Introdução a teologia - Geografia Bíblica

Introdução a teologia - Geografia Bíblica

(Parte 7 de 16)

Vulcões ativos, como o Stromboli, erguem-se nas águas azuis ou às margens do Mar Tirreno, o primeiro que Roma conquistou ao começar sua expansão pelo Mediterrâneo.

O Mar Tirreno integra o Mediterrâneo ocidental. Apresenta configuração triangular, definida a nordeste pela península itálica, a oeste pelas ilhas da Córsega e Sardenha e ao sul pela Sicília. O Tirreno constitui uma bacia, na verdadeira acepção do termo: é relativamente ralo na periferia, com profundidades não superiores a 1.500m, para aprofundar-se no trecho central, até atingir 3.730m, o que o torna a mais profunda das porções do Mediterrâneo.

Acidentado por vulcões ativos e por arquipélagos, o Tirreno encontra-se separado do Mar da Ligúria no extremo norte, entre a Córsega e o continente, pelas ilhas Toscanas, das quais a maior é a de Elba. Próximas da costa italiana, diante do golfo de Gaeta, encontram-se as ilhas Poncianas e, fronteiras ao golfo de Nápoles, as de Ischia e Capri. Ao norte da Sicília situam-se as ilhas Eólias, todas de caráter vulcânico, e, mais a oeste, Ustica.

A navegação entre o Tirreno e os outros Mares que o cercam faz-se por meio de estreitos. A sudeste, o apertado estreito de Messina, entre a Sicília e o continente, liga-o ao Mar Jônico. A sudoeste, o largo canal da Sardenha, entre esta ilha e a Sicília, comunica o Tirreno com a parte ocidental do Mediterrâneo. O estreito de Bonifácio, entre a Córsega e a Sardenha, também liga o Tirreno e o Mediterrâneo. Os principais portos italianos no Tirreno são Civitavecchia e Nápoles, na península, e Palermo, na Sicília.

Rios e Lagos da Terra Santa

Existe uma grande diferença entre os rios do nosso Brasil e os de Israel, pois enquanto temos uma quantidade imensa de rios de grande porte, Israel tem poucos rios, e muitos de seus rios aqui no Brasil seriam chamados de riachos ou córregos. Existem duas palavras hebraicas básicas que designam rios: Nahal e Nãhãr, a primeira significa um wadi que é um vale dotado de uma corrente de água, já o segundo termo significa rio normalmente.

Bacia do Mediterrâneo

Estes são os rios que nascem em Israel e desembocam no mar mediterrâneo.

Rio Belus

Localiza-se no norte de Israel acima do mar da Galiléia, e desemboca no mediterrâneo. Eles surgem nas Escrituras como o rio Sior-Libnate em Josué 19:26.

As suas águas desembocam na baia do Acre, perto da cidade de Acco, mas durante dois terços do ano ele permanece seco, em outras épocas pode parecer pequeno córrego, mas num período curto do ano ele enche-se.

Rio Quisom

Este é o maior rio da bacia do mediterrâneo, o segundo mais importante de Israel, tem sua nascente em Esdraelom e durante o seu curso recebe inúmeras vertentes. É um rio encorpado para os padrões de Israel, perto de suas margens ficava a cidade de Tminate onde Dalila morava, e localiza-se entre as cidades de Jope e Ascalom.

Rio Caná

Este rio no Antigo Testamento fazia uma fronteira natural entre as tribos de Efraim e Manassés, ele nasce perto de Siquém, atravessa a planície de Sarom e desemboca no mediterrâneo.

Ele possui este nome por passar perto da cidade de Caná de Efraim, não confundir este local com Caná da Galiléia, onde Jesus realizou seu primeiro milagre. Na antiguidade havia abundância de juncos em suas margens. E assim como o rio Belus ele só possuía água nos meses chuvosos, portanto é um wadi.

Rio Gaás

Josué foi sepultado no monte Gaás, perto de onde corre o rio com o mesmo nome, também este rio é um wadi. As suas águas banham a planície de Sarom. O seu nome em hebraico significa "terremoto".

Rio Sorec ou Soreque

Possui suas nascentes próximas as montanhas de Judá, a sudoeste de Jerusalém, a noiva de Sansão morava próxima ao vale por onde corre este rio, também em suas redondezas ficava o vale de Sora, terra natal do profeta Samuel. Em hebraico seu nome significa "vinha escolhida". Sua foz localiza-se entre as cidades de Jope e Ascalom.

