenças, entre elas: tuberculose, brucelose, malária, febre amarela.

ERISIPELA (Linfangite estreptocócica) É uma infecção da pele causada geralmente pela bactéria Streptococcus pyogenes grupo A, mas também pode ser causada por outros estreptococos ou até por estafilococos. É um processo infeccioso cutâneo, podendo atingir a gordura do tecido celular subcutâneo, causado por uma bactéria que se propaga pelos vasos linfáticos. Pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, mas mais comumente atinge diabéticos, obesos e nos portadores de deficiência da circulação venosa dos membros inferiores. Não é contagiosa. Nomes populares: esipra, mal-da-praia, mal-do-monte, maldita, febre-de-santo-antônio.

A partir de lesão causada por fungos (frieira) entre os dedos dos pés, arranhões na pele, bolhas nos pés produzidas por calçado, corte de calos ou cutículas, coçadura de alguma picada de inseto com as unhas, pacientes com insuficiência venosa crônica ou com diminuição do número de linfáticos têm uma predisposição maior de adquirir a doença, como é o caso de pacientes submetidas à mastectomia, portadoras de linfedema.

No período de incubação, que é de um a oito dias, aparece mal-estar, desânimo, dor de cabeça, náusea e vômitos, seguidos de febre alta e aparecimento de manchas vermelhas com aspecto de casca de laranja, bolhas pequenas ou grandes, quase sempre nas pernas e, às vezes, na face, tronco ou braços. No início, a pele se apresenta lisa, brilhosa, vermelha e quente. Com a progressão da infecção, o inchaço aumenta, surgem as bolhas de conteúdo amarelado ou achocolatado e, por fim, a necrose da pele. É comum o paciente queixar-se de “íngua” (aumento dos gânglios linfáticos na virilha). As manchas na pele no início apresentam somente aumento de temperatura, mas logo se tornam bastante dolorosas. A febre costuma permanecer de um a quatro dias e pode regredir espontaneamente, causando uma enorme prostração.

O diagnóstico é feito apenas pelo exame clínico, analisando os sinais e sintomas apresentados pelo paciente. Não há necessidade de nenhum exame de sangue ou de outro exame especial da circulação, a não ser para acompanhar a evolução do paciente.

Quando o tratamento é realizado logo no início da doença, as complicações não são tão evidentes ou graves. No entanto, os casos não tratados a tempo podem progredir com abscessos, ulcerações (feridas) superficiais ou profundas e trombose de veias. A seqüela mais comum é o linfedema, que é o edema persistente e duro (não forma uma depressão na pele quando submetido à compressão com os dedos), localizado principalmente na perna e no tornozelo, resultante dos surtos repetidos de erisipela.

O tratamento consta de várias medidas realizadas ao mesmo tempo e só deve ser administrado pelo médico: 1. Uso de antibióticos específicos para eliminar a bactéria causadora. 2. Redução do inchaço, fazendo repouso absoluto com as pernas elevadas, principalmente na fase inicial. Pode ser necessário o enfaixamento da perna para diminuir o edema mais rapidamente. 3. Fechamento da porta de entrada da bactéria, tratando as lesões de pele e as frieiras. 4. Limpeza adequada da pele, eliminando o ambiente adequado para o crescimento das bactérias. 5. Uso de medicação de apoio, como antiinflamatórios, antifebris, analgésicos e outras que atuam na circulação linfática e venosa.

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