Rio Besor

Trata-se de um ribeiro (pequeno rio), que fica nas vizinhanças de Ziclaque, no sul de Judá, e dos wadis que possui Israel este é o de maior volume de água. Atualmente o seu nome é Sheriah. Foi nas circunvizinhanças deste rio que Davi libertou os habitantes de Ziclaque dos amalequitas. O seu nome Besor em hebraico significa refrigério.

Rio Querite

Em 1º Reis 17:3-5, temos a passagem em que o profeta Elias fugindo de Jesabel, recebe uma ordem de Deus para refugiar-se no rio Querite. Este rio é mais um dos wadis, para alguns não passa de um córrego de água que na maior parte do ano está seco. Possui sua nascente nos montes de Efraim e deságua no rio Jordão, este rio localiza-se na Transjordânia.

Rio Cedrom

O monte das oliveiras é separado do monte Moriá pelo rio Cedrom, que em hebraico significa escuro. Ele nasce a dois quilômetros e meio de Jerusalém, e corre para leste, o seu curso possui 40 km e deságua no mar Morto. Foi este rio em que ocorreu um dos episódios mais tristes da vida do rei Davi, registrado em 2º Samuel 15:23. Jesus também passou por ele em suas caminhadas - João 18:1.

Rio Yamurque ou Iamurque

Atualmente conhecido como Sheriat-el-Mam-jur, constitui-se no maior afluente oriental do Jordão, e também é formado por três braços, ele junta-se ao Jordão a 200 m abaixo do nível do mar e a uns 20 km depois do mar da Galiléia. Ele não é mencionado na Bíblia.

Rio Jaboque

Este rio nasce nas montanhas de Gileade, a leste do rio Jordão e deságua nele, o seu curso é de aproximadamente 130 km. O seu nome significa "o que derrama".

Rio Arnom

O seu nome em hebraico significa "rápido e tumultuoso", pois nasce nos montes de Moabe e durante o seu trajeto de aproximadamente 60 km ele desce uma alta cordilheira e deságua no mar morto. O profeta Isaías falou dele em Isaías 16:2. Atualmente é conhecido como wadi el-Modjibe; nas épocas de chuvas este rio é volumoso, mas depois da primavera começa secar.

Lago de Merom

Este é o único lago de Israel, na verdade o mar da galiléia também é um lago, mas este é o único chamado assim. A enciclopédia Barsa define lago do seguinte modo "Denominação genérica de toda massa de água doce, salobra ou salgada que se acumula de forma natural numa depressão topográfica totalmente cercada por terra", mas isto é contraditório com outras definições, algumas fontes consideram massas de água salgada como mares tendo ligação ou não com oceanos, por causa desta confusão de termos trago baixou uma pesquisa bastante interessante "o que são lagos?".

Em Josué 11:5-7 ele é chamado de águas de Merom. É formado pelas águas do Jordão e possui 10 km de comprimento por 6 km de largura, suas águas estão a 2 metros acima do nível do mar e sua profundidade varia entre 3 a 4 m. Atualmente ele perdeu as suas formas originais, pois foi modificado pela engenharia de Israel.

O QUE SÃO LAGOS?

De tamanho muitas vezes impressionante, os lagos constituem, no entanto, fenômenos de pequena duração na escala do tempo geológico, por serem áreas onde domina o processo de sedimentação que gradualmente os torna cada vez menores e mais rasos.

Lago é o nome genérico dado a toda massa de água que se acumula de forma natural numa depressão topográfica, totalmente cercada por terra. Os lagos podem ser de água doce, salobra ou salgada e variam grandemente em forma, tamanho e profundidade. Os de menor superfície são por vezes chamados lagoa, enquanto os maiores -- como o Cáspio, por exemplo -- recebem o nome de mar. Exibem os mesmos movimentos das águas oceânicas, como ondas, marés e correntes.

Embora sejam mais abundantes nas latitudes mais altas ou em regiões montanhosas, onde a ação da glaciação pleistocênica escavou profundas depressões, os lagos se distribuem por diversas regiões geográficas. No Brasil, são mais comuns os lagos litorâneos, denominados lagunas, em geral de águas salgadas e pouco profundas, separadas do mar por restingas, bancos de areia, ilhas ou recifes de coral. Uma ou mais aberturas permitem a livre circulação das águas marinhas.

Características

Muitos lagos são alimentados diretamente por rios, aos quais se dá o nome de afluentes. Fontes, neves, geleiras e chuvas também alimentam lagos. O escoamento das águas pode ser feito por meio de rios (chamados emissários); por infiltração ou drenagem subterrânea, como nos lagos localizados em terrenos de rocha calcária; e ainda por evaporação. Nas zonas áridas e semi-áridas, onde é comum haver lagos sem qualquer saída para o mar, o nível das águas tende a diminuir até a completa dessecação. Durante esse processo a concentração de sais na água aumenta progressivamente e, por fim, uma camada salina se deposita no fundo do lago dessecado.

Os lagos são efêmeros do ponto de vista geológico porque já no momento em que se formam inicia-se o processo de sua destruição. Os afluentes que os nutrem tendem a entulhar seu fundo com sedimentos, o que, com o tempo, provoca desbordamentos da bacia e consequente perda de profundidade. Ao mesmo tempo, os rios emissários escavam fendas profundas nas margens da bacia, que com isso tende a desaguar cada vez mais depressa e secar. Por último, o desenvolvimento de vegetação aquática em lagos pouco profundos favorece a formação de pântanos nas margens, o que leva à gradual dessecação. Os lagos mais duradouros são os que ocupam grandes e profundas fossas tectônicas, como o Baikal, na Sibéria, e o Tanganica, na África.

Há lagos que foram mais extensos em épocas passadas, o que se comprova pela presença de terraços (vestígios da antiga massa sedimentar acumulada), como o Grande Lago Salgado, nos Estados Unidos, cuja origem foi o lago Bonneville, dez vezes maior. As bacias sedimentares onde hoje se alojam as cidades de São Paulo e Curitiba são antigas áreas lacustres. As variações do nível da água dependem de vários fatores (chuvas, evaporação, infiltração), mas sobretudo do tamanho da bacia hidrográfica; quanto maior for sua extensão, mais água recebe, e com maior regularidade. Nas zonas áridas e nas montanhas, essas variações são mais frequentes. A temperatura das águas lacustres em geral varia de acordo com a profundidade. Águas profundas têm temperatura mais baixa que as superficiais, salvo em regiões de clima frio, onde a camada superior se congela no inverno.

Origem

Distinguem-se vários processos de formação lacustre, que podem atuar isoladamente ou em conjunto. Os lagos podem ter origem em influências tectônicas, litorâneas, fluviais, atividades vulcânicas e glaciárias, entre outras.

Os vários tipos de atividades tectônicas originam lagos grandes e profundos. Movimentos epirogenéticos ocasionaram o isolamento de porções litorâneas, como no caso dos mares Cáspio e de Aral. Na África Oriental, o Kioga é um exemplo de lago formado em consequência de arqueamentos de superfícies, que reverteram a drenagem das águas. Arqueamentos suaves e marginais originaram bacias centrais ocupadas pelas águas, como ocorreu no lago Vitória. Dobramentos originaram depressões como o Titicaca, na fronteira entre o Peru e a Bolívia, e alguns da África oriental, como o Kioga, o Vitória, o Niassa etc. De origem tectônica, esses lagos estão entre os maiores do mundo, ao lado do Baikal e do Tanganica.

As caldeiras, crateras e barragens formadas pelo escoamento de lava vulcânica são responsáveis pela formação de inúmeros lagos, como o da Cratera, o do Oregon e o Yellowstone (nos Estados Unidos), o de Bolsena (na Itália) e os lagos Kivu e Bunyoni (na África oriental). A ação erosiva da glaciação pleistocênica em montanhas e placas continentais deu origem ao maior número de lagos existente na superfície terrestre, especialmente na América do Norte, na Escandinávia e na Sibéria. Entre os lagos glaciários continentais citam-se os grandes lagos dos Estados Unidos, além dos canadenses Winnipeg, Atabasca, Grande Urso e o dos Escravos. Há muitos lagos glaciários de montanha nos Alpes, nas montanhas Rochosas e na Nova Zelândia.

Outras causas são: o estrangulamento das curvas dos rios em consequência da acumulação de sedimentos; o fechamento de vales em virtude de deslizamentos de terras ou corridas de lava; a dissolução de terrenos calcários, que formam depressões ocupadas por sedimentos argilosos impermeáveis, como é o caso de alguns lagos da península de Yucatán, no México; e o impacto de grandes meteoritos, como o que deu origem ao lago Chubb, em Quebec, no Canadá.

As variações do nível marinho nas zonas litorâneas também influem na formação dos lagos, que nesse caso se chamam lagunas. A formação de restingas (cordões arenosos que gradualmente fecham partes do litoral) é um dos processos mais comuns de formação de lagunas na faixa litorânea. As lagoas dos Patos (Rio Grande do Sul), de Araruama e Rodrigo de Freitas (estado do Rio de Janeiro) são exemplos desse tipo de formação na costa brasileira.

Biologia lacustre

Até uma profundidade de cem metros, as águas superficiais (bem servidas de luz, calor, oxigênio e elementos nutritivos) costumam apresentar grande riqueza de plâncton, enquanto em águas profundas predominam as bactérias. As zonas marginais apresentam vegetação submersa ou semi-submersa.

A fauna geralmente se adapta às condições climáticas, à salinidade e às correntes. A civilização moderna tem trazido graves transtornos aos ecossistemas de muitos lagos. O uso de águas lacustres, para irrigação, produção de energia, transporte e recreação, em geral é feito sem a preocupação de preservar a riqueza biológica.

Os lagos podem ser contaminados em razão do lançamento de resíduos industriais, lixo, esgoto e detergentes, do uso de pesticidas em águas para irrigação, da elevação da temperatura da água em virtude de seu emprego na refrigeração de centrais nucleares e até por eventuais vazamentos radioativos.

CLIMA

O que é clima?

As variações climáticas ocorridas ao longo dos tempos tiveram influência determinante na multiplicação ou desaparecimento de espécies animais e vegetais e nos processos que modelaram o relevo terrestre até que ele adquirisse sua atual configuração.

Clima é o conjunto de estados da atmosfera próprios de um lugar que, em contato com as massas continentais ou oceânicas, provocam fenômenos como a aridez, umidade ou precipitações. Climatologia é a disciplina que descreve os climas e traça sua gênese, proporcionando dados para ciências aplicadas como a meteorologia.

O clima de uma região é determinado por variáveis como temperatura, umidade, pressão atmosférica, direção e velocidade dos ventos, quantidade e qualidade (chuva, neve ou granizo) das precipitações. Fazem parte do clima elementos como a nebulosidade, as horas de radiação solar nas diferentes estações do ano, a intensidade das tempestades e a existência de neblina e geadas. Todos os elementos que constituem o clima variam de um ano para outro ou dentro de períodos mais longos.

Os primeiros estudos climatológicos se limitavam ao registro das observações sobre o clima de determinadas regiões. Tal método, próprio da climatologia analítica, levou à classificação dessa ciência como um ramo da geografia ou da meteorologia. Posteriormente, a climatologia dinâmica acrescentou a seu objeto de estudo os fenômenos que dão origem às mudanças do tempo atmosférico a longo prazo. Isso permitiu que a disciplina fosse utilizada como área de pesquisa e previsão meteorológicas. Ainda não se descobriu, no entanto, um método preciso e confiável de previsão das condições climáticas.

A climatologia se subdivide em diversos ramos, segundo suas aplicações práticas. A climatologia aeronáutica se aplica à determinação de rotas de navegação aérea e à escolha dos lugares adequados à construção de aeroportos. A climatologia marítima serve a finalidades análogas.

Os estudos climatológicos agrícolas visam a estabelecer as melhores relações entre o clima e as atividades de plantio e colheita. A bioclimatologia analisa a relação entre elementos climáticos e fenômenos biológicos e inclui a bioclimatologia humana. Esta se subdivide em ramos como a climatopatologia, que estuda a relação entre o clima e as doenças, e a climatoterapia, que se ocupa da influência das variações climáticas na cura ou erradicação de enfermidades. A climatologia urbana investiga o microclima das cidades e a influência exercida sobre o clima pela contaminação atmosférica produzida nos grandes núcleos populacionais.

Radiação solar

No sistema atmosfera + superfície terrestre, a energia irradiada pelo Sol é captada durante o dia pela superfície curva e diferenciada da Terra e por seu envoltório gasoso, que refletem ou absorvem as radiações em diferentes proporções. A maior parte da radiação é absorvida e convertida em calor pela superfície terrestre, que o cede à atmosfera na forma de raios infravermelhos. A atmosfera é, assim, aquecida pela base e, como não se deixa atravessar facilmente pelas radiações emitidas pela superfície terrestre, dificulta a dissipação de calor nas altas camadas e impede que os resfriamentos noturnos sejam muito pronunciados.

A atmosfera e a superfície terrestre formam, portanto, um verdadeiro sistema de recepção da energia radiante do Sol e trocas de calor entre si. Do balanço dessas trocas decorrem as características térmicas fundamentais de cada região. Teoricamente, qualquer ponto da superfície terrestre recebe 4.384 horas anuais de radiação solar, o que não significa que o balanço da radiação seja idêntico em todos. Devido à curvatura da Terra, os raios solares que incidem nas latitudes maiores são mais inclinados, o que acentua a reflexão e aumenta a absorção pela própria atmosfera. Nas altas latitudes, a energia solar se reparte por superfícies maiores. Ambos os fenômenos concorrem para que essas regiões recebam insolação menos intensa.

A duração da insolação não é a mesma nas diferentes latitudes. Nas zonas temperadas e frias, onde as noites são curtas no verão e são longas nos invernos, os contrastes, entre as estações do ano são notáveis e a amplitude térmica anual é maior que a amplitude térmica diária, ou seja, as temperaturas variam relativamente mais de estação para estação do que de acordo com a hora do dia. Nas zonas intertropicais, onde os dias e noites têm quase a mesma duração o ano todo, as estações se diferenciam pouco e a amplitude térmica diária é maior que a amplitude térmica anual.

De maneira geral, o balanço da radiação é positivo na zona tórrida e subtropical da Terra, entre os paralelos de 35° de latitude norte ou sul, e se torna negativo a partir desses paralelos até as regiões polares de cada hemisfério. Poder-se-ia inferir dessa relação que a temperatura aumentaria de maneira constante dos pólos para o equador, e vice-versa. Entretanto, no conjunto do planeta há um equilíbrio, mantido pela circulação de ar atmosférico, que exerce um papel compensador e impede grandes variações térmicas ao longo dos paralelos. Outro indutor de mudança do clima a longo prazo, relacionado com a radiação solar, é a modificação do traçado elíptico da órbita da Terra em torno do Sol. Existem também variações periódicas na quantidade de energia irradiada pelo Sol, o que faz com que aumente ou diminua a quantidade de energia recebida pela Terra.

Durante centenas de milhares de anos, a temperatura da Terra tem variado numa faixa relativamente estreita, o que significa que não houve perda ou ganho substancial de calor, mas equilíbrio entre a energia captada e a energia emitida. A atmosfera desempenha papel fundamental na manutenção da temperatura, principalmente por ação de dois de seus componentes: vapor d'água e dióxido de carbono, que permitem a passagem das radiações solares com maior facilidade que as radiações emitidas pela crosta terrestre. Sem interferência da atmosfera, a temperatura média da superfície da Terra cairia aproximadamente 40° C. Assim, o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, provocado pelo consumo de combustíveis orgânicos, pode causar profundas alterações na temperatura da superfície da Terra.

Depois de atravessar a atmosfera, os raios solares chegam à superfície terrestre e são refletidos, em maior ou menor medida, conforme a matéria sobre a qual incidam. O potencial de difusão de uma superfície determinada denomina-se albedo e constitui um fator de notável interesse climatológico. Seu valor é alto para a neve e a areia, por exemplo, e reduzido para a água, quando os raios solares incidem perpendicularmente.

Temperatura, pressão atmosférica e ventos

No equador e em suas proximidades, registram-se temperaturas médias mais elevadas, que em geral decrescem ao aumentar a latitude, tanto ao norte como ao sul. Entretanto, como vimos, a latitude não é o único fator determinante da temperatura. Em latitudes equivalentes, as temperaturas são superiores no hemisfério norte, já que nele se situa a maior parte da terra firme do planeta, que se aquece mais rapidamente que a água e perde calor mais lentamente que ela; A água atua como regulador térmico.

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